Os Poderes Perdidos
13 Capítulo 13: Meu amado tio mata mais um
MEU SANGUE fervia ao descobrir a verdade. Meu sangue fervia ao saber que era ele o tempo todo, sempre o quieto, sempre o bobo, o por fora, sempre o que menos parecia ser. Fizemos até um trato, de um proteger o outro e agora, o que ele mais queria era a minha morte. Eu poderia enfiar a espada nele ali mesmo, na mesma hora, acabar com isso, acabar com tudo. Mas e se minha mãe morresse lá com Hades? Era um grande risco. E, eu havia esquecido da serpente que ainda não estava morta, mas esse era o menor dos problemas.
Senti o monstro nadar no mar abaixo de mim e a forcei a sair para fora. Estiquei a mão para frente e ordenei que o mar fizesse uma mão gigante de água, e, é claro, ele obedeceu agarrando a serpente em uma mão marinha gigante. O bicho se debatia e tentava se soltar, mas eu era mais forte, então fiz um tridente de água fria, quase gelo, em minhas mãos, e fiz um raio eletricuta-lo (o que não foi muito inteligente porque quase matei meus amigos e o x9).
– Isso é o que acontece com quem trai o mais novo deus dos mares – Gritei e joguei o tridente na cobra que, antes mesmo de cair na água, explodiu em uma nuvem de fumaça e raios.
Pedro ainda me olhava, Bruno parecia perdido mas ainda dava apoio ao x9, Selina praticamente se escondia atrás mim, mas tentava manter a postura de coragem o que não estava funcionando. Pedro alegou que queria o cristal pela perna, não por isso, eu posso curá-lo.
– Eu posso curar sua perna – eu disse a Pedro – e não preciso do cristal.
– Não, não pode – Selina disse – Ele foi mordido, arranhado, é veneno, não está quebrada. Quiron pode cura-lo. Mas como vamos voltar pra lá? Como vamos voltar?
Bem na hora Quiron abriu um portal pra dentro do barco e veio direto em minha direção. Ele coçou a sobrancelha e me encarou firme enquanto Aron e um outro menino ajudavam Pedro a passar. Bruno foi pelo portal mas Selina hesitou, ela parou umas duas vezes em frente a foto do acampamento pelo portal. Ela resolve não ir.
– O cristal, Erick – disse Quíron – você o pegou e agora deve alcançá-lo a mim.
– Quíron, o traidor foi revelado, eu sei quem ele é, podemos pegar ele de refém agora e... – comecei mas fui interrompido
– O cristal Erick, me dá o cristal. O chefe o quer Erick, você tem que entregá-lo a ele ou todos nós morremos – ele disse e aí notei nele um corte, uma cicatriz, igual a de Aron mas que também não estava no dia anterior. Hades havia batido neles, deve ter dado uma surra neles e um sermão dizendo pra não deixar eu pegar os poderes, mas agora era tarde, eu já estava com eles. Ainda não sabia o que fazer, olhei de relance para Selina que estava atrás de Quiron e ela balançou a cabeça em concordância e tristeza. Entreguei o cristal para Quíron em relutância, mas continuei desconfiando dele. Por que ele não prendia Pedro agora e forçava Hades a soltar todos ou seu filho morreria? Talvez ele não morresse, mas assim, como eu poderia matá-lo?
Quíron praticamente me jogou para o acampamento, bem, eu sempre soube que ele não gostava muito de mim, mas o modo como ele agiu, ou ele estava morrendo de medo, ou ele é traidor também. Fui direto para a ala hospitalar para me examinarem, Bruno e Selina fizeram o mesmo e alguns azuis também. Para meu desagrado Pedro estava lá, mas para meu alívio ele estava desacordado. Depois de me examinarem Aron e Quiron me liberaram para minha cabana, e, assim que eu e Selina colocamos os pés nela eles a trancaram e trancaram também a ala hospitalar assim que saímos.
– O que vamos fazer? – perguntei a ela – Vamos matá-lo, vamos prendê-lo, vamos sequestrá-lo, vamos torturá-lo?
– Não! Não podemos fazer isso! Temos que tramar alguma coisa, temos que fingir que não sabemos de nada
– Como assim fingir que não sabemos de nada? É bem mais fácil eu enfiar minha espada no peito dele!
– E depois? Hades te mata, ou Poseidon, ou os monstros dos dois! Sem contar nas nossas famílias, se você quer se matar e matar sua família vai em frente, mas não me mete nessa.
– Eu tive uma ideia! – eu exclamei em um grito
– Vai chover! – ela murmurou
– Ah, cala a boca e escuta. Eu vou montar guarda a noite, em frente a ala hospitalar e daí vamos ver ele sair!
– Fala um pouco mais alto Erick, meu irmão não está ouvindo direito lá do submundo.
– Ah, que sege, eu vou fazer isso, e pegar ele no pulo!
– É, talvez dê certo porque como Quíron não acha que é ele, ele provavelmente não vai montar guarda.
– Como sabe que Quíron não acha que é Pedro? – perguntei, bem mais baixo agora
– Ele não se manifestou, não disse nada. Ele ia falar se soubesse.
***
O tempo passou, era noite, eu e Selina ficamos brigan... conversando o tempo todo sobre os treinadores. Ela dizia que Quíron era mais legal e eu dizia que Aron era mais legal. Essa discussão durou bastante, até o Hades equalizado chamar a gente para fora. Eu e Selina saímos até o campo, e lá estavam nós, Pedro de muletas e perna enfaixada, Bruno, e alguns azuis. Os únicos sobreviventes do massacre das serpentes.
– Como vocês devem ter notado, as equipes se reduziram drasticamente e em números muito, muito pequenos. Ficamos com apenas 1 na equipe verde, 2 na azul, nenhum na amarela e.. olha que notícia espantosa! Os três queridos guerreiros vermelhos! Parece que vocês são duros de matar não é mesmo? Bem, continuando, eu tomei providências de arranjar mais jovens, mais guerreiros. Acho que vai ser bom vocês conhecerem seus novos colegas de cabana.
Assim que meu querido e amado tio terminou de falar, vários jovens com camisetas de identificação (por cor, 1 azul, 3 amarelos e 2 verdes) vinham correndo desesperados como se fugissem de alguma coisa na floresta. Assim que nos viram eles pararam, descansaram e nos olharam algumas vezes. Havia entre eles um desajeitado, um gordinho ruivo que estava praticamente de língua de fora e camiseta azul. Só tem 1 desajeitado e burro o suficiente para ficar desse jeito: meu primo, David.
Depois vi um rosto que me pareceu familiar. Um garoto de cabelos bem pretos, olhos azuis escuros e brilhos. Ele estava com a camiseta amarela, cabelos para cima e uma cicatriz longa na bochecha. Eu não conseguia me recordar de onde eu o conhecia o rapaz de quinze, dezesseis anos, mas eu só sabia que eu o conhecia.
– Aí estão os novos integrantes de suas equipes, os novos servos da escuridão! Agora vocês...
Minha atenção se desviou completamente ao rapaz de olhos azuis. Ele arregalou os olhos, seu olhos começaram a expressar raiva e seu rosto ficou vermelho. Ele começou a correr em nossa direção gritando:
– Seu desgraçado! Você vai pagar! Você acabou com a minha vida e com a de todos os outros, seu traidor!
Ele estava a 1 metro de nós (eu, Selina, Pedro e Bruno que estávamos um ao lado do outro). O garoto pegou a espada de Selina da bainha e pulou girando como se fosse golpear-nos e matar-nos, mas antes que pudéssemos fazer qualquer coisa, um buraco negro se abriu no chão e uma mão de sombra raquítica e esquelética agarrou o pé do menino e o puxou com uma força descomunal para dentro do buraco que se fechou rapidamente sobrando apenas a espada de Selina em cima da terra fissurada.
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