Os Segredos dos Seus Braços
15 Fogo no deserto
Notas iniciais
Ahh, que fofas todas as que comentaram no cap. anterior. Ainda nao tive tempo de responder, mas vou fazer isso hj a noite :)
Bem, esse cap. é para mostrar que não acontece apenas coisas lindas e romanticas com esses dois (é, pois é)
Espero que gostem!
Boa leitura.
Cap. 15-Fogo no deserto
Michigan, Mississipi
Campo de concentração
1901
Jasper trotava sobre Ramos com os olhos astutos procurando o campo de concentração. Sua memória ia tratando de reconhecer aquele lugar, aquele cenário onde ele treinara boa parte da vida.
Porem, as montanhas estavam mais altas, o campo mais extenso, deserto e cheio de capim. E a poeira entrava por todos os seus poros com raiva.
Então, após muito tempo cavalgando, Jasper avistou o enorme campo de concentração encoberto por enormes tendas esvoaçantes, que iam e vinham com as tempestades de areia. Mas fora o cheiro de pólvora fresca que o fizera reconhecer de imediato.
Olhando, se aproximou de uma das tendas expostas no deserto. Descera de Ramos e o amarrara em um enorme cacto espinhento. Aproximou-se com cautela, afinal, não queria assustar ninguém e acabar com um bombardeiro sobre si.
Em tempos assim, todos os sentido estavam alertas.
_ Jasper? – alguém o chamou, de repente, e ele se voltou para trás ao escutar.
Vestido com as tão conhecidas camisas brancas, manchadas de terra e com leves rasgões, estava Mike, um dos garotos do Capitão Carlisle Newton, que crescera com Jasper naquele exercito. Parecia cansado e, certamente, ferido em alguma parte do corpo.
_ Mike? – Jasper sorriu para o garoto de bochechas constantemente rosadas. Ele tinha um rosto tão infantil que não parecia tão durão quanto os outros – Oh, seu merdinha! – ele tomara o garoto em um forte abraço, um dando tapinhas nas costas do outro, de certo modo contente por rever um de seus velhos amigos.
_ Hey, cuidado aí, seu grande bastardo – Mike gemeu – Levei um tiro de raspão bem aí nas costas.
Perdendo o clima natural e despreocupado, Jasper assentiu seriamente. Agora, ele tinha que entrar no espírito daquela realidade.
Sabia que poderia encontrar outros de seus amigos piores.
_ E como está a situação? – ele perguntou, já se encaminhando mais para dentro do campo de concentração. Podia escutar alguns gemendo de dor em tendas próximas, outros recarregando munições.
Aquele cenário embrulhava o estomago de Jasper.
_ Estamos terríveis, Jasper – disse Mike seguindo-o, o tom de voz transbordando uma crescente angustia – Eles são mais astutos, mais rápidos. E esses imigrantes são um grande monte de merda! – ele bufou, chutando algumas pedras em seu caminho – Nos machucamos tentando protegê-los! E o Sam, o pobre Sam, teve o mindinho estourado! – Mike exclamou indignado, erguendo seu próprio dedo, como para evidenciar a tamanha tragédia – Imagine? Justo o mindinho! Você lembra, não lembra? Aquele é bem o que ele coçava os ouvidos! – ele bufou novamente, um ultraje tremendamente exagerado.
Jasper riria se a situação não fosse tão tensa.
_ Pobre indião –Mike lamentou, dessa vez só para si, balançando a cabeça de um lado para o outro.
_ E... – Jasper parou sua caminhada, seguido por Mike – E as mortes? – perguntou com um leve nó na garganta. Mal havia chegado e já teria que encarar aquele tipo de noticia. Mas não podia se abalar agora, pois sabia que o pior ainda estava por vir – O quanto é ruim?
Mike pareceu hesitar, desviando os olhos azuis claros de Jasper.
_ Bem, em nossa primeira batalha, foram... bem... foram quase 30, homem! – ele exclamou em um murmúrio, não parecendo querer chocar muitos que ainda convalesciam em tendas próximas. Porem, Jasper entendeu que eles teriam um grande trabalho – Na segunda... Deus do céu, se continuarmos assim da próxima vez que nos enfrentarmos, creio que lutarão apenas eu, você, Peter e Carlisle! – ele resmungou – Por que agora Sam não tem mais o mindinho.
_ Hey, Major Witlock! – Jasper e Mike se viraram para a entrada da maior tenda e viram Peter ali, os cabelos bagunçados, certamente que não eram lavados a dias, e as roupas não diferenciavam-se das de Mike.
Jasper sorriu para o amigo antes de se abraçarem.
_ Estou pronto para a batalha – Jasper disse, seu tom claramente desesperado em amenizar a tensão. Era muito chato lutar daquela maneira, onde todos carregavam expressões pesadas, como se alguém houvesse matado suas vacas leiteiras.
_ Ótimo – Peter, que era amigo de Jasper muito antes de todos dali, acompanhou-o, sorrindo amistosamente – Estávamos começando a pensar que você tinha enfiado o rabo entre as pernas como um cachorro e que não apareceria.
_ Deus, como você deposita pouca fé em mim.
_ Bem, na verdade foi com essa conversa que eu fiz o Juan, um daqueles imigrantes mexicanos, acreditar em mim e apostar 50 pratas que você não vinha mesmo. Às vezes, acho que você tem razão.
Os três começaram a entrar na tenda, suas botas arrastando poeira por onde passavam.
_ Geralmente eu tenho – Jasper sorriu presunçosamente – Mas por que desta vez?
Peter parou, um olhar resignado. Parecia julgar a si mesmo como a um terrível criminoso.
_ Ganhei todos os resquícios de dinheiro desses imigrantes safados com lábia – ele franziu a testa fingidamente pensativo – Eu definitivamente sou um safado, cretino e bastardo.
Jasper riu.
_ È, mas está 250 moedas de prata mais rico – Mike emendou, a simplicidade em ver o melhor lado daquela historia fazendo Jasper e Peter rirem.
Mesmo que fosse um melhor lado sem muito caráter.
_ Poderiam me contar o que é tão engraçado? – novamente alguém apareceu e, agora, os três se viraram. Era o Capitão Newton, tão estimado por Jasper – Preciso mesmo de algo para rir.
O homem loiro com a aparência mais jovem do que realmente era, aparentava cansaço, desânimo e certa angústia. Os olhos castanhos intensos e vivos que Jasper lembrava, pareciam apagados diante dos recentes acontecimentos. O viu aproximar-se dos três homens e dera um fraco sorriso.
_ Capitão Carlisle – Jasper o cumprimentou, agora mais sério do que antes.
_ Garoto – Carlisle sorriu segurando os ombros de Jasper com força, como se depositasse nele e em sua experiência, demasiada fé – Fico contente em revê-lo – fez uma pausa – Mesmo que seja nestas condições.
Jasper assentiu, sentido em saber como aquilo acabava com Carlisle mais do que a qualquer um.
_ Bem, vamos treinar enquanto podemos – ele disse, agora não só para Carlisle, mas para Peter e Mike, também – Podemos ensinar algumas coisas para esses novatos frangotes.
_ Certamente que poderemos – disse Carlisle depois de um longo suspiro – Mas por hora, descanse. Você fez uma longa viagem a cavalo. Não o quero morto por cansaço.
Os três ficaram calados enquanto Carlisle se virara e tomava a saída da enorme tenda, certamente indo ver como andavam os feridos nas outras.
_ Temos apenas uma cama de sobra, Jasper – disse Mike, dando as costas para ele e Peter, remexendo em sua bolsa nos pés de uma cama – E é aquela ultima, perto do ferro de armação da tenda.
Jasper semicerrou os olhos para Mike e Peter, que pareciam querer engolir um riso cúmplice.
Assim, Jasper fechou os olhos, entendendo que certas coisas jamais mudavam.
_ Vamos, digam logo o que há de errado com aquela cama – ele exigiu, depositando as mãos autoritariamente na cintura.
Mike e Peter trocaram um olhar. Depois olharam para a cama em questão.
E então, e só então, chegarem seus olhos em Jasper.
_ Ela range – Mike disse, as bochechas ficando vermelhas, porem Jasper sabia que não tinha absolutamente nada a ver com constrangimento. Era apenas uma extrema necessidade de rir até perder o ar dos pulmões – E os arames de sua armação estão soltos, cutucam as costas.
Jasper o fuzilou ao notar o nítido divertimento dele.
_ Além desse colchão ser mais fino do que os outros, por que é o mais gasto – continuou Peter, parecendo ter ensaiado toda aquela perfeita descrição com Mike – Também fica ao lado da abertura da tenda, então a noite é frio até gelar os ossos – ele estremeceu, como se agradecesse de não ser ele o dono daquela cama.
_ Ah, é ela fede – Mike emendou rapidamente, fazendo questão de não esquecer daquele detalhe – Acho que por causa da umidade da noite que entra por aquela fenda ali do lado – ele apontou para um pedaço da enorme lona, que naquele momento não esvoaçava com brisas noturnas, e sim deixava boa parte do sol entrar aos pés de uma cama à frente da de Jasper – E o calor que faz de dia – deu de ombros.
Jasper suspirou longamente e prometeu a si mesmo que poderia, sim, suportar aquilo. Pois automaticamente, pensou no xale de Alice, que ficaria muito bem guardado debaixo de seu travesseiro, e sorriu ao pensar que ao menos o cheiro ruim daquele colchão ele não perceberia.
_ Deixem-me ver se eu entendi tudo o que vocês disseram – Jasper disse, a testa franzida – Aquilo é um pedaço barulhento de arame retorcido com uma espuma encima, antigamente chamado de colchão, fria, fedida e que perfura as costas?
Mike e Peter assentiram e uníssimo, novamente tentando segurar as risadas presas. Mas Jasper, que aprendera muito com o gênio difícil que tinha Alice a ter paciência, sorriu para eles, dando as costas e indo para o final da tenda.
Então, enquanto Peter e Mike remexiam em algo em suas camas e bolsas, Jasper fora para a cama destinada drasticamente a ele, e colocou sua pesada bolsa ali, juntamente com seu enorme casaco marrom.
A abriu e viu o vasilhame que Alice colocara ali com o pedaço de bolo de abóbora. Ele sorriu para sua bolsa, seu estomago dando uma guinchada.
Ele nem mesma notara que estava morrendo de fome.
Mas quando abrira a vasilha, Jasper riu.
Quase gargalhou.
Haviam mais de 10 pedaços de bolo, um espremido sob o outro para que houvesse espaço para todos. E ele tentou entender o que ela queria dizer com coloquei UM pedaço de bolo.
Era a primeira vez que apreciara o exagero de sua finíssima esposa.
_ Hey, estou sentindo cheiro de bolo de abóbora! – Mike parou abruptamente o que estava fazendo, aspirando com força o ar, levantando-se em um rompante. Junto com ele, as narinas de Peter inflaram, buscando freneticamente a origem daquele delicioso cheiro.
_ Sim, é de abóbora – Peter olhou com desespero para todos os lados antes de seus olhos e os de Mike pararem repentinamente em Jasper e em suas mãos – Seu grande bastardo! – os dois foram à passadas rápidas até ele, tomando o vasilhame das mãos de Jasper – Como pode esconder bolo de abóbora de seus companheiros? – ele colocou um dos enormes pedaços inteiros na boca, repreendendo a Jasper com a boca cuspindo bolo.
Mike fazia o mesmo, tateando o vasilhame atrás do maior pedaço.
_ Isso mesmo, seu grande egoísta... hmmm, isto está malditamente bom...
Jasper tomou novamente o vasilhame das mãos agoniadas de seus amigos, tentando preservar a integridade do pote também, pois se continuasse nas mãos deles, certamente até ele iria parar no estomago faminto daqueles dois.
_ Não estava escondendo nada de ninguém – disse ele, pegando um dos pedaços, mastigando com uma vontade que ele não sabia nem mesmo de onde vinha – Agora controlem essas bocas cheias de dentes e vamos comer como Sr’s civilizados– ele colocou o pote em cima de uma das camas e Mike e Peter pegaram, cada um, mais dois pedaços.
_ Não sabia que você havia se tornado uma moça prendada, Jasper – Mike zombou, rindo juntamente com Peter.
Jasper estava achando Peter muito traiçoeiro, naquele dia.
_ Não fui eu quem fiz, seu palerma – Jasper respondeu calmamente, pois Alice tomara novamente seus pensamentos, a idéia de ela cozinhando para ele muito prazerosa – Foi Alice.
Peter sorriu discretamente, como se já não se surpreendesse com a nova forma de Jasper de se referir à sua Sra.
Tinha uma leve idéia do que Jasper fizera depois da conversa deles.
_ E quem é essa Alice? – Mike perguntou, mas parecia mais preocupado em mastigar do que em realmente saber quem era ela.
_ È minha esposa – Jasper disse simplesmente.
Então, em alguns segundos, Mike cuspira toda a massa mastigada da boca, os olhos se arregalando com um choque estampado.
_ Sua o que? – ele perguntou com uma voz grasnada. Aquela era uma novidade para a qual ele não estava preparado.
_ Não sabia que Jasper fizera os votos matrimoniais? – Peter se voltou para Mike, aproveitando a distração repentina do amigo e tomando conta do vasilhame de bolo de abóbora – Deveria ver que festa mais bela! Jasper sorria ao vento! – ele riu ironicamente, recebendo um olhar muito pouco agradável de Jasper.
O mesmo que ele apresentava no dia de seu casamento.
_ E onde eu deveria estar que perdi esse acontecimento único!? – Mike riu alto, as bochechas novamente vermelhar por conta das risadas.
_ Você estava em algum lugar do Texas, acho que em missão com seu pai – Peter deu de ombros.
_ Oh, certamente – Mike assentiu antes de dar um sorriso perverso – Você engravidou a pobre moça ou o que?
Jasper virou-se de costas para os amigos, aquela conversa começando a perturbá-lo. Ele acabara de conseguir beijar ela.
Tocá-la a ponto de poder engravidá-la passava a milhas de distancia da realidade.
Mas, aquele pensamento o fez pensar se, algum dia, seriam tão íntimos ao ponto de ela poder lhe dar uma criança, coisa que ele sempre quisera ter.
A idéia de como se fazia ardeu em sua cabeça, seu corpo começando a responder àquele pensamento.
_ Não, não a engravidei – ele respondeu simplesmente, tirando sua camisa branca para poder deitar- se – Mas fora meu pai e o pai dela quem arranjou tudo isso – deu de ombros, agora aquela idéia não o irritava mais como o irritara no começo. Já havia acostumado-se àquela idéia e á sua tempestuosa esposa.
A falta de indignação de Jasper por perder a vida recheada de belas mulheres a todo o tempo que tinha antes, fez toda a graça de Mike se evaporar. Tão logo ele deu de ombros e continuou comendo ao delicioso bolo de abobora, disputando com Peter a oportunidade de se empanturrar mais, pois bons e tranqüilos momentos como aquele não voltariam a acontecer tão cedo...
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Deserto de Michigan
Campo de concentração
Jasper enfileirara todos os novos soldados, os imigrantes. Muitos Judeus reprimidos, outros Mexicanos que haviam vindo clandestinamente.
Havia até um Japonês, mas ele parecia estar apenas perdido.
Com suas botas grossas, sua camisa branca e sua postura autoritária e séria, intimidava aos menos experientes. Eles pareciam que acatariam tudo o que Jasper mandasse.
E aquele era o espírito.
_ Todos vocês sabem muito bem por que estamos aqui, neste momento – ele disse, o tom alto e grave. Não estava se permitindo absolutamente nenhum traço de humor – Sabemos que existem terras de sobras das quais podemos usufruir, também! Porem, como nos é imposto pela autoridade egoísta daqueles com quem lutamos, temos que pegar à força – ele observava atentamente aos homens em sua frente. Pareciam mesmo barrelas e fracos. Mas Jasper sabia que algumas instruções e eles seriam de grande importância para lutar com aquele exercito.
Mesmo que um Texano, enorme e cheio de sardas, estivesse coçando o traseiro naquele exato momento.
_ Recompunha-se, seu merda! – bradou Mike, tentando bancar sua maior importância ali dentro sobre aqueles que recebiam instruções.
_ Bem – Jasper pigarreou, tentando recuperar a linha de pensamento. Eles não tinham tanto tempo assim para perder – Todos aqui sabemos que as guerras são brutas e cruéis, e que a sombra fria da morte não se abate apenas nas pessoas ruins – quando dissera isso, Jasper viu muitas expressões serem apossadas por uma repentina tensão – Todos aqui sabemos que qualquer presente aqui pode morrer – agora, um coro de “oh” amedrontados passou a ecoar pelo escaldante deserto de Michigan – Todos sabemos, também, que todos aqui tem alguém... alguém por quem voltar...
Suas palavras ficaram suspensas no ar, entrando pelos ouvidos de todos e fazendo um repentino silencio amargurado pairar ali. Muitos daqueles homens tinham famílias inteiras para sustentar e fariam aquilo com a conquista daquelas terras. Sabia, também, que muitas dessas famílias eram compostas, principalmente, por crianças, e aquilo o apertava o peito.
E muitos tinham uma esposa, frágil e pecaminosamente sozinha, esperando ardentemente que eles voltassem, algum dia, para o conforto do lar.
Jasper pigarreou, tirando a imagem de Alice para longe de sua cabeça, naquele momento.
Não era momento para aquilo.
_ Porem, morreremos lutando pela conquista de algo melhor para essas pessoas que nos esperam, em algum lugar – ele deixou sua voz ainda mais firme, vendo uma determinação começar a ser projetada nos olhos deles. Jasper gostava aquilo; daquela desesperada vontade de fazer o melhor por aqueles a quem amavam... por sua família.
Família...
Repentinamente, Jasper foi invadido pela vontade de que, quando voltasse, tivesse um 2º ele em tamanho pequeno. Alguém com os cabelos loiros brincando ao vento, os olhos castanhos vivos, um sorriso que tiraria seu cansaço do dia.
Uma família por completo.
_ Então, cientes de que qualquer coisa pode vir a acontecer – ele continuou, deixando suas fantasias para outro momento e voltando a se concentrar – Eu quero deixar claro que não estamos aqui para treinar merdas – o tom autoritário e arrogante conseguindo manter todos os inexperientes homens calados. Alguns com respeito, outros com medo- E, se queriam um momento para desistir, o momento é agora – exclamou ele, engrossando ainda mais o tom – Quem quiser desistir, vire-se e vá embora.
Depois de sua ordem, Jasper se calou, encarando os homens astutamente, esperando pela primeira iminente desistência.
Todo o deserto de Michigan calara-se.
E, enquanto o suave vento passava por ali, a certeza ia tomando conta de todos os valentes corações.
Jasper sentiu um sorriso aparecer nele próprio.
_ È disso que eu estou falando, bravos homens! – ele exclamou, um pouco mais entusiasmado, agora. Encorajou os homens, ainda um pouco retraídos, a sorrirem – Vocês são soldados! Vamos dar o melhor de nós mesmos e ganhar aquele pedaço de terra estúpido! – ele aumentou o tom de voz, deixando-o alto e firme, exclamando sua empolgação pela possibilidade de vencerem aquela guerra.
_ Viva! – Mike gritou, erguendo o braço em punho, imitando a empolgação de Jasper.
_ Viva! – Peter imitou o gesto dele, tentando colocar tanta firmeza em suas palavras quanto seus companheiros – Viva!
Aos poucos, alguns dos homens no meio de todos aqueles, foram fazendo o mesmo, matando o silencio do deserto com seus urros confiantes.
_ Viva! Viva! – Carlisle erguera os dois braços, os punhos cerrados.
Logo, todos os homens que ali estavam entraram naquele clima, um misto de altos gritos entusiasmados e confiantes, como se eles dispusessem de todas as chances do mundo.
Jasper sorriu enquanto olhava todos gritando, sorrindo e se cumprimentando, desejando muito que o final daquilo não fosse tão terrível quanto ele tinha certeza que seria.
_
Jasper desviava dos golpes de um mexicano baixinho e com um enorme bigode. Ele não tinha muita coordenação, porem eram muito forte.
_ Está indo muito bem, Leon! – Jasper o cumprimentou enquanto ele estava em posição de ataque, pronto para desferi-lo mais golpes.
Porem, o mexicano baixinho parou, a testa franzida.
_ Es Ramón, Senhõr. Mi hermano és Leon. Leon Fernando Daniel Puentes Fernandes. Yo? Yo soy Rámón Tomás Carlitos Puentes Fernandes – disse ele enroladamente, o tom levemente ofendido.
Jasper apenas lhe dirigiu um sorriso meio constrangido, desejando poder lembrar deles, de seus nomes e de suas fisionomias, pois assim não teria que escutar tudo aquilo outra vez e outra.
Todos os mexicanos eram iguais, para ele.
_ Bem, desculpe-me, Ramon – disse ele – Agora, pegue uma daquelas armas que está dentro de um daqueles tonéis – o sol da tarde castigava suas peles. E, com os olhos semicerrados para o reflexo no homem à sua frente, Jasper endureceu o tom – Vamos treinar pontarias, agora.
Rapidamente, diversas armas compridas e perigosas se encontravam nas mãos um pouco tremulas daqueles desconhecidos. Naquele campo deserto, diversos travesseiros cheios de espuma estavam pendurados em pedaços compridos de pau, a uma considerável distancia. Peter, Mike, Carlisle, Jasper e muitos outros homens, os mais experientes, estavam dando orientações à eles, diversas vozes falando ao mesmo tempo, no mesmo tom, sobre a mesma coisa.
Até mesmo Sam e seu mindinho estourado.
_ No centro! – Jasper ouviu alguém exclamar em algum lugar no meio daquele murmurinho.
_ Atire!
_ Eles são aqueles anarquistas safados!
Um bombardeio ao nada, um paredão feitos de montanhas e travesseiros velhos, tiros sem o derramamento de sangue.
Jasper desejava muito que tudo aquilo fosse apenas um treinamento de 2 meses.
Nunca tivera medo de morrer, porem enquanto observava tantos homens atirando, tentando acertar suas miras, tentando ser melhores do que as pessoas que poderiam matá-los, ele desejou que tudo aquilo acabasse logo, e que ele pudesse voltar para sua vida.
Pois sua vida, agora, era em Biloxi.
Com um suspiro melancólico, ele acendeu um cigarro. Fumava muito raramente, apenas quando as situações o deixavam muito para baixo.
_ Preocupado, Major? – Peter apareceu ao lado de Jasper, os cabelos negros e lisos esvoaçando com o leve vento que dava um rápido passeio pelo deserto escaldante.
Ele ainda insistia em chamá-lo de Major, pois Peter ainda não havia aceitado a idéia de Jasper ter abandonado o Exercito que tanto estimava um passo de ter um importante cargo.
Jasper dera uma tragada no cigarro, pela primeira vez desde que começara a distrair-se com a nicotina, não achando atrativos naquilo.
_ Um pouco, pois seria estupidez não estar – disse ele com um tom monótono. A fumaça que saíra de suas narinas subiu, misturando-se ao calor, ao vento, à terra.
Por fim, jogara a bituca no chão, esmagando-a com sua bota marrom e desbotada.
_ Bem – Peter colocou as mãos na cintura, olhando, assim como Jasper, para os milhares de homens que faziam barulheira – Será amanhã. Que seja o que Deus quiser, irmão.
Jasper ficou calado outra vez.
_
O céu de Michigan estava estrelado naquela noite. Não havia nenhuma nuvem, a lua brilhava enorme e redonda e a vasta escuridão que era o universo chamava a atenção de Jasper enquanto o sono não vinha.
Aquela cama era muito castigo.
Enquanto o arame incomodava Jasper nas costas, este observava uma pequena abertura no alto da tenda, que possibilitava a ele tomar tudo o que a beleza da noite podia dar. Toda sua beleza e imensidão traduzida em pequenos pontos brilhantes.
Encarando as duas estrelas que mais brilhavam no céu, Jasper se lembrou novamente de Alice.
Elas lembraram seus olhos castanhos vivos, sempre brilhantes e hipnotizantes.
Tão belos...
Com um suspiro, ele virou-se na cama dura e estreita, sentindo muita saudade da colcha macia no chão que Alice fizera para ele.
Como ela estaria?
Estaria dormindo tranqüila? Se alimentando bem? Solitária demais?
Será que pensava um pouco nele?
Jasper lembrara-se do quão abalada era havia ficado com a repentina separação dolorosa que a guerra ordenara entre eles. E, por mais que jamais gostara de ser um tolo que presumia as coisas, que acreditava em suas próprias teorias sem uma confirmação, ele se viu acreditando na hipótese de que ela sofria pela ausência. Sofria como ele próprio estava.
Jasper estava sentindo a falta de sua presença como um inferno.
Deus o ajudasse e ele conseguisse voltar para casa. Nunca ficara preocupado em se salvar ou não, mas naquela guerra em particular, seu peito estava mais do que apenas apertado. Seus sentidos, mais aguçados.
Seus pressentimentos ainda mais temerosos.
Porem, o que ele menos necessitava era que sua mente vagasse para todos os lugares e não permitisse a ele descansar o suficiente.
Talvez fosse esse o recado que sua mente tentava lhe dar e ele não estava entendendo.
Afinal, ele precisava estar suficientemente descansado para amanhã ou não acertaria um alvo nem que ele estivesse na ponta de seu nariz.
Amanhã, precisaria de toda a atenção e concentração que poderia reunir.
Então, enquanto toda a tenda repousada em um sono intenso, entre roncos e silvos baixos, ele puxara a delicado xale rosa que roubara de Alice para fins de caridade.
A dele própria.
A maciez daquele tecido lembrava a textura de seus cabelos sedosos e brilhantes. A delicadeza dele, sua pele, a qual ele gostava tanto de tocar sempre que podia.
Sua cor, ah sua cor, lembrava as bochechas dela, que se evidenciavam sempre após um beijo dele.
Fechando os olhos, Jasper o aproximou do rosto, aspirando silenciosamente aquele perfume.
O cheiro forte e impactante que aquele pedaço de pano velho trazia tão incrustado.
E apenas assim, Jasper conseguiu dormir.
E Alice fora, mais uma vez, a dona de seu sonho.
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Biloxi, Mississipi
Dia de guerra
Novembro de 1901
Jasper apertou os olhos com força quando um dos raios do sol adentrara por uma fenda diretamente neles. Grasnou, detestando ser acordado daquela maneira.
Respirando com força, os olhos ainda fechados, Jasper foi sentindo-se, aos poucos, menos rígido, o corpo menos cansado. Os barris de concreto que parecia ter nas costas desde que descera de Ramos sumira.
Porem, havia uma pequena pressão em seu peito, um peso sobre sua barriga e ombros. Com a testa franzida, Jasper abrira os olhos devagar.
E o que vira fez seu coração dar uma ritmada batida um pouco mais acelerada.
“Alice?” ele pensou, lembrando-se dos belos cabelos dela.
Com um sorriso curto, Jasper levou uma das mãos até sua cabeça, tateando levemente.
Porem, enquanto o corpo delgado se movia vagarosamente, ele se dera conta de que Alice encontrava-se em Biloxi, a muitas léguas de sua cama dura.
“Mas...quem seri...”
_ Bom dia – a voz baixa o cumprimentou, parecendo sonolenta.
E automaticamente ele a reconheceu.
Era Maria, uma das enfermeiras que eram de grande necessidade após lutas e mais lutas. Sempre fora obcecada por Jasper e, em um passado nem tão distante assim, eles ainda tinham um alto nível de intimidade.
Mas que acabara quando Alice entrou na vida dele.
_ Maria? – Jasper perguntou rapidamente, sentando-se no colchão fino enquanto ela se levantava, os olhos semi-abertos, a boca com um curto sorriso cansado – O que está fazendo aqui? – Jasper temeu a resposta dela. Estava tentando fazer sua memória funcionar para ele se lembrar o que teria feito com Maria na ultima noite para ela ter amanhecido em sua cama.
_ Eu vim para cá no meio da noite – respondeu ela, passando as mãos pelos cabelos levemente bagunçados – Sabe que gosto de dormir perto de você.
O olhar que ela lançou para Jasper, pela primeira vez em toda a vida da historia deles, lhe deixou sem jeito. Maria continuava uma belíssima mulher e seus atrativos físicos enchiam os olhos de qualquer um, porem ele já não conseguia levar a diante os pensamentos libidinosos dela.
Olhando rapidamente para os lados, ele notara as camas vazias, a tenda livre de qualquer outra pessoa senão eles.
_ Maria – ele pigarreou – Acho melhor você ir, agora.
Mas Maria ficara exatamente onde estava, encarando à ele com um jeito que apenas ela sabia olhar.
_ Senti sua falta, Jasper – disse ela, a voz mais baixa – Da gente, lembra-se?
A pressão daquela situação fizera Jasper sentir uma levíssima camada de suor na testa. Ela estava vestida com seu usual vestido branco, que contrastava com sua pele morena, suas maçãs do rosto proeminentes.
Maria era realmente uma bela mulher.
Com uma lembrança tentadora, Jasper se lembrou de quando ela vinha, toda a noite, para sua cama, insinuando-se até que ele a tomava, sempre com um toque quente e ousado de ambos, pois estavam sempre suprindo desejos ardentes e incontroláveis.
Eram bons tempos.
Jasper sentiu o corpo começar a ficar tenso, sua pulsação começar a acelerar. Não por qualquer sentimento que pudesse ter por Maria, talvez apenas uma leve admiração e um respeito, mas sim por que era homem e seu corpo tinha muitas necessidades que precisava suprir.
Antes, ele sempre estava com alguma mulher em sua cama. Porem, desde que casara com Alice, não havia mais se deitado com nenhuma outra e seu corpo já não estava mais suportando aquela cruel privação.
Deus, ele estava tentado demais com Maria bem ali, acessível à ele e completamente entregue. E, por um fugaz segundo, ele tivera que segurar suas mãos para que elas não tomassem vida própria...
Mas... não podia fazer aquilo com Alice.
Ela era a sua esposa, então ele só deveria fazer aquilo com ela, agora, e com nenhuma outra.
Mesmo que nunca pudesse... ter Alice.
Com uma guerra em sua cabeça, praguejando todo o bom-senso que aprendera com sua mãe, Jasper foi sentindo seu corpo, que nem ao menos chegara a apresentar o rígido estado que era necessário, esfriar.
Deus, queria Maria longe dali.
Com outro pigarro, Jasper se levantou, começando a vestir sua camisa branca.
_ Oh meu Deus, é para mim? – Maria exclamou alto, a voz recheada de um entusiasmo repentino – È lindo, Jasper!
Jasper se virara para ela a fim de ver o que a encantara tanto.
Mas parou, estancando em seu lugar quando viu o xale rosa de Alice nas mãos indelicadas de Maria, enquanto ela o remexia sem parar, de todos os modos que seus dedos permitiam.
Ela deveria ter visto debaixo de seu travesseiro quando ele se levantara.
_ Espere – ela parou repentinamente, afastando o xale de seu nariz – Mas tem o cheiro de outra mulher, aqui! – ela guinchou, apertando o velho pano entre seus dedos.
Jasper suspirou, achando que tinha mesmo que contar para o resto das pessoas de seu passado, a existência de Alice.
_ O nome dela é Alice – disse ele, o tom neutro. Sabia muito bem para o que estava se preparando – Esse xale é dela – a fitou nos olhos, não querendo magoá-la tanto – Não é um presente para você, Maria.
Viu a expressão de Maria enfurecer-se enquanto ela mordia a mandíbula, as pernas bem esticadas pela indignação.
_ E quem seria essa Alice? – ela indagou grosseiramente.
Jasper colocou as mãos na cintura, vendo que, agora, era realmente a despedida de seu passado.
Estava rompendo ali os laços de tempos com Maria.
_ È... Alice é minha esposa, Maria.
Todas as formas de dor passaram pela face chocada de Maria, enquanto o pano pendia entre seus dedos. Seus olhos negros encheram-se de uma repentina umidade, o que fez o coração de Jasper apertar, de certo modo.
Ela pareceu desolada.
Jasper sentiu mal por saber o quanto Maria sonhava e esperava e carregava esperanças crescentes dentro dela, de que Jasper a pedisse em casório, algum dia.
E ele se casara com outra.
_ Maria, olh...
Naquele exato segundo, um estrondo absurdamente alto ecoou a uma curta distancia de onde eles estavam, fazendo toda a tenda tremer e os dois caírem no chão.
_ Oh meu Deus! – alguém do lado de fora gritou e Jasper começou a escutar a correria desvairada do lado de fora.
_ Mais que diabo! – ele rosnou, ainda deitado no chão, e seus olhos acompanharam as passadas rápidas.
Então, outra bomba estourou, ainda mais alta, ainda mais perto.
E, dessa vez, a gritaria foi tremenda.
_ Santa miséria! – ele xingou, o coração acelerando.
_ Acertaram ele! Acertaram ele! – outro grito do lado de fora e o tiroteio estourou imponente por todos os lugares.
_ Estão vindo!
_ Peguem aquela bomba, corram, corram!
Três bombas estouraram ao mesmo tempo e Maria gritou. A tenda da frente a qual eles estavam começou a pegar fogo enquanto algo estourava o teto da deles própria.
_ Demônios! – Jasper gritou devido ao enorme barulho. Diversos pedaços de terra e pedaços retorcidos de madeira caíram sobre suas cabeças e Jasper se colocou sobre Maria, enquanto ela começava a chorar descontroladamente.
Lá fora, gritaria, correria, gemidos de dor, barulhos de bomba, barulhos de tiros.
Era a guerra dando seus sinais outra vez.
Jasper já estava imaginando o cenário terrível de matança que estaria lá fora. A dor e o medo estampado nas caras de quem não estava acostumado àquela visitante não desejada.
A morte.
A desgraça.
Uma enxurrada de tiros perfurou a tenda, de repente, e o barulho fora infernal. E aquela era a realidade. Estavam sendo atacados.
A guerra havia chegado para destruir.
_ Jasper! – Jasper escutou, em algum lugar do lado de fora, uma voz esganada lhe gritar o nome por sobre aquele desespero todo.
Jasper apertou a mandíbula, pondo-se de pé cautelosamente. Puxou Maria pelo pulso com rapidez, a fim de tirá-la logo dali e deixá-la em algum lugar mais protegido do que aquela tenda estúpida.
_ Venha! – ele saiu a passadas rápidas com ela em seu encalço.
Lá fora, muitos homens atirando, escondidos, outros sangrando em um canto, outros gritando de ódio enquanto corriam com enormes espadas.
Entre a correria, Jasper guiou-se para um lugar mais afastado — a tenda das mulheres — onde ninguém havia chegado ainda. Certamente, até os inimigos chegarem no campo deles, eles os deteriam antes que chegasse àquela tenda.
Parou abruptamente sua quase corrida, fazendo Maria retroceder bruscamente.
_ Ouça – ele murmurou apressadamente, encarando a mulher, que trazia olhos arregalados, bochechas molhadas, cabelos completamente desfeitos – Vá lá para dentro e tente ficar protegida como conseguir. Diga isso para as outras – Maria assentiu febrilmente – Nós vamos resolver isso. Agora vá, Maria, vá!
Ela soluçou enquanto passou a mão gelada e trêmula pelo rosto de Jasper com rapidez. Então, virou-se e correu em direção á tenda branca.
Depois que ela quase chegava a seu destino, Jasper virou-se e fora encarar o seu.
Correu de volta, seus olhos astutos procurando Peter a fim de saber em quanto andava tudo.
Quando ergueu os olhos, viu o amontoado de homens se enfrentando mais à frente, certamente com as espadas e as armas mais leves. Se aqueles bravos homens não conseguissem deter eles, eles teriam que o fazer.
Correndo entre a gritaria e o barulho das bombas jogadas pelos inimigos, Jasper avistou Peter agachado ao lado de Mike, recarregando munições em armas. Agachou-se bruscamente ao lado deles enquanto muito pó de areia e estilhaços caiam do céu.
Peter e Mike estavam suados, sujos e ofegantes.
E Jasper não se diferenciava.
_ Você os viu, Jasper? – Peter perguntou com a voz rouca devida as várias vezes em que precisara gritar – Estão estancados no mesmo lugar! Nossos malditos bastardos estão conseguindo segurá-los! Ahaááhá! – ele gargalhou ruidosamente, pegando mais munições da mão de Mike, uma empolgação desumana.
Jasper dera um sorriso curto encarando o campo que estava disposto o acampamento deles. Havia destruição, havia sangue e até mesmo corpos.
Mas a guerra corpo a corpo que estava acontecendo no alto do vale do deserto era uma esperança.
Jasper desviou o olhar dos diversos grupos de homens, cada um atrás de enormes barris de terra, travesseiros e arames, apontando canhões e armas grandes e destruidoras, até mesmo bolas de fogo, e atirando na direção do enfrentamento do vale.
Paravam os inimigos que corriam com seus cavalos e suas espadas com fogo na ponta, em direção ao acampamento.
Mas Jasper não gostava daquela visão. Não gostava dos urros de Peter e Mike, bem ao seu lado, enquanto algum pobre soldado agonizava à alguns metros deles.
Jasper sempre preferia ser o da armada corpo a corpo.
Ele estalou a língua, não conseguindo ficar ali parado. Correu agachado até o homem que gemia contra a terra fina.
_ Acalme-se, homem – disse ele, esforçando-se para virar o homem, que estava de bruços. Quando o fez, reconheceu o bigode bem aparado e os olhos constantemente semicerrados, misturados, naquela hora, com dor – Não se preocupe, Ramon, você vai ficar bem – disse ele, a voz desesperada. Não queria passar as poucas esperanças que tinha àquele pobre homem agonizante.
_ Sr.... – Ramos balbuciou com sua voz enrolada – Cuando esto termine, vaya a Guadalupe, mi Señora, y le dan mis cosas. Mi querida Guadalupi sabe qué hacer con todo – a voz do homem se engasniçava, enquanto ele fazia caretas de dor. Jasper o viu pressioando um ferimento em seu abdomen.
_ Não se preocupe, Ramon, estará com sua Sra. pessoalmente. – Jasper lhe deu um sorriso verdadeiro, os olhos ardendo pela situação. Ao redor deles, a destruição e a crueldade rondava, dançando por entre as vidas que ali estavam, porem Jasper se concentrou no que seriam os ultimos suspiros de um dos bravos homens que lutara, dando a ele toda a atenção que merecia – Vou levá-lo para um lugar melhor.
Jasper passou um braço por debaixo do joelho do homem e espalmou bem sua mão em suas costas. Tentou lavantá-lo, mas ele era um homem tão pesado quanto ele proprio.
_ Infernos – ele rosnou baixo, enquanto Ramon soltava lamurias fracas. Com muito esforço, Jasper conseguira levantar-se trazendo o homem em seus braços. Sabia que tinha pouco tempo até suas forças se esvairirem e irem os dois para o chão.
Com uma força desconhecida e uma determinação em ajudar que Jasper buscou em si, ele andara apressadamente, ao tropeços, em direção a tenda branca, aos cuidados das enfermeiras do exercito. A tenda parecia uma miragem de léguas de distância e, com os músculos gritando em protesto, Jasper chegou até lá suando, a respiração errônea.
_ Oh Deus, Jasper, o que aconteceu! – Maria e mais cinco das mulheres que ajudavam nos curativos dos feridos correram em sua direção, as expressões em pânico.
Jasper colocou Ramon em uma das camas duras com o cuidado que conseguia.
_ Não se precoupe, Ramon, voce vai ficar bem – disse para o homem, que não escutava mais nada, a não ser a si próprio gemendo – Cuidem dele! – ele voltou-se para as mulheres, que assentiam.
E logo se pôs de volta.
Refazendo o caminho, vira novamente o amontoado infinito de homens embolados no vale, a uma considerável distancia. As bombas de fogo iam e vinham, destruiam lá do mesmo modo que destruiam cá.
Porem, eles ainda estava no mesmo lugar, muitos corpos caidos ao redor deles, a guerra se concentrando naquele vale.
Como se fosse uma esperança muda, Jasper sentiu o peito pulsar freneticamente, vendo naquela situação uma esperança.
Talvez eles não estivessem perdidos.
Foi então que Jasper avistou a Ramos, seu cavalo negro, tão belo e reluzente ao sol que jamais poderia ser confundido com outro equideo.
Ele se remexia na corda em que fora preso junto a uma árvore.
Relinchava, erguia-se, balançava a crina em sinal de despeito, como se estivesse ultrajado em ficar longe da situação, em parecer ter sido esquecido.
Jasper sorriu ao ver aquilo, lembrando-se automaticamente dos velhos tempos. Correra em direção ao animal, desamarrando-o, cumprimentando-o, subindo nele.
_ Vamos lá, grande amigo – disse ele segurando fortemente as rédeas de seu cavalo – Agora é a nossa vez! – gritou para ele e, no mesmo segundo, Ramos saira em disparada em direção ao acampamento, passando por todas as pessoas, sendo alvo fácil das bombas de fogo voadoras.
Peter e Mike o viram se aproximar aos galopes e arregalaram os olhos.
_ O que diabos está fazendo, Jasper!? – Peter gritou, a voz falha.
_ Me dê aquela espada, Mike – Jasper ordenou ao garoto, apontando para um barril lodato delas. Mike fez isso em movimentos mecânicos, as mãos trêmulas a todo o momento.
Jasper segurou a arma na mão encarando, com os olhos semicerrados, o vale sangrento e empoeirado do deserto. Correu em sua direção, não querendo mais pensar se chegaria a voltar.
E muito distante dali, uma mulher que rezava sentira o peito dar um forte solavanco...
Notas finais
Particularmente, eu gosto desse cap. mostrando mais o lado de Jasper e tals.
Mas espero as opinião de voces, não as minhas, entaoo...
:*
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