Notas iniciais
Olá.Eu iria postar antes, mas meu word me odeia e travou meu pc ¬¬MAs enfim, aqui está o outro cap.Eu gostooo dele, particularmente skapksaEspero que voces gostem tbmmBjsssss fofuras:*

Capitulo 2 — Muito Prazer.

Biloxi, Mississipi

_ Estou completamente estupefato! Que maneiras, que...

_ Grosseirão! – Alice intercalou, ainda irritada.

Alec fizera questão de levá-la até sua casa, com receio dele re-aparecer. Ele, como sempre, deduziu sozinho que Alice poderia estar com medo, pensando que aquele homem pudesse ser de algum grupo de saqueadores ou até mesmo os Vingancistas do mato, que assombravam regiões vizinhas com os assassinatos que cometiam.

Alice pisava duro com suas sapatilhas de tarraxas, agora, detonadas. O caminho todo não houve muita conversa e quando chegaram frente ao prateado portão da propriedade dos Cullens, o clima estava meio embaraçoso.

Conversas haviam ficado pela metade.

_ Bom, meu pai está no banco, agora – Alec disse, rompendo o silencio meio constrangedor – Vou encontrar-me com ele, então...

Alice assentiu, olhando suas mãos remexerem na barra de seu vestido de renda.

Completamente detonado pela poeira.

_ Foi bom vê-lo, Alec – ela murmurou e, para sorrir fracamente, ela levantou a cabeça.

Ele tomou delicadamente sua mão e, antes que ela pudesse protestar, ou pensar, ele dera um cálido beijo ali. Alice sentiu o ar empacar na hora de entrar em seus pulmões, porem ela ignorou esse fato.

Não era muito acostumada com atos como aquele.

_ Até a vista.

Ele virou-se ajeitando seu chapéu marrom na cabeça, afastando-se até sumir esquina adentro.

Com um suspiro pesado, Alice adentrou em sua casa, pronta para os gritos de sua mãe quando visse seu estado. Certamente, ela iria acusá-la de pular muros, brincar de guerra de bolas de terra, ou até mesmo de ter rolado aos tapas com Jane Volture outra vez.

E levar sermão por isso sem, ao menos, ter tido a honra de fazê-lo de verdade, a irritava profundamente.

Ah, se pegasse aquele forasteiro. Aquele grande, forte e estúpido forasteiro.

_ Mas o que aconteceu com você?!

Sob um grito sufocado, Alice fechou a porta principal.

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Biloxi, Mississipi

No dia seguinte

Biloxi amanhecera diferente, naquela manhã de inverno. Primeiro, pelo fato de estar fresco e ensolarado em pleno inverno. Segundo por causa da feira livre e dos festivais de rua que estavam acontecendo na pequena cidadezinha.

As ruas estavam encobertas de fitas de cetim de todas as cores, serpentinas de todas as cores e pessoas de todas as cores.

Muito apreciativo para os olhos.

Alice adorava estar cercada de tantas pessoas, assim como acontecia naqueles festivais. Toda a Biloxi estava ali, dançando, rindo, comendo e tocando músicas. Pessoas das cidades vizinhas também vinham anualmente para festejar, o que deixava a cidade, além de animada, suja.

Alice, Bella, Rose, sua Mãe e os maridos de todas estavam ali, acompanhando de perto os desfiles que passavam. Alice e suas irmãs, particularmente e muito bem discretamente para os olhos masculinos acompanharem, adoravam assistir os soldados de Michigan, com suas fardas e seus fuzis, passarem, imponentes e cheios de todo o poder masculino incrustados em seus uniformes.

_ Deus, eles são.... Deus! – Rose se abanou novamente com seu leque xadrez, enquanto observavam eles passarem.

Automaticamente, as quatro viravam ligeiramente o pescoço, resguardando risadinhas comprometedoras.

_ Eles ficam incríveis com essas fardas, não? – Bella comentou, seu tom sempre aparentemente impessoal demais.

Porem, que não enganava enquanto falava dos soldados.

Alice ficou na ponta dos pés, por irritantemente ser a mais pequena, para poder ver por sobre as cabeças curiosas das pessoas.

Com crianças nos ombros, chapéus de fazendeiros e os vendedores de algodão-doce.

Alice bufou, pensando muito na humilhante possibilidade de olhar por baixo. Deus, como ela gostava de ficar vendo aqueles soldados passarem. Era incrivelmente injusto ela não poder ver, naquele momento.

Aqueles sim é que a faziam tremeluzir nas bases frágeis.

_ Está procurando alguém, mamãe? – Alice escutou Rose perguntar casualmente para sua mãe, bem ao seu lado.

Esme deu um sorriso deveras sem jeito, parando abruptamente seus gestos.

_ Ah....eu..n-não, querida, eu... – ela balbuciou, remexendo as mãos para direções opostas.

_ Não se preocupe, mamãe – Bella cochichou para ela – Também acho que o Sr. meu marido não tem aquelas pernas.

As quatro começaram a rir alto, acompanhando as musiquetas que vinham de todos os lados.

_

_ Coma essa maçã, querida – Sr. Masen falava melodiosamente para Bella, inclinando uma maçã caramelada em direção à seus lábios. Quando ela mordia, ele lhe beijava suavemente a têmpora.

Alice revirou os olhos, passando a olhar para seu outro lado.

Com o Sr. e a Sra. McCarty.

Alice até que tinha que admitir que gostava quando almoçavam todos juntos, e ele bebia vinho demais.

E ele sempre bebia vinho demais.

Porem, o odiou naquele momento. Odiou, também, sua irmã. Ele passava sua enorme mão pela cabeleira dourada de Rose, falando bem próximo de seu ouvido.

_ Não está com sede, minha boneca? – ele perguntou tão baixa e carinhosamente que Alice segurou o milho tostado que havia comido, em seu estômago – Vamos, beba um pouco desse suco de uvas – ele levava até sua boca, Rose fazia um charme, bebia e, então, ele fazia um barulho bem esquisito, Alice deduziu.

E começavam de novo.

Alice armou sua carranca costumeira. Não sabia se ficava irritada por ver uma felicidade muda nos rostos de suas irmãs por algo arranjado, ou se era um resquício de inveja branda por ser exatamente aquilo que desejava.

Por fim, ela decidiu caminhar pela feira sozinha; ou acompanhada de sua dignidade ferida, antes que tomasse as balizas que um engraçado Sr. rodeado de criança rodava no ar, e atirasse contra cabeças.

Alice tocou nos laços de cetim amarrados nas barraquinhas, olhando as diversas artilharias feitas manualmente que estavam à venda. As crianças corriam de um lado para o outro, fazendo Alice rodar nos calcanhares, sorrindo.

_ Venha, bela Srta., venha tentar acertar o alvo e derrubar meu companheiro nessa água gelada! – um homem gritou em sua direção, a chamando animadamente para que ela se aproximasse.

_ Está falando comigo? – ela riu apontando para si mesma. Ela apenas precisava ter certeza. Quer dizer, ela não era muito acostumada a escutar alguém se dirigindo á ela com um bela entre as palavras da frase.

_ Broinhas de todos os sabores, Sras e Srs!- alguém gritava do outro lado, enquanto Alice ria, divertida, no meio de todas aquelas pessoas – Venham! Venham!

Uma carreira enorme de crianças de todos os tamanhos passou correndo por Alice e, quando ela menos percebera, um deles a agarrara pela mão, a puxando junto por um disforme caminho entre todas aquelas pessoas.

Alice gargalhou, satisfeita. Adorava crianças. Na verdade, adorava ter tantas pessoas ao mesmo tempo em seu campo de visão, de audição e de tato. O calor de todas as sorridentes e comunicativas pessoas que se encontravam ali a vibrava por dentro, fazendo-a esquecer qualquer coisa.

Sem que percebesse, derrapou o pé em uma possa de lama, quase indo ao chão juntamente com todas as crianças. Sem que conseguisse se irritar, deixou que as sorridentes crianças continuassem correndo caminho adentro, enquanto ela parava, tentando manter-se firme no chão.

O momento não a fez ficar irritada, como ficaria em qualquer outro, quando verificou como sujara sua sapatilha. Apenas as tirou, segurando-as na mão, e continuou a caminhar pela feira descalça mesmo, pouco se importando com alguns olhares de soslaio que passou a receber.

_ Sempre penso que não tem como se rebaixar mais, Alice – Alice se virou para o lado quando ouviu uma voz fina dirigindo-se á ela.

Era Jane Volture, com seu usual leque e seu chapéu rosa anormalmente grande.

_ Então por que ainda dirigi a palavra á mim? – Alice lhe indagou com uma curiosidade forçada. Seu sarcasmo sempre desestabilizava a típica fingida calmaria de Jane.

_ Por que é necessário que tenha alguém para evidenciar como você é vergonhosa! – Jane sibilou com as narinas inflando.

_ Oras, Jane, tenha dó! – Alice exclamou, ignorando os bons modos e, também, os olhares inquisidores de algumas pessoas diante de seu tom – Por que você não pega esse seu leque e... – Alice não pôde terminar de falar, pois no minuto seguinte, alguém esbarrou nela, fazendo-a rodar abruptamente nos calcanhares.

_ Oh, desculpe, eu... – ela se virou de repente quando reconheceu aquela voz. Na verdade, nem sabia como poderia reconhecê-la, mas sabia que não gostava de seu dono.

Ela encarou o alto e belo homem com as sobrancelhas juntas.

Ele a estava perseguindo?

_ O Sr., definitivamente, tem problemas de direção? – ela perguntou grossamente, reagindo daquela maneira apenas por que, bem, o homem em questão era aquele.

O forasteiro sulista, alto, loiro, com problemas de direção e com uma mania de perseguição para com Alice a encarou, achando-se muito azarado por ter esbarrado justo naquele ombro.

_ Era a Srta. que estava projetada em meu caminho – ele se defendeu, a voz tão parcial que apenas servia para irritar Alice um pouco mais.

_ Oras, seu arrogante pretensioso! – ela grunhiu, remexendo em suas sapatilhas, ainda presas entre seus dedos – Não tinha nada que estar correndo no meio das pessoas!

Jasper suspirou, achando que precisaria de muito de seu controle.

_ Levaria em consideração essa pressa se eu dissesse que estava precisando encontrar alguém? – ele arqueou uma sobrancelha, tentando reprimir um sorriso seco, odiando o fato de estar se explicando para a pequena Srta. Encrenca.

_ Não, não levaria – ela guinchou petulantemente – E tampouco acho que seja necessário e muito menos educado correr como um louco por causa disso.

O homem se aproximou alguns passos dela, e Alice não entendeu a secura repentina em sua garganta quando o forte e tipicamente masculino cheiro dele a atingiu.

_ Pois apenas saiba, Srta., que me importo muito pouco com o que a Srta acha – ele retrucou com uma voz dura, atingindo Alice com um sentimento esquisito.

E, antes que ela pudesse verbalizar outra grosseria, ele lhe deu as costas e continuou à passos largos até algum lugar. Alice o encarou se afastar, seus punhos cerrados. Os poucos homens com que tivera contato assim não lhe causavam essa vontade de ser tão rude e grossa como aquele lhe causava.

Mas ela preferiu não dar ouvidos á seus pensamentos, quando a lembrança de seu vestido rendado lhe atingiu.

Ela apenas continuou seu caminho, tentando apagar as lembranças daquele homem e a tão fluente indiferença que ele passava; o que a tirava do sério.

Rodando pela feira livre, torcendo o pescoço quando um soldado que passava, ela avistou uma pequena barraquinha de “tiroletas”. Tinha uma espingarda de mentira, usada para acertar as lamparinas e ganhar as lindas bonecas de porcelana, dispostas em uma prateleira, de todos os tamanhos.

Sem que ela desse conta, fora em direção à barraca, determinada em ganhar a maior e mais bela das bonecas. Tinha uma enorme coleção daquelas em seu quarto.

_ Olá Srta. – um homem magrela, com a cabeça enrolada em um lenço, sorriu para ela – Gostaria de tentar? – ele lhe ofereceu a comprida espingarda.

_ Sim, eu gostaria!- ela pegou o objeto, convicta que não era tão difícil quanto prepara um bom chá, nem tão cheio de técnicas quanto bordar panos; e quase acreditou mesmo que poderia acertar.

Mas percebeu seu equívoco na 5º vez em que tentara.

_ Mas que droga! – ela murmurou irritada, depositando-a no balcão com rispidez.

_Pode tentar o quanto achar que deve, bela – o homem a incentivou a continuar, pois parecia saber que aquela belíssima e delicada boneca não seria de Alice.

Ela pegou novamente a espingarda, enfurecida. Mirou, respirou, mirou outra vez, praguejou e, então, apertou o gatilho.

E quase acertou o teto de tecido do homem.

_ ARGH! – ela rosnou, começando a suar levemente. Estava ficando realmente furiosa com sua inutilidade com miras – Que grande porcaria!

_ Bom, já sabe.... – o homem ocultou um sorriso diabólico, empurrando mais munição de madeira para ela.

Alice tentou uma 9º vez, e até uma 15º.

Porém, fora na 26º que ela já sentia as articulações das mãos brancas e doloridas, de tanto que ela as apertava.

Ela batia na testa a cada tiro errado e a cada tentativa frustrada. Respirava aos ofegos, tamanha sua indignação.

Quando seu 31º tiro dera errado, ela largou com força a espingarda no balcão, batendo o pé, pronta para pular naquelas lamparinas e quebrá-las sem a ajuda da arma.

Mas fora então que sentiu alguém suspirar bem atrás de si.

Ele.

_ Você! – ela murmurou enfurecida.

Jasper não a olhou enquanto ia chegando mais perto da barraca, parecendo pouco se importar com a moça bufando bem ao seu lado.

_ Eu – deu de ombros, indiferente, pegando a enorme espingarda nas mãos ágeis. Alice se perguntou da onde ele tirara aquele jeito com armas.

Porem, nem teve muito tempo de divagações, pois em um instante que ela não conseguiu acompanhar com os olhos, ele dera um tiro na lamparina, acertando exatamente em seu meio, estraçalhando o objeto.

A boca de Alice se abriu em um “o” descrente.

_ Mas... – ela balbuciou para ela mesma.

_ Que triste seria se dependesse disso – o ouviu, muito baixo, dizer aquilo com um deboche irritante, enquanto o vendedor lhe entregava a enorme boneca de porcelana.

Alice sentiu uma fúria irrefreável lhe subir pelas veias e se espalhar por todo seu corpo. A sua vontade era de estapear aquele homem com todas as forças que seu corpo podia ter.

_ Vamos, Alice? – ela se virou para seu pai, que aparecera juntamente com toda a sua família, prontos para irem para a casa.

Ela voltou a olhar para frente, porem não o vira mais. Mas, sabia que, em algum lugar de Biloxi, ele estava rindo de sua cara.

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Biloxi, Mississipi

Manhã seguinte

“Alice dava passos incertos na grama, olhando pelas frestas escuras das folhas. Muito dentro daquela floresta desconhecida, ela sabia que algo a esperava. Lá dentro, no tutano daquele desconhecido. Mesmo que tivesse cercado de perigos, ela não conseguia parar os pés.

Uma súbita vontade de descobrir o que a aguardava tomou conta de suas veias, tornando-se o motivo de uma excitação desenfreada para entrar naquela densa, tenebrosa e gélida floresta, sendo engolida por suas folhas e ramos.

Os ruídos altos de vários animais noturnos, sussurros de diversas pessoas escondidas dentre as arvores, olhando-a, observando-a.

Conforme corria, ela ia sentindo uma agradável brisa passando por seu rosto, ficando para trás, incentivando-a a continuar e descobrir como era o final.

Foi então que chegou até uma roda de pessoas que sorriam efusivamente para ela. Alice sorriu de volta, gostando da forma como era recebida dentro daquela roda.

_ Alice... Alice... – diversas vozes sussurraram juntas, enquanto Alice tentava descobrir a fonte delas. -... finalmente, Alice...

Ela deu mais alguns passos adiante, quando de repente, uma figura grande virou-se para ela, sem rosto.

_ ...finalmente te peguei! – a voz ranhosa riu escandalosamente enquanto ela recuava e gritava, frenética, tentando achar o caminho de volta.

_ Alice...

_ Solte-me!

_ Alice... – Alice esperneou quando sentiu mãos tocando-a – Alice... ALICE!

Ela pulou na cama, os olhos arregalados, a testa suando fria.

_ Mas com o que estava sonhando, meu bom Deus!? – Sua mãe perguntou com a testa franzida, bem frente à ela.

Alice piscou várias vezes para se situar. Estava em seu quarto e em sua cama.

E não havia sinais nenhum de folhas nem de sombras sem rosto.

Aquele sonho teve um significado, Alice sabia.

_ Eu... hãn – balbuciou, depositando a mão no peito e sentindo-o bater descompassado.

Sua mãe a encarou. E Alice a encarou também.

Como com um estalo repentino em sua cabeça, Alice arregalou os olhos, quando uma completa certeza se apoderou de seu corpo.

_ Eu sabia! – ela gritou de repente – Eu sabia! Esse pesadelo foi um aviso, um presságio, um pressentimento muito, muito, muito ruim – Alice semicerrou os olhos para a sua mãe – Viu só, mamãe? Eu estava certa o tempo todo sobre o casamento! Ele é um completo pesadelo!

Esme suspirou pesadamente, levantando-se da cama e deixando sua preocupação de momentos atrás sair pela janela. Começou a arrumar os lençóis, enquanto Alice usava de sua inteligência lingüística para tentar aluciná-la.

_ Talvez eu devesse seguir os instintos e não me casar nunca – ela fingiu refletir, como se aquela idéia fosse a mais sensata que já fora pronunciada em décadas – Acho que posso trabalhar com papai nas minas, não? È um futuro bem razoável. – ela cruzou os tornozelos na cama, achando que, bem no fundo, sua mãe pudesse estar refletindo sobre aquilo e, bem, o oportunismo de Alice não tinha caráter — Um pouquinho de carvão no cabelo...Quem se importa com isso? Bom, não que eu vá ter carvão nos cabelos, pois creio eu que o emprego de papai seja bem menos terrível do que essa idéia.

Esme segurou o riso, levantando as enormes cortinas de bordados.

_ Pois esse sonho terrível definitivamente quis dizer algo. Quis dizer como o casamento é algo tenebroso! Se a Sra. o tivesse tido, mamãe, saberia o terror em que me encontro, neste momento – Alice estremeceu fingidamente, esperando ver o mesmo tremor em sua mãe, porem quando esta se virou para ela, Alice tinha certeza que tremer seria a ultima coisa que ela faria.

_ E o que esse sonho terrível lhe mostrou? – Esme indagou, parando com as mãos na frente dos quadris.

_ Me mostrou que eu estava certa. Que eu estava certa o tempo todo! – Alice exclamou com convicção. Poderia não ser um homem, mas sabia argumentar exageradamente como um. – O casamento é terrível.

_ O que você sabe sobre o casamento, agora, que a faz ter essa idéia? – Esme riu baixo, vendo como Alice era irritantemente determinada.

_ Que ele é frio como uma floresta a noite e complicado como um caminho cheio de galhos e árvores – ela respondeu prontamente, enquanto observava sua mãe lhe encarar – E é terrível como uma sombra sem rosto!

Esme abriu a boca para falar algo, porem decidiu fechá-la novamente. Era melhor encerar pratarias do que tentar argumentar algo com Alice.

Saiu do quarto silenciosamente, porem em sua cabeça algo gritava:

Irritantemente determinada.

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Biloxi, Mississipi

Ao cair do dia

O dia fora estranho, Alice deduziu quando terminou seu banho para se preparar para o jantar. Sua mãe estivera distante por muito tempo, sem reclamar de suas vestes ou de seus cabelos soltos demais, e isso preocupava. Seu pai não aparecera em casa e Alice temeu perguntar algo que não era de sua conta.

Porém, deveria ser apenas saudades de suas filhas, pensou. Rose agora já era uma Sra. e Bella já esperava seu primogênito. Alice estalou a língua, achando exagerado aquele comportamento da mãe.

_ Eu ficarei aqui para sempre, mamãe – murmurou, apontando para um porta retrato de sua mãe bem de fronte a sua penteadeira – Não precisa se preocupar.

Riu para o espelho enquanto penteou seus longos cabelos negros com cuidado. Era algo que gostava em si mesma. Seu longo cabelo negro.

Emoldurou-o com uma curta fita de cetim rosa, deixando-a com uma expressão delicada. Por mais que passara o dia todo bordando panos em sua aula semanal com a Sra. Denali, o que a fez minuto a minuto desejar estar nadando em um riacho cheio de lodo, sentia-se bem. Tranqüila.

Com um bom humor quase intocável.

Levantou-se e deu uma última olhada em si mesma. Estava bem. O vestido não era tão bom quanto o de Bella e os cabelos não eram tão sedosos quanto os de Rose, porem estava... bem.

E então pôs-se a descer, pois já estava na hora do jantar.

No andar de baixo, a sala de jantar continha murmúrios mais baixos do que o normal. Alice desceu as escadas silenciosamente, tentando entender o que conversavam. Porem, quando perceberam sua presença, o ambiente iluminado por dezenas velas se calou por completo.

_ Vocês estão bem? – ela perguntou sentando-se e vendo que se não fizesse algo, aquele silencio perduraria por um bom tempo.

Viu o olhar sério que seu pai trocou com sua mãe por rápidos segundos.

_ Alice, temos algo para lhe dizer – a voz baixa e grossa de seu pai, que parecia estar sempre cansado demais para falar qualquer coisa, cortou o silencio incômodo que encobria aquela mesa.

Zilhões de fatos passaram pela cabeça de Alice com aquela frase, e em muitos deles ela teve que evitar o riso.

_ Filha, você já tem 18 anos... Já é uma moça – Esme começou brandamente, como se quisesse, a todo custo, evitar uma discussão.

Epa.

Por que, diabos, Esme iria querer evitar uma discussão? Alice começou a remexer as mãos nervosamente por debaixo da mesa. Ela deveria saber que haveria uma conversa séria, naquela noite.

Haviam sinais demais.

Velas penumbras espalhadas pela sala significavam conversas sérias. Cochichos e olhares desviados ante uma aproximação significavam conversas sérias. O terno listrado e a gravata verde de seu pai significavam conversa séria.

A falta de reclamações de sua mãe para com ela, esses sim, significavam conversas sérias.

_ Sim, mamãe, estou ciente desse fato – ela tentou sorrir, porem dera apenas um miserável sorriso trêmulo.

_ Você sabe muito bem que a sociedade fala – Esme abaixou o tom, como sempre fazia quando não queria que mais alguém escutasse – E a cidade já está começando a falar...

_ Mamãe, o que...

_ Nós, eu e sua mãe, começamos a cuidar de seu futuro – seu pai finalmente entrou na conversa recebendo um olhar assustado de Alice – Já é praticamente uma mulher. Não estaremos aqui para sempre e você precisa de alguém para cuidar de você.

_ Ah, mas temos a Maria – ela tratou logo de deixar aquilo claro. Quando o calor da morte atingisse seus pais e os levassem dela, ela não ficaria só no mundo, não – Temos Maria e Lucy. Eu não entendo nada do que elas falam, mas elas podem cuidar de mim.

Sua mãe e seu pai trocaram outro olhar rápido e Alice sentiu que suas argumentações não teriam vez, naquela mesa.

_ Você sabe que quando suas irmãs completaram 18 anos, já começamos certos acordos com a família dos Masen, logo depois as do McCarty...

Alice ofegou quando seu pai tocou nos nomes daquelas famílias. Eles não estariam fazendo aquilo com ela, estariam?

_ Perai... – ela murmurou sentindo as mãos tremerem — O que vocês querem dizer com isso?

_ Alice, nós arranjamos um marido para você – Esme disse de uma vez – È uma excelente família, um rapaz afeiçoado e já está na hora de você parar com essa idéia estúpida de não se casar.

Alice nem viu quando levantara da mesa, sua visão meia turva. Estava sentindo uma raiva contida tomando o lugar de seu sangue em suas veias.

_ O QUE? – ela indagou perplexa – Vocês não deveriam ter feito isso! Eu não quero me casar com ninguém! Com ninguém que alguém escolher por mim!

_ Alice, pare de portar-se dessa maneira! – Esme ordenou, porem Alice estava chocada demais e irritada demais para ouvir qualquer coisa.

_ Eu quero poder escolher o meu marido, mamãe, eu!

_ Mas não é assim que as coisas funcionam! – Esme aumentou seu tom sobre o tom de Alice – Pois se deixássemos você escolher, você não escolheria ninguém.

Alice não conseguiu dizer nada pois tinha uma forquilha enorme na garganta. Sentiu seus olhos se encherem d’água.

Aquilo era muito injusto.

_ Mas eu não quero! – ela gritou roucamente.

_ Mas você irá! – Esme disse com a voz dura.

Alice virou-se para seu pai, que parecia ter, novamente, participação mínima.

_ Papai?! – indagou, como se pedisse ajuda.

Seu pai a encarou pensativo. Por um segundo, Alice pensou que talvez ele ficasse de seu lado. Que visse a loucura que era aquele ato e que condenaria sua última filha a um calvário torturante e deprimente.

Porem, ela estava circularmente enganada.

_ Seu noivo vem aqui amanhã a noite.

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Biloxi, Mississipi

Pela manhã

Alice não conseguira dormir nenhum mísero segundo da noite anterior. Sua cabeça latejava, seu coração estava apertado e seus olhos molharam todo seu travesseiro de linho.

Seu pior pesadelo havia acontecido.

Feito realizado por seus próprios pais!

Aqueles que lhe juraram amor eterno, e que deveriam protegê-la de todo mal.

Alice não queria acreditar que estava realmente sendo obrigada a casar com alguém que nem sequer sabia o nome. Aquela era a parte mais absurda de toda aquela historia.

_ Não é justo... – ela murmurou irritada. Sua intenção era ficar ali, lamentar-se para o resto da vida e chorar até que secasse a água do corpo. Parecia uma boa idéia.

_ Alice? – Esme entrou vagarosamente no quarto, deixando todos os sentidos de Alice em alerta.

Espero que esteja ciente, mamãe, que só lhe dirigirei a palavra se a Sra. pedir desculpas e retirar o que dissera ontem.

Esme suspirou às costas da filha.

_ Querida, você sabe muito bem que não irei retirar.

_ Pois então esqueça, não falarei com a Sra. nunca mais.

_ Alice, pare de portar-se como se não tivesse a idade que tem – Esme pediu, sabendo que Alice poderia ser bem mais adulta quando queria – Já é uma mulher! E, alem do mais, as coisas já estão acertadas e hoje a noite teremos visita.

Alice virou-se em um átimo para sua mãe, dirigindo-lhe um olhar que assustaria até mesmo ela.

_ Mamãe! – ela rosnou, esquecendo completamente sua greve verbal.

_ Alice, não vou discutir com você. Vim aqui apenas lhe mandar sair dessa cama, vestir-se e parecer menos doente – e, dizendo isso, Esme se retirou, não deixando outra escolha para Alice.

Afinal, ela não poderia ficar naquela cama para lamentar-se pelo resto da vida, como queria.

Tomou um banho demorado, vestiu seu rodado vestido amarelo, que lhe evidenciava o busto mediano que tinha e prendeu seu longo cabelo preto em um coque bem feito.

O pão-de-ló de Maria cheirava até no corredor superior. Alice sorriu.

Adorava pão-de-ló.

Desceu escada abaixo mais empolgada do que antes, deparando-se com uma enorme mesa encoberta com comidas de diversos aromas e cores.

_ Buenos Días, Srta. Collen – Maria, em seu sotaque estrangeiro, saudou Alice assim que ela sentou-se.

_ Bom dia – ela sorriu. Mesmo que estivesse arrasada por dentro, as criadas não tinham culpa daquilo.

_ A Sra. sua mãe deixou um banho preparado, Srta., para quando terminasse seu café da manhã — Victoria, outra das criadas, veio da cozinha, trazendo pães frescos.

E, a essa altura, Alice bufou, perdendo a vontade de comer.

_

Alice parou frente à banheira de madeira. A esponja, o sabão e uma espécie de óleo perfumado jaziam bem ao lado. Suspirou, começando a descer as alças de sua camisola de banho.

_ Vou buscar os rolinhos, Srta., pois poderemos colocá-los assim que tiver terminado o banho – Vistoria sorriu eficazmente e saiu antes que Alice conseguisse pensar em algo para responder. Aqueles rituais lhe davam a certeza de que aquilo estava mesmo acontecendo. Dentro de algumas horas, alguém que ela nem conhecia estaria em sua sala, anunciando que seria seu marido.

Alice fungou antes de entrar na redonda banheira de madeira.

_ Oh, infernos! – ela rosnou quando sentira a temperatura.

_ Disse alguma coisa, Srta. Cullen? – Victoria já estava de volta, segurando uma bandeja cheia de rolinhos para os cabelos.

_ Por que essa água tem que ser tão fria!? –ela reclamou, acomodando-se como pôde.

_Ah, para que a pele fique mais viva, mais bela e macia – Victoria respondeu sorrindo. Tão logo começou a esfregar as costas de Alice circularmente, mostrando toda a sua experiência.

_ Victoria?– Alice começou a movimentar levemente a água, sua cabeça longe.

_ Sim?

_ Não acha isso tudo uma loucura? Quer dizer, como eu posso me casar com alguém que eu nunca vi na vida?

_ Ah, Srta., o amor vem com o tempo, sabe? Vem sendo assim desde que os tempos são tempos.

Alice fez uma careta, definitivamente discordando daquela teoria.

_ Mas... e se... e se eu não amá-lo nunca? – ela abaixou o tom de voz, entristecendo-se mais uma vez.

_ Terá que tentar, Srta. Cullen – ela respondeu mais seriamente, entendendo como aquele fato parecia perturbar a moça – De qualquer forma, terá que viver com esse homem.

_ Céus, e o que pode acontecer? – ela indagou assombrada – E se ele for um homem muito bravo... ou um homem nojento? E se... e se ele – Alice começou a murmurar, imaginando a vida que teria — ... se ele for um... velho? Oh, Deus, eu vou me casar com um velho! Alguém mais velho do que papai! Mais velho do que o carvalho da praça! – sua voz sempre natural ficara esganiçada – Mais velho do que o padre Charlie!

Victoria riu discretamente, ensaboando os cabelos dela devagar.

_ Não pense assim. E, alias, veja os partidos que seus pais arranjaram para suas irmãs. Eram rapazes encantadores, não?

Alice apenas balançou a cabeça, sentindo uma angustia tomar conta do peito.

_ Victoria?

_ Sim?

_ Tenho medo de dividir o mesmo aposento com ele – Alice sentiu as bochechas corarem ao pensar naquilo – A mesma... cama. Não quero ter que me deitar com alguém que eu mal conheço...

Victoria fez silêncio por alguns segundos, sentindo o ar começar a pesar um pouco, encher-se de melancolia.

_ È inevitável, Srta. – disse em tom baixo.

Alice virou-se de frente para a mulher, os olhos transpassando o medo que sentia.

_ E se esse homem... – mordeu os lábios – Se ele me quiser á força?

Victoria a virou gentilmente de volta para frente, não querendo olhá-la nos olhos ao dizer aquilo.

_ Isso não acontecerá – disse – Por que a Srta. terá que cumprir suas obrigações como esposa.

Alice escutou aquilo e sentiu uma fisgada no estomago. Sua vida estava perdida.

Silenciosamente, ela sentiu uma fina lágrima escorre por sua bochecha já molhada.

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Biloxi, Mississipi

Ao cair do dia.

Alice ficou sentada na cama, pensando em coisas aleatórias. Coisas que a faziam sentir-se menos deprimida.

Na sala, ela escutou o exato momento em que vozes das quais ela não reconhecia irromperam pela porta. Seu estomago deu voltas e seu coração pulou no peito.

Piorou quando ela escutou os sapatos barulhentos de sua mãe contra o piso de madeira se aproximarem de seu quarto.

_ Querida — Esme entrou no quarto com um tom empolgado – Está na hora! Venha conhecer seu futuro marido.

Ela pegou Alice pela mão, rebocando-a para fora. Alice pisava duro todo o tempo, torcendo para ter um desmaio antes de chegar no fim da escadaria.

Enquanto se aproximava dos últimos degraus, ela conseguiu ver as costas de um homem. Era grande e parecia carregar uma bagagem extensa de gorduras. Alice sentiu suas mãos tremerem, seu coração querer parar. A careca do homem reluzia a luz ambiente dos lustres.

Quando as duas chegaram na sala, tomaram a atenção dos presentes dali. Quando o homem se virou para olhá-la, Alice quase sentiu as pernas fraquejarem. Ele tinha uma barba enorme cobrindo suas bochechas, a boca e quase os dentes. A pele gasta que adornava suas bochechas caídas lhe deram arrepios. Ele sorria largamente para ela, e quando ela menos percebeu, ele trocou acenos com seu pai.

“Deus...” ela pensou, querendo gritar, querendo chorar, querendo morrer.

_ Alice, diga olá para o Sr. Felix – seu pai dirigiu-se à ela satisfatoriamente. Estava feliz que aquele homem aparentemente tinha aprovado sua filha.

Alice sentiu os olhos encherem-se de água. Não podia estar mesmo condenada àquele homem.

_ Você... v-você... – ela gaguejou, a voz rouca – Você é meu futuro marido? – o temor em sua voz parecia tê-lo divertido, pois o homem rira alto.

_ Àquele é seu futuro marido, donzela – ele respondeu sob o fôlego, apontando para o canto da sala. Alice seguiu seu olhar e o que seus olhos viram não lhe passaram confiança.

_ Alice, esse é Jasper Witlock.

Notas finais
E entãããão?O que acharam???Sejam boazinhasBJsss:*