Os Puros Ares de Sinnoh
6 6- Tomando Rumo
Notas iniciais
Eu acordei horas depois, em uma cama que a enfermeira me arranjara. Aquilo tudo era muito estranho. Tentei levantar-me, mas notei que meu pé estava enfaixado. Eu devia tê-lo trincado, depois de chutar os Carvanha. Foi bem idiota da minha parte, chutar um Pokémon cuja possível habilidade era Rough Skin. Notei duas muletas a cabeceira da cama, então peguei elas e usei para e levantar. Meu pé doía, mas dava pra eu ir devagar. Fui para onde a enfermeira tinha internado Blu e Flame. Pareciam estar estáveis, apenas dormindo. Mas ainda tinham ferimentos, o que me provava novamente que nem tudo tinha sido um sonho.
Resolvi ir para a cozinha, para tirar a limpo. Quando abri a porta, tudo o que estava comigo hora que acordei estava lá. O pão, o leite e o doce. Intactos. Coloquei um pouco de leite no copo, cortei uma fatia de pão e passei o doce. Levei a boca. Não adiantava eu tentar negar. Ninguém mais no mundo colocava Life Herb no meio da massa. O leite também era como o que minha avó sempre fez: com mel e uma pitada de Oran Berry.
Era normal que depois de tanta medicina natural, eu já não sentisse dor nenhuma no meu pé. Então eu o desenfaixei, guardei as muletas, e fui ver se a enfermeira precisava de alguma coisa. Ela se assustou quando me viu andando sem as muletas, mas depois de examinar, decidiu que meu pé já estava bom.
–Fico muito feliz de que seu pé já esteja bem, mas acho que você deve descansar, querido. Quando eu tiver mais tempo, pode me contar o que aconteceu com vocês- disse a gentil enfermeira.
–Agradeço a preocupação, mas a melhor coisa que eu faço é me movimentar bastante, e assim eu me recupero. E não gosto de ficar com dívidas. Se você me ajudou, eu me sinto na obrigação de retribuir. –digo um pouco encabulado.
Claro que ela deve ter ficado sem jeito. Ela trabalhava lá havia anos e eu era só um moleque de 15 anos que não tinha experiência. Ao menos era o que ela devia pensar, pois engasgou pra falar e acabou por pedir para que eu colhesse umas berries, pois ela estava sem tempo e a Chansey também. Eu posso não ter tanta experiência, mas entendo um pouco de medicia natural. A minha bisavó sempre fez benzimentos e remédios naturais.
–Os Pokémon precisam de que berries?- perguntei educadamente
–Cheri, Oran e Pecha. Eu preciso misturar com algumas sustâncias para fazer remédios- disse ela.
Avisei que voltaria logo. Peguei um saco e escondi dentro um pequeno pilão e alguns frascos. Lembrei-me de quando eu era pequeno, no rancho. Os Pokémon ficavam doentes, e minha bisavó nunca deixou que déssemos remédios. Ela moía as berries, amassava e, dependendo do caso, ou ela esoalhava pela ferida, ou dava para os Pokémon beberem. Foi o que eu fiz. Peguei várias das que a enfermeira me indicou, peguei o pilão e comecei a amassá-las. Algumas sozinhas, outras eu misturava. E sempre eu colocava uma pitadinha de terra com gotas de orvalho. A “bisa” dizia que “batizava” o remédio.
Logo que acabei, tentei lembrar de onde eu tinha vindo, e tomei o rumo pro centro. Eu ia assoviando como sempre fazia. Até que ouvi barulhos. Três passos e uma queda, pra ser mais exato. Eu sabia que podia me meter em outra furada, mas fui conferir.
Arceus seja louvado o fato de eu ser tão imprudente. Bem à minha frente, todo fodido, estava Joseph, a ponto de desmaiar. Sua situação não era nada melhor que a minha, um pouco antes. Corri e joguei ele nas minhas costas. Ele estava com suas duas pokébolas, então não tinha motivos pra esperar. Corri para o centro Pokémon, com meu amigo em meus ombros.
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–O que as crianças de hoje têm feito pra se divertir? Se machucarem todas?-disse a enfermeira, enquanto tratava de Joseph, que recobrara a consciência.
Ela estava grata por eu ter feito os remédios, mas cuidar de pessoas parecia irritá-la.
Algum tempo depois, os Pokémon dele ainda estavam internados, mas Joseph estava melhor. Contei a ele tudo o que me acontecera. Ele riu.
–Mais uma das suas histórias. Justo como seu avô. Como era mesmo aquela história? De que ele virava um Pokémon?- e tornou a rir.
Levantei, possesso, e fui pisando duro até a cozinha, enchi um copo com leite e passei doce em uma fatia do pão. Levei a ele. Ele comeu, o rosto tomado por uma surpresa.
–Se não foi ela quem fez, eu não ei quem foi-disse eu.
Ele não sabia o que falar. Resolvi deixar que pensasse, enquanto ia ver meus Pokémon. Eles estavam melhores, mas precisariam de mais alguns cuidados.
Passado já algum tempo, eu voltei. Ele não quis tocar no assunto, então conversamos sobre nossa infância. Até que ele perguntou:
–Ouviu falar da corrida anual de Sinnoh?-disse ele, meus olhos brilharam.
–Meu pai não comentou nada. Onde será?-tentei me conter.
–Aparentemente, será perto de Jubilife. E haverá uma excursão para crianças da escola de lá, então, alguns corredores disponibilizarão alguns Pokémon para elas aprenderem um pouco-dizia distraído, quando percebeu que eu arrumava minha mochila- O que está fazendo?
–O que te parece?-virei-me para ele, com meus olhos pegando fogo
–Ah não! Você vai?! Nem tem um Pokémon que te carre...- ele interrompeu a frase- Ah não! Você não pode estar pensando nele. Nem cogite essa ideia!
–Eu já pensei, já cogitei, e já decidi!- sorri, empolgado- Vou mostrar pra esse povo como o capim come Taurus!
–Ele vai te matar, idiota! Acha que seu pai vai deixar, quando souber?!
–E quem disse que ele vai saber?-sorri como uma criança na loja de doces.
–Que tal tomar um pouco de juízo?-disse ele, bravo.
–Eu vou é tomando o meu rumo!- Joguei a mochila nas costas e fui buscar meus Pokémon.
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