Notas iniciais
Olá :) Queria agradecer as fofas que comentaram no cap. passado ^^ Fiquei muito contente com a fideidade de vcs! Eu vou ter que me virar em 40 de agora em diante pq minha querida professora terrorista adicionou outra instituição para começar a estagiar semana que vem. Aii que gostoso... ¬¬ Mas não se preocupem, vou escrever o próximo cap esse final de semana ;) Enfim, desculpem os eventuais errinhos, não tive tempo de corrigir haha Espero que gostem.. :*

Cap. 33

Biloxi, Mississippi

Estrada deserta

1902

Jasper enrijeceu o corpo todo no momento em que foram cercados e obrigados a parar abruptamente. Colocou Alice atrás de si, que tentava manter a calma e não se entregar ao pânico, as pernas trêmulas e o estômago revirado. Alguns fios dos cabelos curtos ondulavam-se frente ao seu rosto, muitos deles grudando-se em suas bochechas por conta do suor que se formara assim que perdera seu chapéu em algum momento de sua corrida.

Com precaução e astúcia, Jasper depositou a mão na parte de trás, em sua lombar. Sentiu o objeto metálico contra o tecido da camisa. Era frio e grosso, e faria estragos onde quer que pegasse. Fora um cuidado extremo e bruto, herdado de seu tempo de Exercício. “Ninguém é tão seu amigo quanto uma pistola” foi o que aprendeu desde o primeiro dia em que se aventurou pelos ares bárbaros. Desde então, nunca mais havia saído de casa sem carregar uma junto à si.

_ Quem são vocês? – Jasper indagou com a voz austera e dura. Tinha certeza de quem se tratavam, mas preferiu prolongar um possível diálogo a fim de ganhar tempo. Deveria pensar em alguma coisa para manter os dois vivos.

Se manter vivo para manter Alice viva.

A metade dos homens desceram de seus cavalos, intimidando-os ainda mais. Alguns eram robustos e mal-encarados. A pele dos rostos e das mãos eram manchadas e

pareciam descascar devido aos anos expostos à luz forte de sois como o do Texas. As roupas eram sujas e algumas rasgadas. Talvez, sinais de que haviam sentido tiros ou canivetes afiados. Os casacos, certamente produtos de saque, eram volumosos e certamente escondiam inúmeros objetos em seus interiores.

Talvez, até maiores do que a que Jasper escondia, ele pensou nervosamente.

_ Tenho certeza de que seus instintos devem dize-los quem somos – um dos homens disse com falta de emoção na voz. Era rude, embora monótona. A barba enorme encobria quase todas as bochechas. As correntes que se penduravam por suas roupas tilintavam conforme ele se mexiam. O capim seco gemendo sob suas botas pesadas.

_ E o que querem de nós?! – Jasper exigiu, mantendo o olhar hostil igualmente o homem com quem se encarava. Uma batalha muda.

O homem se aproximou deles, semicerrando os olhos castanhos claros.

_ Nada que vocês tenham para me oferecer, no momento – disse ele rispidamente. Aumentou as linhas de sua testa.

Jasper apertou a mandíbula, os lábios em uma linha dura e fina.

_ Então? – fez ele, impaciente com o que acontecia ali.

O homem grunhiu baixo, como um silvo forte de algum coite. Estendeu um dedos à Jasper, parecendo irritado.

_ Controle o tom com que se dirige à mim, seu merda – disse ele. Jasper viu o momento em que os demais murmuravam entre si alguma coisa, todos segurando alguma coisa dentro do casaco.

Por Alice, Jasper abaixou a crista.

O sol parecia que esquentava mais à medida em que aquelas pessoas mantinham os dois cercados no meio daquele matagal seco. Os raios quentes entravam por seus póros e pareciam querer queimar seus músculos até deixa-los em carne viva.

Depois de um tempo, o homem pareceu relaxar um pouco mais, porém seu olhar ainda era pesado e ríspido.

_ É a segunda vez que perderei meu tempo com vocês – disse ele de mau humor. Olhou para Jasper de frente e notou os olhos estalados da mulher por trás do ombro dele. Apenas naquele momento pareceu enxergar, realmente, Alice – Então é tudo por causa de você – disse ele, e um curto sorriso de deboche apareceu – É sempre por causa de um belo par de pernas – ele meneou a cabeça – Você é pequena demais para causar tanto burburinho, sabia? – continuou, porém não havia mais sorriso algum.

Jasper escondeu mais Alice atrás de si, encarando o homem com o olhar um pouco mais ameaçador.

_ Não se dirija à ela! – disse baixo, entre dentes. O ar saira pesado por ali, se misturando aos raios de sol que desciam impiedosamente – Fale o que tem para falar e nos deixe em paz! – ele estava tenso como o inferno, mas não podia abaixar a cabeça, nem mesmo sabia como se fazia aquilo.

O grupo de saqueadores perigosos se remexeram entre si, parecendo ansiosos e irritadiços. O homem que estava frente á Jasper e Alice o fuzilou com o olhar, porém não pareceu querer fazer questão. Ele apenas bufou, enquanto seus dedos se remexiam sobre a tira que segurava uma pequena faca lustrada e brilhante.

_ Deveriam ter nos escutado quando tentamos os avisar àquela vez – disse ele, sem emoção. Parecia, de certo modo, frustrado.

Jasper semicerrou os olhos, buscando em suas lembranças algum contato que tivera tido com algum daqueles homens. Porém, nada viera em sua mente além das perseguições e ameaças não-verbalizadas que haviam sofrido.

Mas nenhum aviso de coisa alguma.

_ Do que está falando? – ele indagou, fechando os dedos de uma das mãos em punho.

O homem bufou de impaciência, ajeitando o chapéu surrado em sua cabeça com rispidez.

_ Tentamos avisá-los que estavam em perigos, seus idiotas, e que deveriam fugir de Biloxi sem deixar rastro! – murmurou freneticamente – Mandei um dos meus homens até a casa de vocês, disfarçado de guarda contratado!

Depois do homem ter dito aquilo, Jasper enrugou a testa. Apenas naquele momento rolou os olhos verdadeiramente pelos outros homens, seus olhos astutos reconhecendo as feições de um em particular e parando automaticamente.

Um estalo se fez em sua cabeça.

_ Tomás! – disse ele baixo, lembrando-se nitidamente da noite em que ele esteve com Alice no estábulo. Os homens do homem estalaram e um sorriso de escárnio surgira ali.

_ Ela estava tão amedrontada – ele apontou com o queixo para Alice, que saira poucos centímetro detrás dos ombros de Jasper – Que não escutou o que eu tinha para dizer. Ou não me compreendeu – ele deu de ombros, lembrando-se, assim com Alice e Jasper, daquela noite em questão.

_ Então havia ido nos avisar que deveríamos fugir? – Fez Jasper, a voz neutra, porém, de seus olhos, emanavam irritação. Que porcaria seria toda aquela historia? – E deveríamos fugir de quê, afinal de contas? De vocês, o Bando do Mato? O que poderiam querer? Nunca demos um motivo em particular, pelo que bem me lembro.

_ Não éramos nós quem queríamos alguma coisa de vocês – disse ele, e seus perspicazes se pousaram em Alice novamente por uma fração de segundos – Mais sim aquele intragável do Black. E, se ele queria – parou, parecendo incomodado com o que teria que dizer – Nós é que deveríamos pegar.

Alice abriu a boca em um “o”, enquanto sentira Jasper se enrijecer novamente.

_ Alec? – ela falou pela primeira vez, a voz fraca e aguda – Como ele poderi...

_ Tente uma geração antes, Senhora – o homem a interrompeu, mal educado.

_ Fortunato Black – fora Jasper quem disse, e suas palavras secas cessaram por ali. Sempre soubera que Fortunato Black não era uma boa pessoa, porém jamais tivera oportunidade de provar, sendo ele tão influente na cidade em que moravam.

Alice tapou a boca a fim de sufocar um soluço amedrontado. Embora soubesse que Fortunato era perigoso, a revelação daquilo e o mencionar de seu nome lhe davam arrepios.

_ Foi o Sr. Black quem matou o Sr. Cullen, ou foram vocês? – Jasper perguntou.

Aquilo ainda parecia um pouco confuso na cabeça dele.

_ Fomos nós – disse o homem sem emoção na voz – Mas a mando dele – completou.

_ O que?! – Alice exclamou, dando um passo à frente, a indignação lhe ardendo a cabeça.

Alice sentiu a raiva nadando por suas veias no momento seguinte, quando lembrou de seu pai morto. Querendo ou não, ele também era seu pai, e aquela lembrança a entristecia até a alma.

_ Como puderam fazer aquilo com meu pai! – Alice esbravejou, sentindo os olhos tornarem-se turvos e úmidos. Queria esbofetear um a um daqueles homens.

Todos parecem se inquietar com aquilo, enquanto o homem que conversavam com eles bufou, apontando o dedo para Jasper outra vez.

_ Aquieta essa mulher ou eu mesmo a aquieto com uma bala! – grunhiu ele, irritado como o inferno.

Jasper segurou Alice pelos braços, impedindo-a de se aproximar daquele homem. A apertou contra si, encostando sua boca em seu ouvido.

_ Acalme-se, Alice – disse com autoridade. A deixaria chorar o quanto quisesse em outro momento, quando ela não estivesse correndo risco de vida.

Depois de alguns minutos, ela se acalmou, sentindo peito doer e a respiração fraquejar. Virou-se para Jasper e abraçou suas costelas, escondendo seu rosto em seu casaco. Não queria escutar nada mais.

_ E por que ele queria o Sr. Cullen morto? – indagou ele – Não me lembro deles terem inimizades passadas.

O homem riu a sua frente, parecendo se divertir.

_ Porque aquele homem devia à ele. Haviam feito negócios e ele não o cumpriu sua parte no acordo deles. Por frações de segundos, os olhos dele foram para Alice e Jasper entendeu muita coisa — Ele não sujaria as mãos dele. Nunca sujou, aquele maldito – ele cuspiu no chão, em meio à terra seca e amarelada.

_ Por isso as testemunhas disseram que ele esteve no banco durante todo o dia em que o Sr. Cullen foi assassinado – Jasper disse, entendendo – Ele jamais seria pego de modo algum.

O homem assentiu silenciosamente.

_ Ele é o cabeça por trás dos Vingancistas do mato, de nós – disse ele, e o tom amargo em sua voz mostrou à Jasper que ele não se sentia amigável com aquela constatação – Ele sempre foi nós, e nós sempre fomos ele. Não havia partes separadas nesse jogo, homem. Se surpreenderia com o que ele é capaz. Sua vantagem é a boa imagem. Por dentro ele é cruel como o diabo.

Outro corvo sibilou ao longe.

Jasper meneou a cabeça, descente. Havia tanta má reputação e boatos assustadores sobre o que aqueles homens faziam que Jasper custou à acredita que Fortunato Black era tão pior do que ele imaginava.

_ E por que faziam o que ele lhes mandava, afinal? – indagou ele, curioso em saber os motivos por tudo aquilo. Alice soluçou em seu peito, ainda calada. Inconsciente ele lhe afagou as costas.

_ Por que ele nos pagavam – ele deu de ombros – Muito bem, aliás. E fazíamos o que fazíamos por que havia um significado. Matar quem deveria morrer, vingar as dívidas. Saquear o que queríamos obter – ele balançou a mão no ar, demonstrando seu pouco caso com relação aos seus atos e sua índole – Foi o suficiente no começo. Mas então ele começou a ficar louco – o homem estalou a língua, fechando as mãos em punhos – Ficou obcecado com o acordo que fez com Sr. Cullen e com o que receberia de sua parte – frente ao homem, diante de suas palavras indiretas, Jasper apertou um pouco mais Alice em seus braços. Algo que fora imperceptível aos olhos daquele ser – Só se importava com aquilo e isso já estava nos dando nos francos! Muitos embarcaram nessa loucura obcecada, mas outros achavam isso perda de tempo – ele bufou novamente.

Jasper não disse nada, sentindo os olhos arderem pelo sol escaldante que ainda imperava no céu, naquele dia. Muito mais quente do que o normal.

_ E agora nós estávamos deixando aquele brando – o homem de enorme barba se pronunciou primeiro, cortando os minutos de silencio com impaciência – Mas ele ainda conta com mais uma dezena de homens, loucos iguais a eles, embrenhados nos matos da fazenda dele, no fim de Biloxi, planejando alguma forma bem pouco cristã de dar um fim no problema dele e pegar a sua recompensa– ele fitou Jasper bem no fundo dos olhos verde – E eles não vão descansar até conseguirem o que querem – parou por alguns segundos – E você sabe muito bem o que ele quer – seus olhos se estalaram, mas não deixaram de fitar Jasper – E eles não serão gentis como nós. È a última vez que vou lhe avisar, homem – apontou, novamente, o dedo cheio de retalhos de cicatrizes – Fujam daqui o quanto antes. E não voltem para essa maldita cidade nunca mais!

Jasper engoliu com dificuldade por conta da rigidez que fechara sua garganta. Diabos, sabia daquilo. E sabia que era a coisa mais sensata a se fazer. Era o melhor momento de irem embora para a Capital.

Com relutância, ele assentiu, sentindo as costas pesarem com tudo o que estava acontecendo. Era o peso de todo o estado do Mississippi sob seus ombros.

Depois de alguns minutos em silencio, todos se entre-olhando, Jasper viu o homem subir novamente em seu cavalo. Muitos outros o encaravam com aspereza e desprezo. Era novidade homens como aqueles se dispuserem a avisá-los de algo. Mas continuavam sendo homens sem emoções alguma.

Jasper imagina que não o faziam por eles, em si, mas como vingança de outros.

Quando ouviu que a conversa se encerrara, e que eles se preparavam para subir em seus cavalos e irem embora para o longe, Alice se desvencilhou de Jasper e se virou para eles, os olhos vermelhos como sangue e a raiva fazendo suas mãos tremerem.

_ Seus malditos, miseráveis! – ela gritou. Não estava escutando a conversa que eles havia tido à pouco, apenas ficou remoendo a verdade. A verdade de que eles haviam assassinado o seu pai. Consumida pelo impulso, ela pegou uma pedra mediana

E jogou às cegas na direção de alguns dos homens que davam as costas á eles para montarem em seus cavalos de crinas brilhantes.

A pedra batera com demasiada força no casaco de couro desbotado que um dos homens usavam. Abruptamente ele parou, se virando para ela com uma paciência assustadora. Junto com ele, todos os outros homens que ainda estavam no chão – cerca de cinco – também se viraram, os olhares ameaçadores queimando Alice como se fossem diversos pares de pedaços do sol.

_ Sua mulher maldita! – ele vociferou, fechando as mãos calejadas em punhos de aço. Se encaminhou até ela com passos largos, triturando o solo árido com as solas das botas de cano alto. A fama deles não permitiu à Alice ficar alheia ante o ataque que se sucederia, porém ela não se moveu de seu lugar, como se aceitasse a batalha e pretendesse continuar.

Vendo que eles não poupariam uma surra em Alice, bem como não poupavam nenhuma outra mulher, Jasper a puxou para trás com força, a ponto de ela se desequilibrar quando seus pés enroscaram em um emaranhado de capim morto e cair sentada na relva seca e cortante.

Com uma careta, ela levantou os olhos na mesma hora para o projeto das costas de Jasper, cuja sombra a encobria por completo, ali no chão. Escutou o barulho das pisadas rápidas e pesadas contra o mato. Alguns urros foram ouvidos e outras palavras de baixo escalão, que fizera Alice corar por escutá-las.

_ Não se aproxime dela! – entre as vozes que esbravejavam, ela distinguiu a de Jasper, austero. Seguiu os rápidos movimentos deles. O homem cuja sua pedra havia acertado já impunha a mão e o braço em um movimento que deveria fazer seu golpe ser certeiro. Se pegasse nela, ela imaginou, lhe quebraria todos os ossos do rosto.

Mas ela viu, ainda mais rápido, Jasper segurar a mão grande do homem e torcer seu braço, deferindo-lhe o mesmo golpe que ele lhe daria. Alice abriu a boca para gritar algo, porém a voz não saíra. Jasper tinha a agilidade e a experiência de lutas, e a diferença nos trajes, sendo o deles repleto de coisas penduradas e guardadas dentro dos casacos surrados, e o dele resumido em uma camisa e um coleto com fivelas; também lhe garantia leveza.

Porém, Alice constatou aterrorizada, eles eram em cinco.

E Jasper apenas Jasper.

Quando seu coração deu pulos de inquietação, ela tentou encontrar alguma maneira de ajuda-lo. E, enquanto ela fazia isso, observava, agoniada, Jasper desferindo golpes à todas as enxurradas de braços que vinham em sua direção.

Enquanto levou alguns chutes no estômago e na costela, ele acertou diversos outros nos dentes de alguém, torceu os braços de outros e quebrou a mão de um dos homens que tentou segurá-lo.

_ Parem! – Alice se levantou, aterrorizada – Por favor, parem! – gritou no meio da pancadaria que farfalhavam agitadamente o capim e derrubava os matos já quebrados, as folhas secas de alguma planta já morta. O ar denso do deserto e da tarde escaldante continuava a fustigar.

Alice o viu puxar um dos homens que fez menção à se aproximar dela de volta para trás pelos cabelo, cujo chapéu já havia se perdido no chão junto com os outros, e dar-lhe um golpe no maxilar com os dedos em punhos cerrados. Porem, no mesmo instante, fora acertado de volta á costela, nas mesmas, por sinal, que já havia sido acertado.

Jasper balbuciou alguma coisa, e Alice notou uma careta de dor passar rapidamente por sua face. Estava vermelho por conta do sol, do esforço e do sangue que circulava com maior rapidez por seu corpo, esquentando-o com mais eficiência do que o sol maldito. Parecendo querer reprimir a dor à ponto de poder ignorá-la, Jasper virou-se para trás com uma rapidez que fora maior do que os olhos de Alice podiam acompanhar. Sua perna já rodava no ar e quando ela dera por si ele já estava com o pé afundado no estômago do homem que lhe havia acertado.

O homem caiu, gemendo e rolando no chão empoeirado e cheio de cisco. Mas Jasper não pudera parar para apreciar, pois tão logo já tinha que desviar de outros golpes e desferir mais.

Com um prazer entorpecente, Alice viu que Jasper era um exímio lutador. Estava acertando mais do que sendo acertado.

Porém, em um momento, ela o viu vacilar quando tentou fixar o pé direito no chão para apoiar-se. A careta significou que ele deveria estar sentindo dor, ali.

_ Parem! – ela exigiu outra vez, passando a mão pelos cabelos, começando a marejar os olhos. Não havia nada que ela pudesse usar para acertar algum daqueles homens. Até mesmo as pedras eram escassas e in significantes.

Jasper apenas notou a dor verdadeira quando insistiu em apoiar o pé outra vez. Doeu como se houvesse sido arrancado fora por um machado mal afiado. Tinha certeza que seu pé havia acertado algum objeto realmente duro que havia abaixo da camisa do homem do qual ele havia chutado. Praguejou tanto aquele maldito que teve vontade de se virar apenas para ele.

Mas com a distração dolorida dele, Jasper sentiu o momento em foi golpeado na perna, e ele se curvou, perdendo a força por instantes. Mas a dor parecia lhe dar mais adrenalina. A raiva, tinha que admitir, era uma das grandes ajudas de que dispunha. Assim, ele esmurrou um dos homens que o segurava pela cintura para que um outro homem golpeasse.

Para sua sorte, eles não eram bons em lutas corporais. Além do tamanho e do excesso de adornos que carregavam. E, com dois no chão, os restante, cujo número havia aumentado, já aparentava sinais de cansaço. Porém, a maior sorte de todas era o fato de eles, aparentemente, terem esquecido que possuíam facas, facões e pistolas. Poderiam ter acabado com ele em um piscar de olhos.

Mas, para seu azar, ele teve tempo de se livrar apenas do que o segurava, pois o que vinha ao seu encontro para lhe golpear estava perto demais. Acertaria seu estômago e Jasper já sentiu a dor com antecipação. Porem, no segundo em que seu punho acertaria seu estômago, ele pareceu se desequilibrar, enroscando os próprios pés um no outro, e seu alvo acertou um pouco mais abaixo.

Jasper fechou os olhos com força e quase mordeu a língua quando cerrou os dentes abruptamente. O homem havia acertado suas partes baixas e aquilo doeu mais do que qualquer golpe que haviam dado nele.

Até mesmo o pé, para ele, tinha uma dor latejante bem agradável, em comparação.

Ele não conseguiu evitar se inclinar para baixo, perdendo as forças momentâneas dos joelhos. Sentiu o latejar característico e incômodo, enquanto ele podia sentir a pulsação de suas veias ali. Parecia que havia ficado tão sensível que apenas respirar lhe doía.

_ Chega!Vamos embora! – o homem que havia conversado com Jasper e Alice berrou de cima de seu cavalo para todos os homens que estavam no meio daquela disputa – AGORA! – completou, quando não os vira se mover. Ele parecia ter uma urgência inesperada, e Alice se perguntou o por quê. Talvez fossem as horas, que não mais se arrastavam, mas que haviam passado como um vulto, um presságio de morte, e o fim da tarde parecia querer adentrar no céu.

Alice estremeceu a espinha.

Como podiam, um a um dos homens montaram em seus cavalos novamente. Alguns com muito mais dificuldade do que outros.

_ Só não o furei com minha pistola por que não vou facilitar as coisas pra você seu burguês ordinário! – grunhi entre dentes, antes de cuspir no chão e ir em direção à seu cavalo.

_ Jasper! – Alice correu em sua direção, desesperada, estendendo as mãos para apoiá-lo.

_ Não! – ele exclamou de imediato, parando-a no lugar com a mão. Ele ainda respirava com força, a outra mão apoiada no joelho – Fique...fique ai por um momento, Alice – terminou de dizer, a voz grasnada.

_ Oh Deus, eu sinto muito! – ela fez, fechando as mãos em punho frente ao peito. Por seu momento de impulsividade, Jasper havia pagado o pato – Foi tudo minha culpa! Eu não deveria tê-los provocado! Foi um impulso, Santo Deus! –continuou ela a entoar seu mantra.

Notou Jasper rir fracamente, parecendo cansado. Talvez fosse apenas por causa da respiração, ainda entre cortada.

_ Você tem razão, minha cara – disse ele entre uma lufada de ar e outra – È tudo culpa sua.

Alice o olhou e não pôde deixar de rir, sendo logo acompanhada por ele.

­_ Venha – disse ela, finalmente sendo permitida a se aproximar – Vou lhe ajudar- ela não podia dizer o quanto aquela dor era terrível, mas fazia uma ideia de que Jasper não exagerava, pois já havia visto seu pai sofrer daquele jeito por diversas vezes, quando mais moça.

Ele se apoiou nela por pouco tempo, apenas até conseguir ficar mais ereto. Embora ainda sentisse fisgadas em seu companheiro de batalha. Assim, foram em direção à estrada, enquanto ele mancava por conta do pé.

Agora voltara a senti-lo.

_ Você luta muito bem, fiquei impressionada – disse ela sorrindo, assim que chegaram à beira da estrada. E havia ficado, realmente.

Jasper deu de ombros, olhando para os dois lados da estrada deserta.

_ Lutávamos quase todos os dias, quando eu estava no Exército – disse – Em treinamento ou como passatempo, mesmo.

_ Quem passatempo lutando? – ela indagou, espantada e, de certo modo, horrorizada.

Jasper riu ao seu lado.

_ Gostávamos...era divertido – deu de ombros outra vez – Estou um tanto destreinado, pois faz tempo que não faço mais isso. De certa forma, foi bom relembrar – disse com uma rápida careta de dor quando apoiou o pé erroneamente.

_ Foi bom? – ela franziu a testa novamente. Deus, aquele homem era mais bárbaro do que ela fazia ideia – Jasper, o sol forte derreteu seus miolos?

Jasper gargalhou alto, o que ecoou por todos os lados aparentemente abandonados daquela estrada.

_ Alice, nós lutávamos fisicamente com grupos de vinte homens! Todos os dias! – ele a puxou para mais perto pelos ombros magros – Eu sou acostumado com brigas brutas e guerras corporais muito mais empolgantes do que essa.

Alice meneou a cabeça. Homens, pensou consigo.

_ Ainda dói muito? – ela disse – Digo...o seu... – ela ficou encabulada em falar, embora o conhecesse muito bem. Passou a mão pelo pescoço, não conseguindo evitar a reação automática de olhar pra lá.

Jasper sorrira com certa malícia, aproximando seu rosto do pescoço dela.

_ Você pode dar um jeito nisso, depois – murmurou, depositando um beijo estalado ali. Alice enrubesceu no mesmo segundo. Como seu marido podia ser tão despretensioso daquela maneira? — Hey! – ele chamou sua atenção com o tom entusiasmado – Olhe, tem alguém vindo de carruagem – apontou para o início da estrada. Iam na mesma direção que eles.

_ Graças à Deus! – Alice murmurou, aliava como o inferno.

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Biloxi, Mississippi

Noite do mesmo dia

1902

Aquela noite se abatera rapidamente sobre a pequena cidade tensa. O dia havia sido exaustivo e ela sentia o corpo pesado, como se uma manada de elefantes estivesse se equilibrando sobre seus ombros.

A indignação e a raiva ainda forçavam seu peito de tal forma que sua respiração ficara mais exaustiva do que já era de costume. Ela pensava no que havia escutado naquela tarde e ainda não podia acreditar. Fortunato Black havia mandado matar seu pai! Como ele podia?

O que diabos havia naquele acordo que haviam feito que pudera ter acarretado em tal consequência?

Milhares e milhares de questões como aquela borbulhavam em sua cabeça. Ela precisava de respostas tanto quanto queria-as. Ao menos, agora, sabia de quem arrancá-las. Fechou as mãos em punhos, sentindo a vontade esmagadora de ir até aquele asco de homem e lhe exigir toda a verdade.

Abruptamente, Alice saira de frente da janela vidrada, onde observava a cidade apagando-se, silenciando-se. Estava zangada demais para continuar passiva daquela maneira.

Mas ao virar-se se deparou com Jasper dormindo profundamente. Os cabelos louros jogados no rosto e no travesseiro. Ressonava, como um garoto. Alice sorriu, naturalmente, feliz por ele finalmente parecer estar pleno. Ele, mais do que qualquer um, necessitava da paz e do descanso que gozava, naquele momento. Havia o ajudado a tomar um banho e fazer curativos nos machucados e massagem no tornozelo dolorido, agora enfaixado por um lenço branco, assim que haviam chegado em casa. Mal engoliu a canja que Lilly e Consoelo haviam preparado e caira entre os lençóis, afundado no travesseiro que ela dormia.

Alice suspirou, enquanto se aproximava da cama. Tocou sua bochecha, roçando seus dedos dali até os lábios entre abertos. Antes de cair na inconsciência, ele havia dito que precisavam conversar. Estava tentando dizer algo a ela ha alguns dias, mas as circunstâncias não estavam permitindo que tivessem aquela conversa.

Mas, Alice tinha absoluta certeza de que, o que quer que ele precisasse lhe dizer, não era tão importante quanto o assunto que ela precisava resolver com o Sr. Black. A necessidade da verdade lhe roubava as forças. Porém, sabia que Jasper jamais a deixaria tirar satisfações com Fortunato nem com qualquer outro de seus capangas. Jamais a deixaria chegar perto dele e a obrigaria a esquecer aquilo e leva-la embora para a Capital, se possível, para mantê-la longe dele. Ela sabia que aquela era uma real possibilidade, pois havia reparado que ele havia revivido duas maletas enormes dos fundos dos baús, guardadas ha tanto tempo que estavam duras, e as colocado ao lado do armário de roupas.

Será que ele...pretendia mesmo ir embora dali, assim como parte do bando dos Vingancistas lhes havia sugerido?

Alice se sobressaltou com o entendimento. Eles não podiam ir embora! Não ainda! Não enquanto ela não soubesse toda a verdade que cercava Fortunato Black e seu pai.

E aquele maldito acordo.

Assim, Alice se dera conta de que não lhe restava muito tempo. Para sua segurança, Jasper a arrastaria dali mesmo sob seus protestos.

Nem que tivesse que leva-la nos ombros.

Enquanto ela era teimosa como o inferno, ele era determinado como os céus.

_ Santa miséria! – ela grunhiu baixo, entre os dentes. Não podia esperar. Não podia se dar ao luxo de comunicar à Jasper, tampouco lhe pedir que fosse com ela.

Ela precisava resolver aquilo, mesmo que para isso tivesse que fugir momentaneamente dos olhos de seu astuto marido.

Determinada e desesperada, Alice se decidiu pela escolha mais difícil. Aproveitando-se do esgotamento de Jasper, naquela noite, ela fora até seu armário e retirou um enorme casaco vermelho.

Iria atrás deles.

Iria saber de toda a verdade.

Respirando fundo, ela colocou o casaco e o amarrou bem à cintura. O enorme capuz pendia de sua nuca sobre suas costas, coberta por seu vestido longo e rodado, cujas discretas mangas bufantes lhe dava um ar ainda mais jovial do que sua aparência já o fazia. Pegou seu enorme terço de pequenas pérolas coloridas de cima do criado mudo e o colocou-o no bolso interno de seu casaco.

Sua importância parecia fazê-lo pesar ali.

Antes de sair, ela não pôde deixar de voltar-se à Jasper e lhe beijar a testa, perto do pequeno corte que havia acima de sua sobrancelha. Ele estava quente e ainda respirava tranquilamente.

Eu vou voltar logo” ela disse mentalmente para ele.

Mas, de certo modo, não estava completamente certa daquela realidade. Mordendo o lábio, Alice não podia negar o fato de que, o que estava prestes a fazer, ser, além de uma total fata de juízo, e extremamente perigoso.

Como ela poderia ser tão imprudente?

Mataria a Jasper quando ele acordasse pela manha e percebesse que ela havia desaparecido nas circunstancias atuais. Sabendo que não poderia deixa-lo sob tamanha cegueira, a ponto de coloca-lo em perigo por fazer alguma besteira, ela lhe deixara um bilhete. Rápido e conciso.

Do jeito que ele era.

Esperava do âmago de seu ser, que aquilo acabasse rápido. E que tão logo pudesse voltar para os braços dele. Com uma tremedeira querendo abaixar em seu corpo e dominá-la, ela saira da enorme casa pelos fundos.

Alice caminhou pela grama molhada depressa, a determinação dando-lhe o impulso de que necessitava, enquanto seu coração batia na mesma velocidade de seus pensamentos difusos.

Estava fazendo uma loucura, mas não podia mais se conter e esperar mais. Precisava de respostas.

Enquanto o ar que soltava pela boca mostrava-se esbranquiçado por causa da névoa que caminhava flutuante por todo seu imenso quintal, a borda de seu vestido molhava na grama, arrastando barro junto consigo conforme passava. Chegava à boca da floresta que cercava parte de sua propriedade e de Jasper. Em seu interior, apenas o breu, embora ela pudesse enxergar o caminho com a ajuda da luminosidade prateada da enorme lua disposta no céu.

Alice parou por alguns segundos, a racionalidade disputando com a imprudência. Mas, o desespero ganhou e ela jogara o enorme capuz vermelho sobre a cabeça, a fim de aquecer-se um pouco mais.

E entrou na floresta úmida e sombria.

O ar ali dentro parecia ainda mais espesso, mas úmido e congelante. Algumas passadas escorregadias e ela já não enxergava mais a sua casa, tamanha a densidade daquela mata. As folhas grandes e molhadas apareciam a todo momento em seu caminho e as enormes árvores de grossos troncos juntavam-se umas às outras para dificultar ainda mais o seu caminho.

Alguns animais noturnos soltavam pios e lamúrias do interior e algumas copas. Alguns passavam rastejando próximo à Alice, fazendo-a soltar gritar e sobressaltar-se.

Pareciam vultos sombrios.

_ Está tudo em – ela sussurrou em um sopro. Escorregou em algumas pedras e começava a sentir o corpo todo ficar úmido pelo chuvisco que caía ali dentro.

Escorregando pelas folhas, lembravam lágrimas sofridas.

Ela olhou em volta depois de cerca de vinte minutos adentrando aquela floresta. Suas mãos tremiam um pouco pelo frio da noite, enquanto Alice sentiu o mesmo frio se instalando em sua barriga.

Percebeu que não conseguiria encontrar o caminho de volta, àquela altura.

Agora ela começava a ficar amedrontada. Não havia encontrado-se com ninguém ainda. Se eles os estavam perseguindo e vigiando-os, já deveria ter topado com eles ali.

Será que equivocara-se em suas deduções?

Estava ali, como a isca dos tubarões, esperando que a encontrassem e a levassem direto ao tubarão rei. Estava facilitando-lhes a vida.

_ Infernos! – ela exclamou, batendo o pé na terra lamacenta – Há... há alguém por aqui? – indagou ela para o nada. Recebeu um pio de algum animal, agitado com a umidade exagerada.

Porém, quando ela dera dois passos à frente, desviando-se de uma enorme folha de samambaia selvagem, um barulho de galho quebrado estalou à sua esquerda.

Alice parou automaticamente, sentindo o nervosismo voltar. Não levou muito tempo para ela ver com sua visão periférica uma sombra enorme sair detrás de uma imensa e centenária árvore. O homem deu alguns passos, parando com os braços soltos nas laterais do corpo, a encarando. Tinha um enorme chapéu surrado na cabeça e a expressão dura e pouco amigável.

Um calafrio passou como uma corrente elétrica por sua espinha. Então, com o outro lado de sua visão periférica, notou que outro homem se prostrou atrás de algumas plantas.

Alice virou a cabeça em sua direção vagarosamente, como se temesse olhar de verdade. Ele usava enormes casacos negros, as botas de couro lhe carregava ainda mais sua aparência. Logo, outro homem apareceu contando os passos. Parou em sua frente, a olhando com certa diversão diabólica no rosto. Subiu em cima de um tronco musguento, que fazia caído no meio de seu caminho.

Alice nem precisou se virar para trás para saber que havia alguém em sua reta guarda, também, apenas pelo arrepio de sua nuca, provocado por sua reles presença. Todos, inclusive ela, ficaram em silêncio por um tempo que ninguém contou. Até que finalmente eles o quebravam, encobrindo o som fraco da chuva que caía em algum lugar mais adentro da floresta.

_ Ou é corajosa como o inferno – o homem que estava em pé à sua frente disse, cortando os silencio daquele círculo tenso. Para acompanhar suas palavras, apenas a sonoridade da floresta a noite – Ou é estupidamente tola para se expor desta maneira – não havia repreensão ali. Ao contrário, Alice sentiu uma extrema satisfação da parte dele em vê-la fazendo aquilo.

_ Não sou corajosa tampouco estúpida – disse ela, tentando a todo custo manter sua voz firme e carregada da certeza que ela não tinha. Para sua sorte, fora isso que transpareceu – Sou apenas prática – continuou – Seu quem vocês são. E estou aqui para que me levem até Fortunato Black.

Ela até mesmo se surpreendeu com a firmeza de suas palavras. Não parecia a Alice falando. E logo à sua frente, ela os viu se olharem entre si. Um riso debochado se estendeu por suas bocas ressecadas.

_ Muito bem, então – disse ele, pulando o tronco musguento onde estava em pé. A aproximação sorrateira fez Alice apertar o volume que o terço colorido fazia em seu casaco – E o que te faz pensar que a levaremos lá? E que chegará inteira? – disse ele, com um sorriso levemente malicioso – Ao menos, sem nos dar nada em troca? – deu dois passos em direção à ela.

Alice sentiu um espasmo de terror passar por seu corpo. Apenas não se retesara, pois sabia do outro homem logo atrás de si.

_ Me levarão lá sem dizer uma única palavra ou tocar em um só dedo meu. Se não o fizerem, terão de acertar contas com seu chefe. Acho que ele os ordenou em me ver intacta – ela ordenou, colocando em prática o pouco de intimidação que conseguira aprender com seu marido. De todo modo, sabia que Fortunato Black tinha uma certa... admiração por ela, e acreditava que aquilo fosse suficiente para impedi-lo de mandar seus capangas fazerem algo de ruim contra si. Ele não se oporia em dizer à ela a verdade sobre ele e seu pai assassinado, apenas por que era ela a pedir, ela a estender uma tênue bandeira branca e baixar a guarda.

Os quatro homens deixaram os sorrisos cínicos sumirem de seus lábios como vapor. Algo em suas palavras os convencera.

_ Tudo bem, mulher – o homens que estava à sua esquerda disse austeramente. Só então Alice o encarou de verdade, percebendo que ele estava mais perto do que ela se lembrava. Tinha uma enorme cicatriz, que descia desde o meio de sua sobrancelha, até pouco acima do canto dos lábios. Sua enorme barba lhe encobria os dentes amarelos – Vamos leva-la até ele – continuou, se virando de costas para ela para fitar o caminho – Ele a estará esperado a qualquer momento.

_ Ótimo – ela disse secamente – Ponham-se na frente – disse ela, não confiando neles ao ponto de deixa-los às suas costas desprotegidas – Os seguirei.

Os quatro trocaram rápidas olhadelas. Pareciam divertir-se com uma piada interna.

Mas Alice não conhecia o mal em sua verdadeira faceta. Em sua inocência, irônica se comparada à seu comportamento, ela acreditava mesmo naquilo. Acreditava que tudo acabaria logo. Que saber a verdade encerraria aquele episódio.

Contudo, algo em seu futuro que ela não conseguira vislumbrar, contrariava completamente aquela constatação. E em meio à toda aquela angustiante situação, sua mente viajava a Jasper a cada milésimo de segundo.

_

_ Mais que infernos! – Peter grunhi, tentando segurar como podia seu chapéu sobre sua cabeça dolorida pelo galope repetitivo. O vento frio e molhado passava por eles ameaçando rasgar-lhes a pele – Vamos mais rápido, seus bundas moles, antes que fiquemos ensopados! – gritou por sobre o ombro, o impacto dos cascos dos diversos cavalos contra a terra dura ecoando pela noite alta que já era.

Um pouco atrás, Mike olhou como pôde para Sam, que galopava ao seu lado. Seu casaco pesado batia em suas costas.

_ Juro á você, que se Peter não calar aquela boca, vou jogá-lo em uma poça de lama e afogá-lo! – gritou para o companheiro, que riu sobre seu potranco. Porem, Mike sabia que ele pouco havia escutado de suas palavras, uma vez que havia ficado meio surdo de uma dos ouvidos desde a última luta que havia enfrentado.

As bombas gostavam muito de estourar próximas à Sam.

_ Minha cabeça dói, também – foi o que Sam gritou de volta, um pouco desorientado pelo vento forte eu trazia pingos pontiagudos de encontro ao seu rosto. A chuva os alcançava – Mas, talvez, não tanto quanto os meus fundilhos – emendou em um muxoxo. Mike riu um pouco do amigo ao lado, inevitavelmente olhando para os fundilhos doloridos dele.

_ Peter!? – Jared forçou seu cavalo á ir mais depressa, embora o vento começasse a fustigar-lhes. Os pingos engrossavam e a tormenta piorava ao horizonte. Quando o amigo o ouviu, ele continuou – Acha que demoraremos muito à chegar em Biloxi? – gritou, tentando se fazer ouvir sob o barulho dos trovões ao longo do céu.

Peter enrugou a testa, sentindo os pingos bloquearem levemente sua visão. Ao longe, mas não muito, podiam ver algumas luzes ainda acesas, denunciando a existência, no momento silenciosa, da pequena cidade.

_ Creio que mais uma hora de cavalo, se andarmos depressa – gritou de volta, segurando com mais força as rédeas de seu robusto cavalo amarelo ouro e batendo com os pés nas costelas do mesmo – Mais rápido, Zé Bedeu!

O grupo de cerca de 15 homens repetiram seu comportamento, acelerando ainda mais seus galopes. Os cascos desgastados dos cavalos malhados espalhavam lama quando impactavam contra as incontáveis poças de água suja que se formava ao longo da estrada. A enorme cortina de chuva era a única coisa que os separava da pequena e monótona Biloxi, quase esquecida pelo Mississipi naquela hora da noite.

Mais eles não sabiam, enquanto cavalgavam, assim como as pessoas que dormiam tranquilamente em suas casas, sob suas cobertas. Não sabiam que a monotonia da cidade estava com seu fim contado.

Notas finais
Sem notas idiotas para colocar aqui. Espero que tenham gostado e até semana que vem :*