Os Segredos dos Seus Braços
6 Talvez uma grande evolução
Notas iniciais
Ahhh, ela deixou uma recomendação lindonaaaaa pra fic, me deixou muitooo contente, coração. Valeu :*
E, quanto ao cap., eu gosto muito delee, na realidade skapskapks
Espero que voces gostem tbmmm.
Boa leitura!
:*
Cap. 6-Talvez uma grande evolução
Biloxi, Mississipi
Mansão Witlock.
_ Oh, querido! – Bella levantou-se do sofá no mesmo momento em que seus olhos focaram em seu marido – Como sabia que estávamos aqui?
Quando Edward ia abrir a boca para responder, alguém já abria antes.
_ Ah, não acredito!- Emmett, marido de Rose, exclamou alto, pegando todos de surpresa — Biscoitos de leite e mel? – apontou para a bandeja exposta sobre a mesinha de centro. Seus olhos castanhos claros brilharam.
Todos na sala riram, o que pareceu ter diminuído um pouco o clima estranho que pairava.
_ Sinta-se a vontade, Sr. McCarty – Alice lhe passou a bandeja de bom grado.
_ Por favor, minha irmã, apenas Emmett.
_ Com licença – Consoelo, outra das serviçais, entrou timidamente na sala, como se tivesse medo de interromper conversas – O jantar está pronto, Sra. Witlock.
Alice sorriu para a mulher a fim de deixá-la mais a vontade em lhe dirigir a palavra.
_ Obrigada Consoelo – ela disse e então se voltou para seus convidados – Jantarão aqui esta noite, não? – Bella e Rose sentiram-se pressionadas pelo olhar implorativo da irmã e, diante disso, foi impossível negar.
Entre conversas alegres e carinhos discretos, suas irmãs e seus maridos seguiram na frente em direção à mesa de jantar, enquanto Alice ficava para trás, tendo a companhia gelada de Jasper ao seu lado.
_ Olá – ela cumprimentou baixo, pois caso fosse ignorada, ninguém mais escutaria.
Mas Jasper parecia bem mais educado do que seus conceitos.
_ Boa noite – disse ele. Sua voz estava natural. Natural demais, Alice deduziu.
Mais o que a pegara realmente de surpresa fora quando sentiu a mão dele, grande e quente, lhe segurar timidamente pelas costas, como se a conduzisse até uma cadeira. Ele puxou a enorme e estofada cadeira de bordas douradas, fazendo Alice franzir a testa.
_ Sente-se – disse ele, indicando a cadeira.
_ O-Obrigada – ela murmurou parecendo meio afetada. Sentou tão vagarosamente, que Jasper deveria ter pensado que ela estava receosa em ter uma almofada de agulhas, ali.
Todos os outros conversavam sobre algo que não era interessante o suficiente para desviar a atenção de Alice de Jasper.
_ O que está procurando em meu rosto? – ele perguntou casualmente, mas Alice sentiu uma pontada de bom humor.
_ Não estou procurando nada – ela se defendeu – Apenas quero saber o que há de errado com você.
Jasper deu um sorriso curto, olhando para ela pela primeira vez desde que chegara.
_ Eu apenas puxei uma cadeira, Alice – respondeu ele, com sua cordialidade e educação mostrando presença mais uma vez – Não há nada de errado nisso, há?
Alice sorriu para Bella quando esta lhe olhou antes de começar a conversar com Rose. Ela se inclinou para Jasper enquanto degustava de uma taça de vinho. Quer dizer, apenas com os sentidos meio afetados para que ela voltasse a agir normalmente.
_ Ah, não há nada errado – ela murmurou para que apenas ele escutasse – È que é estranho o Sr. ser tão polido de educação.
Jasper riu discretamente enquanto imitava o gesto dela com sua taça de vinho. Dizer aquilo a ele fora necessário para Alice, porém tinha que admitir estar aliviada pela atitude dele. Seria um tanto vergonhoso e indigesto ser ignorada pelo marido na frente dos convidados.
Mas ele não precisava saber daquilo.
E, então, as cozinheiras entraram com os diversos tipos de pratos e bebidas, recheando a mesa, enchendo os olhos.
_
_ Você ouviu falar daquele causo, Edward? – Emmett, comendo uma espiga de milho encoberta de manteiga, gesticulava animadamente para os presentes – Jasper disse-me que estava na cerca ao lado, verificando os cafés. Contou-me que os dois estavam cheios de percevejos quando saíram correndo do chicote do Pe. Charlie. Estavam, não estavam, Jasper?
Jasper tapou a boca para que evitasse tossir toda a comida que tinha quando começou a rir.
_ Sim, estavam! Creio eu que, depois de saírem com percevejos incrustados até na alma, eles não se arriscarão à rolar naquela plantação de algodão outra vez.
Emmett, Edward e Jasper começaram à tremer de tanto que riam, enquanto as moças se entreolhavam, chocadas.
_ Céus, o que há na cabeça desses casais de... de...de se deitar em uma plantação? – Bella tapou a boca com uma mão, lembrando, para Alice, muito de sua mãe.
_ Ah, Bella, você já deve saber que, quando o desejo arde em nossos corpos, não há lugar, momento e muito menos conceitos – Emmett disse naturalmente, enquanto terminava seu milho, pronto para outra rodada.
Todos riram da forma exagerada com que Bella corou.
_ Está deixando a Sra. Masen encabulada, Emmett – Jasper comentou, parecendo gostar da conversa.
_ Oras, ela não tem por que se encabular, pois todos aqui estamos cientes do assunto em questão, não?
_ Emmett! – Rose o repreendeu batendo-lhe nos ombros. Mas, como todos os outros, riu junto.
A única naquela mesa que não conseguia dizer absolutamente nada era Alice. Estava suando frio, imaginando que logo Emmett virar-se-ia para ela e sua expressão horrorizada denunciaria sua real situação.
Não tinha sabia nada do assunto que estavam falando.
Seu nervosismo ia tentando ser escondido atrás de goles e goles de vinho, pois, enquanto sua boca estivesse ocupada, ela não precisaria dizer nada, certo?
Não, não com Emmett à mesa.
_ Não necessita de ficar enciumada, Alice – Emmett a olhou divertidamente enquanto era notável sua palidez – Mas Jasper disseste que já fizera isso certa vez, porem sem os percevejos.
Jasper riu baixo junto com Emmett, mas estava bem ciente das bochechas vermelho-vivo dela.
_ Suspendam o vinho do Sr. McCarty – Jasper tentou encerrar o assunto de forma passiva, antes que Alice saísse da mesa completamente constrangida.
_ Ah, não, Emmett não está bêbado – Rosalie segurou, como pôde, o marido pelos ombros, sorrindo – Seria realmente terrível se assim ele se encontrasse.
A mesa pareceu se descontrair novamente, enquanto a conversa tomava o rumo do McCArty.
_ Por que não paramos de debochar do constrangimento alheio? – Bella, no alto de sua polidez, sugeriu – Deveríamos falar sobre o baile que ocorrerá na casa dos Stanley. Não se fala de outra coisa em toda Biloxi!
_ Oh, é verdade! – Rosalie exclamou – Estavam falando que a Srta. Stanley, a mais nova das cinco, Jéssica, pretende ser arranjada para casamento com Alec Black!
Alice parou de mastigar ao ouvir o nome do amigo. Ele parecia estar sendo muito solicitado, naquela noite. Lembrou-se automaticamente que suas irmãs tinham algo para lhe contar sobre ele.
E, também, lembrara-se da expressão de Jasper, quando chegou.
A mesma que ele passava a apresentar, naquele momento.
_ Pois acho que a Srta. Jessica deveria procurar qualquer outro – Jasper comentou. Alice, pelo pouco que conhecia seu marido, sabia que aquela dureza em sua voz não era tão usual.
_ Não lhe agrada o filho do dono do banco, Jasper? – incapaz de refrear sua língua, Alice perguntou, realmente curiosa sobre aquele assunto.
O olhar que Jasper lhe dirigira lhe intimidou. Parecia bem mais ríspido do que ela fazia idéia que ficaria.
_ Não tanto quanto a você, não? – Jasper retrucou e foi como se um balão de silencio estourasse sobre os dois. Era notável que ele estivera tentando esquecer aquilo, mas naquele momento não teve como.
Alice o encarou intimidada, enquanto bem ao fundo ela escutou risos reprimidos.
_ Hãn.... – ela balbuciou, se remexendo inquieta em sua cadeia – Bom, ele é meu amigo desde infância.
Ele não pareceu aliviar a expressão e Alice odiou se importar quanto a isso.
_ De qualquer forma – ele disse meio a contra-gosto – Não gosto dele.
Pelo tom que Jasper empregou nas palavras para falar de Alec, haviam coisas que aparentemente Alice não sabia.
E que não saberia, naquela noite.
_ E por que não? – perguntou com um pingo de esperança. Agora podia entender sua expressão quando chegara e a encontrara falando tão intimamente dele.
Jasper apenas a olhou de relance, porem seu olhar dissera mais do que suas palavras.
_ Boatos demais.
Alice o encarou, parecendo esperar por mais. Porem, Jasper recomeçara a beber seu vinho e tão logo Emmett voltara a falar, em sua sempre alta voz, fazendo todos rirem e se envolverem em qualquer assunto trivial.
O jantar parecia ter deixado para outrora o assunto Alec Black e seus misteriosos boatos, dos quais ela não fazia idéia.
Mas o que prendeu mais atenção de Alice fora outro. Nunca vira Jasper falar tanto e rir tanto quanto naquela noite. E, definitivamente, aquilo lhe era novidade. Ele poderia fazer aquilo mais vezes – sorrir – Alice pensou, pois ele tinha um sorriso que lhe roubava a atenção.
Jasper era diariamente bem calado, às vezes, sério demais, principalmente quando voltava do trabalho.
Bom, deveria advir do fato e ele não gostar de sua companhia. Jasper a detestava, isso Alice sabia, pois, afinal, ela também dissera várias vezes que também sentia aquilo. Entretanto, ela não se sentiu bem, pela primeira vez em tempos, ao se lembrar daquele fato.
Era meio... estranho.
Alice olhou para seu jantar e se surpreendeu por ele parecer menos receptivo. Apenas brincou com as cenouras até que as serviçais vieram retirar os pratos e as travessas.
_ E como andam as plantações de café, Jasper? – Edward Masen, o aparentemente mais sensatos dos maridos das irmãs de Alice, perguntou casualmente.
_ Encontram-se ótimas, obrigado – ele sorriu – Daqui à alguns meses os fazendeiros de Hattiesburg estarão aqui para ver se trataremos de vendas.
_ Ah, e analisarão as folhagens de café? Eles podem tornar-se oficiais, não?
Alice suspirou imaginando a futura conversa da mesa. Rose e Bella, do outro lado, pareciam que imaginavam a mesma coisa, pois as cabeças já começavam a tombar para o lado.
_ Hãn.... – ela interrompeu a conversa prontamente – Bella, Rose, importar-se-iam de me ajudar com o pudim? – ela pediu, seus olhos brilhando sugestivamente.
_ Pudim? – Emmett franziu a testa, parando com sua taça à meio caminho da boca – Necessita de ajuda com um pudim?
_ È, eu necessito – ela murmurou pondo-se de pé antes que a cabeça de qualquer um ali tivesse tempo de formular qualquer coisa. Mas as sobrancelhas arqueadas dos três lhe atrasaram – È que, bom, eu... eu tenho certo receio de carregar pudins sozinha, entende?
Edward e Jasper pareceram pouco convencidos, como se soubessem que elas teriam assuntos particulares em algum lugar da casa com aquela saída.
Mas Emmett riu.
_ Ah, é basicamente como um trauma? Ou um ritual?
Alice olhou para Rose, que apenas maneou a cabeça para a irmã.
_ Basicamente – ela sorriu para ele e, em um piscar de olhos, já arrastava as duas pelos braços.
Alice fechou as portas no momento em que se encontravam na cozinha.
_ Pois me agrada falar até mesmo sobre Jane Volture ao invés de empertigar-me falando de café – Alice se virou para suas irmãs, que empilhavam taças de cristal dispostas sobre uma mesa.
_ Alice, por qual motivo você não disseste que Jasper tem certo desagrado por Alec Black? – Bella indagou pomposa, como se o pouco causo de Alice para com seu marido fosse deveras errado – Quer dizer, olhou bem sua expressão nas duas vezes em que falamos sobre ele? Definitivamente, ele carrega mais desagrado por ele, do que o Pe Charlie por fornicadores!
_ Pois eu nem mesmo fazia idéia disso, minha irmã – ela respondeu, perguntando-se se não saber era algo muito errado.
_ Bom, então não agradaria à Jasper que estivesse no banco, essa tarde – Rosalie, no alto de sua gozação, abaixou a voz – Alec perguntou à mim sobre você. O disse que você está casada, agora – Rose sorriu largamente — Pois deveria ver como ele ficara perturbado, minha irmã!
_ Estou certa que ele preparava-se para ir pedir para papai e mamãe a sua mão em matrimônio – Bella disse presunçosamente.
Alice deu um sorriso bobo. Alec era tão educado e querido para com ela. Aquele fato entrou na sua cabeça como outro perturbador de mente. Quer dizer, naquele momento, ela poderia estar casada com Alec, ao invés de Jasper.
Ela se perguntou o que teria sido diferente...
_ E então lhe perguntamos sobre as moças da capital e de quando ele desposaria com alguma, pois eu estou certa de que agora ele espera alguém, já que sempre espera por correspondências endereçadas à ele com uma ansiosidade que é espantosa.- Rose continuou.
_ Mas ele não pôde responder-lhe esta pergunta, não é Rose? – Bella continuou, virando-se para ela – Pois se sentiu mal e teve que se retirar do banco às pressas.
Alice franziu a testa.
_ Passar mal, Bella? – Rose indagou estupefata a irmã – Alec ficara quase verde!
_ Ah, devem ser os mexilhões que estão dizendo que tem nos milhos dos Stanley, dos quais toda a Biloxi usufrui! Você viu... – Bella começou a conversar distraidamente com Rosalie, enquanto Alice ficara perdida em pensamentos absurdos demais para se verbalizar.
Alec nunca falava de sua estadia na capital.
Bom, não que ela e ele haviam tido muito tempo para conversas triviais, mas aquele, decididamente, não parecia ser um assunto bom de se ter por perto.
Alice pensou que, talvez, pudesse sair qualquer dia desses até a praça e tropeçar nele. Assim, conversariam outra vez e ela teria a chance de lhe dirigir esta pergunta.
Bom, de qualquer forma, poderia falar com Alec outra vez e aquilo era bom.
_ Não é, Alice?
Ela piscou de repente, voltando para o ambiente da cozinha.
_ Perdão, o que?
_ Você e Jasper. Não estão tentando se matar mais, estão? – Bella parecia realmente preocupada quanto á isso, Alice imaginou.
Alice olhou para qualquer lugar que não fora suas irmãs. Não, ela e Jasper não tentavam matar um ao outro, entretanto pouco conversavam. Sua relação distante e friamente usual não era a melhor parte de toda aquela historia.
_ Eu o odeio e ele a mim – ela respondeu dando de ombros – E vai ser assim para sempre.
Porem, Alice não imaginava as expressões surpresas de suas irmãs.
_ Bom, isso é no mínimo estranho.
_ Estranho por quê? – ela perguntou de imediato, assim que Bella começara a falar.
_ Estranho por que foi Jasper quem foi até nossas casas nos pedir que viéssemos aqui lhe fazer companhia.
Alice não se mexeu.
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_ Foi uma noite muito agradável – Emmett disse à porta – Repetiremos isso qualquer outra, mas dessa vez em nossa casa, não é querida? – ele pegou pelos Rose ombros, apertando-a contra ele fracamente.
_ Oras, pois podem contar conosco também – Edward remexia nos cabelos de Bella distraidamente enquanto iam para fora – Daremos muito mais risadas, meu caro amigo.
_ Pois estaremos à espera dos convites – Jasper os cumprimentou, sorrindo. Alice já abraçara três vezes cada irmã antes dessas saírem da casa.
Assim que a porta fora fechada, nenhum dos dois parecia ter algo à dizer. Mas subiram as escadas em companhia um do outro.
Sem clima pesado; sem desgosto pairando sob suas cabeças.
_ Você parece cansado – ela comentou assim que entraram no quarto. Talvez ela havia dito isso muito de repente, pois ele se virou para ela, confuso.
Bom, ela não demonstrava usualmente preocupação com ele.
_ Bom, um pouco – ele deu de ombros, procurando uma toalha.
Alice franziu a testa, um pouco desconcertada. Ela não estava sendo hostil muito menos ríspida. E, mesmo assim, ele parecia resistir em ser nada alem de pratico e frio com ela.
_ Vai ao banho? – ela tentou outra vez manter uma conversa.
Porem, Jasper parecia fechado demais, quase inatingível.
_ O que lhe parece? – ele ergueu uma toalha enorme e branca, seu tom irônico e seu sorriso zombeteiro não foram a resposta que ela queria.
Quando ela ficou calada, não querendo retrucar nem muito menos iniciar uma trivial discussão, ele pareceu notar sua mudança.
_ Hãn... – ele balbuciou um pouco sem jeito – Sim, vou tomar outro banho. Pode trocar-se à vontade.
Alice apenas assentiu.
Ele ainda ficou alguns segundo em pé junto com ela, talvez esperando que ela dissesse outra coisa.
Mas Alice preferiu calar-se.
E, então, ele saiu do quarto, indo para a casa de banho.
Alice se sentou na beirada de sua enorme cama, sentindo-se um pouco ressentida. Quando acostumar-se ia com aquela vida?
Mas então ela se lembrou de suas irmãs e do que ele fizera por ela, naquela tarde. Bom, mesmo que ele, agora, voltara a odiá-la, ela não poderia esquecer aquele ato.
Pois havia adorado ver suas irmãs.
Com um sorriso crescente, ela levantou-se da cama, pondo-se a re-ajeitar aquele quarto.
Quando terminou, trocou de roupa, vestindo-se com sua camisola longa de seda clara. Penteou os cabelos e lhe fez tranças.
Mas esquecera de seu copo de água.
Alice desceu à passos largos até a cozinha para buscar sua água. De alguns dias para cá, vivia suando demais à noite.
E aquilo era irritante.
Voltou para o quarto um pouco animada demais, como se pudesse cantar a qualquer momento.
Abriu a porta distraidamente, pensando que Jasper demorava demais para banhar-se. Mas então, quando se virou novamente, depois de ter fechado a porta, pouco acreditou no que seus olhos viram.
_ OH DEUS! – ela gritou, esquecendo seu copo de água, que acabou se espatifando no chão, e tapou seus olhos com as mãos – O que diabos você pensa que está fazendo? – ela grasnou, a voz meia tremula.
Jasper estava parado de costas para a porta, procurando algo no armário distraidamente.
Nu.
Alice não enxergou quase nada, pois no mesmo momento tapara os olhos, mas escutou muito bem uma risada abafada.
_ Estou no meu quarto, na minha casa. Pessoas casadas ficam nuas na frente uma das outras – ele deu de ombros, como se aquilo já acontecesse à tempos.
_ Mas... mas... – Alice sentiu o coração e o pulmão disputarem lugar no peito por quem batia mais forte.
Nunca vira um homem nu na vida!
A escuridão que estava à sua frente, com um movimento delicado e sutil, deu lugar à uma pequena brecha de luz que passou por seus dedos. Como se eles tivessem vida própria, eles se espaçaram milimetricamente, dando uma visão meia turva e pobre á ela.
Mas fora o suficiente para ela se horrorizar.
Se horrorizar por conta das pernas fraquejarem daquela maneira e sua boca ficar seca. Jasper tinha as costas muito lisas, grande e aparentemente duras, devido aos anos andando à cavalo.
Quanto mais os olhos desobedientes de Alice desciam por ela, mais ela sentiu um calor nos flancos, queimando-lhe de uma maneira lenta e tórrida.
Não tinha idéia de o que era aquilo, mas ao mesmo tempo em que lhe reconfortava, doía.
Ela deveria tapar os olhos decentemente, ela pensou.
Não, deveria sair do quarto de uma vez.
Mas ela congelara ali. Bom, seus dedos também, espaçados e tudo.
_ J-Jasper – ela gaguejou, tapando novamente os olhos quando ele se virou para ela. Ele não poderia vê-la olhando-o – Poderia vestir-se, p-por fa-favor?
Sua voz saiu em um fio, enquanto ele ria discretamente. Ela não ousou espaçar seus dedos ou retirar a mão.
Era maior o medo de ele estar olhando-a.
Ela mordeu o lábio inconscientemente por dar-se conta daquilo. Se vê-lo de costas lhe causara aquelas sensações estranhas... O que diabos aconteceria à seus nervos se o visse de frente?
Alice engoliu em seco novamente, tentando não formar a imagem em sua cabeça.
_ Pode olhar, Alice – ele disse, ainda com um deboche na voz.
Alice tirou as mãos geladas de seus olhos vagarosamente. Seus olhos um pouco arregalados pareciam que haviam congelado naquela posição.
Ele já estava vestido.
Ela tratou de cuidar de sua respiração, naquele momento.
_ Não ouse fazer isso novamente! – ela ameaçou com a mandíbula trincada.
Jasper não responder nada era muito perigoso.
_ O que diabos é isso? – ele apontou para perto da cama, as sobrancelhas unidas.
Alice seguiu a direção de seu dedo com o olhar, ainda meio rígida. Mas então sorriu ao se dar conta do que ele apontara.
_ È uma nova cama – ela disse naturalmente – Sua nova cama.
Jasper continuou a olhando, como se esperasse que ela continuasse a explicação.
Mas não houve continuação.
_ Isso parece um ninho, Alice.
Alice revirou os olhos para ele, achando sua arrumação bem encantadora e confortável.
_ Sei que aquele sofá é apertado para alguém como você, então arrumei isso, pois o tapete é muito bem limpo e quente.
Jasper arqueou as sobrancelhas e Alice temeu que ele não ficasse convencido o suficiente de suas boas intenções.
_ A cama também é muito bem limpa e quente – ele disse sugestivamente – Você poderia simplesmente colocar meu travesseiro ali no cantinho, não? – ele apontou para a beirada da cama, esperando que Alice fosse razoável diante daquele pedido.
Mas era Alice.
Ela ignorou sua sugestão, achando a sua muito mais simpática.
_ Eu peguei a colcha mais fofa e confortável do armário e dobrei para que ficasse o mais macio possível – ela colocou um fino lençol junto do travesseiro dele, já devidamente posto sobre a colcha dobrada – Não está tão duro quanto o chão e você poderá esticar as pernas. Quer dizer, você é grande — ela sorriu novamente, se considerando uma perfeita gênia.
Jasper olhou para a colcha dobrada sobre o tapete. Comparado com seu sofá, aquela realmente era uma considerável melhora para que ele não tivesse as pernas atrofiadas em um futuro.
Mas o que surgira de dúvida em sua cabeça, fora o motivo daquela evolução.
E isso o fez virar-se para ela.
_ Por que tudo isso? – ele indagou.
Alice desviou o olhar e começou a andar pelo quarto. Nunca pensou que chegariam à ter uma única conversa civilizada.
_ Bom, era pra agradecer por... – ela pigarreou, sentindo-se um pouco sem jeito – Por ter ido até a casa de minhas irmãs e, bom, você sabe...
Jasper semicerrou os olhos, começando à ficar austero.
_ Sei o que? – ele insistiu, achando até cômico a falta de jeitos dela em agradecer-lhe algo. Se ele pudesse desfrutar de seu constrangimento em lhe agradecer algo, ele faria coisas assim para ela mais vezes.
_ Por ter pedido para minhas irmãs virem me fazer companhia – ela disse, conseguindo olhar para ele, finalmente. Talvez fosse um efeito do momento, mas seus olhos pareceram reconfortantes.
Jasper assentiu silenciosamente enquanto a olhava.
Alice conseguira outra vez...
_ Tudo bem – ele murmurou, decidindo se dirigir á sua nova cama.
No chão.
_ Tenha uma boa noite, então, Sr. –ela cumprimentou, aprontando-se sobre seu confortável colchão.
Jasper também a imitou, porem em sua colcha. Ele sorriu curtamente, apenas para si mesmo, ao notar que Alice poderia ser agradável e, querendo admitir ou não, muito educada.
E aquilo o perturbou.
_ Boa noite, Sra. – ele murmurou. E, logo, o quarto estava afundado na escuridão, silencioso e pacato.
Mas Jasper não fechou os olhos nem quis se entregar ao sono.
Ficara encarando uma rachadura mínima na parede, por onde entrava a luz da lua.
~•~•#•~•~
Biloxi, Mississipi
Manhã de Agosto.
Alice acordou mais tarde, naquele dia. E, quando viu, ocupava sozinha o aposento.
Levantou-se, vestiu-se, arrumou-se apresentavelmente, e desceu.
Para a sua surpresa, Jasper estava em mesa, tomando seu café em um silencio mortal. Alice se aproximou calmamente, um sorriso cordial exposto em seus lábios.
_ Bom dia – ela cumprimentou.
Porem, ele não lhe dera uma resposta, apenas colocou sobre seu pires de porcelana, uma carta em papel meio amarelo, endereçada à ela com letras elegantes.
_ De quem é? – ela perguntou antes de se sentar. Pensava que poderia ser de seu pai, já que estava viajando novamente e talvez quisesse saber novidades sobre a vida dela como casada.
_ Tenho certeza de que você sabe – Jasper retrucou friamente. Foi inevitável Alice se virar para ele, começando à ficar confusa demais com seu comportamento.
Quando ela virou a carta para ver seu remetente, um selo do banco estava colado no canto do papel, denunciando sua origem.
O banco de Biloxi.
Alice engoliu em seco ao ler o nome de Alec ali.
_ Hãn... eu não sabia que ele me enviaria cartas... – ela murmurou, receosa em abrir ali mesmo.
_ Certamente que não sabia – Jasper riu sem muito humor, parecendo consideravelmente mais ríspido naquela manha – Pois você pode fazer o que bem quiser, Alice – ele disparara sem muita cortesia – Eu realmente não me importo.
Alice não pensou em nada para responder. Jasper não deveria ter ficado zangado com ela, oras, pois ela nem sabia que Alec se atreveria a lhe enviar uma carta!
Mas quando as palavras de Jasper repousaram em sua cabeça, ela fechou a cara.
Ele estava certo, ela poderia fazer o que bem quisesse.
Abriu a carta no mesmo momento, com uma força que fora desnecessária.
Fungou geniosa.
Enquanto começava á ler, Jasper levantou-se da mesa em silencio, colocou seu chapéu e saira antes mesmo que ela pudesse fingir que estava realmente lendo.
Alice fechou a carta, onde Alec apenas falava sobre as novidades, evidenciando sua chateação pelo inoportuno casamento dela e não deixando de acrescentar as lembranças da infância dos dois juntos.
Ela recostou-se na cadeira, sentindo-se com um aperto no peito. Agora, temia a indiferença de Jasper, pois essas atitudes a incomodavam. E, a julgar pelo clima que pairou pela mesa a minutos atrás e que perdurava até aquele momento, as coisas pareciam ter desandado.
-
Uma semana depois
Biloxi, Mississipi
Agosto, 1901
Depois de uma semana, as coisas não pareciam que melhorariam mais. Eles voltaram a apenas se cumprimentar e, quando Jasper ainda fazia isso, era realmente frio.
Alice ficava largada em um canto daquela casa durante todo o dia e, a noite, quando ele chegava, era o mesmo silencio, o mesmo clima, a mesma vida sufocante que Alice tanto temia.
Um dia, em uma das tardes de Agosto, Alice chorou fracamente.
Depois de uma longa semana, ela se pegou pensando que aquela convivência não fora o que ela desejou quando estivesse vivendo com outra pessoa.
Ela se perguntou o que havia feito de tão errado.
No começo pôde parecer divertido ou até mesmo agradável ela retrucá-lo e evidenciar seu eventual desejo pela infelicidade dele.
Porem, aquilo começava a ser sufocante e deprimente. Alice esperava algo mais de um casamento, ela admitiu por fim. Pensava que, por viver com outra pessoa, essas pessoas conversariam, ao menos. Seriam simpáticas e dariam passeios rápidos, apenas para tomar um ar.
Mas eles, quando não estavam disparando indiretas ácidas ou gozações um do outro, ambos apenas se cumprimentavam.
Alice não era acostumada com àquilo. E começava a sentir-se deprimida.
Naquela tarde, quando Jasper chegara do trabalho, ela nem quis se levantar da cadeira de balanço, preferindo nem sequer cumprimentá-lo.
Fungou baixo, encolhendo-se mais na cadeira quando o escutou andar pelo quarto, remexendo em portas e pisando duramente com suas botas.
Parecia inquieto.
Quando ela, enfim, parou de escutar barulhos dentro do quarto, deduziu que ele já havia saído.
_ Vai acabar doente se ficar aí todo dia – a voz rouca e inconfundível dele a assustou, vindo logo atrás dela, carregada de repreensão e, Alice não acreditou muito em suas deduções, preocupação também.
Entretanto, ela não se deixou ficar impressionada com a volta de contatos verbais entre eles. Continuou em sua cadeira, observando a praça.
_ Não é de seu interesse – ela murmurou secamente.
Ouviu algo como um grunhido e logo o sentiu ainda mais perto, atrás de si.
Foi automático todos os seus sentidos ficarem loucos.
_ Vamos, Alice, entre aqui – ele pareceu tentar deixar seu tom brando, mas Alice sentiu sua impaciência quase em sua pele.
_ Me deixe em paz, Jasper – ela murmurou novamente.
Quando ele não disse nada, ela pensou que havia abandonado a conversa e saído de vez. Mas então, tão de repente, ela sentiu bruscamente sua cadeira ser puxada para trás, enquanto Jasper a arrastava quarto a dentro.
_ Mas o que pensa que está fazendo!? – ela esbravejou, levantando-se de súbito da cadeira para o encarar, quando ele parou.
_ Pronto – ele disse em um tom natural, algo que estava quase esquecido na memória de Alice – Agora vamos jantar, pois não desejo que você fique doente e que sua mãe me deteste para o resto de sua existência.
O tom autoritário dele quase a fez bater o pé e cruzar os braços, assim como fazia com sua mãe, antigamente.
_ Não me faça fazer com você o mesmo que fiz com a cadeira, Alice.
Ela já estava pisando duro porta a fora, quando reparou.
Notas finais
Adoro a parte da colcha, na verdade.
Mas e voces? Espero que tenham gostado do cap.!
bjsss meus amores;
;*
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