Os Segredos dos Seus Braços
29 Tente um Bom Dia.
Notas iniciais
Ah, que saudade de dar esse "oi" exagerado e efusivo! hahaha
Estava com muitaa saudade de postar cap. hein?
E ai estao todas bem????
Meninas, me desculpe (de novo) por todo esse tempo sem postar. Espero que nao ligue para os eventuais errinhos e que gostem do cap.
Queria agradecer as meninas que comentaram Ways e a Caramelow pela recomendação lindona que ela deixou *_*.
Tambem as lindas que comentaram no recado para dizer como estavam felizes por a fic voltar, isso me deixa muito contente, de verdade :D. Ah, e para a moça que o amigo faleceu....eu sinto muito, espero que ler as fic's te anime mesmo :T
Bem, o cap. está ai, vem bomba pelos proximos, viu?:)
Espero que gostem!!!!
Se gostarem, comentem..
Se nao gostarem, comentem tambem :)....
... mas sejam sensiveis, ok? kkkk
:*
Cap. 29 — Tente um Bom Dia
Biloxi, Mississippi
1901
Alice sentiu todo o corpo congelar, desde o primeiro fio de cabelo até o fim do pé. Se recusou a deixar que aquelas palavras entrassem em sua mente e ela começasse a chorar de desespero.
_ O meu pai.... o que...? – ela sussurrou, desnorteada.
Os dois oficiais se entreolharam, parecendo desconfortáveis. Jasper precisou intervir, pois viu que Alice havia congelado com o ar nos pulmões.
_ Vamos ao escritório – disse ele com a voz dura. Ainda que não se desse muito bem com o pai de Alice, ainda sim aquela noticia havia pegado-o tão de surpresa quanto à todos – Alice, vá para o quarto, está bem? – ele acariciou seus ombros, vendo o estado em que ela havia ficado se converter em grossas lágrimas e um tremor desesperado.
E ela não podia ficar daquele jeito em sua atual condição.
Porem, como ele bem previa, Alice se contrapôs à sua idéia.
_ De forma alguma! – ela afastou-se com brusquidão da proteção de Jasper, alterando sua difícil respiração – Quero saber o que aconteceu ao meu pai! – ela aumentou o tom, a voz embargada. De certo modo, esperava por aquilo à qualquer momento. Afinal, os segredos sujos de seu pai e suas dívidas haviam dado à ela uma pista sobre seu caráter.
Porem... ele ainda era sua única figura de pai...
_ Alice, você não está em condições para uma conversa dessas, você...
_ Pare agora mesmo, Jasper! – ela o cortou com dureza, limpando as lagrimas que se sucediam rapidamente – Quero estar nessa conversa – disse – e não há nada que faça que me impedirá.
_
_ E seu corpo estava perto da entrada da cidade. Bem à beira daquela floresta – descreveu um dos homens fardados – Tinha cerca de três tiros no peito.
Alice soluçou, encolhendo-se. Estava parada perto da janela, escutando tudo sem olhar para ninguém.
_ E já sabem quem fez isso ao Sr. Cullen? – perguntou Jasper tentando desviar a conversa dos homens para longe dos detalhes.
O mais baixo dos oficiais coçou a cabeça, parecendo intrigado.
_ Essa é a questão – disse ele – Não há pistas. Esperávamos que... bem, que vocês pudessem saber de algo.
Alice voltou-se para eles com a mesma ruga na testa que Jasper esculpiu.
_ Estão insinuando que nós...? – Alice indagou, passando as costas da mão pelo olho molhado. A leve rispidez em sua voz embargada fizera os dois oficiais se remexerem inquietos.
_ De forma alguma, Sra. Witlock! – o mais alto defendeu-se de imediato, notando o olhar que Jasper lhe dera.
_ O que querem dizer, então, Sr... – Alice semicerrou os olhos para a farda do homem – Sr. Cooper?
Sr. Cooper passou os finos dedos pelo bigode, ajeitando-o. Ou tentando ajeitar.
_ Que o lugar onde o Sr. seu pai foi assassinado... fica perto das propriedades de café do Sr. Witlock – sua voz abaixou gradativamente, enquanto ele tornou-se cauteloso em suas palavras.
Alice e Jasper estancaram novamente em seus lugares, recebendo aquela noticia nova e perturbante.
_ Nas propriedades de meu pai? – Jasper indagou, um tanto aturdido, buscando freneticamente uma rápida razão para aquilo – Mas... – buscou na memória alguma frase de seu pai que revelasse qualquer desagrado possível que pudesse haver entre Sr. Cullen e ele.
Mas, mesmo que houvesse, tinha plena certeza de que seu pai jamais... jamais...
_ Olhe, Sr. Witlock, eu sei que é um choque, mas tudo será esclarecido, está bem? – o outro oficial garantiu, tentando amenizar o clima tenso em que se encontravam dentro daquele escritório.
Jasper apenas assentiu, ficando em silencio assim como Alice, que ainda parecia estática e aturdida em seu lugar.
_ E... E onde está o... o corpo de meu pai? – murmurou ela com sua voz embargada. Por dentro, seu coração batia tão rápido e tão forte que lhe doía o peito – E minha mãe? E minhas irmãs? – ao lembrar-se delas, seus olhos encheram-se de água no mesmo segundo – Elas já sabem?
_
Alice tocou a campainha da casa de sua mãe com o coração partido. Chorava sem conseguir esconder as lagrimas enquanto Jasper a amparava bem às suas costas.
Os dois oficiais permaneceram calados durante toda a viagem até ali.
Dois minutos depois, a maçaneta virou-se com lentidão, como se não quisesse mesmo ser aberta. Alice apertou a mão de Jasper em seu ombro, sentindo o coração acelerar no peito.
Na porta, fora René, a serviçal de sua mãe, quem aparecera. Sua expressão parecia abatida e chocada.
Não por ter tido afinidade com Sr. Cullen, mas por servi-lo há tantos anos.
Assim como Victoria.
_ Srta. Alice?– disse ela com sua voz usualmente baixa. Naquele momento, um pouco mais baixa do que o normal.
_ Minha mãe es...
_ Alice?!
De dentro da sala de estar, ela escutou a voz embargada de sua mãe exclamar e chamar por si, acompanhada de muxoxos altos.
Alice desviou de René, ainda parada à porta, e adentrou a casa com pressa. Jasper e os dois oficiais a seguiram, com um pouco mais de receio.
Alice avistou suas duas irmãs, chorando aos ombros de seus respectivos maridos. Nos cantos, todas as serviçais mantinham suas cabeças baixas, a boca bem fechada, servindo apenas como damas de companhia, naquele momento.
O silêncio só não era maior do que os choros desesperados.
_ Mamãe.... – Alice murmurou assim que seus olhos marejados encontraram com os de sua mãe, sentada na poltrona mais afastada.
Ela a viu e, no mesmo segundo, levantara-se, encarando sua filha mais nova. Esme não chorava e não parecia mortalmente desesperada. Porem, seus olhos também estavam vermelhos e a tristeza também era vista no fundo de sua imensidão castanha.
_ Minha querida... você já... ? – ela apertou a barra de seu vestido azul marinho quando Alice soluçou, seus olhos derramando grossas lágrimas de seus cantos.
Alice não respondeu a incompleta pergunta de sua mãe, pois seu rosto a respondia por si só. Seus olhos abaixaram gradativamente para a mesinha de centro disposta bem à sua frente.
E, nesse momento, o choro tomou conta de seu corpo.
O casaco rolê de seu pai repousava dobrado e sujo de sangue bem ali, sobre a madeira talhada. Foi como o balde de água gelada que ela estivera esperando cair sobre si desde o momento em que recebera aqueles dois oficiais em sua porta.
Havia realmente acontecido. Seu pai estava morto.
O choro que lhe pegara de repente fora forte. Quando menos vira, tapava a boca para que não gritasse de desespero. Seu coração apertou-se dentro do peito e as lagrimas que se sucederam foram desumanas.
_ Papai! Não! – Rose sufocava os gritos desesperados no peito de seu marido, que tentava a consolar, assim como Sr. Masen tentava para com sua esposa, Bella.
_ Papai! – Alice sussurrou entre as lagrimas, prendendo os dedos nos cabelos finos.
_ Me abrace, Alice – Jasper ordenou, aproximando-se de suas costas sorrateiramente para que não a assustasse. Apertou seus ombros com a força necessária para desmoroná-la de uma única vez – Vamos, meu amor, me abrace – insistiu ele, vendo o quanto ela precisava de apoio.
E o quanto não iria buscá-lo.
Porem, a dor do momento a fizera amolecer. Quando menos vira, virou-se para bater em seu peito, agarrando sua camisa com força e terminando de chorar tudo o que ainda precisava.
~•~•#•~•~
Biloxi, Mississippi
Dois dias depois
1901
Dois dias haviam se passado desde que haviam enterrado Sr. Cullen. A polícia da cidade tentava encontrar o rastro de quem havia feito aquilo.
_ Mas o que vocês tem à dizer sobre isso? – Emmett indagou, levantando-se da poltrona para encarar os mesmos agentes de policia que estavam ali, atualizando toda a família sobre as investigações.
_ Bem – o homem — Sr. Cooper — ajeitou o chapéu em sua cabeça, pegando o bloco de papéis onde vivia fazendo anotações — Encontramos ao lado do corpo este lenço – ele retirou de um pequeno saco de papel um lenço branco sujo com pequenas manchas de tinta azul – È familiar para algum de vocês?
Todos que estavam naquela sala, o que se resumia nos homens família e...Alice, aproximaram-se do pequeno e fino objeto, franzindo o cenho ao mesmo tempo.
_ Nunca o vi – disse Edward, pegando o lenço das mãos do magro policial para olhar mais precisamente de perto.
_ Isso é tinta azul? – Emmett inclinou-se em direção ao lenço, levantando uma pequena ponta dele para ver melhor – Essas tintas são absurdamente caras, não são?
Assim que Sr. McCarty levantara aquela questão, todos se entreolharam automaticamente.
_ Bem – o mais baixo dos policiais pigarreou, mostrando que também chegaram àquela conclusão – Sim, elas são. São vendidas apenas na Capital.
_ São para tinteiros de Sr.’s realmente ricos – Jasper se pronunciou pela primeira vez desde que haviam entrado naquele escritório. Sob seu braço, Alice escutava tudo atentamente, sua respiração se alterando vez ou outra.
Todos concordaram com um curto aceno de cabeça, como se pensassem na mesma coisa.
_ Então... – Alice desencostou-se parcialmente dos braços de Jasper, seus olhos ainda marejados, para aproximar-se de um dos oficiais – Então isso quer nos dizer que... que quem matou o Sr. meu pai... é alguém de status? Alguém... alguém com dotes para possuir um tinteiro azul? – indagou ela, como se pouco acreditasse em suas próprias indagações.
Os dois oficiais se entreolharam, enquanto um deles pegava sua prova das mãos de Edward para colocá-la novamente no saco plástico. Pareciam levemente incomodados em ter que admitir que, na realidade, era exatamente aquilo que rondava a mente perspicaz da policia.
E admitir que alguém rico e influente na sociedade pudesse ter cometido tal crime os assombrava.
_ Bem – o mais alto pigarreou, ajeitando sua farda – Lastimo dizer que sim, Sra. Witlock.
_ Então descubram quem foi o maldito Sr. que fizera isso ao meu pai! – Alice praticamente gritou, sua voz três oitavas.
Todos que estavam ali entendiam completamente a dor que ela ainda carregava. Afinal, era Alice quem estava em melhores condições de todas as mulheres da família, embora Esme não houvesse derramado muitas lágrimas.
Ela parecia mais... em estado de choque.
Porem, Jasper pensava à parte de todos dali de dentro. Pensava no que aqueles dois oficiais haviam falado no dia no terrível incidente. Que o corpo de Sr. Cullen havia sido encontrado nas redondezas da fazenda de seu pai.
E havia tinta azul, de tinteiros caríssimos.
O escritório de seu pai na fazenda continha inúmeros...
Mas... não, seu pai não poderia ter feito nada parecido. Seu pai sempre fora divergente em suas opiniões e as dos outros homens, mas nada que o fizesse desentender-se com qualquer um deles ao ponto de tornar-se um assassino...
_ Sr. Witlock? – Sr. Cooper estalou os dedos próximo ao ouvido de Jasper, acordando-o de seu pequeno devaneio.
_ Desculpe – ele piscou os olhos diversas vezes afim de voltar ao assunto antes discutido – Estava com a mente longe.
_ Ah, certamente pensando no mesmo que eu, não é Jazz? – Alice fungou, a voz ainda um pouco mole – Você sabe, assim como eu, quem fez essa desgraça para com o Sr. meu pai, não?
Jasper viu nos olhos de sua pequena, a determinação misturada à algo de certeza e quase insanidade.
_ Alice, você...
_ Você sabe que quem fizera isso foi o Sr. Black! – Alice o cortou com a voz grasnada, deixando que seu xale, enrolado cuidadosamente em torno de seus braços, caísse no chão. Em dois passos rápidos ela se projetara frente à Jasper – Você sabe muito bem que ele é muito capaz de fazer algo assim! Aquele homem.... aquele homem não é digno de confiança!
Todos se calaram, perplexos diante das palavras de Alice. Seus cunhados temeram pela sanidade dela, enquanto os oficiais se entreolharam, julgando silenciosamente suas palavras.
_ A Sra. entende a gravidade de suas palavras, não entende, Sra. Witlock? – o oficial dotado de mais seriedade falou olhando diretamente para Alice com sua testa franzida. Aparentemente, entendia o lado da jovem, embora não pudesse levar em conta suas acusações sem fundamento, afinal se tratava do maior banqueiro da cidade.
_ Estou dizendo o que sei! – Alice insistiu, pondo-se frente ao oficial com os olhos levemente arregalados – Diga a ele, Jasper! Diga a ele!
Jasper limpou a garganta para tentar começar contornar a situação de um modo que Alice não perdesse todo seu controle. Uma mulher descontrolada fazendo acusações, embora verdadeiras, mas sem provas, não era algo muito bem aceito, ainda mais em se tratando de quem era – Fortunato Black.
_ Sr. oficial – ele disse ponderadamente, recolhendo discretamente Alice pelos ombros de volta ao seu lado – Temos muita convicção em dizer que todas as nossas suspeitas recaem sobre o Sr. Black – disse ele com tom serio – Embora não possamos provar nada neste momento...
_ Pois é dever de vocês mesmo investigar para desmascarar esse homem miserável! – Alice aumentou o tom de voz, interpolando Jasper, a voz embargada.
_ Sra. Witlock terei que pedir que se pondere, sim? – o oficial de bochechas rosadas e olhos minguados fez sinal para ela com as mãos para que se acalmasse.
_ Caros Sr’s, o Sr. Fortunato Black não tinha motivos algum para atentar contra a vida do Sr. seu pai, Sra. Witlock – o mais alto dos dois voltara a falar, seu tom indicava que parecia repetir aquilo para si mesmo zilhões de vezes.
_ Mas eu sei do que estou falando – Alice insistia, perdendo mesmo o controle das estribeiras, sua voz sendo a primeira a lhe denunciar. Nada lhe tiraria das idéias que Fortunato fora quem matara seu pai – Podem investigar esse homem que...
Jasper respirou pesadamente enquanto a sua mente vagava para fora daquele escritório. A voz chorosa de Alice e a ponderada de todos os homens que estavam ali foram ficando distantes até se perderem entre as linhas de seus pensamentos.
Em sua cabeça, ele começou a analisar o que realmente fazia questão, o que realmente teria acontecido naquele curto espaço de tempo naquela cidade mistériosa, pequena, cheia de segredos.
Sr. Cullen não devia para Fortunato para que este tivesse, realmente, algum motivo para matá-lo. Ele devia, mesmo, era para o bando mais procurado do estado – Os Vingancistas do mato.
Conhecia a fama de assassinos cruéis e carnificeiros que estes tinham. Mas havia aquele maldito lenço manchado com tinta caríssima, que nem mesmos eles como saqueadores profissionais disponibilizariam.
“Infernos!”, ele pensou, fechando a expressão para seus próprios pensamentos.
Enraivecia-se por ver as alternativas dissipando-se e a suspeito cair sobre seu próprio pai. Mesmo que, aparentemente, ele não tivesse rixas com Sr. Cullen, todas as coisas que haviam por trás das coisas já não surpreendia mais à Jasper.
Mas pensar em seu pai como.... como um assassino era subir demais em suas convicções, em tudo o que ele acreditava como certo.
Não o seu pai....
Talvez tivesse mesmo sido Fortunado Black, pois capaz Japer tinha certeza de que era . Talvez o fato de ter desejado casar-se com a filha dele...
Este fato poderia ter sido mesmo um desencadeador, uma vez que era visível o rancor e o ódio que aquele maldito homem ficara ao se dar conta de que Jasper tinha casado-se com a jovem que ele tanto almejava.
Vingança, talvez?
_ Não concorda, Jasper?
Jasper volta para a realidade do escritorio com a voz de Alice chamando-o. Todos os pares de olhos estavam sobre si, naquele momento.
_ Desculpe Alice, o que foi? – ele ajeitou sua franja atrás das orelhas para escutá-la apreciando o castanho vivo de seus olhos.
_ Concorda que deve ficar como dever dos oficiais de Biloxi ao menos investigarem o Sr. Black, não? – Alice e seus grandes olhos suplicaram a concordância dele e, àquela altura, ela sabia que Jasper faria qualquer coisa que pedisse.
Ele soltou o ar com força, farto de toda aquela situação. Mas, ao menos, não seria difícil fazer a vontade de Alice e concordar com ela. Queria mesmo tirar a historia a limpo e reunir provar contra Fortunato Black.
_ Concordo com esse direcionamento, minha cara – disse ele, ignorando a presença de todos e beijando-lhe a têmpora com carinho e afeição. Puxo-a de volta para um meio abraço, enquanto voltava-se para os dois oficiais ali presentes – Ficaremos satisfeitos que haja essa investigação quanto ao Sr. Black – dirigiu-se a eles com seriedade – E que sejamos avisados de tudo.
Os dois oficiais se entreolharam, ressabiados. O mais alto e magro não parecera muito contente em ter que investigar, diante de uma suspeita de assassinato, um dos homens mais poderosos da cidade.
O das bochechas não parecera contente apenas em investigar.
_ Bem – disse Sr. Cooper com um tom levemente reprovador – Faremos essa investigação e, diante do que encontrarmos, lhes informaremos – ele apontou a porta para seu companheiro e todos se prepararam para encerrem a tensa conversa – Mas, caso tudo isso dê onde estamos vendo que dará... quer dizer, o Sr. Black não ter culpa quanto ao assassinato do Sr. Cullen, receio que terão que esquecer essa idéia de tentar acusá-lo, sim? – disse ele, advertindo, principalmente, Alice.
Jasper apertou-a um pouco mais em seu abraço, encarando os dois oficiais.
_ Certamente que sim – disse com pouca cordialidade – Mas, até lá, façam seu trabalho.
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Biloxi, Mississippi
Mais dois dias depois
1901
Alice estava sentada em seu sofá, no silencio de sua sala de estar enquanto Jasper falava ao telefone em algum lugar de seu escritório. Estava um pouco melhor com relação à morte de seu pai, então a curiosidade sobre o que ele vivia tentando naqueles telefonemas lhe rondava outra vez e ela precisava se segurar para não ouvir atrás da porta.
Sabia que era alguém da Capital e que, certamente, envolvia muito dinheiro, pois ouvira ele falando de moedas de ouro à role. Porem, sua cabeça doía constantemente e parecia que apenas pensar lhe deixava tonta, então ela terminou de encostar sua cabeça no sofá e fechou os olhos, contentando-se apenas em esperar Jasper.
Foi nesse momento que três batidas ritmadas soaram do outro lado da porta principal. Ela abriu com pouca vontade seus olhos castanhos, olhando para a madeira talhada como se a distancia fosse demasiadamente grande em comparação à sua força de vontade.
As batidas ritmadas se repetiram.
Alice não esperou por Consoelo ou por Lilly, pois elas estavam ocupadas demais para atenderem à uma visita que estava à poucos metros dela própria. Com um suspiro, levantou-se vagarosamente, sentindo o peso de suas pernas. Passou a mãos rapidamente pelo cabelo molhado pelo suor que começava a escorrer por suas têmporas.
Seu corpo queimava por dentro.
Ela abriu a porta, pronta para mandar quem quer que fosse voltar outra hora, pois ela não estava realmente em condições de receber ninguém naquele momento. Porem, antes que dissesse qualquer coisa, ela parou.
_ Você deve ser Alice – a voz dele era profunda e amena e seus olhos receberam Alice à porta com tanta cordialidade e respeito que ela franziu a testa. Aqueles olhos....
_ Sim, sou eu – ela respondeu, um pouco apática. Juntando com sua fraqueza, a repentina surpresa por aquela estranha visita a calou por momentos – O Sr., quem é?
O alto e loiro homem se encurvou retirando seu elegante chapéu marrom. Seu sorriso era gracioso em seus lábios e seus olhos... seus olhos olhavam para Alice com uma cumplicidade que estava desestabilizando-a.
_ Prazer em conhecer-lhe, Alice – disse ele antes de estender a mão para cumprimentá-la – Sou Carlisle Newton.
_
Carlisle balançava uma das pernas no ritmo da musica que soava em sua cabeça. Estava sentado em uma das macias poltronas da sala de estar de Alice enquanto ambos esperavam por Jasper.
Desde que entrara em sua casa, Alice não conseguia parar de encará-lo, como se tentasse reconhecer nele alguém que nem conhecia..
Havia algo nele...
Algo que ela havia notado desde o fugaz olhar que lhe dera na festa de Lauren. Porem, quando os olhos dele paravam de encarar todas as decorações dela e se voltavam para seus olhos curiosos, ela voltava a bordar o pano que bordava rapidamente, temendo que ele a achasse uma completa louca e mal educada.
Mas assim que ele voltava a distrair-se, lá estava ela novamente, olhando-o.
_ Mas olhe só quem resolveu me visitar! – Jasper apareceu ruidosamente na sala de estar, rompendo o silencio constrangedor que havia permeado entre Alice e o desconhecido tão conhecido.
Os dois levantaram-se automaticamente, enquanto Carlisle sorria largamente, abrindo os braços para pegar Jasper no abraço encaminhado dele.
_ Há quanto tempo, meu filho! – exclamou ele, largando seu chapéu no sofá ao lado de Alice – Estou de passagem na cidade, resolvi me render àquele seu pedido!
Alice ficou à parte enquanto os dois se cumprimentavam animadamente. Mordeu os lábios, encarando àquele homem, como se se apegasse aos míseros detalhes.
Curvas mínimas que ela reconhecia...
_ Já conhece Alice? – Jasper disse seu nome, dirigindo-se imediatamente à ela, enquanto parecia exaltado em estar apresentando-os finalmente – Essa é minha esposa, Capitão.
Carlisle encarou a jovem com um olhar diferente do que Alice estava acostumada a receber. Era aconchegante e também era bom.
Era um brilho quase familiar.
_ Perdão... – ela tentou indagá-lo se se conheciam de algum lugar, porem as palavras pareciam tão levianas e a pergunta tão estúpida para se fazer à alguém que ela acabava de conhecer, que ela calou-se novamente – Prazer em conhecê-lo, Sr. Newton.
O homem lhe sorriu, inclinando-se levemente em sua direção, em um claro cumprimento respeitoso.
_ È uma honra de minha parte finalmente conhecê-la, Alice – disse ele e, o modo quase paternal com que ele se dirigia à ela, inclusive quando dissera seu nome, causou em Alice um estranho estremecimento – Jasper fala muito de você. È como se já a conhecesse!
Alice soltara um sorriso tremulo, corando levemente diante do olhar dos dois sobre si.
_ Jasper fala muito sobre muitas coisas – desconversou ela, começando a mexer em seu delicado colar de pedra rosa que trazia pendurada em seu pescoço desde menina.
Jasper sorriu, assim como Carlisle, dando um beijo no topo da cabeça de Alice.
_ Bem, irei avisar à Lilly que teremos um convidado à mesa e à Consoelo que ajeite o quarto de hospedes – disse Jasper, dando um camarada aperto no ombro de seu ex-Capitão – Fique à vontade, Carlisle, eu volto em um instante.
Antes que Alice piscasse, Jasper já havia saído da sala de estar em direção à cozinha. Novamente ela estava sozinha com aquele homem que estava lhe causando um estranho desconforto.
E um estranho sentimento de calmaria.
O pequeno topete dourado pendia para um lado, enquanto o restante do cabelo pairava muito bem penteado.
Era um homem de meia-idade muito bem vestido, ela pensou. Combinava com sua mãe, ela se pegou imaginando.
Oh Deus, seu pai acabara de morrer e ela estava pensando em pretendentes para sua recém-viúva mãe!
Ela queimaria no inferno, tinha certeza disso.
Porem, ela acabara por rir sozinha, enquanto seguia os passos vagarosos que o homem dava por sua sala de estar. Ela já o havia visto em algum maldito lugar? Talvez na ruela das feiras. Quem sabe houvesse sido dele a última abóbora que ela havia “roubado” na feira, semana passada.
Mas ele não tinha feições de quem gostasse de abóboras...”
Ela inclinou a cabeça para o lado, semicerrando os olhos enquanto o analisava outra vez.
Mas, de repente, ele olhara para ela com aquele mesmo sorriso.
Ela pigarreou, desviando o rosto, ajeitando o vaso de flores que havia na mesinha de canto. Mas, assim que fora seguro novamente olhar, ela o analisara outra vez, dessa vez seu perfil, procurando outra característica de que ela se lembrasse...
_
_ Sim ,filho, ficarei por todo o dia de amanha – Carlisle dissera assim que terminara de mastigar seu peixe – Se não for incomodar, obviamente.
Jantavam à luz das diversas velas de canto, e o ensopado com peixe de Consoelo terminava de esquentar o que a noite fria não fazia. Jasper parecia um pouco mais animado com a visita de seu capitão, de modo que Alice tentava sorrir a cada vez que eles sorriam.
_ De maneira alguma, Capitão. Pode ficar o quanto quiser.
Carlisle cumprimentou com um aceno de cabeça, bebericando seu vinho. Havia notado a esposa de Jasper um tanto calada e até mesmo estranhara, pois Jasper e todos os outros garotos já haviam mencionado o quanto ela falava pelos cotovelos.
_ Você está bem, Sra. Witlock? – indagou ele assim que voltaram a ficar em silencio. Ela estava sentada bem à sua frente, revirando um pedaço de peixe em um molho à mais de três minutos.
Alice levantou a cabeça, surpresa por ele ter se dirigido a ela. Como sempre acontecia quando estavam encarando-a, ela corou.
_ Bem – pigarreou ela – Meu pai morreu ha uma semana – disse ela sem meias palavras. Não era moça de balbucios.
Jasper apertou os lábios, um pouco incomodado com aquele assunto. Sabia que machucava a ela tocar na morte recente de seu pai e, também, incomodava à ele pensar em quem teria feito aquilo.
_ Oh, sinto muito – Carlisle franziu o cenho, parecendo um pouco incomodado – Entendo como deve estar se sentindo. È uma grande perda.
_ Sim, é.
Eles se entreolharam e Alice sentiu o mesmo estremecimento que sentira antes. Por mais que estivesse falando da morte de seu pai, ela não sentiu a fincada doída que sentia sempre que pensava naquilo. Era como se não importasse.
Como se encarar aquele homem lhe fizesse esquecer.
Novamente, ela estava fazendo aquilo. Olhando-o, cercando os detalhes de seu rosto. Detalhes que ela reconhecia... Aqueles olhos.
Mas ele voltara a olhar para ela.
Alice mordeu o lábio, voltando rapidamente seu olhar para seu prato de peixe e molho.
Havia, definitivamente, alguma coisa estranha acontecendo ali.
_
_ Alice é uma moça realmente encantadora, Jasper – disse Carlisle enquanto andava de um lado para outro no escritório de Jasper.
Haviam entrado ali para tomarem um Conhaque, enquanto Alice ficara na sala, desviando do convite para juntar-se à eles, sabendo muito bem que as historias contadas naquela conversa lhe daria sono.
_ Não? – indagou ele retoricamente, um sorriso torto preenchendo seu rosto juvenil – Tem que ver quando está zangada – brincou, rindo um pouco com o homem.
_ Bem, seu você ainda é tão terrível quanto costumava ser, pobre desta mulher – Carlisle provocou, erguendo seu copo pela metade. Logo, abaixou outra vez, franzindo a testa curiosamente – Porem, há algo que me intrigou...
Jasper dera uma generosa golada em sua bebida, colocando a outra mao dentro do bolso do enorme casaco que vestia.
_ Com relação à Alice? – indagou ele.
Carlisle concordou com a cabeça. Seu ar parecia demasiadamente serio, porem o sorriso no fim do rosto lhe revelava a verdadeira expressão.
_ Creio que ela pense que eu sou um traficante de membros ou um leprozo mal intencionado – riu, evidenciando sua curiosidade pelas insistentes encaradas que recebia da jovem esposa de Jasper.
Talvez ele tivesse mesmo uma aparência suspeita, pensou ele.
Jasper o acompanhou em sua debochada risada, balançando a cabeça de um lado para outro.
_ Desculpe por isso, Capitao – disse ele, colocando seu copo quase vazio sobre sua mesa – Alice é uma mulher encantadora, mas é desconfiada com o inferno!
Os dois sentaram-se na almofadadas cadeiras disposta dentro daquele aconchegante escritório, as pernas cruzadas sobre o joelho.
_ Não se desculpe por isso – Carlisle continuou – È engraçado a maneira como ela tenta me encarar com a sutileza de uma princesa – ele sorriu paternalmente, reformulando as feições delicadas de Alice em sua mente e sabendo que algo nelas o recordava alguém.
_ Sinto contradizê-lo, Capitão, mas dificilmente encontrará em Alice uma princesa, quanto mais provida de sutiliza – Jasper ironizou, recostando-se em sua mesa, tirando seus pregadores de papel do lugar.
Embora gostasse do modo direto, sincero e completamente capaz de constranger as pessoas que Ally tinha, Jasper admitia, sem muito problema, o fato de delicada não ser o adjetivo certo para classificar sua personalidade.
_ Ora Jasper, tem que concordar que até mesmo a arredia de sua esposa está dentro da etiqueta que essas moças aprendem aos 15 anos – continuou Carlisle, quase sentindo uma necessidade real, embora bem humorada, de defender Alice – Ofender com classe é o novo chique.
Enquanto ambos caiam na gargalhada por reconhecerem, apenas pelo olhar trocado, o quanto conseguiam falar coisas sem importância alguma, a maçaneta da porta girou e alguém aparecera em sua fresta.
_ Ah, falávamos da Sra. nesse exato momento, huh! – Exclamou Carlisle assim que Alice, inteiramente sem jeito, adentrava o escritório, que cheirava a charutos e menta, fechando a enorme e pesada porta de madeira atrás de si.
Teria ficado em sua sala de estar, como sempre fazia quando Jasper tinha visitas, mas aquela em particular não a desagradava tanto para fazê-la ficar longe.
E, mesmo que não gostasse de escutar a voizinha irritante que sussurrava o verdadeiro motivo, queria estar com seu marido.
_ Por favor, apenas Alice – disse ela, tirando os fios de sua franja lisa de seus olhos – E preciso lhe avisar, se o Sr. meu marido estava falando sobre mim, ele é um exílio mentiroso – brincou ela, surpreendendo a si própria e à Jasper, também, por estar interagindo naturalmente com o Capitão dele, alguém que ela acabara de conhecer.
Alice jamais era amigável à primeira vista.
Os três riram diante das palavras brincalhonas dela. Carlisle voltou a bebericar sua bebida enquanto Jasper olhava para Alice, que não se atreveu – sua timidez novamente ali – de aproximar-se muito.
“È realmente linda, brincando ou me batendo”, pensou ele, sorrindo um pouco. “Nem mesmo essa doença maldita foi capaz de roubar sua beleza...” engoliu em seco, pigarreando fracamente, lembrando mais uma vez que aquilo ainda não havia acabado.
E que, infelizmente, a chegada de Carlisle apenas o havia atrasado um pouco mais em ter a conversa que queria com ela. Jasper tinha a impressão de que, quanto mais tardasse a contar à ela, pior seria quando resolvesse que havia chegado a hora.
_ Imagine, minha querida – Carlisle continuou a agradável conversa, tirando Jasper de seus devaneios – Ele só sabe falar maravilhas sobre a Sra.... – sorriu – Sobre você, Alice – mesmo que fosse inapropriado para a época em que se encontravam dirigir-se daquela maneira tão intima à uma Sra. casada, nenhum dos três ali dentro sentira-se estranho. Pelo contrario, Carlisle gostara realmente do olhar e do sorriso cúmplice que fizera Alice e Jasper trocarem silenciosamente – Ele sempre cita você nas cartas que me envia à Michigan, vez ou outra e... Ow, Jasper! – Carlisle exclamou de repente, virando-se para ele em um meio giro. Parecera ter se lembrando de algo que a muito guardava.
_ Sim, Carlisle?
Ele colocou uma das mãos novamente sem eu bolso marrom e projetou os lábios em um biquinho sutil.
A testa enrugara-se.
_ Por falar em cartas, por que não respondeu as minhas que lhe enviei? – indagou ele de forma natural, como se, naquele momento, o fato de ele não ter respondido não o zangasse – Eu sei que não era para coisas boas, mas confesso que me preocupou um pouco o fato de você estar se sentindo pressionado.
Alice e Jasper encararam Carlisle, ambos um pouco confusos.
_ Cartas Capitão? – indagou ele, cruzando os braços sobre o peito largo, os botões de seu casaco apertando-se em suas juntas – De que cartas está falando?
Os sucos em sua testa se intensificaram de repente e uma seriedade repentina aparecera em suas feições amenas. Era como se fosse algo inconsciente, mas seus olhos desviaram-se de Carlisle e pousaram-se em Alice como se, mais uma vez, soubesse que deveria esperar algo dela.
_ Hãn.... – Carlisle balbuciou quando reparou a mudança no clima. O olhar de Jasper, apesar de sério, também aparentava confusão – Bem.... eu enviei à você algumas cartas pedindo algum apoio durante um combate ao sul do Mississipi... confesso que esperava sua resposta, mas entendi como um sinal de que estava, definitivamente, saindo desse tipo de perigo... – ele ajeitou um pouco a gol de seu casaco, enquanto fitava Jasper fitar Alice – Quer dizer, é um homem com uma família agora... mas não há com que se preocupar, nos saímos bem e você ainda honra nosso exercito – ele sorriu, tentando descontrair o lugar – Bem, apenas Sam perdera um pedaço dos fundilhos, como sempre – disse – O da esquerda, mas Mike cuidou muito bem dele, de qualquer modo....Bem, vamos filho, continue falando-me sobre os cafés.
Alice mordeu o lábio inferior até soltá-lo dentre os dentes, brancos, agora lembrando-se de um dia, em sua sala de estar, quando, por varias vezes, cartas foram parar em um lixeiro.
As juntas de seus dedos suaram levemente ao se ver sob o olhar inquisidor de Jasper. Sabia muito bem como ele era com relação à seus amigos e, talvez, saber que ela havia intrometido-se em sua vida daquela maneira não fosse algo facilmente esquecido.
Isso por que ela própria detestava coisas como aquela.
A imagem de Jasper zangado consigo a atormentou. De repente, ela se sentiu a mulher mais desprezível de toda Biloxi, quiçá do Mississipi!
Ela ofegou.
Seus olhos marejaram levemente.
A vela do canto da janela apagou-se com a leve brisa.
_ Sinto muito – ela murmurou, engolindo em seco.
Jasper semicerrou um pouco os olhos verde-escuro e inclinara um pouco a cabeça para o lado.
Alice piscou lentamente.
_ O que você fez com minhas cartas, Alice? – ele indagou, detestando o que sabia que ouviria daquela jovem.
Daquela jovem que tanto... que tanto estimava....
_ Sinto muito – ela repetiu no mesmo tom, como se pedir desculpas a livrasse do julgamento. Ao mesmo tempo, odiou fortemente o quanto Jasper a deixava fraca; em outros tempos ela jamais balbuciaria. Se ele não existisse, não havia nada com que se sentir culpada. Porem, se ele não existisse, existiria poucas coisas com que sentir... – Por favor, não fique zangado – conseguiu emendar, engolindo em seco quando os lábios dele se apertaram um contra o outro. Mas, uma vez começado, ela deveria terminar – Eu as joguei fora – disse, tentando manter-se firme, mas fracassando muito nisso – Eu joguei todas elas fora.
Notas finais
Menina má essa Alice, né?
kkkkkk
BEm, espero que tenham gostado :D
Até o proximo cap.!
BJsssssssssssssssssssssssss minhas jujubinhas!
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