Os Poderes Perdidos
21 Capítulo 21: Vou para o templo nas nuvens
MINHA CHANCE, minha única chance de informar onde estava, de dizer onde Nak e os outros deveriam ir, onde eles poderiam me libertar! Eu ponderei, me alto puni com xingamentos diversos e perdi o sono. Já era umas 9:30 da manhã e eu estava inquieto. Limpei a geladeira. Deixei apenas um pouco de queijo e presunto para meus amigos e desci todos os andares até o térreo. Ninguém me parou nos corredores, nem mesmo na saída. Andei um pouco por onde a escuridão não abrangia e dei de cara com Aron.
– O que faz aí, adolescente impertinente? – ele perguntou para mim.
– Nada, eu só...
– Nem fale nada! Vá se vestir, ali a direita. E se arme também. – Era a primeira vez que ele não xingava – Jovem insolente – ele murmurou. É, talvez eu estivesse errado.
Segui a direita. Armaduras de couro, bronze e pele estavam ali. Optei pelas de couro. Eram mais leves e senti que esta manhã eu precisaria correr muito. Eu tinha um plano. Arriscado, muito arriscado, mas era um bom plano.
Depois de por a couraça de couro, os braceletes, as botas – essas também tinham uns espinhos – e pegar o elmo – que por sinal era bem melhor e se encaixo direitinho em minha cabeça – eu fui até a prateleira com as espadas. Olho elas. São muitas. Me encanto em uma espada de ouro com a haste do cabo curvada para baixo, mas esta é muito grande e para concluir meu plano eu precisaria de velocidade, precisaria correr. Pego uma outra dourada, tem um brilho forte, e é bem clara. Não diria que ela era de ouro, era um dourado da luz do sol. Ela se encaixa bem em minha bainha.
Eu havia perdido Alfa e Omega, mas foi por uma boa causa. Pensei em pegar outro escudo, mas lembrei que esse não se transformaria em um relógio, como Alfa fazia magicamente. Peguei algumas facas. Coloquei uma em cada bota, uma em cada bracelete e ainda enfiei uma no cinto de munição. Coloquei nele também outras coisas como um punhado de corda. Não sei pra que precisaria, mas precisaria. Coloquei também um arco nas costas – nunca fui bom em arquearia, mas talvez precisasse.
Eu estava preparado. Meu plano era simples. Pegar os poderes do meu pai e fugir para o Olimpo. Como eu chegaria no Olimpo? Onde fica o Olimpo? Esperava apenas que Hercules soubesse me responder. Consequências? Morte, perda da mãe, do primo, da avó e dos amigos. Agora e se eu não fizer isso? Hades vai provocar uma guerra do cão que provavelmente vai matar todo mundo. O trecho da profecia vem a minha mente: As 4 relíquias juntas estarão. As 4... eu só vou levar uma... deve servir para alguma coisa. Deve não, tem que servir.
***
Não demorou até todos se arrumarem. Eu, armado até os dentes e inquieto. O vento estava gélido, cogelando meus ossos, mesmo a camiseta sendo de manga comprida e a armadura e os braceletes esquentando bastante, ainda estava frio. Quíron passa por mim, enquanto respiro fundo.
– Deixe-me ver – ele pega a espada de minha bainha e a analisa. A sensação de ter que olhar para cima cada vez que ele esta perto de mim não é boa. Ele deve ter uns dois metros mais ou menos. – Titânio primordial revestido com os metais da ilha do sol... Boa escolha – ele disse e sorriu pra mim.
Forço um sorriso. Não foi minha primeira escolha, nem a segunda. Tenho uma tendência forte para armaduras pesadas, mas hoje consegui manter o foco. Aron da a ordem de nos agruparmos com nossos parceiros. Selina e Pedro estão ao meu lado. Olho para ela. Vestiu a armadura de pele e trançou os cabelos para o lado. Sorrio para ela.
– Pronta para o fim? – perguntei baixinho.
– Você nem imagina o quanto – ela respondeu com um sorriso maligno no rosto.
Aron abre uma frasco com um conteúdo sólido azul dentro e o joga no ar. Vejo em câmera lenta a areia azul se agrupando em forma circular e girando formando o portal. Antes de passar, peço a meu parceiro, Hercules, para ficar preparado ao meu chamado, depois volto minha visão para o portal. O lugar onde sairei é lindo. Ruínas. Pedras brancas de formas arredondadas contornavam montanhas que faziam desenhos a paisagem. Eu não via nenhum campo, apenas rochas. O sol brilhava e o céu azul estava com algumas nuvens estrategicamente espalhadas para o dia ficar perfeito. “Bom, não é um lugar ruim para morrer”, pensei.
Atravessei o portal. O local era ainda mais bonito de perto, estava quente e aconchegante. E só tinha um fator paranormal na paisagem: as nuvens abaixo de meus pés. A pedra por onde eu andava era praticamente uma ponte, só que natural. Ela estava íngreme de forma que continuávamos subindo. Selina olhava constantemente fixo para frente e dava os passos com muito medo. Eu a ofereci ajuda, mas ela apenas resmungou algumas coisas. Eu estava ótimo, estava em casa. Provavelmente ninguém sobreviveria a tantos pés de altura, mas somos semideuses e o lugar pode ser mágico também. Depois de mais ou menos meia hora de subida pude avistar um templo. Enorme. Esbelto. Dourado a luz do sol e em forma retangular. Não era nada parecido com o Parthenon. Talvez até mais belo.
Não demorou muito até entrarmos no templo. E este era incrível. Havia uma estatua de meu pai com um raio majestoso na mão e na outra o famoso escudo Aégis – aquele que contem a “imagem” da cabeça da Medusa –, mais adiante havia escombros, poeiras e outra forma incrível. Era como um grifo das historias antigos, mas diferentes. Tinha todo o corpo de um enorme leão branco, com os dentes afiados e os olhos fechados, e as enormes asas albinas de uma águia.
– Uau – eu disse e fui com a mão na pata da estatua. Tirei um pouco de poeira e a pata enrijeceu. Levantei a cabeça. O animal abrira os olhos azuis tanto quanto os meus. A grossa camada de poeira e areia que cobriam o bicho começou a se quebrar e tive menos de dois segundos para me atirar no chão antes que o enorme grifo desce o bote.
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