Os Poderes Perdidos
7 Capítulo 7: Ganho um belo par de chifres
ESTAVA com a cabeça parecendo que ia explodir e sentia meu rosto queimar. A visão tinha me atormentado. Estava próximo a mim, eu nunca ia desconfiar. Quando acordei a primeira pessoa que vi foi Selina, ela estava me sacudindo e gritando acorda e me deu um frio na barriga. Ela estava próxima a mim, ganhando minha confiança e se não fosse o sonho nunca iria desconfiar dela.
– Ah, graças aos deuses você acordou – ela disse me soltando.
– Cara você nos assustou – Pedro disse, ele estava com expressão de assustado.
– O que foi? – eu perguntei assustado – O que houve comigo?
– Você começou a falar um monte de coisas – Pedro disse – em sei lá que língua.
– Você começou a falar em grego antigo, a gritar na verdade. – Selina explicou – Depois eu tentei te acordar, estamos tentando te acordar há mais de cinco minutos.
– Ela te sacudia, eu te bati – isso explica meu rosto queimando –, mas você não acordava. Teve um pesadelo?
– Mais ou menos – eu respondi, ainda pensava na possibilidade de Selina ser traidora o que me incomodava. Se ela fosse, talvez Aron também fosse, afinal ele não deixou a gente trocar de equipe. Mas porque Aron trairia? Ele queria ser libertado, sair dali; talvez ele não soubesse que Selina era traidora e achasse que ela fosse uma pessoa de bem que podia me ajudar – na verdade foi um sonho revelador, acho que foi bom, me abriu os olhos.
Eu a encarava e ela franziu as sobrancelhas.
– Eu não acredito que você... – ela se interrompeu, Pedro a olhou
– Eu o que? – ele disse
Ela bufou.
– Não é você, é o cabeça de vento. Ele está desconfiando de mim agora.
– O que? Como você...? – eu comecei
– Ah, fala serio! Você me encarou e disse: acho que me abriu os olhos. – ele tentou me imitar de forma ridícula, fez voz de retardada!
– É, talvez seja você, pode ser qualquer um não é mesmo?
– Uau! – Pedro exclamou – Calma. Me expliquem primeiro, o que está acontecendo?
– Sabemos que há um traidor. – eu disse – Eu tive uns sonhos que me revelaram algumas coisas...
– Ah é? – Selina interrompeu – O que por exemplo? O que você alucinou que me viu como traidora?
– Não é da sua conta
– Claro que é! Você me acusa de traição sem provas e diz que não é da minha conta!
– Sei o suficiente para te acusar
– Ta bom. – Pedro berrou – Os dois vão me explicar agora o que está acontecendo. Erick, explica para nós o que você viu.
Contei parte do sonho do mundo inferior para eles, omiti a parte que falava no irmão de Hades e a parte que falava nos amigos mortos e a confiança de Poseidon.
– Espera aí – Selina começou – ta me dizendo que só porque você ouviu que o traidor está próximo a você sou eu? É isso?
– Sim, eu não ia desconfiar de você se não tivesse sonhado, e foi isso que ele disse.
– Como pode ter certeza que sou eu?
– Como posso ter certeza de que não é você?
– Se fosse eu você nunca ia desconfiar!
– É um motivo convincente – Pedro disse ainda meio perdido – e Erick, se desconfiar de alguém não o encare.
– Não sei mais em quem confiar – eu disse triste. Não sabia com quem contar, a única pessoa com quem eu podia falar era com Selina e Marte mas agora já não sabia mais. – Pode ser qualquer um, pode ser você – eu apontei para Pedro – ou até mesmo você – apontei para Selina –, mas de qualquer forma, ainda são meus amigos.
– Se você ficar junto do traidor – Selina disse mais calma – vai ser perigoso, mas se você se isolar vai ser pior ainda.
– Eu tive uma ideia, você pode fazer aquelas coisas que você faz com as arvores e tentar ver se elas viram quem estava com a espada envenenada.
– Como você faz aquilo? – Pedro perguntou a Selina
– Eu não sei, – ela disse, mas me pareceu que ela sabia ou pelo menos tinha um palpite – já tentei fazer isso Erick, a visão delas foram bloqueadas pelas pessoas, elas estavam na frente. Mas eu vi uma coisa que quero te mostrar...
O sinal bateu, como um sino escolar. Aron bateu na nossa porta e mandou nós irmos pegar as armaduras, espadas, escudos e tudo mais para lutar. Peguei minha espada e consegui ler o nome escrito em grego na sua lamina: Omega. Fiquei com Alfa em forma de relógio porque pesava menos. Tomamos café da manhã (um sanduiche e sucos de caixinha), colocamos a armadura e fomos até os estábulos, para onde Aron nos levou.
– Aqui, os presentes – ele apontou para três cavalos, dois brancos e um malhado de branco com marrom. Eles eram lindos, pelos brilhosos, crina penteada e já estavam selados. O malhado deu três passos para frente na minha direção e abaixou a cabeça perto da minha mão. Eu o acariciei e ele se afastou novamente, as vezes a sua imagem ficava turva e eu não conseguia vê-lo claramente – Vejo que o rebelde escolheu você.
Bom dia parceiro, uma voz falou na minha cabeça e não era a voz do Hades, era uma voz mais fina e engraçada, tentei não demonstrar que a ouvi mas acho que era impossível. Aqui, sou eu, na sua frente, parceiro. Eu olhei para frente e só estava o cavalo malhado me olhando fixamente. É sou eu mesmo, nunca viu um cavalo falar não?
– Para ser sincero não – murmurei
– O que? – Selina perguntou
– Ah, nada, eu estava falando, que lindo esse garanhão.
Se o cavalo podia falar comigo pela mente, talvez eu também pudesse falar com ele. Ei, ta me ouvindo cavalo? Claro, eu não sou surdo! Que maravilha, agora eu estava falando com cavalos, estava ficando completamente louco.
– Aí estão, – Aron disse – montem neles, e venham para cá para o campo principal, temos uma longa jornada pela frente crianças idiotas – ele não podia terminar a frase sem um insulto.
Eu montei no cavalo, ele tinha uma mancha marrom no focinho que envolvia seus olhos, seu pelo era brilhoso e ele estava limpo e escovado. Meus amigos fizeram a mesma coisa, Selina parecia nervosa.
– O que foi? – eu perguntei a ela – Você tem medo de cavalos?
– Não, é que – ela titubeou – bem, cavalos não gostam de mim, sabe, eles são meio que crias de Poseidon e eles... me perseguem de vez enquanto.
– Porque Poseidon e Atena não se dão.
– É, isso. Aí as vezes ele me segue.
– Cadê o Pedro e o Aron?
– Já saíram.
Nós fomos atrás deles. O campo estava cheio de pessoas armadas com espadas, escudos, arcos, aljavas, facas, adagas e outras armas. Quíron estava conduzindo todos e Aron me chamou em um canto.
– Ei, garoto. Tome cuidado, a espada que você possui é muito valiosa, só você pode pegá-la, mas não mostre ela para ninguém entendeu?
– Por que?
– Ela está aqui a muito tempo, a mais tempo que eu, e tem uma grande historia. Ela apareceu aqui em um relâmpago, o símbolo do senhor do Olimpo quer dizer que só um descendente dele pode levanta-la. O traidor não pode descobrir que você a pegou.
– Ele já sabe, ele sabe que estou aqui, ele está próximo a mim.
– Andou sonhando, não é? É importante que sonhe, muito importante, você tem que saber da verdade, tem que saber que tudo isso é uma farsa e que tudo isso é...
– Aron – Pedro veio correndo – Quíron mandou te chamar, ele disse que não tem mais tempo, se não vamos perder o sei lá o que.
– Ah, claro, vamos Erick. Temos muito trabalho.
Chegando no meio do campo tinha um grande circulo em espiral azul escuro. Eu olhei em volta e todos pareciam estar tão confusos quanto eu sobre o assunto.
– Vocês estão diante de um portal. – anunciou Quíron – O cristal da terra foi escondido em um lugar mágico que não tem como encontrar se não for por um portal. Vocês passarão por ele e sairão em terras mágicas. – Ele olhou o relógio em meu braço e olhou as horas. – Temos cinco minutos. Vão, passem.
Todos nós ficamos com medo mas acabamos passando pelo portal. Assim que passei saí em um deserto, um deserto quente e não havia ninguém lá alem de nós. Quíron começou a nos guiar areia adentro e o seguimos, Pedro estava ao meu lado e começamos a conversar.
– Como era sua vida antes daqui? – eu perguntei a ele
– Ah, normal. Vivia em uma casa mais ou menos em São Paulo, minha mãe trabalhava em uma empresa de eletrônicos. Eu e meu irmão estudávamos em uma escola que dava aula de manhã e de tarde, assim não ficávamos sozinhos. E você?
– Normal também, eu e minha mãe moramos em um apartamento pequeno no Rio Grande do Sul. Ela trabalha em uma pastelaria e eu estudava de manhã e ficava sozinho em casa a tarde. Estão com sua mãe e seu irmão?
– É, eles pegaram eles. Sabe Erick, eu fico com medo. A vida deles está em minhas mãos, mas e se... e se eu morrer? Eu nunca lutei bem nem nada do tipo, eu não tenho chances. Eu acho que vou ter que dar adeus a minha família.
– Não fale assim. Eu também não sou lá essas coisas, tem que pensar positivo, você não vai morrer. Nenhum de nós vai.
– Para você falar é fácil. Você sabe lutar, tem uma espada boa, tem os instrutores, e eu? Eu não tenho nada a meu favor, estou sozinho.
Parei para tentar me colocar no lugar dele. Realmente era difícil, ele não teve Marte para treina-lo e nem tinha uma espada significativa ou sonhos com o que estava acontecendo.
– Ei, vamos fazer um trato. Vamos cuidar um do outro, não pode deixar o outro morrer, ok?
– Ok. – ele riu – Nessa eu levo vantagem. Mas fala aí, qual é a de você e Selina? Vocês dois sabem de alguma coisa a mais, não sabem?
Titubeei um pouco. Pensei, ela havia dito para eu não contar nada a ninguém e Aron me advertiu sobre isso também, ma Pedro era um cara legal.
– Eu não sei porque – eu disse enfim – mas nós sonhamos com algumas coisas. – contei a ele sobre meu primeiro sonho com o traidor e recontei o segundo – Você não tem esse tipo de sonho também?
Ele fez que não com a cabeça
– Olha, isso é estranho, por que será que vocês veem essas coisas?
Porque eles são especiais, meu cavalo disse. Perguntei para ele como assim mentalmente, mas ele disse que não sabia, ele disse que só sabia disso.
– Para mim – Pedro disse – Selina esconde alguma coisa. Não sei o que, mas ela sabe alguma coisa alem do que nós sabemos.
– Será?
– Eu acho que sim.
– Mas porque ela não contaria?
– Não sei, pergunte isso a ela não a mim.
Todos pararam em frente a três portais que estavam posicionados um ao lado do outro. Quíron se virou para nós.
– Vocês deram azar. O monstro que enfrentarão estava banido nas profundezas do tártaro até pouco tempo após ser morto, mas ele já cumpriu sua pena e foi liberado para proteger o cristal da terra. Como comentei antes esta ilha é mágica, ela não possui saída a não ser pelos portais e como esse monstro é bom em lugares fechados, creio que vocês tenham mais chances se tiverem saídas. O monstro é uma mistura bem elaborada de humano, já tem alguma ideia de que monstro é?
– O Minotauro – disse Bruno – fruto da raiva dos deuses e da ignorância dos mortais.
– Aprisionado pelo rei no labirinto de Creta – continuou Selina
– E morto por Teseu. – eu disse – Espera, ele era para estar morto!
– Os monstros não morrem completamente. Eles ficam no tártaro até se recuperarem. Por isso ele está de volta, e enfrentará vocês para proteger os poderes da terra. Há portais espalhados pelo mundo todo nesse momento. Eles mudam de curso de cinco em cinco segundos para que vocês tenham chances de correr por lugares diferentes. Ao final, quando o guardião for morto, o portal vai os enviar para o acampamento em que ficamos. Os portais tendem a ir ao mesmo lugar mas em pontos diferentes para impedir que vocês se separem ou fujam. Não se esqueçam que o Minotauro, por ter origens humanas, é inteligente e pensa, e com o tempo foi aprimorando sua inteligência.
Houve um barulho embaixo da terra e o local inteiro tremeu, todos nós entramos em pânico. Aron e Quíron sairão correndo em direção ao quarto portal que os levaram ao acampamento onde a gente fica e depois sumiu. Mais um estranho barulho surgiu por debaixo da terra, parecia um rugido ou coisa parecida, mas era completamente apavorante. Do nada uma mão gigante de couro rompeu a areia saindo da terra e todos nós começamos a correr desesperadamente em direção aos portais.
Eu sou muito curioso, quis ver o monstro emergir da areia então fiquei parado na frente do portal do meio olhando. Metade do corpo do monstro já estava para fora e poucos segundos depois seu corpo inteiro. Tinha uns cinco metros de altura, todo de couro de animal e pelo, seu corpo tinha formato humano só que era coberto de pelo e couro cinza chumbo, sua cabeça era de touro, com dois enormes chifres. Ele terminou de levantar e só aí fui perceber o risco que corria.
Passei correndo pelo portal que estava na frente e rezando para que o monstro fosse devagar e passasse pelo portal depois dos cinco segundos. Apareci em cima de um prédio em uma cidade dando tudo de mim no cavalo para que ele corresse bastante. Por uma fração de segundo fiquei aliviado até o braço do guardião aparecer atrás de um dos prédios do condomínio em que eu estava. Ele apareceu por inteiro destruindo todos os prédios que ele passava rapidamente com socos e cabeçadas atrás de mim e meu prédio era o próximo, estava chegando ao fim dele quando ele começou a desmoronar atrás de mim. Olhei para frente e dava direto para a rua, meu prédio era o ultimo do condomínio.
Eu tinha duas opções de morrer: ou me atirando em uma queda de uns dez metros de altura ou sendo engolido por um monstro de cinco metros de altura e, é claro, que eu escolhi a primeira opção. Eu e meu cavalo pulamos em direção a morte, fechei os olhos para não ver o chão e comecei a ouvir barulho de trotes equinos. Abri os olhos novamente e meu cavalo e eu estávamos em uma floresta, olhei para trás e vi um portal. Graças aos deuses! Ia comaçar a me animar quando o Minotauro surgiu novamente atrás de mim e três cavalos ao meu lado, em cima deles estavam Pedro, Selina e Bruno.
– Santa Atena – Selina murmurou observando o monstro que nos seguia
– Ele está me seguindo, se não tivermos como matá-lo temos que atrasa-lo – eu disse.
– Acho que posso atrasa-lo, mas não por muito tempo.
– É perigoso chegar perto dele.
– Eu não vou chegar perto dele. Mas não sei se tenho força o suficiente.
– O que vai fazer? – Bruno perguntou – Fale que eu faço, eu acho que posso me aproximar e sou maior.
– Vocês não entendem, tem que ser eu.
O monstro estava cada vez mais perto de nós, mais uns três minutos até ele nos alcançar e seria nosso fim. Estávamos no meio das arvores, Pedro atirava flechas nele sempre que podia, mas as que acertava pareciam não fazer nem cócegas no monstro gingante. O gigante estava muito perto, ele esticou a mão para pegar um de nós mas os galhos de uma arvore o seguraram, as raízes de outra se enrolou em seus pés e outras tentaram imobilizar o tronco, mas o monstro lutava contra as arvores com muita força. Olhei para Selina, ela parecia se concentrar, mas estava fraca.
Correndo a velocidade máxima dos cavalos demos de cara com um monte de arvores fechando o caminho, eu podia ver o portal do outro lado, mas não tinha como passar. Olhei para trás e vi o Minotauro se soltando das plantas, as plantas lutavam para prende-lo mas não o segurariam por muito tempo. Selina esticou a mão para frente e as arvores abriram caminho e depois o fecharam de novo.
Passamos pelo portal e aparecemos em uma praia. Tinha poucas pessoas na beira do mar, o vento e a brisa do mar soando pelo local.
– Um, dois, três, quatro e cinco. Estamos salvos! – Eu desabafei
Desci do meu cavalo e os outros fizeram o mesmo. Fui até Selina. Ela estava pálida, fraca, tremula e não conseguia se equilibrar direito. Ela se apoiou em mim.
– Caramba aquilo foi incrível! – Bruno disse
– Eu ousei demais – ela disse – eu nunca tinha tentado fazer tantas coisas, controlar tantas de uma vez. – ela foi cair mas eu segurei.
– Aquilo foi muito legal – Bruno disse sorrindo – Como você consegue...?
Ele não terminou de falar porque ouvimos um rugido vindo a nossa frente.
– Os portais tendem a sair no mesmo lugar só que em pontos diferentes – lembrou Pedro – ele vai sair aqui. Temos que ir.
– Consegue ir? – perguntei a Selina
Ela assentiu, montamos nos cavalos e antes que pudéssemos virar meia volta e ir o monstro apareceu na nossa frente. Os cavalos levantaram relinchando e só depois correram. Olhei em volta, algumas dunas, uns morros de areia, grandes placas de ferro enterradas no chão dizendo: mar bravo e centenas de banhistas. As pessoas pareceram nem se abalar.
– Tive uma ideia, mas preciso da ajuda de vocês. – eu disse – Ele está perto, quando ele se aproximar mais vocês freiam os cavalos está bem?
Eles assentiram, quando o monstro estava chegando perto nós freamos os cavalos e passamos por baixo das pernas dele. Corri em direção a um morro de areia. Não sei o que eles estavam fazendo, mas acho que Selina entendeu porque ela falou algo para Pedro e ele começou a disparar flechas no monstro chamando a atenção, ela e Bruno saíram cavalgando por baixo das pernas do monstro e deram um corte em cada um dos calcanhares do bicho fazendo ele se ajoelhar. Do alto do morro eu pulei em direção ao monstro, caí em seu ombro desferindo golpes em seu braço, ele tentou me pegar mas eu escorreguei pelo seu braço o cortando por todo o braço de onde começou a sair fumaça. Levei um tapa que me jogou para cima e quando estava caindo desejei que o vento me colocasse de pé e isso aconteceu. Assobiei para ele e ele se virou, ele tentou me acertar mas eu desviei para o lado, mas caí, o soco foi forte demais. Ele levantou a mão para me esmagar, fechei os olhos quando ouvi:
– Ei bicho feio – Bruno gritou – Vem aqui se você tem coragem.
O monstro se virou. Ele urrou e depois foi contra Bruno, não vi o que aconteceu pois estava muito ocupado recuperando os sentidos e levantando. Só ouvi Selina gritar e uma flecha passar por cima do ombro do Minotauro. Corri por baixo das pernas dele cravando a espada no ferimento feito pelos dois. Quando saí do outro lado vi Bruno atirado num canto, Pedro em cima do cavalo atirando flechas, mas Selina não estava lá. Olhei para o monstro e ele estava com ela em uma das mãos.
– Solte ela! – eu gritei
O monstro soltou um berro que eu pude jurar que foi um como quiser. Ele a soltou, Bruno saiu correndo, talvez na intenção de segurá-la, mas não chegou a tempo, ela caiu nas pedras. Não queria sequer olhar para aquele lado, ela quase morreu antes para nos salvar e agora eu tinha deixado ela morrer. Que grande amigo eu sou!
Fiquei triste e com raiva. O sangue ferveu em minhas veias, hoje foi ela, amanhã era eu. Bruno correu até as pedras, Pedro ficou paralisado, não se mexia, não fazia nada. Era só eu, só eu e o Minotauro e eu iria vingar Selina. Transformei Alfa e desejei que os ventos ficassem a meu favor e eles ficaram, não entendi porque mas estava poderoso, me sentia capaz de derrotar um monstro de cinco metros mais que nunca na vida.
Avancei para cima dele. Ele estava com expressão que eu acho que era de riso, ele tentou me pegar mas eu desviei e cortei seu braço, ele tentou me pegar de novo e eu pulei para cima da mão dele, subi até o ombro e cravei a espada. Ele veio com a outra mão para me apanhar mas eu cortei ela e cortei seu rosto perto do nariz. Fui aí que cometi o erro, ele se enfureceu e me jogou no chão novamente, ele veio me apunhalar com um poste e eu lembrei do que fiz com a bandeira naquele dia.
Marte me disse que era só eu querer, olhei para uma grande placa de ferro, estiquei a mão e desejei que ela viesse. Em cheio, ela veio direto na cabeça do monstro me dando chances de levantar novamente e pegar Omega.
– Você acha que é assim? – Bruno berrou – Você não vai mais levar nenhum amigo meu!
Ele escalou as pernas do monstro ajoelhado até suas costas e fincou sua espada. O monstro urrou e começou a se balançar até derrubar Bruno de suas costas, ele arrancou a espada dele e jogou para trás, a espada passou zunindo no meu ouvido. Foi aqui que fiquei com mais raiva, uma pessoa morta é uma coisa, agora duas? Não, não podia deixar isso acontecer. Taquei Alfa na cabeça do Minotauro, ele se virou e veio para cima de mim. Estava esperando o momento certo, o momento certo para mata-lo, apertei minha espada com toda minha força, o guardião veio me atacar, e eu com toda a força correndo em seu encontro, cravei a espada em seu peito.
A espada se enterrou toda. O Minotauro foi caindo para trás e a espada foi saindo de seu peito com um tipo de liquido preto nela. O bicho ainda tentou me pegar, eu não tinha mais forças, não tinha mais energia. Para me salvar uma flecha atravessou o braço dele, caí de joelho na areia e desmaiei.
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