Notas iniciais
O primeiro cap. de muitoss.
Muita coisa pra acontecer, hein?
Ahhhh, gostaram da minha capa?
Eu tomei vergonha na cara e resolvi fazer uma capa decente! :O
Então eu desenhei essa aí. Eu definitivamente não sei fazer caricaturas de Alice e JAsper ¬¬, mas enfim...
Boa leituraaa!
:*

Cap. 1-Contando uma história

Forks, Washington

Ano 2000

Cintia olhou pela janela. O céu estava extremamente negro, com fortes estrondos e clarões intimidadores. No vidro, as gotas batiam violentamente, como se quisessem perfurar peles caso alguém se atrevesse a atravessá-las. Bem longe no horizonte, havia a mesma força, e Cintia supôs que aquela tempestade não acabaria tão cedo.

_ Mas que droga! – ela rosnou, sentando-se largada no sofá.

_ Algum problema, querida?

Cintia olhou para o corredor que dava de encontro à cozinha. Dele, vinha uma das pessoas mais importantes de sua vida, com seus passos curtos e, agora, lentos. Sua avó carregava um castiçal, daquelas coleções antigas que as pessoas mais velhas tinham costume de guardar, iluminado na ponta por uma vela derretida pela metade. Certamente, prevenindo-se caso acabasse a luz.

_ Com essa chuva toda, Seth não vai poder vir aqui! – Cintia choramingou, olhando novamente pela janela.

_ Seth é o carteiro? – a Sra. perguntou com um pouco de confusão. Sua voz era arrastada devido aos anos emparelhados que carregava.

Cintia riu antes de sentar-se ao lado da avó no sofá.

_ Não, vovó – ela disse – Seth é o meu namorado, lembra?

A mulher riu da própria confusão, depositando o castiçal na mesinha de centro.

_ Oh, desculpe querida. Eu realmente não queria contar, mas seu pai o confundiu com o desentupidor de pia, outro dia– disse em um cochicho confidencial.

Cintia revirou os olhos, balançando a cabeça.

_ A diferença é que papai faz de propósito.

O cuco do alto da parede tocava baixo e ritmado, enquanto Cintia via sua tarde acabar. Tinha tantos dias, tantas tardes, tantos momentos para cair o céu... e tinha que acontecer justo naquele?

_ Se fôssemos imortais, talvez eu não precisasse me preocupar em perder tardes inteiras trancada em casa – ela resmungou de repente, traçando linhas imaginarias no sofá, emburrada.

_ Oh, querida, mas nó somos – a Sra. lhe contradisse, sorrindo afetuosamente para a expressão confusa de sua neta – Qualquer um pode ser, basta que haja alguém para lhe ter nas lembranças. As lembranças podem perdurar por milênios!

A garota parou por uns instantes, parecendo analisar aquilo. Por fim fez uma careta.

_ Não entendi, vovó.

A mulher riu sob o fôlego curto, enrugando ainda mais sua pele já enrugada, achando a juventude daquela década engraçada.

_ Pense nos dinossauros. Eles não foram imortais, porem existem até hoje, pois todos nós pensamos neles alguma vez na vida.

A garota sorriu, vendo bastante lógica nos pensamentos da avó. Era algo que invejava nas pessoas antigas.

A sabedoria.

Mesmo que, quando ela falava, Cintia não entendesse nenhum travessão.

_ Isso é por que eles são enormes e intrometidos – ela brincou.

Então, as duas, tanto Cintia quanto sua avó, ficaram em um agradável silêncio, enquanto a chuva maltratava as janelas.

Porem, não demorou muito para Cintia começar a balançar a perna impacientemente. Seu nervosismo ficando quase palpável.

_ Quer que eu lhe conte uma historia para se acalmar? – a Sra. perguntou calmamente para a neta, sua voz de muitos anos, baixa, enquanto a mesma lhe olhou com as sobrancelhas arqueadas.

_ Vovó, eu já tenho 18 anos.

_ Sim, mas está parecendo ter 12 – as duas riram, enquanto a carranca da garota se desvanecia pouco a pouco.

_ Bom – ela mordeu o lábio, parecendo relutante em admitir o que iria admitir – Com a condição de que a Sra. não conte a ninguém – ela encarou sua vó séria, como se estivessem selando um pacto deveras importante. E então sorriu largamente, pegando uma almofada para colocar no colo – Conte-me!

A Sra. virou-se um pouco em direção a neta, porem não exagerou, afinal suas articulações, essas sim, não eram imortais.

_ Era uma vez em uma...

_ Vovó! – Cintia a interrompeu prontamente.

_ O que houve?

_ Que credibilidade essa historia vai ter se começar com era uma vez? – Cintia afinou a voz ironicamente no final, dando mais ênfase em sua reclamação.

Sua avó riu, ajeitando os cabelos branquíssimos que pendiam em uma trança curta, com sua lentidão costumeira.

_ Tudo bem – disse, recobrando as posições iniciais. Cintia desligou o abajur que tinha ao lado, deixando a sala de estar repousar em uma meia luz amarelada – Essa é a historia de uma garota, que é irmã da prima da melhor amiga de sua falecida tia-avó Rose e...

_ Vovó... – Cintia interrompeu outra vez, divertida – Diga logo que essa é a sua historia. Sua historia de amor... – Cintia suspirou bobamente. Por mais que fosse uma adolescente fazendo-se de insensível, no fundo era tão romântica quanto a protagonista da historia.

Sua avó balançou a cabeça vagarosamente, sorrindo, perdendo-se em memórias demasiadas antigas.

_ Sem chamá-la de Anabelle e muito menos de Anastácia – Cintia advertiu, antes que a simpática Sra. viesse com outra.

_ Tudo bem – ela disse e, rendendo-se, ajeitou os óculos redondos na ponta do nariz afinado – Então vamos chamá-la de Alice...

Biloxi, Mississipi

Ano 1901

_ Pois não vou ser gentil com você, minha irmã – Alice murmurou petulantemente, enquanto atravessavam o parque da pequena cidadezinha. O sol estava brilhando imponente no céu, evidenciando a beleza da pequena cidade de Biloxi – Acho estupidez toda essa empolgação por algo tão... tão... – Alice lutava com as palavras para que conseguisse expressar toda sua indignação pelo assunto em questão — ... tão ridículo, Rose!

Rose bufou e puxou o braço da irmã, cruzado no seu, com mais força do que o necessário.

_ O casamento é o acontecimento mais importante para uma moça, Alice! – Rosalie murmurou irritada, tomando cuidado para que as pessoas que passavam não escutassem. Na sociedade, era um escândalo uma moça que ia contra ao acontecimento mais importante – E estou extremamente feliz por que finalmente chegou minha vez – ela concluiu, exalando empolgação.

Alice revirou os olhos, ajeitando o chapéu branco de sua cabeça. Deus a livrasse daquilo, daquele tormento, daquela obrigação.

Não iria casar com alguém que não conhecesse e alguém ao qual não havia escolhido. Se entregaria apenas àquele que ganhasse seu coração e o fizesse bater rápido no peito.

Já lera sobre isso em seus livros. O amor, o maior e mais forte sentimento que já existira. Ele fazia suas mãos suarem, você fazer loucuras e ficar abobalhada. Alice detestava admitir, mas era uma tola romântica.

_ Vamos para casa – Rose passou as mãos rapidamente pelos belos cachos loiros reluzentes. Era seu objeto de orgulho – Preciso dar um jeito em meus cabelos.

Elas começaram a dar passos longos e rápidos, chegando, assim, ao imenso gramado dos Cullens.

_ Só por que irá conhecer seu noivo amanhã? – Alice indagou, pronta para esbofetear a irmã a fim de fazê-la acordar.

_ Mas é claro! – Rosalie sorriu largamente, suspirando ao pensar, ansiosa, na próxima noite. Nem reparou quando a irmã parou, observando-a seguir até a entrada, sonhando acordada – Amanhã à noite, Emmett McCarty estará na minha sala...

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

O cair da tarde

Alice vestiu seu vestido florido, rodeado por um belo laço de cetim. No andar de baixo, um burburinho alto e risadas grotescas chegavam até seu quarto. Várias famílias, amigas de seus pais, estavam lá, comemorando o mais novo enlace matrimonial da cidade.

Talvez, um dos mais importantes.

Fora assim também quando sua irmã mais velha, Isabella, se casara com o filho dos Masen.

Seu pai era um conhecido exportador de pedras preciosas da região e, também, era conhecido por ter as filhas mais belas da cidade. Todos os pais desejavam casar seus herdeiros com alguma delas.

_ Alice, os McCarty já estão lá embaixo – Esme, sua mãe, a chamou impaciente frente a sua porta – Não envergonhe sua irmã!

Alice bufou, jogando sua escova sobre a penteadeira. “Grande casamento estúpido!”, pensou irritada.

Abriu a porta com a expressão amarrada, se perguntando por que aquilo era tão importante.

_ Coloque alguma cor nessas bochechas, parece doente – Esme pediu, quase implorou, pela colaboração da filha – Desça logo – ela a advertiu antes de passar as mãos pelos cabelos negros dela. Imaginava quando ela pararia de ser tão difícil.

Esme, então, virou-se e voltou para o andar de baixo, apressada em receber os convidados.

Alice fez uma careta e seguiu-a, pouco se importando com sua pele translúcida.

Aquela noite fora um tormento desde o primeiro minuto, até o ultimo segundo. Os McCarty fizeram todo ritual de apresentações, pedidos, concordâncias, planejamentos e, no final, todos sorriam felizes, como se tivessem acabado de fazer uma troca de rebanhos de Lhamas.

_ Que patético – Alice murmurou enquanto tomava seu chá. Do outro lado da sala, junto com sua mãe, Rosalie não se agüentava em sorrisos enquanto olhava para seu noivo. Alice sentia o estomago revirar quando ela o encarava, ele sorria e ela corava.

Exatamente nessa ordem.

Quando tudo já estava acertado, todos se foram, porem era uma despedida temporária pois, a partir de ali, os encontros seriam freqüentes, até o casamento, em exatas duas semanas.

_ Tão rápido? – Alice perguntou perplexa para a mãe, enquanto essa lhe folgava as amarras do espartilho.

_ E quanto tempo acha adequado? – Esme perguntou retoricamente, porem parecia que conhecia pouco sua filha.

_ Não sei, três anos, talvez... AI! – Alice reclamou quando sua mãe lhe puxou forte os cabelos quando começou à trançá-lo. Rose, já devidamente preparada para dormir, apenas escutava, revirando os olhos para cada reclamação da irmã.

_ Pare de dizer besteiras – Esme resmungou. Ficaram em silencio e Alice ouvia um resmungo ou outro dela, como “Como pude ter uma filha assim” e “A Sra. minha avó deve estar chicoteando no tumulo”.

Alice não disse mais nada até o sono vir.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

Manhã seguinte

_ Alice? – Alice se virou para Rosalie, parada com seu xale rosa nas mãos, frente à sala de estar.

_ Sim?

_ Poderia vir até a cidade comigo? – ela praticamente suplicou. Deveria saber que Alice estava chateada demais com essa historia de casamento. Quer dizer, primeiro foi Bella que abandonou as três mosqueteiras. Agora era Rose. Ela não teria mais irmãs para trançar os cabelos – Você sabe que eu só confio em seu gosto, não sabe?

Rosalie era uma miserável chantagista.

Talvez ela tivesse concordado rápido demais depois do efusivo elogio. Mas, o fato é que foram até as lojas mais finas, com tecidos de linho, e véus com as mais delicadas pedrarias.

_ O que acha daquele com os detalhes no ombro? – Alice sugeriu, enquanto elas pareciam perdidas em um túnel branco, cheios de belos vestidos noivais.

_ Acho ele encantador – Alice e Rose se viraram para a voz de gato arranhado que saíra detrás de um vestido.

Era a jovem herdeira Volture.

Também conhecida como uma das mais ricas e belas Srta’s ainda solteiras, segundo Rosalie.

Também conhecida como a antipática e presunçosa moça que pensa ter a realeza nos confins do estômago, segundo Alice.

_ Jane – Alice e Rose cumprimentaram em uníssimo. Seu desgosto era evidente.

_ Ouvi dizer que irá se casar, Rose – ela disse rodeando-as – Creio que seu noivo é um dos mais charmosos e bem afeiçoados jovens da região.

_ Certamente que é – Rose retrucou com rispidez.

_ Sabe, eu ainda não recebi meu convite oficial para o evento – ela parou com as mãos na cintura, como se achasse ultrajante demais aquilo – Espero que não tenha me esquecido – a severidade em sua voz estava, como sempre, oculta em uma pele delicada e doce.

_ Não se preocupe, Jane, você será convidada – Rose respondeu mantendo a cordialidade que as aulas de etiqueta pregava.

_ Bom, isso se o seu convite não acidentalmente errar o endereço e ir parar em alguma vila qualquer de plantação de aipim cheia de crianças descalças e cachorros de nariz sujo – Alice acrescentou inocentemente.

Jane a encarou como um olhar intimidador.

_ Pobre Alice – ela desdenhou – È tão mal educada e tão desprovida de beleza que eu tenho pena de sua família, que sofrerá a vergonha de tê-la largada, sem pretendente, pelo resto da vida.

Alice sentiu a fúria arder em suas veias.

_ Jane! – Rose a repreendeu, porem era tarde demais. Alice avançara para cima dela.

_ Mas pena tenho eu de sua família, que terá que pagar três vezes mais do que uma família normal paga, só para que você consiga se casar com alguém!

_ Mas que audácia! – Jane arregalou os olhos, perplexa.

As duas começaram a se estapear, derrubando vestidos, e fazendo escândalo dentro da loja.

Logo, diversas atendentes vieram para tentar separar as duas, que quase rolavam no chão, abandonando de vez a compostura.

~•~•#•~•~

_ Mas que vergonha! – Esme exclamava indignada. Estava a ponto de se descabelar e queimar Alice com os olhos – Como você pôde fazer um escândalo daqueles com a Srta. Volture? Aonde foi parar sua educação? Seus modos?

Alice mantinha a cabeça baixa enquanto remexia em suas mãos. Não que estivesse arrependida, mas aquele fato realmente não seria esquecido com muita facilidade pelas pessoas fofoqueiras daquela cidade.

_ Mas mamã....

_ Cale-se que eu ainda não terminei!

Ela engoliu em seco, tentando manter sua boca fechada antes que perdesse seus preciosos dentes.

_ Que rapaz vai querer tomá-la como esposa se você não porta-se com modos? – os olhos de Esme pareciam que iriam saltar a qualquer momento, enquanto uma veia de sua têmpora latejava – Você acha que não envergonha a família toda quando a cidade inteira fala de você? – ela quase gritou. Alice ficou confusa, pensando se era para ela responder ou não.

Esme parou com as mãos apertando a cintura. Seus olhos se mantiveram fechados por um tempo, enquanto ela normalizava a respiração arquejada. Quando por fim abriu os olhos, sua voz voltara ao nível cordial, porem com uma dureza irreconhecível para Alice.

_ Que fique claro, Alice – Esme avisou com a voz cortante e, pela primeira vez na vida, Alice sentiu que não seria uma boa idéia interrompe-la – Tomarei uma atitude. Ah, se tomarei!

Três semanas depois

Biloxi, Mississipi

1901

Cerca de três semanas haviam se passado. Rose se casara e estava radiante em seu vestido e em sua tão aclamada união com o enorme McCarty. Ambos pareciam satisfeitos e felizes e, contrariada, Alice até se sentiu bem quanto àquilo.

Na rua, haviam muitas pessoas que cochichavam quando ela passava. Parecia que ninguém ali acreditava que ela desposaria algum dia. O que eles e, aparentemente, ninguém sabia, era que ela não detestava o casamento. Odiava era ser obrigada a fazer as coisas. Obrigada a ter que se casar com alguém que não fizesse seu coração balançar. Que a fizesse ter vontade de ficar a todo o tempo junto.

Alguém que a entendesse e que a fizesse sentir aqueles tremores, aqueles calores que sentia-se quando se estava junto. Desde que Bella falara sobre aquilo para ela e Rose, ela ficou imaginando como seria...

Mas sabia que só concederia aquela intimidade à quem tivesse confiança o bastante. Alguém que fosse integro e bondoso. Alguém que...

_ Fica ainda mais bela quando parada no meio da praça, suspirando e olhando para o nada.

Alice assustou-se quando alguém aparecera logo atrás de si. Porem, quando virou-se, viu ninguém menos do que Alec Black, seu grande amigo desde quando ainda era muito nova.

_ Alec! – ela exclamou, surpresa. Afinal, fazia anos desde que o vira pela ultima vez. Não era muito comum, muito menos aceitável, uma moça ter laços, mesmo que de amizade, com um rapaz.

E também, o fato de ele ter ido para a capital, cuidar dos negócios de seu pai ajudou, claro.

_ Como é bom vê-la, Cullen – ele fez uma reverencia exageradamente teatral, e quando ele pegou sua mão para depositar um cálido beijo sobre o tecido da luva, ela corou.

Ver Alec a fazia lembrar-se das diversas promessas infantis e ridículas que faziam quando pulavam as cercas da propriedade dos Swan para roubar amoras.

_ O que faz na cidade? – ela perguntou inocentemente, enquanto ele oferecia o braço para ela o acompanhar durante uma caminhada.

_ Não queria que eu estivesse aqui? – ele sorriu diante do embaraço que ela apresentou.

_ Desculpe, eu não quis dizer assim – ela desculpou-se– Digo, está aqui a negócios ou..., sei lá, veio ficar de vez?

Alec deixou um sorriso de escárnio aparecer em seus lábios.

_ Voltei para ficar, creio eu. E espero, finalmente, poder cumprir a nossa promessa – ele disse sugestivamente e, tão logo, Alice sentiu o coração acelerar.

Promessa, claro.

Mas... qual delas?

Quando ela não disse nada, ele resolveu avivar sua memória.

_ Disseste que nós dois iríamos nos casar quando crescêssemos, lembra-se?

Claro, ela lembrava.

Promessas corriqueiras de casar eram feitas a todo momento quando diversas amoras desciam garganta abaixo.

Mas aquela nunca fora uma idéia ruim. Quer dizer, ela não tinha idéia do que esperar do casamento. Realizar aquilo com alguém que conhecia e confiava era bem melhor.

Mas, mesmo assim...

_ Pois é, prometemos – ela murmurou dando um sorriso confiante. Porem estava meio sem jeito, embaraçada diante daquele assunto. Por que, apesar de que estar casada com Alec seria melhor do que estar casada com um desconhecido qualquer, ainda assim, ela não o amava.

_ Bom – ela tentou desconversar – Eu até pensava que você já havia se casado. Vai me dizer que não encontrou nenhuma bela moça na capital? – ela sorriu maliciosamente, cutucando-o de leve.

Crescer, crescia. Perder manias já era difícil.

_ Ah – ele ficou claramente desconcertado, e Alice bem que notou isso – Haviam muitas moças belíssimas, mas... – quando ele virou-se para ela, a encarando bem dentro dos olhos, ela sentiu um tremor nas mãos. Eram reações antecipadas ao que ele diria agora...

_ CUIDADO!

Os dois se viraram apenas a tempo de ver o enorme borrão de um cavalo desgovernado vindo de encontro à eles.

_ Oh Deus!

_ Saia da frente!

Alice pouco viu, apenas sentiu seu corpo perder o equilíbrio quando tentou desviar e, em seguida, o pó da terra maciça lhe receber em um tombo, enquanto sua parte traseira amortecia-se e sua boca enchia-se de poeira.

_ Ah! – ela gemeu quando abriu os olhos nublados e tentou arrumar os cabelos arruinados.

Ao fundo, ela escutou uma discussão acalorada, enquanto as vozes pareciam não notar que ela não conseguia se recompor sozinha.

_ Você estava completamente fora de si? – Alec esbravejou, jogando as mãos para o céu.

_ Peço desculpas, meu cavalo viu uma cobra-cega, eu creio, e se assustou – a voz rústica de uma segunda pessoa encobria um burburinho que começava a se formar ao redor.

“População malditamente curiosa.”, Alice pensou.

Depois da discussão subir de altura, Alice desistiu de esperar um braço cavalheiro e tentou se levantar sozinha, sentindo ter terra até nos ossos!

Com batidas, ela tentou limpar um pouco seu vestido rendado, porem ele não parecia que teria qualquer salvação.

Ela olhou para os dois homens que estavam discutindo alto, e sentiu o sangue começar a ferver.

Seu... lindo... vestido...

_ RENDADO! – ela gritou com a garganta arranhando, devida a poeira. Fora automático todas as cabeças se virarem para ela, finalmente lembrando que havia uma vitima ali.

_ Oh, Alice, você está bem? – Alec arregalou os olhos, voltando-se para ela, a fim de averiguar seu estado físico.

Porem, Alice pouco se importou com Alec e sua efusiva preocupação, e muito menos com as pessoas que comentavam baixo o quanto ela descera mais no nível.

Seus olhos se fixaram no homem de cabelos dourados e desgrenhados a poucos metros dela. Ele parecia confuso com a situação enquanto segurava a alça da arma letal, vulgo cavalo, com qual ele a atropelara. Ela não reconheceu seu rosto, de modo que deduzira que fosse um forasteiro, novo na pequena cidade.

Quando parou para o encarar exalando raiva, vira o quanto ele era charmoso. Tinha profundos olhos verde-escuro, e um tom cativante nos lábios. Suas vestes amassadas, uma encoberta da outra, parecia esconder muita coisa.

Porem, Alice não se importou com o quanto ele era bem afeiçoado. Seu peito se apertava no vestido enquanto ela respirava com força, e todas as outras pessoas iam sumindo.

_ Seu... seu... – ela murmurou entre dentes. O homem dera um passo para trás, parecendo prever ela explodindo feito uma chaleira quente — ...seu grande estúpido! Olhe só o que você fez! – ela apontou para ela mesma, chocada – Você quase me matou!

O homem de belos cabelos dourados revirou os olhos.

_ Vou ignorar seu exagero, Srta. – ele disse calmamente, dando um sorriso de lado. Seu sotaque claramente indicava suas origens sulistas – A Srta. está bem? Machucada, talvez?

_ Obviamente que não estou bem! – Alice quase berrou, batendo o pé na terra.

_ Oras, por Deus, você apenas levou um tombo de traseira! Ramos nem ao menos encostou na Srta.! – ele encrespou-se. Por que diabos aquela jovem fazia tanto escândalo por tão pouco? Ela poderia parecer linda e delicada, porem terrivelmente difícil de se lidar.

_ E ainda acha pouco?- Alice grunhiu, irritando-se minuto a minuto – Quem é você, afinal de contas?

_ Sr. Withlock, madame – ele estendeu a mão, e disse em tom de zombaria. Porem, a expressão da moça o fez recolher sua mão, entendendo que, talvez, fosse melhor fazer gozações em outro momento – Acabei de chegar na cidade.

_ Ah, é um viajante que sai por aí derrubando pessoas!

A calmaria do rapaz parecia se esvair aos poucos. Inconscientemente, ambos davam passos um na direção do outro, como se fossem, a qualquer momento, se agredir.

_ Às vezes – ele disse com uma voz dura e cortante. Tudo o que mais detestava eram moças cheias de frescura.– Mas vejo que derrubei alguém com intolerância à poeira. Sinto muito.

Alice enfureceu-se novamente. Aquele homem era cego? Não havia visto O ESTADO em que ficara seu vestido? Seu perfeito vestido de renda?

_ Argh! – ela rosnou e fora para cima do homem, enquanto se iniciava um burburinho ainda maior. Porem, antes que alcançasse o rapaz, que a encarava com rispidez nos olhos, Alec a segurou pela cintura.

Ela se debateu um pouco, odiando Alec no mesmo segundo, pois, a única coisa que queria, era voar naquele pescoço.

_ Acalme-se, Alice – Alec ergueu a voz por cima da dela – E quanto a vocês – ele se dirigiu à roda de pessoas chocadas em volta – Já podem se retirar, está tudo resolvido.

Aos poucos, as pessoas começaram a se retirar e, enquanto isso, Alice tentava normalizar a respiração, fazer sua cabeça, e sua traseira, pararem de latejar.

O rapaz já estava montado no enorme cavalo preto, encarando-a de cima, quando ela percebeu.

_ Vou te levar para casa, Srta. Cullen – Alec anunciou, não querendo passar tanta intimidade com ela, na presença de um estúpido estranho.

Alice não escutou, apenas encarou o homem.

_ Ele tem razão – o rapaz disse – È melhor ir para casa. – suas palavras não expressavam o que ele realmente estava pensando. Pouco se importava no que era melhor ou não para ela.

_ È melhor o Sr. ir para o seu vestíbulo, pois seus cabelos pedem socorro – ela retrucou geniosamente.

Porem, o insulto não pareceu desconcertá-lo, uma vez que ele dera um sorriso deveras debochado para ela.

_ Pois os da Srta. não estão muito diferentes dos meus. – disse ele e, em uma manobra difícil de acompanhar com os olhos, ele virou-se com o seu cavalo e pôs-se a correr, em direção ao norte.

Notas finais
E então?????
Espero que tenham gostadoo.
Sejam simpática, por favor, estou desenferrujando agora...
Bjssss
:*