Os Segredos dos Seus Braços

8 As paredes têm olhos e ouvidos.


Notas iniciais
Oláá´!
Hoje estou superrrr animada, por que a fic recebeu outra recomendação!!! Foi a fofíssima day10l que mandou. Nossa, ela sempre elogia tanto as coisas que eu escrevo e é sempre bom saber que ainda a agrada! Obrigada, flor, é uma leitora fiel desde as primeiras fics! dkpskpks

E quanto a esse cap. é o inicio de do rumo da fic. O clima fica tenso, mas depois que o trem desembesta... skapkspaks, tá, nao vou ficar falando aqui.
Espero que gostem do cap!!!!!!!
Boa leitura minhas fofas!

Cap. 08- As paredes têm olhos e ouvidos.

Biloxi, Mississipi

Sala de estar.

_ Sim, é belíssimo o trabalho – ela concordou, segurando sua postura um tanto retraída e armada.

Não sabia o porquê, mas ele não lhe passava confiança.

Talvez apenas pelo fato e deixá-la desconfortável.

_ Creio que já vi a Srta. de outrora – o homem baixo e encoberto por uma obscura barba semicerrou os olhos astutos para ela – Mas receio não poder confiar tão convictamente em minhas memórias gastas – ele sorriu. Porem, Alice presumiu que fora um sorriso apenas cordial.

_ Sou Alice Witlock – ela respondeu convicta pela primeira vez na vida. Não que gostasse daquela condição, mas naquele momento ela deveria passar uma convicção – Sou a esposa de Jasper, como o Sr. deve conhecer.

Algo tocou a expressão de Sr. Black, pois ela se modificou fugazmente.

_ Oh, certamente. Estive em seu belíssimo casamento – ele tremeluziu os lábios em um falso sorriso. Então deu alguns passos em direção à Alice, que sentiu seus músculos retraírem. Suas pesadas botas faziam mais barulho no assoalho do que o normal – Mas creio que já vislumbrei seu delicado rosto de outras primaveras.

Alice sentiu um vento gelado lhe passar por todo o corpo. Os olhos dele não abandonaram seu rosto e suas palavras continham um certo enigma.

_ Sou filha do Sr. Cullen – ela respondeu firmemente, mesmo que por dentro vacilasse horrores. Aquela era uma realidade plausível. Só não conseguia evitar o vacilo com seu marido – Presumo que o conheça, sim?

O Sr. Black lhe encarou, calado, por algum tempo. Alice teve que admitir para si mesma que aquele homem lhe dava certo medo.

_ Claro, o Sr. Cullen. Eu deveria ter me lembrado da Srta...

_ Sra. – ela o corrigiu com uma voz mais dura do que o normal.

_ Que a Sra. era a filha...

_ Sou – ela o cortou novamente e, dessa vez, sentiu a alteração dele.

_ È uma das adoráveis filhas dele – ele continuou, parecendo tentar reprimir uma rispidez – Continue apreciando a madeira, Sra. Cullen – Alice tentou não levar em consideração o fato de ele parecer evitar chamá-la pelo sobrenome de Jasper – Pois, infelizmente, terei que me objetar de sua presença – ele, pegando ela de surpresa, pegou sua mão e lhe beijou o topo. Pelo respeito ao Sr. Witlock e a Jasper e, certamente, a educação tão prezada por sua mãe, ela não puxou a mão de volta – Tenho que falar de negócios, não? Se me der licença.

Alice assentiu, saindo do caminho do corredor para que ele passasse.

Torceu para que ele levasse o pesado clima para longe.

~•~•#•~•~

Alice ficara um bom tempo admirando a paisagem além da enorme janela de madeira.

Para variar.

Quando aceitara o convite de Jasper de almoçar ali com ele e, bom, todos os outros homens que ali estavam, ela não esperava ficar por tanto tempo sozinha. Ele não voltara para lhe dizer qualquer coisa, nem quiçá um mero olá.

Ela bufou, cruzando os braços sobre o peito, irritada por aquela constatação.

Estava sentindo-se um tanto esquecida ali.

_Ah, mais aí está! – Felix Witlock apareceu pomposo, de repente, na sala, sorrindo largamente para Alice quando esta também lhe sorriu – Minha tão encantadora nora!

Alice deixou, pela primeira vez, que o pai de Jasper lhe beijasse a mão. Depois de alguns minutos com Fortunato Black, ela decidiu que o Sr. Felix era um homem muito agradável.

_ È um prazer vê-lo, Sr. Witlock – ela cumprimentou e então diversos outros homens enterrados em ternos e chapéus foram entrando.

Alice não encontrou Jasper ali no meio, mesmo tendo olhado de homem para homem.

_ Mas continua tão polida de educação quanto à semanas atrás – Felix bateu as mãos antes de se virar para seus amigos e sócios – Vejam só que belíssima é a minha nova filha.

_ Filha? – um homem baixo e de cabelos ferrugem indagou, parecendo tentar entender algo. Suas feições confusas eram engraçadas, Alice deduziu – Ela é sua filha, Felix? Achei que apenas tivesse à Jasper.

Nesse momento, Jasper também apareceu na sala e, para o alivio de Alice, que estava sem jeito diante dos olhos de todos estarem sobre si, ele se postou ao seu lado.

O conhecido sorriso deslumbrante.

_ Oh, não, Sr. Clewater – ele esclareceu – Essa é a minha esposa Alice. Perdoe meu pai e seus usuais trocadilhos.

O grupo de homens de variados tamanhos soltaram risadas grasnadas.

_ Tem uma esposa dotada de uma beleza cativante, se me permite comentar, Jasper – todos se voltaram para Fortunato Black, que calou momentaneamente a sala.

Imitando o gesto de Félix, o Sr. Black lhe pegou a mão para encostar os lábios.

Alice se surpreendeu. Ele estava agindo como se não tivesse a encontrado a pouco?

Diante do demorado olhar dele sobre Alice, Jasper passou o braço pelos ombros descobertos pelas mangas caídas dela, com uma atitude que parecia uma mistura de posse, proteção e precaução.

_ Bom – ele pigarreou – Creio que estamos todos famintos, não? – Jasper tentou abafar o clima estranho.

Pareceu dar certo, pois os homens começaram a sorri e a conversarem entre si.

_ Então vamos comer. Degustarão do melhor macarrão que já comeram em décadas! – Félix exclamou altamente, com sua usual voz imponente, enquanto fazia à frente em direção a cozinha.

Jasper deixou que o Sr. Black tomasse certa distancia da sala, antes de seguir o grupo, com Alice ainda sob seu braço.

Quando todos já estavam na sala de jantar, tomando seus lugares em uma barulheira de vozes desigual, alguém apareceu.

_ Desculpem, eu estava com muitos problemas para resolver no banco – Alec tirou o chapéu, sempre marrom demais, enquanto falava.

Alice não disse nada, mas sentiu Jasper enrijecer bem ao seu lado.

_ Não se preocupe, Alec, haverá cadeira até para os atrasados – Félix brincou e todos o acompanharam em uma risada.

Quando o braço de Jasper abandonou os ombros de Alice, esta sentiu-se desconfortável.

Sem razão alguma.

Depois de todos terem se acomodado devidamente em suas cadeiras, as serviçais começaram a servir as comidas e a todo momento elas voltavam para encher as taças com vinho.

_ Pois já fomos parados por três vezes quando voltávamos de Michigan! – Félix disse com uma seriedade forçada uma hora – Aqueles abutres! Acham que mandam em todo o Mississipi.

_ Por que demônios o exército não dá um jeito naqueles assassinos anarquistas? – um dos homens, sentado mais no canto da mesa, esbravejou. Muitos acenaram com a cabeça, concordando.

_ Por que aqueles homens são perigosos, caro Sr. Tolmas – Félix, com um ar sombrio, calou momentaneamente a mesa. O famoso grupo dos Vingancistas do mato, que cometia roubos e assassinatos por toda a região, causava receio até mesmo em serem pronunciados – Eles são cruéis e vingativos.

_Por isso são conhecidos como são? – Alice viu-se indagando, cortando todas as vozes da mesa, incapaz de manter-se calada.

Era malditamente curiosa.

Um silencio pairou sobre o peru e as taças de vinho. Alice pensou que talvez tivesse que ficar calada. Mas não era a mais fácil das tarefas.

Alguém pigarreou.

_ Sim, Alice – Jasper respondeu para ela. Ela sabia o motivo de sua seriedade. Aqueles homens eram, realmente, uma ameaça aos bons costumes e a vida — Os boatos sobre os negócios sujos que eles mantêm em todos os cantos do Mississipi são fortes. Isso e o fato de eles não perdoarem erros ou comportamentos que julgam serem contra suas leis.

Alice estremeceu ligeiramente.

_Oh, sim! – ela exclamou, por um segundo esquecendo-se que estava na mesa rodeada de outras pessoas, e não em sua casa, apenas com seu marido – Soube das noticias daquele homem encontrado morto, lá nas proximidades de Florence. Disseram que devia uma saca inteira de moedas de ouro, pois ele os havia contratado para um roubo.

_ Bom, certamente que não são pessoas de muita boa índole que se metem com esses homens – Félix completou, agora conseguindo receber a atenção de Alice. Ela tinha uma mistura de extrema curiosidade, com toneladas de medo.

_ Acho que esse não é um assunto muito apropriado para se ter à mesa, principalmente na companhia de uma delicada moça como a Sra Witlock – Fortunato interpor-se na conversa, dando uma estremecida nos lábios, tentando esboçar um sorriso simpático.

E pareceu não convencer muito.

_ Não se preocupe quanto a minha condição, Sr. Black, pois não me choco muito menos me perturbo com pouca coisa.

A mesa ficou em um silencio cortante por alguns segundos. Alice não conseguiu sustentar o olhar de Fortunato Black pelo tempo em que gostaria. Virou-se para Jasper, achando seguro.

E quando ele lhe sorriu, ela sentiu algo diferente na beira de seu estomago.

_ Realmente que é uma mulher muito forte e difícil de impressionar, não é? – Alice e Jasper se viraram para Alec, a algumas cadeiras de sua frente. Ele sorria de uma maneira cúmplice para Alice, que ficou um pouco rígida em seu assento – Jamais mudou, é assim desde que éramos crianças.

Alice o encarou, incerta de o que deveria fazer, agora. Sentiu o exato momento em que Jasper fez um barulho muito baixo com a garganta para que qualquer um, menos ela própria, conseguisse escutar. Ela tinha que admitir, não queria dar muita corda à Alec e deixar Jasper chateado consigo.

Ela havia gostado do sorriso que ele lhe dirigira.

_ Pois é... – ela murmurou, esquecendo-se de colocar força em suas palavras.

_ Se conhecem a muito tempo, não? – Sr. Tolmas, não percebendo a invisível linha de tensão que pairava naquela mesa, perguntou.

_ Oh sim, corríamos e brincávamos juntos todos os dias, não é Alice? – Alec sorriu largamente, voltando-se novamente para ela. Alice zangou-se com ele automaticamente, pois Alec parecia estar fazendo de propósito.

_ Oh, eu me lembro! – um dos homens, quem Alice não tinha visto falar coisa alguma ainda, exclamou – Me lembro de vocês crianças, roubando as amoras da propriedade dos Swan! – ele começou a rir, acompanhado de vários outros.

Alice sentiu Jasper respirar pesadamente a todo momento em que Alec abria a boca.

_ Sim, éramos uma grande dupla!

_Sempre achei que se casariam, algum dia – o homem falou sem parar para pensar e, de repente, a mesa foi parando de rir, se dando conta de que algo saira errado. Somente quando alguém pigarreou, notando o olhar de Jasper, foi que o homem ficou vermelho, arregalando levemente os olhos, chocado consigo mesmo – Oh, me desculpe, eu não quis... não quis dizer assim...eu...

_ Está tudo bem, Sr. Hale – Félix Witlock sorriu calorosamente para o amigo, esperando que assim ele fizesse suas pernas pararem de tremer.

O fato de Jasper ser um ex-soldado de exército lhe dava um inevitável respeito.

_ Certamente, Sr. Hale – Fortunato disse brandamente, e Félix não conseguiu evitar um olhar intimidador para o homem – Acredito que todos pensássemos assim – Alice encarou o homem com hostilidade, enquanto ele completava seu pensamento – Porem, ela me parece bem casada, agora, não?

Todos sabiam que ele estava apenas amenizando o clima pesado que se instalara, pois os sentimentos de Fortunado quanto àquele casamento não eram assim tão amenos.

Apenas Alice desconhecia esse fato.

_ Sim, ela está – Jasper se pronunciou depois de todo esse tempo, sua voz mais rouca do que o normal. Transbordava uma raiva contida, que apenas Félix, Alec, Fortunato e, agora, Alice, sabiam existir – Ela tem à mim, agora – Alice pensou ter sentido um aviso incrustado naquelas palavras de Jasper.

Ela não esperava o próximo movimento de Jasper. Ele depositara sua mão, grande e quente, em sua nuca, acariciando sua pele clara com uma delicadeza irreal, fazendo-a esquecer qualquer coisa que estivesse rondando seus pensamentos, naquele momento.

_ Bom, por que não terminamos nosso exuberante e delicioso almoço e vamos para a sala de reuniões, hum? – Félix cortou a todos, sua voz amigável escondia a autoridade que ele colocou ali.

Jasper não relaxou, inclusive durante a sobremesa. Ele estava realmente incomodado com a presença dos Black. Alice não conseguia parar de pensar em diversos motivos para aquele sentimento.

Mas logo um pensamento levou a outro e ela se viu sentindo as mesmas sensações que sentira no momento em que ele a tocara. Alice pensou se, talvez, ele colocaria sua mão em sua nuca em outro momento. Um que ele não quisesse provocar alguns de seus convidados.

_

O almoço terminara e os homens se encaminhavam, conversando alto uns com os outros, em direção à uma sala mais afastada.

_Alice, você terá que ficar aqui – Jasper lhe disse com sua voz austera. Mas quando ele parou, olhando-a por alguns segundos, ela percebeu que ele queria falar algo.

_ O que foi, Jasper?

Ele fez uma careta, remexendo em seu colete cinza.

_ Sinto muito pelo almoço. Não era para ser desagradável, era para ter sido prazeroso – ele se desculpou, obrigando a si mesmo a olhar para ela. Não gostava muito de fazer aquilo – Mas agora eu preferia que tivesse almoçado só, em nossa casa, ao invés de ter tido essas companhias – ele murmurou ríspido.

Porem, contrariando o que ele estava presumindo, Alice riu.

­_ Oras, Jasper, de onde tirou essa idéia absurda? – ela perguntou retoricamente. Jasper odiava a fato de não conseguir prever o que vinha de Alice – Pois saiba que eu achei muito divertido.

Jasper deu um curto sorriso, mas não parecia que estava satisfeito.

_ Bom, vai ter de ficar por aqui, pois temos algumas coisas para conversar, lá dentro.

Alice suspirou.

_ Se me deixar entrar junto, eu prometo que respiro o mais silenciosamente que eu possa! – ela pediu, não querendo ter que ficar ali sozinha outra vez.

Jasper semicerrou os olhos diante daquela idéia. Alice em um mesmo ambiente que ele quando ele necessitava de concentração...

_ Não, Alice – disse categoricamente, deixando bem claro para Alice e sua insistência que ele não cederia – São apenas negócios. Prefiro você aqui.

Alice revirou os olhos, cruzando os braços sobre o peito.

“Grande estúpido”, ela pensou rancorosa.

_ Bem, sigam-me, por favor – O Sr. Witlock chamou da porta da sala de estar.

Jasper lhe deu um aceno distante para o pai e voltou-se para Alice. Era invisível a força que estava mantendo seus pés parados ali, na frente dela, como se não quisessem realmente ir.

_ Bom... então eu vou – ele limpou a garganta enquanto a encarava. Alice assentiu e mordeu o lábio, como se esperasse que ele fizesse algo.

Jasper sorriu para alguns dos homens que ainda estavam ali na sala. Mas o olhar que ela lhe dera o fez pensar em seus atos. Alice parecia em uma espécie de expectativa muda.

Foi com vagarosidade que ele colocou sua mão em sua nuca, percebendo como ela tinha um pescoço esguio, completamente em harmonia com o resto de seu corpo. E foi então que ele a aproximou de si, encostando seus lábios em sua bochecha macia. Alice trancou a respiração no nariz enquanto fechava rapidamente os olhos.

Jasper demorou em sua bochecha mais do deveria, se segurando para que sua boca não se perdesse em outros rumos de seu rosto.

Iria beijá-la. E não seria tão sob controle como ele sempre agia.

Alice sentiu sua bochecha esquentar, passando para todo o rosto, descendo por seu corpo, parando na ponta de seus dedos gélidos.

Sua mente gritava para que ele a desse um pouco mais das sensações que aquele leve encostar em sua bochecha prometia.

_ Jasper, meu filho, eu entendo que preferiria ficar aqui admirando sua belíssima esposa – Félix apareceu na sala, a voz gutural bem humorada. Os dois se separaram de imediato, como se tivessem concentrados demais no que estavam fazendo. Alice corou – Mas precisamos ir para a reunião. Tenho certeza que Alice entenderá – ele sorriu para uma Alice um tanto fora do ar.

_ Tudo bem, meu pai – Jasper limpou a garganta outra vez. Ainda não queria ir – Então... fique aqui na sala, Alice – ele disse, não conseguindo deixar aqueles belíssimos olhos castanhos. Alice assentiu mecanicamente – Logo terminará.

Alice ainda esperou alguns instantes que ele se aproximasse outra vez e, talvez, lhe desse outro beijo na bochecha. Mas Jasper virou-se e foi para a sala de reunião, parecendo um pouco contrariado.

O café estava, definitivamente, fazendo-o pegar aborrecimento.

Aos poucos, ela foi ficando sozinha na enorme sala de estar. Era como estar em sua casa, só que sem o cheiro de café fresco que impregnava cada madeira naquela propriedade.

Depois que o silencio tomou conta do ambiente, Alice contou os minutos que se passavam, desejando poder ir embora logo.

Porém, faltavam boas horas para isso, e não seriam passadas rapidamente se ela ficasse ali, olhando para os quadros das paredes.

Ela começou a caminhar pelo corredor, pensando que poderia visitar todos os cantos daquela casa e preencher as suas horas ociosas.

Mas o que ela pensava que estaria silencioso, escondia algumas vozes em algum lugar próximo. Alice enrugou a testa, se aproximando sorrateiramente de uma porta. Escutava uma voz de homem, grave e ríspida, conversando com alguém.

“Mas que diabo...”, ela pensou, pisando o mais levemente que conseguia, sentindo o coração dar pontadas bruscas no peito, o medo de ser pega em flagrante quase a parando.

_ Pois execute a minha ordem do exato modo em que eu lhe ordenei! – ela aproximou os ouvidos da parede, sabendo que conhecia aquela voz – Ele sabia exatamente o que o esperava, se me contrariasse! – a voz rosnou outra vez, parecendo realmente zangada.

_ Ele pediu um tempo, Sr. – uma segunda voz, mais baixa e amedrontada acompanhou a primeira – Disse que está correndo atrás do prejuízo.

_ Não me interessa! – ele esbravejou ameaçadoramente. Aquele timbre....Alice o conhecia, tinha absoluta certeza disso – Não sou um homem de quem ele vai esquecer tão facilmente – Alice, com muita dificuldade, o escutou murmurar.

_ Mas Sr. Black....

Alice se sobressaltou um pouco, sabendo que aquela maneira de falar só poderia ser de Fortunato Black, mesmo.

_ Não me interessa, seu merda! – ele xingou, pegando Alice de surpresa. Não era acostumada a escutar palavras daquelas – Apenas faça.

_ Tudo bem – o homem disse – Mas precisamos ser cautelosos. O Sr. Cullen é um importante negociador nessa cidade.

Alice congelou em seu lugar ao escutar o nome de seu pai naquela conversa esquisita.

“Papai...”

_Agora vá embora, eu ainda tenho uma reunião importante – Fortunato ordenou para o segundo homem com rispidez.

Alice escutou alguns passos aproximando-se da porta onde ela estava, mas ela estava petrificada demais para conseguir sair dali.

O que diabos seu pai teria a ver com aquele homem?

Ela nunca havia escutado seu pai falar de algum negócio com ele.

_ Entramos em contato, Sr. Black – o homem disse, agora perto o suficiente para estar com a mão na maçaneta.

Com um frio na barriga congelante, Alice se pôs de volta pelo corredor na ponta dos pés, a fim de não fazer a madeira ranger. Tinha que sair dali antes que os dois saíssem da sala em que estavam e a vissem ali. Ela não sabia se eles tinham algo para esconder, porém Fortunato Black era a ultima pessoa no mundo de quem ela gostaria de estar sob a mira.

Mas quando faltavam boas passadas de pernas para chegar a curva do corredor, ela pisou em falso, fazendo a antiga madeira ranger dolorosamente.

“Cristo...” ela sussurrou, em pânico, quando todos os barulhos da saleta onde eles estavam cessaram, de repente.

Alice perdeu o ar, desesperando-se quando a maçaneta girou, e a dobradiça da porta indicou que ela fora aberta.

Fortunato Black tirou rudemente o homem da porta, a fim de tomar a frente. Porem, quando se colocou corredor à fora, o mesmo estava deserto, exceto pela pequena janela do fim dele que batia levemente por conta a brisa suave que atravessava a fazenda.

Ele enrugou a testa, os traços ríspidos.

_ Mexa-se – ele ordenou baixo para o homem, dando uma última olhada por todo o corredor, desconfiado do silêncio.

Mas por fim, se virou e sumiu em uma curva, indo em direção á sala onde todos estavam reunidos. O outro homem fez um barulho estranho com a garganta, antes de seus passos, bem menos duros do que do Sr. Black, se distanciarem para a saída mais próxima.

Alice soltou a respiração, fechando os olhos e depositando a mão na testa levemente molhada de suor. Estava escorada em uma porta, dentro de uma pequena e escura sala. Entrara dentro da biblioteca, a primeira porta que encontrou, antes que fosse tarde demais.

Agora que conseguia respirara decentemente, ela obrigou sua mente a trabalhar, tentando entender como seu pai fora parar em uma conversa de Fortunato Black.

~•~•#•~•~

_ Bom, temos muitos pés plantados por toda a propriedade – Jasper disse para Sr. Tolmas, seu tom mais sério e profissional do que sempre.

_ E a propriedade é enorme, caro amigo – Felix completou, logo atrás do filho.

_ Oh, sim, e são belíssimos os pés! – o Sr. Hale exclamou, remexendo em seu chapéu – Tem idéia de quantas sacas, mais ou menos, Jasper?

_ Ah, são... – Jasper fora interrompido pela porta se abrindo, fazendo o barulho de sempre. Sr. Black entrou com sua usual pomposidade.

O homem fez um aceno com o chapéu para Jasper, que lhe retribuiu apenas um aceno de cabeça.

Porem, quando ele iria recomeçar a falar, Alec se pronunciou de antemão.

_ Bom, creio que minha presença não seja mais tão necessária já que o Sr. meu pai já está presente aqui, não é mesmo? – ele sorriu amigavelmente, rodando o pescoço para todos os homens da sala. Recebeu um aceno e um curto sorriso de todos, porém, Jasper semicerrou os olhos para Alec, temendo que seus pensamentos não fossem apenas absurdos.

_ Pode se retirar, se assim desejar, meu filho – Fortunato lhe incentivou, pegando um charuto do bolso e o acendendo, parecendo que não sabia se falava com fulano ou não.

_ Sim – Alec sorriu mais uma vez, e então se virou rapidamente para Jasper, seus olhos sorriam com malicia – Vou esperar lá na sala de estar.

Jasper sentiu um rosnado fraco ficar preso em sua garganta e suas mãos se fecharem discretamente. Alec iria sair daquela sala apenas para ficar com Alice na sala de estar.

Durante toda a reunião.

Alec era um aproveitador inescrupuloso e Jasper sabia bem disso. E, dessa vez, ele não poderia fazer nada.

_ Uma proveitosa reunião para vocês – ele disse antes de se dirigir para a porta. Jasper não desviou o olhar dele enquanto tentava manter a respiração normal.

Ele o estava provocando.

Quando a porta se fechou, encobrindo o sorriso presunçoso de Alec Black, Jasper teve que se segurar muito bem em seu devido lugar para não ir até Alice e trazê-la ali para dentro, como um primitivo instinto de proteção e possessão.

Porem, quando se deu conta daquilo, ele espantou os pensamentos para longe, lembrando-se que tinha que manejar uma tediosa reunião sobre café.

_

Alec caminhou calmamente em direção à sala de estar. Tinha certas coisas para conversar com Alice, e essas não incluíam a companhia de seu até então marido. Não que Jasper o intimidasse, mas era por motivos de precaução.

Porém, quando chegou até a sala de estar, esta jazia vazia. Alec entortou a boca em uma careta, pensando se ela havia ido embora.

Seria muito falta de sorte.

Foi então que avistou uma das serviçais, espanando lustres a uma distancia mediana dele.

_ Hey, você – ele chamou petulantemente a mulher. Empinou seu nariz e seu chapéu marrom quando se aproximou dela.

_ È Ângela, Sr. – ela respondeu com uma voz seca. Ela era outras das simpatizantes de Alec.

_ Que seja – ele revirou os olhos, remexendo as mãos impacientemente. Pouco se importava se ela tinha nome ou não – Você viu a mulher que estava aqui antes? – perguntou. Quando a mulher franziu o cenho, ele percebeu que ela não veria muita coisa apenas com aquela dica. Ele suspirou – Ela é baixa, branca, está usando um xale rosa e ...é muito bonita – ele disse baixo, olhando discretamente para os lados, para o caso de Jasper estar vindo.

_ Sei quem é sim, Sr – ela respondeu indiferentemente, voltando à espanar seus lustres – È a esposa do Sr. Witlock – disse, seu tom de voz claro, como se ela quisesse lembrar aquele homem daquele fato – Mas ela não está aqui não. Está lá na biblioteca, se eu bem me lembro. Estava lá, quando eu fui limpar. Estava um tanto pensativa e ... Sr?

Alec andou a passos determinados em direção à biblioteca. Podia sentir o cheiro de Alice bem fracamente naqueles corredores.

Deu três batidas baixas na porta aberta, apenas para avisá-la de sua presença. Alice se virou para ele, parecendo um pouco assustada.

_ Oh, Alec, é você – ela sorriu tremulamente, passando as mãos pelos cabelos negros.

_ Sim, sou eu – ele disse entrando biblioteca adentro – Você está bem? Parece meio pálida.

Alice pareceu sem jeito diante daquela constatação e desviou o rosto de Alec. Ela deveria relaxar e não deixar aquele fato lhe tirar o sono. Era só perguntar à seu pai.

Ou a Jasper, ela se lembrou de repente. Jasper sabia de muita coisa para poder dividir com ela.

_ Jasper ainda está em reunião? – ela perguntou apressadamente para Alec, pouco se dando conta do desagrado dele ao escutar aquilo.

E pouco se importando.

_ Sim, ele está – ele respondeu rispidamente. Mas logo Alice o viu relaxar outra vez, um sorriso diferente aparecendo em seu rosto – Por que nós não conversamos um pouco, humm? – ele sugeriu. No canto da biblioteca havia uma garrafa de vinho, da qual ele se serviu de uma pequena dose — E então, minha cara, como anda a vida? – Alec lhe perguntou em um tom forçadamente casual, enquanto bebia de seu vinho.

Alice se incomodou com sua pergunta. Parecia saber onde Alec queria chegar, porém ela se recusava a deixá-lo ir.

_ Estou bem – ela respondeu apenas.

O viu rir sem humor algum pouco à sua frente.

_ Oras, vamos, Alice – ele a contradisse, um pouco impaciente – Você não está bem.

_ E por que diz isto? – ela indagou franzindo a testa para parecer mais confusa.

_ Por que foi obrigada a fazer algo de que não queria – ele disse simplesmente e aquela verdade pousou em Alice outra vez. Por dias, ela havia se esquecido daquele pensamento e da mágoa que deveria estar preenchendo seu peito, agora – È isso ou se perderam seus princípios de infância.

_ Não, não perdi meus princípios – ela respondeu com uma inédita dureza na voz. Do mesmo modo que não gostava de ser obrigada à fazer certas coisas, igualmente odiava a pretensão de alguém de dizer o que ela pensava – Apenas modifiquei-os em alguns pontos, pois como vê, não sou mais uma criança.

Alec a encarou, os olhos semicerrados por algum tempo.

_ Sei que sua vida deve ser intragável – ele insistiu. Alice bufou, pronta para abrir a boca e dizer novamente, porém Alec não lhe deu margem para isso – Sei o que você realmente queria – ele afirmou.

_ Não, não sabe.

_

_ Bom, podemos verificar isso, certamente – Jasper respondeu a pergunta de um dos homens sem realmente prestar muita atenção. Olhava sempre para a porta, esperando alguém entrar por ela. A sua concentração havia saído pela porta junto com Alec.

Dentro de sua cabeça parecia haver uma briga violenta de pensamentos e interesses.

E nenhum dos dois se remetia àquela reunião.

Por um momento, pensou mesmo em sair dalí.

Porém, não sabia qual era a razão para esse desejo.

_ Não é, Jasper? – Jasper se virou para seu pai quando ouvira seu nome. Quando seus olhares se cruzaram, Jasper soube exatamente que se pai estava ciente de sua repentina agonia.

Se conheciam bem suficientemente para isso.

_ Sim, meu pai?

_ Vá no meu escritório pegar as contagens certas naqueles belíssimos papéis decorados, sim? – ele pediu casualmente.

Jasper apenas assentiu, não dando tempo para delongas.

Ele chegou à sala com uma expressão não muito amigável. Não tinha gostado muito da idéia de Alice conversando a sós com outro homem.

Ainda mais sendo quem era.

Convenceu a si mesmo que era pelo simples fato de não ser muito educado e muito menos bem visto.

Porém, quando chegou à sala, a boca pronta para ser duro o bastante com Alec, não encontrou ninguém. Deu um suspiro pesado, não gostando daquilo.

Andou pelo imenso e rangido corredor de madeiras, disposto à procurar até no armário de vassouras.

Mas foi então que escutou vozes vindas da biblioteca. Tentou deixar seus passos menos duros e pesados, a fim de escutar a conversa sem que sua presença fosse notada.

A irritante voz de Alec podia ser ouvida por ele naturalmente, pois ele reconhecia as coisas que o irritavam de imediato. Mas ele precisou se concentrar um pouco mais para conseguir escutar o tão suave e natural timbre de Alice, coisa que apenas nessa circunstancia ele fez idéia.

Só agora, quando precisava de esforço para ouvi-la, ele percebeu que a voz dela não tinha nada a ver com a realidade que ele tinha criado dela em sua cabeça. Rude estridente e perturbadora.

Diante daquilo, ele se achou um idiota presunçoso.

Se encostou na parede, detestando a dependência que estava tendo de saber o por que Alice gostava tanto de Alec.

E por que sempre que pensava isso, sua antipatia por aquele homem aumentava.

Empurrando suas perturbações de lado, ele se concentrou na conversa. Sabia que o que estava fazendo era vergonhoso e mal-educado, contudo ele não conseguiu parar.

A porta da biblioteca encontrava-se entreaberta, salva por uma pequena brecha. Incapaz de sair dali, Jasper se projetou frente àquela brecha, conseguindo ver as duas pessoas que estavam ali dentro com apenas um de seus olhos verdes.

_Alice – Alec disse como se o que Alice falasse não o convencia – Não era isso que você queria.

_Alec, pare com essa mania de achar que sabe o que eu estou pensando – Alice lhe lançou um olhar irritadiço, daqueles que Jasper reconheceu como sendo dele.

_Oras, minha cara – ele deu um sorriso de pura zombaria – È só lembrar do primeiro encontro de vocês. Ele é um grosseiro. Da mais terrível categoria, se me permite acrescentar.

Alice o olhou como se o comentário de Alec a tivesse desagradado um tanto. Quer dizer, vindo dela mesma, aquilo parecia natural de se dizer. Porém, vindo de Alec, era desconfortável. Ainda mais depois das gentilezas de Jasper com ela, naquele dia.

Como aquele sorriso que ele lhe dera.

_ Bem, meu marido tem suas peculiaridades – ela lhe respondeu, tentando transparecer confiança – Ele é apenas difícil... difícil, ás vezes, de se lidar, apenas isso – ela não quis olhar diretamente para Alec ao dizer aquilo. Definitivamente, queria encerrar aquele assunto.

_ Ah, não seja tão educada como você sempre é, minha querida – disse Alec e, sem parar de encará-la, deu dois passos em sua direção – Você o odeia, lembra?

Os dois, tanto Alice como Jasper, pararam ao escutar aquilo. Jasper se encostou ainda mais à brecha, esperando pela continuação dela. Ficou instigada à saber o que ela achava dele.

Alice desviou o olhar do amigo para se sentir mais a vontade. Sabia daquela realidade a muito, porém ouvi-la de alguém de fora parecia muito cru. Sentiu um arder na boca do estômago ao se lembrar daquilo.

Jasper a odiava, apesar de tudo.

“Idiota”, ela pensou amarga, dando as costas à Alec, remexendo em seus dedos.

A única coisa que tinha a fazer era odiá-lo, também.

_ Bom... – ela disse baixinho, como se nem mesmo ela quisesse escutá-la — ...é, eu o odeio.

Aquelas palavras tiveram impactos muito diferentes nos dois homens que as esperavam.

_È, eu sei – disse Alec, como sem sentisse muito por aquele fato – Você deveria estar casada comigo, minha cara. Não concorda? – ele lhe tocou o ombro descoberto, fazendo-a assustar-se.

Por muito pouco, Jasper não entra dentro daquela biblioteca e quebra-lhe a mão imunda. A única coisa que o impediu fora o passo para o lado que ela dera.

_Concordo que aconteceu o que tinha que acontecer – ela murmurou, ponderando – Minha mãe gosta dele, então...

_Mas você não – ele emendou rapidamente, cortando-a – Você está infeliz. Eu posso ver isso.

Alice respirou fundo uma vez, admitindo que estava bem visível seu estado bem diferente do normal de antigamente.

_Eu vou ficar bem – ela lhe garantiu, tentando enganar à ambos. Ficar bem não era algo de que ela pudesse garantir. Haviam muitas coisas em sua cabeça, agora, deixando-a perturbada.

E seu casamento não era a parte mais feliz de tudo aquilo.

Talvez, sua relação com Jasper jamais fosse algo melhor.

_ Oras, olhe para você, Alice! – ele apontou para ela um tanto impaciente. A viu retroceder milimetricamente – Parece doente! Por Deus, este casamento a deixa doente! Jasper a deixa doente!

Jasper congelou em seu lugar ao escutar aquilo, jogado em sua cara de maneira tão indireta e tão bruta.

Então era isso.

Ele a deixava... doente?

Aquilo lhe descer amargamente, quebrando suas estruturas. Não queria mesmo admitir que a convivência com ele a mudara.

E não parecia para algo de bom.

Mas ele não teve muito tempo de martírio nem de divagações. Alec andou até parar frente à Alice, perfurando-a com um olhar que ele não reconhecera.

_ Você não faz a mínima idéia, minha bela, do quanto esse seu casamento me roubou noites – Alec abaixava o tom gradativamente, cantando para uma Alice estática. Ela não tinha noção do que esperar das palavras de Alec e aquilo a deixava apreensiva.

_ Alec, eu não...

_ Oh, Alice – ele depositou levemente dois dedos sobre os lábios dela, fazendo com esse gesto que ela parasse de falar – Você perturba tanto meus pensamentos. Perturba por todos esses anos que nos perseguem – ele murmurou.

Alice umedeceu os lábios, sua respiração saindo gradativamente da normalidade. Ele passou preguiçosamente os dedos pelas bochechas coradas dela, cada vez se aproximando mais de seu campo vital.

_ Alec, acho melhor irmos para a sala. Não é bom ficarmos a sós aqui – ela tentou dizer aquilo com a maior normalidade que conseguia. Porem, a aproximação de Alec a deixara nervosa. Agora, podia ter uma idéia do que ele pretendia e sabia que aquilo era bem errado.

Porem, gostava das sensações que aquele ato lhe proporcionava.

Isso, por que tinha em suas memórias o dia em que Jasper o fizera naquele altar...

_ Não, não diga nada – ele pediu, a voz mole. Quando Alice sentiu seu nariz tocando no seu próprio, ela arquejou assustada, agora – Oh, Alice, desde quando éramos crianças eu penso em torná-la minha.

Alice mordeu o lábio, agora sua cabeça sendo apossada por uma vontade de colocar uma distância entre os dois, sair dali e esquecer aquela cena.

_Não sou um objeto que possa ser seu, Alecela o contradisse com a voz baixa. Alec fechou tremulamente seus olhos, dando um sorriso fraco.

_ Minha esposa, eu quero dizer – ele emendou e, mesmo que pudesse, Alice não estava se sentindo melhor. Mas quando ele chegara com sua mão em sua nuca, no emaranhado de cabelos dali, ela vira que aquilo aconteceria e seria tarde demais para impedir qualquer coisa – Não, Alice, sei que você quer a isso – ele murmurou rente á sua boca, parecendo ler seus pensamentos — Pois aposto como ele não a toca desse jeito, não é? – quando ele disse isso, Alice estremeceu. Não, Jasper nunca a tocava daquela maneira, nunca gostaria. E por míseros segundos ela se perguntou se era exatamente isso que a deixava magoadaEu a amo, Alice...

Alice trancou sua respiração automaticamente diante de suas palavras. Sempre quisera escutar algo como aquilo, como lia em todos os seus livros. Mas os sentimentos descritos em todos eles eram um tanto diferentes dos que ela estava sentindo naquele momento.

Mas ela não teve tempo de pensar sobre aquilo. Alec fizera algo que paralisara os dois. Ele encostara seus lábios nos trêmulos lábios dela, arrancando de Alice um suspiro.

Um suspiro de surpresa.

Jasper pouco acreditou no que seus olhos vislumbravam. Poderia ser fruto de sua imaginação ou ele realmente a estava beijando?

Ele escutou ruídos na respiração vindos dele próprio. Uma vibração passou por todos os seus músculos, parando em suas mãos, que se fecharam em punhos. A cena estava clara diante de seus olhos.

Alec a havia beijado.

Com um autocontrole que Jasper não sabia explicar da onde vinha, ele não se viu entrando ali dentro e acabando com aquilo. Pegando Alec e descontando nele aqueles sentimentos estranhos e fortes que ele o fizera sentir.

Como Alice poderia ter deixado ser beijada por outro homem? Não que eles tivessem laços que marido e mulher deveriam ter, mas...

Não, Jasper não poderia explicar sua raiva. Ela deixaria qualquer um beijá-la.

Menos ele, seu marido.

Até mesmo Alec arrancara de Alice certas sensações. Sensações que ele, Jasper, jamais conseguiria. Jasper apenas manteve-se em seu lugar quando escutou novamente a voz dela.

_ Alec, não... – ela desencostou seus lábios do dele, abaixando a cabeça em seguida. Aquilo era tudo estranho demais. Não sabia por que a imagem de Jasper adentrara em sua cabeça naquele exato momento. Talvez pelo simples fato de ele, apesar de tudo, ser o seu marido, e ali, ela estar desrespeitando os votos sagrados de um matrimônio.

Mesmo que fosse um matrimônio desprovido do maior voto. Amor.

Ela não entendeu o sentimento que preencheu seu peito, deixando-o pesado demais. Sentiu uma necessidade de ar, de estar fora do círculo dos braços de Alec.

_ Isso não é certo – ela murmurou, sentindo os olhos ficarem meio turvos. Estava realmente se sentindo esquisita – Sou uma mulher casada. Não sou mais a menina que arrancava amoras com você.

Alec pareceu não ter gostado muito das palavras dela. Mas guardou sua hostilidade muito bem, aos olhos de Alice.

_ Mas podemos ser outra vez... – o tom dele estava demasiado baixo, quase impedindo Jasper de escutar qualquer coisa.

Porem, o mesmo estava tão congelado em seu lugar, tão desligado e fora de si que não sabia mais o que escutava, o que pensava e o que era uma coisa e outra.

_ Não, não podemos – ela sussurrou, distanciando-se dele.

Jasper preferiu não escutar mais nada. Aquele beijo descera amargamente por sua garganta, fazendo uma amargura tomar conta de seus desejos e gostos.

Estava perplexo demais.

Assim, ele saiu daquela brecha, levando consigo a passos ainda mais pesados do que os de antes, uma mágoa desconhecida. Uma raiva apavorante aos olhos de outros.

Notas finais
E entao?????
Gente, as coisas nao sao sempre as mil maravilhas entre eles, até por que eles se odiavam a alguns meses a tras. Entao, esperem mais pouco que eles se entendem de vez! Apesar de que é apenas ASSIM que eles vao se entender, brigando agora.
Mas, agora, o que será que o Sr. Black tem a ver com o pai da Alice? hmmm...skapksaps
Eu só quero dizer que eu vou responder todas os reviwes do ultimo cap. entre hj e amanhã, viu? TODOS.
Bem, espero que tenham gostado. COnhecendo as minhas fofissimas leitoras, eu acho que vcs vao gostar dos proximos caps, eu estou sendo bem generosa com os beijos deles e...droga, eu nao devia ter falado isso...