Os Puros Ares de Sinnoh
3 3- Susto no Lago da Verdade
Notas iniciais
–Certo... E como diabos eu vou achar esse raio desse ovo?! – disse, após sair de Sandgem. Eu estava agora na Rota 201 – Como diabos eu vou encontrar o ovo agora? E o duro é que eu dei minha palavra pro Professor e não posso voltar atrás. – Eu conversava sozinho e agachei para pegar um pedaço de grama pra deixar na boca.
Fazer aquilo sempre me acalmou. Foi eficaz até quando o Vovô caiu da Nightmare. Claro que eu achava que aquilo ia funcionar depois de eu ser incumbido de salvar um ovo raro de uma organização que nem as autoridades tinham conhecimento. Ia ser moleza!
Duas horas já teriam passado e eu já estava pendurado de ponta-cabeça em um galho de uma árvore. Se eu não pensasse no que fazer, meus cabelos cairiam antes de mim
–Ah! – tive uma epifanía e pulei da árvore – Tenho que tirar isso a limpo!
Coloquei Flame pra fora da pokébola. Esperava poder ter um reencontro decente, dessa vez. O pequeno Charmander me olhou, um pouco confuso, mas resolveu pular em meus braços, finalmente.
–Eu... Pensei que você tivesse morr – as lágrimas interromperiam minha frase, e nós ficamos apenas em silêncio. Vi que ele ficou assustado com as lágrimas. Não por ter sido a primeira vez que ele me via chorar, mas por ser água saindo de mim. Eu comecei a dar risada quando ele tentou fugir do meu abraço.
–Há! Você não mudou nada, carinha... –coloquei Blu para fora da pokébola- Bem... Flame, essa é a Blu. Blu, esse é o Flame. Nunca te falei dele, mas somos amigos de longa data.
Os dois se estranharam. Acho que como eu tinha sido o único parceiro deles até o momento, eles se sentiam traídos.
Não sou eu a culpar eles. Flame foi meu parceiro por tanto tempo e agora via que eu estava com outro Pokémon. E Blu, que a primeira coisa que viu quando rachou do ovo fui eu. Acho que é como descobrir que se tem um irmão, quando não se quer um irmão...
–Tá bom meninos. Vocês tem que interagir um pouco pra se conhecerem. Me disseram que tem um lago pra lá. Então é pra lá que nós vamos.
Após cerca de meia hora, chegamos a um grande lago. Eu não sabia o nome, mas servia. A vegetação era rica e provavelmente tinha muitos Pokémon. E o melhor: longe de cidades.
Eu cresci longe de cidades, então, nunca tive muito contato com pessoas. Na maioria das vezes, eu me escondia das pessoas, quando apareciam no sítio.
Voltando ao lago, eu nunca tinha visto um tão grande. Era simplesmente enorme. Deviam haver centenas de Pokémon morando naquele lago. E a água era tão limpa. Era difícil ver lagos tão limpos assim, então me surpreendi.
Como vir de Johto nas costas de uma Swanna, antes de ser assaltado é um pouco cansativo, não tardei a tirar a roupa, ficando apenas com a cueca que eu usava, pulei nas águas cristalinas daquele lago. A temperatura estava ótima, pois o sol aquecera a água o dia inteiro. Eu já sabia disso, pois a água sempre fica morna quando o sol se esconde, como estava acontecendo.
–Escutem, meninos. Como tá entardecendo, que tal procurarem umas berries? É bom para que se entrosem. Vou nadar um pouco e depois ergo o acampamento.
Os dois se entreolharam, mas resolveram tentar. Entraram na floresta que tinha ali perto, para fazer o que eu pedira. E quanto a mim? Obviamente eu sairia d’água quando ouvisse eles chegando. Eu sempre enrolava pra fazer as coisas, quando podia relaxar. Era só fazer uma fogueira, levando em conta que nenhum de nós três precisávamos dormir em barracas. Nunca foi um costume.
Como eu disse, eu TERIA, caso meia hora depois eu não fosse atacado por um bando de Goldeen. Aparentemente, eles não gostaram de repartir o lago comigo. E pra piorar, quando eu fui pegar minhas roupas, elas não estavam lá. Nem as roupas nem a mochila, que tinha a toalha. Eu estava encharcado e a minha cueca estaria grudada, tornando aquilo embaraçoso. As chances eram mínimas, mas se alguém aparecesse lá, eu teria um treco. NUNCA. Repito, NUNCA confie em chances mínimas.
Eu retirei o excesso de água do corpo e fui buscar alguns gravetos, pra começar a fogueira. Após fazê-la, consegui com que se ascendesse com duas pedras. Consegui me esquentar um pouco, ao fim de tudo. E aquilo ia bem, até que eu sentisse dedos em minhas costelas. Era natural que eu pulasse. Eu morro de cócegas, e ainda mais com o susto, pulei dentro da água. Quando fui olhar o infeliz, deparo-me com um garoto rolando de dar risada.
–NÃO SABIA QUE VOCÊ AINDA TINHA DISSO, DRAKE! – ele chorava de tanto rir.
–CLARO QUE TENHO, JOSEPH, SEU IDIOTA! NÃO É UMA COISA QUE SE PERDE COM O TEMPO! – Eu disse, irado, ao ver minha bolsa ao lado dele – VAI CONTINUAR FAZENDO ISSO PRO RESTO DA VIDA?! ME DÁ LOGO A TOALHA ANTES QUE OS GONDEEN VOLTEM!
Ele levantou, ainda rindo, e me entregou a toalha. Eu saí, me sequei e vesti novas roupas. Dei um soco no ombro dele e me sentei.
–Esqueci que mudou pra cá? Mas o que ta fazendo aqui no lago?
–Ótimo lugar pro meu tipo água. – disse ele.
–Ah! Tem um Pokémon também? Qual?
Ele assoviou, e um Piplup emergiu, perto de onde eu estava. Ele aparentava ser confiante, mas não dava pra ver no momento.
–Esse é o Flood. Peguei ele ontem com o Professor Rowan.
–Deu sorte... Eu fui lá hoje, e uma tal de Equipe Smoke apareceu e quebrou tudo. Meus Pokés foram achar umas berries, e já devem voltar.
Quando eu ia perguntar sobre a família dele, Blu e Flame entram desesperados.
–O piá do laboratório? Saiu melhor que a encomenda... – Disse a voz do assaltante de mais cedo. Um Stunky e o Golbat ao seu lado.
Um espinho de veneno na asa de Blu, que caiu aos meus pés. Um beco sem saída. Dois amigos de volta à ativa.
Fale com o autor