Os Segredos dos Seus Braços
30 Um encontro de historias
Notas iniciais
Ah,desculpem a pequena demora, mas eu fiz plantao esse fim de semana no serviço, e nao tinha net pra usar ¬¬ (cambada de japonês pão-duro esses meus patroes, viu!)
Mas enfim, o que muitos estavam esperando aconteceu!!!!
Mas voces terao que ler o cap de hj pra saber
kkkkk
que besta ¬¬
Enfim,boa leitura!!!
:*
Cap. 30-Um encontro de historias
Biloxi, Mississipi
1901
Jasper a encarou por um tempo, buscando em seu olhar algum reconhecimento daquela atitude.
Aquilo não parecia Alice em nenhum de seus aspectos.
Enquanto ela sustentava o olhar incrédulo e frio de Jasper, tentando segurar a saliva para que não descesse rasgando sua garganta, vários minutos foram passados. A fina linha entre a tensão e a perda do controle pairando entre eles dois.
Em Alice, a cruel sensação de que estava encrencada, embora o arrependimento fosse uma das ultimas coisas que sentiria.
Mas em Jasper, a dureza, deixando seus belos olhos, sempre receptivos e calorosos, duas rochas verdes.
Carlisle depositou silenciosamente seu copo quase vazio sobre a mesinha de canto, junto com a fotografia da fazenda de café, esquecida ali apenas como um adorno proposital. Seu silencio era contido, seu olhar ansioso por alguma palavra.
A tensão tocara até mesmo ele.
Alice passou a língua nos lábios secos, o coração batendo no peito como uma guilhotina. Esperar a reação de Jasper fora um martírio com um amargo gosto, o qual ela não esperava sentir.
_ Jasper, eu...
_ Alice saia – ele se pronunciara assim que ela começou a tentar se explicar. Parecia não querer entender, mas era inevitável. Ela havia mesmo feito aquilo.
Havia mesmo.
Era impossível ele conseguir esconder a raiva pela intromissão e a omissão das cartas referentes à apenas ele. O controle de sua voz estava em seu ápice.
_ Mas Jasper, eu só....
_ Alice! – ele a cortou outra vez, fechando os olhos por alguns segundos, odiando olhar para ela e se arrepender de ser duro – Por favor – emendou, incapaz de conter sua cordialidade, mesmo quando sua raiva beirava o descontrole – Saia!
Alice engoliu em seco, piscando algumas vezes parar tentar controlar o choro. Olhou para Jasper novamente, tentando ver se podia tentar se explicar outra vez sem que ele a mandasse sair, dessa vez sem a educação perfeitamente esculpida que ele portava.
Voltou um rápido olhar para Carlisle, como se seu coração sentisse que poderia ter alguma ajuda dele. Porem, ela dera rapidamente as costas para os dois para que não vissem as lágrimas finas que escaparam pelos cantos de seus olhos. Saiu daquela biblioteca em um vulto, mal fechando a pesada porta atrás de si.
Assim que Jasper escutara os passos de suas passadas ao longe no corredor, ele passou nervosamente as mãos pelos cabelos, bufando.
_ Ela não devia! Ela não tinha o direito de se meter em minha vida desta maneira tão traidora! – esbravejou, as costas para seu capitão. As veias saltadas demonstravam que fora tirado do sério. Poucas vezes se sentira tão irritada como daquela.
_ Acalme-se – Carlisle o orientou, cruzando os braços sobre o peito.
— Ela sabe o que penso sobre lealdade! Ela não deveria ter escondido seu pedido de ajuda de mim! Ela foi egoísta, foi traidora! – ele alterou um pouco mais o tom de voz, ignorando o pedido de Carlisle. Tinha que despejar em alguém sua incredulidade por aquele ato de tamanha traição, como ele julgara.
Fechou os dedos em punhos, respirando rapidamente, o pulmão funcionando na mesma velocidade de suas batidas de coração, mas não conseguindo acompanhar a enxurrada de pensamentos que rodavam em sua cabeça naquele exato momento.
_ Você não acha que esteja, talvez, sendo pouco razoável? – Carlisle insistiu, ponderando a voz e, por um segundo, seus lábios se elevaram em um quase meio sorriso. O estresse repentino de Jasper e o ataque de irritabilidade que ele demonstrava pareciam, mesmo, pouco razoáveis, ainda mais para um jovem soldado tão treinado como ele.
Nenhuma mulher jamais o tirara do serio antes.
_ Razoável, Carlisle? – ele se virou para, os olhos parecendo incrédulos, raivosos — Se fosse o contrario, nem tente imaginar o que essa mulher faria! – ele apontou em direção à porta com um movimento brusco, segurando o pé para que não chutasse a cadeira em sua frente.
_ Mas é entendível, meu rapaz – Carlisle, no alto de sua calma e ponderância, disse para o jovem, tentando fazê-lo entender que, mesmo que soubesse o quanto aquilo o deixara chateado, que havia outro motivo estressor, e que não deveria fazer tanto alvoroço por uma bobagem — Eu ficaria terrivelmente satisfeito se minha mulher jogasse fora meus convites de guerra por medo de eu morrer – deu de ombros, deixando no ar a deixa.
E aquela simples e sábia colocação de palavras desmontara o irritado e enfurecido Jasper Witlock.
Um pequeno calor, que queimava a boca do estomago e o âmago do coração, sensação que Jasper começava a entender bem, aparecera.
Carlisle tinha razão.
De novo.
Na realidade, era Jasper quem estava sendo egoísta. Alice não era mesmo o tipo de moça que fazia coisas como a que ela havia feito com frequencia. Se detestava que remexessem em sua vida e nas coisas que faziam parte dela, conseqüentemente ela jamais faria aquilo se não estivesse realmente desesperada. Lembrara-se de como ela havia ficado quando ele se ausentara na primeira e imaginou seus sentimentos de temores quando a possibilidade de aquilo se repetir se fez presente. Alice tinha todos os direito do mundo de fazer aquilo com ele.
E, também, ele reconhecia o que era óbvio. Os acontecimentos de sua vida estavam deixando-o tão no limite que até um dente-de-leao passando frente aos seus olhos o faria querer matar alguém.
Com as mãos depositadas indignadamente na cintura, ele estalou a língua. Lá estava ele novamente tendo que concertar coisas.
Ele e seu capitão Carlisle ainda beberam um pouco na biblioteca antes de Carlisle ir deitar-se. Jasper enrolou um pouco ali, terminando com a garrafa de bebida que haviam aberto.
“Inferno de vida”, pensou ele, olhando para o liquido levemente transparente, o estomago revirando um pouco com tudo. Virou todo o conteúdo de seu copo em um único gole, fazendo uma careta com o gosto forte descendo garganta abaixo.
Quando o tempo passou e passara as 2 horas desde que tudo acontecera, ele decidiu que era hora de subir. Esfregou os olhos com força, sentindo dores no corpo. Levantou-se vagarosamente, pegando seu casaco da poltrona da frente, pensando se poderia ficar por ali até a alvorada, para ter certeza de que, quando entrasse no quarto, não precisaria encarar os olhos de Alice abertos, remoendo-se sozinha uma culpa que, na realidade, ela não tinha.
Agora, ele não se sentia o homem inteligente e astuto que todos falavam.
Subira as escadas escutando atentamente seus sapatos rangerem na madeira velha. Até aquela madeira o irritara, naquele momento.
Seu estado era mesmo de se assombrar, ele pensou bem consigo mesmo.
Abriu a porta do quarto, sentindo-a mais pesada do que o normal. O silencio do quarto misturado ao respirar baixo de sua mulher lhe respondia sua pergunta inconsciente.
Ela estava mesmo dormindo.
Ele suspirou, encarando-a, tão pequena e tão branca entre o emaranhado de lençóis. Parecia estar em um sono inquieto, certamente por conta de sua febre baixa.
A maldita febre baixa.
Tirou suas camisas e sua calça, ficando apenas com suas peças intimas, as que ele dormia, as vezes em que estava cansado demais para preparar-se decentemente.
Em momento algum tirara os olhos dela.
Deitou-se ao seu lado aproximando-se sorrateiramente. Colocaria um ponto final na cena protagonizada à algumas horas atrás.
Beijou seu pescoço exposto com carinho, sentindo a jugular pulsar calmamente sob seus lábios. Sua pele era tão sensível que apenas aquele toque quente a fizera acordar sonolenta. O que ele via eram seus olhos brilhando entre a meia escuridão.
Ela parecera surpresa por vê-lo tão próximo, mas virou-se para ele na cama, encarando-o com profundidade, como sempre fazia.
Não era mulher de meio-olhares.
Muito timidamente, ela acariciou seu rosto próximo, quebrando as estruturara armadas que ele ainda carregava em seu olhar severo. Não tinha medo dele.
Tinha medo de... perde-lo, mesmo que não soubesse de qual modo.
_ Eu não vou a lugar nenhum – ele sussurrou, as notas graves de seu timbre perfurando o silencio comunal daquele dormitório. Isso enquanto sua mão abaixava a alça de sua camisola com vagareza, sentindo o tato das pontas de seus dedos contra a pele gélida de seu braço – Não enquanto você precisar de mim por perto – continuou, aproximando-se sorrateiramente do canto de sua boca macia.
_ Sinto muito – ela sussurrou de volta com a garganta ranhosa. Dava para contar nos dedos de uma única mao quantas vezes em sua vida pedira desculpas por algo que fizera a alguém. Suas más-criações, seus insultos e suas constantes brigas com as Stanley na infância jamais foram motivos o suficiente para tal ato – Não vou mais intrometer-me em sua vida – sua voz continha até mesmo o tom choroso que ela tentava segurar. Sentia-se tão culpada pela raiva dele.
Era sua culpa.
Tudo sua culpa.
_ Isso está fora de questão, agora – ele retrucou em seu ouvido, seriamente. Quando beijou aquele local, Alice pensara que estava tudo bem. Ele parecia disposto a esquecer aquilo e a relação dos dois voltaria ao ponto onde havia desviado-se. Porem, ele emendara sua frase antes que ela pudesse raciocinar o porquê – Por que a minha vida está resumida na sua.
Os batimentos de Alice se aceleraram e ela sorriu para o nada. Mesmo que aquele ritmo em seu coração fosse muito maior do que o normal de um coração acelerado, ela apenas aceitou de bom grado aquela declaração.
_ De qualquer forma, não esconderei nada de você outra vez – ela murmurou seriamente, puxando o rosto dele para o seu – Não me intrometerei outra vez.
Jasper sentiu a poupa dos pés gelarem. Desta vez fora a sua cabeça que pesou de culpa e seu peito murchara-se. Era exatamente aquilo que ele estava fazendo – intrometendo-se... mentindo... escondendo.
Se Alice estava jogando suas cartas na mesma, ele também deveria fazer aquilo.
No entanto, ele estava escondendo coisa muito pior dela.... e, agora, ele nem ao menos poderia comparar com ela quando tudo aquilo viesse a tona.
Com aquelas palavras inocentes e limpas que ela acabara de dizer, as coisas haviam se complicado um pouco mais....
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Biloxi, Mississipi
1901
Manhã seguinte
Jasper ajeitava a gravata frente ao enorme espelho de Alice enquanto ela ainda permanecia em seu sono profundo. Antes de descer para tomar seu café, dera um beijo em sua mão fria, terminando de cobri-la pela trigésima primeira vez.
Alice sempre amanhecia descoberta, de tanto que se remexia inquieta. Sobrava sempre para ele, Jasper, acordar durante a noite para cobrir seu corpo do frio que fazia naquela casa em noites daquela época, principalmente por conta da maioria das vezes ela estar nua.
Jasper não precisava que ela ficasse constipada, ainda por cima.
Na mesa do café da manhã, Carlisle já comia torradas conversando sorridentemente com Lucy, que soltava um de seus risos finos e desajeitados, claramente encabulada diante da imagem de importância que Carlisle passava, quando Jasper aparecera.
_ Ah, bom dia meu rapaz – ele o cumprimentou calorosamente, erguendo sua torrada com doce de coco, preparado por Consoelo – Sirva-se destas torradas, estão surpreendentemente melhores do que as já inventadas! – sorriu enquanto Jasper se sentava calmamente em seu habitual lugar, na ponta da mesa.
_ Bom dia, Capitão – Jasper respondeu seu cumprimento. Lucy não demorara em trazer-lhe sua fortíssima xícara de café – Espero que tenha tido uma boa noite.
Carlisle terminou de mastigar o pedaço de torrada que tinha e voltou-se para Jasper, um pouco mais sério.
Quase um tom de pai, o que na realidade não passava muito longe da verdade, afinal Carlisle era mesmo um segundo pai para Jasper.
_ Bem, tenho que admitir que fiquei um tanto preocupado com vocês dois ontem a noite – abaixou um pouco o tom de voz, tocando o ombro do jovem – Você está bem? Alice está bem?
Jasper olhou para seu capitão e não conseguiu deixar de sorrir. Aquilo era tão Carlisle! Se preocupar com todos ao seu redor, como se quisesse abraçar o mundo!
Jasper era desse jeito quando mais moço, o que lhe garantira um apelido naquela época.
Rabiola de Papagaio, por conta de se parecer tanto com Carlisle.
E ele detestava aquele apelido mais do que o diabo odiava a cruz.
_ Estou melhor, Capitão – respondeu ele, tranqüilizando-o com seu tom. Estava mesmo melhor. Melhor do que ontem – Me desculpei com Alice e preciso me desculpar com você também, certamente.
_ Ah, deixe disso, filho – Carlisle deu de ombros, voltando para sua torrada com mais naturalidade – Se você se acertou com Alice é o suficiente – disse ele, o olhar se perdendo por milésimos dentro de sua xícara de café quente – Sabe Jasper, jamais permita que o coração de uma mulher seja magoado. Jamais... – disse ele, sem realmente olhar para Jasper. Ele sabia o quanto Carlisle tinha um passado mal resolvido com uma mulher, embora ele próprio jamais tivesse tocado no assunto abertamente, falado seu nome nem onde viviam. Mas ele sabia que, até naqueles dias, Carlisle ainda carregava uma dor aberta – Se conseguir fazer de tudo para impedir que seu coração se parta, faça!
Jasper assentiu com a cabeça silenciosamente, absorvendo mais um dos conselhos vividos de seu capitão.
_ Certamente capitão.
Tomaram café da manhã calmamente, rindo um pouco enquanto se lembravam dos outros rapazes do Exercito, que certamente faziam a festa nos prostíbulos de Florence quando não estavam em guerra.
E não tinha capitão para colocá-los entre limites.
_ Sr. Witlock? – Lucy interrompera a conversa, aparecendo no recinto com sua timidez habitual – Desculpe interromper, mas um daqueles oficiais que estiveram aqui há alguns dias está na porta, querem falar com o Sr.
Jasper levantou-se de sua cadeira, desculpando-se com Carlisle, e indo sem contar os passos até a sala de estar.
O homem que ali estava era o tal Sr. Cooper, alto e magro, como uma goiabeira.
_ Bom Dia Sr. Witlock, sinto incomodá-lo logo de manhã – disse ele, tirando uma papelada debaixo do braço – Mas precisava lhe entregar a papelada das investigações feitas no Sr. Fortunato Black – continuou ele em tom entediado, segurando o amontoado de papeis em direção à Jasper.
Ele os pegou com pressa, ignorando a total falta de vontade daquele policial. Revirou os papeis, lendo minuciosamente todas as suas letras. Tinha o depoimento de todas as pessoas ligadas aos Black naquela cidade. Os funcionários do banco haviam tido as respostas para suas perguntas grifadas de tinta vermelha.
O que os papeis mostravam perturbaram Jasper com poucas coisas conseguiam. Ali dizia algo que não fazia sentido.
_ Mas...
_ Sim, Sr. Witlock – interrompeu o policial, segurando firmemente na fivela de seu cinto, um ar de “eu disse” tamborilando em suas palavras – Há diversas testemunhas para confirmar o que nos dissemos para o Sr. e a família Cullen – continuou – O Sr. Black esteve trabalhando em seu banco durante todo o dia em que acontecera o ocorrido.
Jasper respirou com força, as noticias em extrema reviravolta em sua cabeça.
_ Mas isso quer dizer que...
_ Que o assassino do Sr. Cullen não pode ter sido o Sr. Black, por que ele estivera no banco, sob o olhar de todos ali, o tempo inteiro.
Jasper soltou o ar, esfregando os olhos com força.
_ Bem, espero que os Sr’s mantenham a palavra – continuou ele, agora um tom um pouquinho mais ameaçador – Esqueçam essa historia de desconfiarem do Sr. Black.
Jasper encarou o oficial com um olhar bem pouco amigável. Era claro o quanto a cidade tinha a imagem de excelente homem para Fortunato. Ele vivia dando contribuições generosas para as entidades que poderia favorecê-lo.
Como a policia e os bancos menores do que o seu.
Fortunato Black era com uma sanguessuga.
Apenas tinha mais pêlos.
Assim, as pessoas eram cegas com relação aos Black’s.
_ Bem, sem mais delongas – disse ele, recolocando seu chapéu sob seu fino tufo de cabelos amarelados – Tenha um bom dia, Sr.
Lucy abrira a porta com eficiência assim que o homem virara-se para tomar o rumo da saída. Enquanto todos na sala escutavam os passos da bota do homem descer os degraus, Jasper jogou a papelada no sofá com brutalidade, espalhando alguns papeis pelo tapete no chão.
_ Inferno! – murmurou ele com raiva, vendo-se novamente pensando a respeito de seu pai. Aquilo não poderia estar acontecendo.
Jasper já não consegue imaginar ou aceitar a idéia de poder ser seu pai, novamente defendendo a historia de seu filho, ou tentando acertar as coisas com ele depois do desentendimento entre os dois. No fundo, Jasper sabia que não podia se apegar àquela constatação.
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Naquele mesmo dia
_ Bem, eles comiam jenipapo como se fossem maças, sabe? – Carlisle rira outra vez, acompanhado de Alice – Nunca vi um grupo de garotos tão buchos de égua, como dizia minha falecida mãe.
Alice tapara a boca de tanto que rira, perdendo o ar outra vez. Não demorou muito para começar a tossir novamente, mas a animação da conversa não levantara suspeitas em nenhum dos dois, pois até Carlisle tossia vez ou outra de tanto que gargalhava.
_ O Sr. precisa me contar mais coisas grotescas como essas! – ela pediu entre um riso e uma tosse – Jasper deveria ser incontrolável quando moço, não?
_ Ah, minha cara, não imagina o trabalho de esses garotos, principalmente Jasper e Sam me davam – relembrou ele, bebendo mais um pouco de chá de erva doce, o que Alice fizera questão que ele experimentasse – Voltavam todos os dias com as vestes completamente aos frangalhos de tanto que pulavam cercas de pau e arame farpado para roubar goiabas e espiar as filhas moças das cozinheiras do campo de treinamento tomando banho nos lagos!
_ Oh Santo Deus, quanto audácia! – Alice tapou a boca outra vez, ultrajada. Ela sempre fizera uma idéia do quanto Jasper era mulherengo, mas as historias que Carlisle contava sobre ele e seus amigos ultrapassavam todas as suas imaginações tolas.
_ Jasper e Peter eram bons cavalgando, Sam e Jared com as armas, James e Seth nas lutas corporais – relembrou ele, enumerando nos dedos os melhores soldados que ele tinha.
_ E Mike, seu filho?
_ Ah, meu pequeno Mike – ele sorriu mais, bebericando seu chá. Por incrível que parecesse, ele estava até mesmo apreciando aquilo – Quando eu o encontrei, perdido no deserto do Texas, ele era muito bom em chorar, reclamar e fazer drama. Mas é um garoto muito inteligente, arma estratégias como ninguém – disse, parecendo orgulhoso de seu garoto – Ele e Sam sempre foram uma boa dupla – semicerrou os olhos, rindo sarcasticamente dentro de si – Em muito sentidos. Mike fazia as estratégias de ataque e Sam fazia o trabalho pesado, armando as armadilhas de caça, principalmente. Ah, aqueles dois adoravam brincar de caça e caçador...
Alice e Carlisle calaram-se por alguns instantes, ambos com suas xícaras rosas de cha entre as mãos. O olhar fora tão cúmplice que meio segundo depois ambos caíram na gargalhada, perdendo novamente o ar.
Alice admitira para si mesma que gostara da companhia do capitão de seu marido. Ele não era um completo idiota, como ela pensava serem os capitães de exércitos.
Ele era tao... agradável!
Até mesmo a forma como seguravam a xícara de cha e o modo como timbravam suas gargalhadas juntas combinavam.
Eles tinham uma estranha sincronia, um incomum padrão de comportamento.
Ela franzia a testa, ainda rindo, vendo que não tinha esses tantos aspectos em comuns nem mesmo com Jasper.
_ Eu gosto do Sr. – ela admitiu por fim, enquanto ele tomava os últimos goles de seu cha. Ela lhe dera um sorriso verdadeiro, pensando como aquilo era estranho, pois jamais pensara ser tão sincera com um estranho – Realmente gosto.
Carlisle sentiu seu peito se aquecer. Olhava para a esposa de Jasper com uma estranha afeição. Era uma boa jovem.
Também era fácil gostar dela.
Ela era a imagem mais parecida de como Mike seria se... bem, se tivesse nascido uma garota.
_ Eu fico muito satisfeito com isso, madame! – ele fizera uma teatral reverencia, realmente sendo sincero em suas palavras – Também gosto da Srta. Agora posso entender o desespero de Jasper em voltar para casa – ele dera uma piscadela cúmplice, vendo algo passar pelos olhos dela, enquanto ela mordia o lábio. Certamente, sua revelação causara em Alice um enorme contentamento.
_ Bem, fico muito agradecida – brincou ela – Quanto mais coisas eu tiver contra Jasper, melhor.
Ele sorriu outra vez, servindo-se, sem timidez nem receios, de mais de seu cha de erva doce.
_ Isso é realmente bom, Alice – admitiu ele, quase transbordando sua xícara.
_ Oh certamente que é! Muito melhor do que aquela água preta e horrível que vocês chamam de café, coisa que eu tenho certeza que vai destruir o fígado de vocês antes dos 50! – ela revirou os olhos, servindo-se, também, de mais chá – Tentei fazer Jasper gostar dos chás, afinal de contas, mais o Sr. sabe, muito melhor do que eu, o quanto aquele homem pode ser teimoso.
Carlisle concordou com sua colocação, cruzando suas pernas uma na outra. A imagem do conforto.
_ Eu sei o quanto...
_ Com licença, Sra. Witlock – Consoelo aparecera na varanda dos fundos onde eles se encontravam – Poderia me acompanhar por um segundo, estamos com as cortinas novas da cozinha, precisamos saber onde pendurá-las.
_ Ah! – Alice exclama, levantando-se em um jato – Permita-me Sr. Newton, preciso ir resolver isso – sorriu educadamente para ele, colocando sua xícara sob a mesinha de centro – Mas fique a vontade, eu volto logo.
_ Sinta-se em casa – brincou ele, fazendo-a rir novamente. Ambas fizeram uma leve reverencia e se retiraram casa adentro.
Carlisle ficara ali observando a paisagem do quintal dos fundos daquele enorme casarão. Alice e Jasper precisavam ter muitos filhos para preencher aquilo tudo, ele pensou consigo.
E se essas crianças puxassem tanto Alice quanto Jasper, aquela casa, talvez, fosse ser um pouco pequena.
Ele riu sozinho, balançando a cabeça para os lados. A tranqüilidade era quase aterrorizante de tão boa e o vento calmo soprava dentro de seus poros.
E ele decidira que precisava de um charuto.
Saiu da varanda em direção á sala de estar dos Witlock. A casa era enorme, mas ele já começava a se acostumar com os inúmeros corredores que vazavam para todos os lados, parecendo um amontoado de artérias em um corpo humano.
Quando chegou ao ambiente tão aconchegante que era aquela sala, correu os olhos por tudo, buscando as caixas de charutos russos do pai de Jasper, que ele jurava ter visto na ultima noite repousando solitária em algum lugar ali. Os vira abaixo das flores, abaixo da cortina da ultima janela mais afastada.
Certamente, aquilo era coisa de Alice.
Rindo ele procurou seu isqueiro dentro de seu bolso, caminhando até a pequena e marrom caixinha. Porem, antes que chegasse na metade do caminho, três leves e ritmadas batidas ecoaram do outro lado da porta principal.
Ele olhou automaticamente para a porta e então para o corredor. Lá dentro, um burburinho de vozes e risadas, e ele se deu conta de que Alice atraia muito a atenção de suas serviçais.
Com aquele furdunço na cozinha, ninguém escutaria a pobre visita na porta.
Carlisle dera de ombros, voltando seu caminho pela sala de estar. Colocou um cordial sorriso nos lábios abrindo a porta principal como se estivesse mesmo à vontade.
Era apenas uma visita.
_ Boa tarde, Consoelo – A mulher entrara casa adentro assim que a porta fora aberta à sua frente, sem realmente olhar para quem a estava abrindo. O lenço rendado que carregava em volta da cabeça fora tirado, enquanto os cabelos castanhos, devidamente presos em uma trança muito bem feita e caprichada, caia sobre as costas da mulher – Onde está Alice? – indagou, de costas para a serviçal que sempre atendia a porta.
_ Não sou Consoelo – uma grave e calma voz cortara o espaço entre as duas pessoas dispostas naquela sala de estar. Sob o vestido bege, a pele da mulher dera uma leve eletrizada – Mas lhe desejo uma boa tarde, também.
A mulher voltou-se para trás, um pouco encabulada. Não fora Consoelo quem abrira a porta para si, e sim um convidado de Alice e Jasper.
_ Oh, desculpe por... – porem, as palavras da mulher congelaram em sua língua quando seus olhos lhe traíram outra vez — ... Oh meu...Deus... – ela sussurrou tropegamente, esquecendo de piscar ou de puxar o ar para dentro dos pulmões, de repente.
Ali, em sua frente, estava a miragem que atormentara seus sonhos e devaneios por todos aqueles longos anos.
_ Mas... – o homem, sempre tão centrado e devidamente sobre o controle de suas emoções vacilara — ... Esme...? – sua voz saira aos tropeços, enquanto algo dentro de si reascendera como uma locomotiva.
_ Não pode... não pode ser... – os dedos levemente trêmulos taparam os lábios, agora esbranquiçados – Você está morto!... – a afirmação soara tão incerta que as palavras, que antes faziam tanto sentido, agora pareciam declinar.
Carlisle engoliu em seco, dando um passo automático para frente.
A lembrança da imagem dela, guardada e reclusa por tantos anos em sua solitária mente, aparecia bem à sua frente, como um fantasma cômico, que brincava com seu coração.
Porem, a bela lembrança ganhara os anos que a vida teria dado à sua jovem Esme, o que parecia torná-la real, dessa vez.
_ Lhe garanto... eu não estou morto, Esme – ele conseguiu verbalizar apenas aquilo, em uma velocidade que as palavras tornaram-se quase monótonas. Não era Carlisle realmente falando, ali. Era apenas uma lembrança de si mesmo, porque estar na presença daquela mulher lhe tirava o poder que tinha sobre si.
Esme desceu a mão para o peito, sentindo o bater frenético de seu coração. Foi como instinto, mas tão logo os braços se cruzaram em volta de si, como se ela quisesse proteger a sim mesma da ameaça eminente que era a presença de Carlisle de novo.
Lembrava-se nitidamente da dor que amargurara seu coração por anos a fim. Não precisava de mais aquela dose massiva de sofrimento outra vez.
_ E... e o que está...está fazendo aqui? – indagou, não especificando sobre qual aqui se referia – a casa de sua filha ou em sua vida outra vez. Sua voz, mesmo falha, parecia três oitavas mais alta, enquanto a aspereza aparecia fracamente.
_ Estou... estou visitando um conhecido – disse ele. As palavras pareciam sair de sua boca levemente dormentes. A única coisa em que prestava atenção eram nos detalhes, sempre perfeitos, que ela tinha. Os anos que passara não haviam sido suficientes para apagar a beleza dos olhos de Esme.
Esme umedeceu os lábios, ainda em choque. Devido a isso, não raciocinara devidamente. Porem, depois que as palavras dele fizeram sentido para ela, ela arregalou levemente os olhos, outra vez sentindo seus pelos arrepiarem-se.
Era sempre uma surpresa atrás da outra.
_ Então você... você conhece Jasper? – indagou ela, imitando o movimento dele e dando um passo a frente, também – Digo, Jasper Witlock? O Jasper? Jasper, filho de Félix, o dono...
_ .... das maiores propriedades de café do estado? – ele continuou, sorrindo um pouco afim de esconder o nervosismo. Deus do céu, Esme não podia ser... ser a mãe de Alice, a filha da esposa de um dos jovens que ele vira crescer.
Era muita loucura.
_ Oh meu Deus! – ela tapou a boca outra vez, e Carlisle conseguira perceber seus dedos, sempre fino e delicados, tremeluzirem diante de seus lábios.
A linha que interligava a vida e os destinos dos dois parecia ser mais tênue do que ambos faziam idéia.
E Carlisle sentiu o peito bater um pouco mais rápido com aquela constatação.
Esme não conseguia verbalizar coisa alguma. Não conseguia desfazer o nó que reaparecera em sua garganta.
Nunca havia saído dali, porem ela havia conseguido fazer ficar menor, silencioso, durante todos aqueles anos.
Porem, vê-lo ali, inteiro, novo, vivo... seu peito não estava preparado para aquilo.
Depois de tantos anos, ele ainda mexia com tudo dentro dela.
O silencio imperou entre aqueles dois, enquanto o barulho do relógio no alto da parece entoava uma irritante musica de fundo dentro da cabeça de ambos, embalando seus pensamentos.
Até que Carlisle o quebrou, de forma categórica.
_ Você continua linda... como naquela época.
A respiração da jovem mulher se alterara de forma automática, enquanto suas bochechas ganhavam um tom rosado e seus olhos permaneciam inertes no rosto.
Porem, a amargura que imperava em seu coração desde a última vez que havia visto aquele mesmo rosto voltara a atacar, e a expressão, antes de choque, mostrava-se hostil.
_ E por acaso você se lembra de algo daquela época? – indagou ela ironicamente, a acidez em sua voz sempre estável fizera Carlisle semicerrar levemente os olhos. Porem, a vermelhidão nos mesmos a denunciaram. Ficaram rasos d’água, e ele entendeu o que a historia dos dois causava em Esme.
Ele detestava a ver chorar.
_ Eu jamais vou esquecer tudo aquilo, Esme – disse, conseguindo recuperar a calma em sua voz. Como uma enxurrada, todas as lembranças tomaram sua mente, fazendo-o fixar seu olhar nela, revivendo absolutamente tudo novamente.
Ela nada disse, mas de seus lábios saira um sorriso magoado, como se o que ele falasse não fizesse sentido para ela. Como se fossem falsas, mentirosas.
Isso porque... a mesma historia tinha enredos completamente diferentes para os dois personagens principais.
A única coisa que coincidira era o final não muito feliz.
_ A única coisa que eu sei é que você estava morto – ela murmurou entre os dentes, enquanto uma lágrima vazia escapava do canto de seu olho – E era assim que você deveria continuar.
Carlisle abaixou o olhar, saindo da frente dela com passos pesados e lentos. Passara a mão pelo rosto, buscando as palavras certas.
_ Não fui eu quem acabei com a gente, Esme – disse em voz baixa. Quando ergueu os olhos novamente, ela o encarava de forma agressiva e um tanto incrédula, pronta para negar qualquer coisa que ele falasse – Eu preciso lhe contar o que eu sei – continuou, pois a postura dela apenas indicava que algo havia de errado. E, na realidade, ele sabia muito bem o que era – Eu preciso lhe contar tudo, meu amor....
Notas finais
Vamos finalmente saber o que aconteceu comEsme e Carli.!!
Bem,espero que tenham gostado!
Xoxo
:*
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