Os Secretários
43 Capítulo 43
Notas iniciais
Não sinto nenhuma dor no corpo.
Abro os olhos e vejo uma imagem minha, sendo distorcida até que ela some e vira o Mike, que cai no chão com uma manhca de sangue no peito. Vejo Candice com os cabelos nos olhos, suor na testa, olhar de raiva e a arma apontada para Mike.
- Não! — grito vendo Mike ficar com o olhar morto. Olly vem em minha direção e segura meu braço.
Candice cai de joelhos no chão, encarando a morte de Mike.
- Não! — grito balançando meu braço. — Me solta! — Ele segura meus punhos. Bato-os contra seu peito. — Me solta seu mentiroso! Seja um pouco conveniente e não deixe-o morrer.
- Nada mais pode salvá-lo. — Ele segura meus punhos com mais força. — Vamos.
Ele me puxa para um corredor branco que chega á queimar os olhos.
Me sacudo mais uma vez, encarando-o. Lanço meu punho fechado contra seu rosto, mas ele segura meu pulso e encara meus olhos.
- Acha que um soco vai me impedir de ficar com você?
Nego com a cabeça.
- Suas mentiras já fazem isso. — digo e volto para o lugar onde Mike deve estar dando seus últimos suspiros.
Ele segura novamente meu braço, mas desta vez não para me prender.
— Eu não menti.
Começo a rir e olho bem para sua cara.
- Depois de tudo o que você falou lá? É Oliver. Ou Caleb. Você não mentiu para mim.
Começo a andar novamente e embora ele não esteja segurando meu braço, seu suspiro me faz parar e encará-lo.
- Eu não menti. — repete ele. — Quer que eu explique? Se sim, quero que venha comigo. Não vai conseguir salvar Mike e vai saber porque. — Continuo encarando-o. — Por favor. Se eu estiver mentindo de novo, eu me deito no chão e você pode pisar em mim e me socar o quanto quiser.
Suspiro e mesmo sabendo que pode marcar minha morte, ando até ele, mantendo uma distância razoável.
- Pode começar. — digo encarando o corredor branco.
- Bem, primeiro, sou o Caleb e o Olly de sempre. Eu não menti para você. Quando éramos menores, achei mesmo que meus pais haviam morrido. Bem, foi o que você viu Andy. Nada mudou. — Ele suspira e me encara. — Segundo. Diana morreu.
- Eu já... Imaginava isso.
- Pois é. Ela era diabética e como foi sequestrada, não conseguiu levar o remédio.
- Ela morreu por falta de insulina? — pergunto parando de andar.
Ele concorda com a cabeça.
- Mike não queria mais viver sem ela e disse que faria de tudo para nos salvar. Eu juro que não sabia que ele viraria você e se mataria daquele jeito. Mas ele conhecia a Candice e sabia que ela ficaria louca com uma coisa dessas. Ele só disse para que eu dissesse que estive mentindo o tempo tudo. Candice é completamente maluca. Ela acredita em todas as vezes que alguém diz estar do lado dela. — Ele dá de ombros. — E então aconteceu o que você acabou de ver.
- Tá. — digo encarando seus olhos amarelos. — Então você sabia que eu ia sumir?
Ele nega com a cabeça.
- Mas Mike disse que quando acontecesse, o que era óbvio porque...
- Eu já sei porque.
Ele suspira e ri.
- Era para eu dizer isso então confiei. E deu certo.
- Tão certo que estamos neste lugar. — murmuro. Ele ri. — Aonde vamos.
- Para casa. — diz ele puxando meu braço para que dobremos o corredor. O branco começa a se tornar cinza e começa a ficar mais escuro até que o ambiente se torna preto. Chão, teto, paredes.
Caleb tateia a parede até bater em uma maçaneta. Ele abre uma porta que ilumina o lugar e mostra um outro lugar totalmente branco.
Quero dizer, as luzes não estão apagadas, mas o ambiente é preto e uma porta acabou de se abrir para a claridade.
- Vai você primeiro. — diz ele com a mão na maçaneta dourada.
O encaro e ele ri.
- Foi o pior erro da minha vida mentir para você.
Ele passa pela porta e depois eu passo por ela.
Vejo a claridade, o campo verde, as casas de madeira, prédios cinzas e velhos e sinto o cheiro de grama.
Estamos de volta á Greeneland.
O encaro e ele sorri.
- Acredita em mim agora? — pergunta ele.
Seguro a gola de sua camisa branca e pressiono seus lábios contra os meus. Ele segura meu pescoço e caímos na grama verde e úmida.
Ele começa a rir.
- Estamos de volta! — grito suspirando e rolando pela grama até parar no tórax de Olly. Ele sorri e eu o encaro. — Eu te amo.
Ele sorri e concorda com a cabeça.
- Eu também te amo. — diz ele me puxando para cima dele, beijando minha boca. — Aliás. — Ele me afasta. — Não se esqueça de que você é a Brianna.
- Mas vamos para casa. — digo.
- Seu pai não pode saber. — diz ele acariciando meu rosto. — Olha, você é a Brianna. Você não sabe sobre a Andy. Aliás, ela morreu. Está desaparecida. Você não sabe sobre ela. Ok?
Concordo com a cabeça, mesmo triste com isso.
É meu pai e meu irmão. Terei que mentir para eles?
É, me parece que sim.
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