Os Poderes Perdidos
22 Capítulo 22: Meu amigo sai de férias adiantadas
O SUSTO que eu levei foi grande. O servo de Zeus passou por cima de minha cabeça e partiu direto pra cima dos outros. Ele abocanhava um, arranhava outro, e muitas vezes até empurrava eles para fora do templo. Uma das meninas – uma verde eu acho – caiu para fora. Eu corri até ela, tentei segurar sua mão, mas não consegui... de novo. A segunda pessoa que deixei escapar, que não consegui salvar desde que vim pra cá. Volto para dentro com raiva. O animal é um servo do meu pai, mas achei estranha a possibilidade de eu poder falar com ele. Não custava tentar, afinal, não sei que chances teria e também quanto tempo eu teria. Até o fim do dia talvez.
– Ei, cara... quer dizer senhor – eu comecei – Vamos conversar em paz...
De repente ele pulou em cima de mim e cerrou os dentes perto da minha cabeça. Por acaso você sabe como é ficar um cavalo enorme e gordo em cima de você? Não? Que ótimo, não é nada bom. Por um momento eu achei que ele fosse me matar. Desviar o olhar seria rendição e encarar seria desafio. Eu o encaro, vejo o meu reflexo em seus olhos. O elmo voou de minha cabeça, mas creio que ele não fosse útil agora.
– Só não o mato em nome de MeLord – rosna ele e voa em direção aos outros. Ele pega uma garota pela perna, eu não a conheço, mas mesmo assim.
– Espere! – eu gritei – Acalme-se.
– Você está me fazendo perder tempo, garoto – ele rosnou ainda encurralando os meninos – Estou trabalhando. Vá embora antes que eu o mate também.
Só aí eu vi os esqueletos no meio do templo. Estavam todos caveiras, apenas com as armaduras e algumas espadas e escudos jogadas de lado.
– Eu tenho uma mensagem. De Ze... De LordZeus. – Menti. Espero que ele não tenha um senso que diferencie a mentira da verdade. Ele parou de rosnar e se virou para mim. – Eu venho como mensageiro. Esses são meus amigos – digo essa parte em alto e bom som – Eles vão largar as armas e nós vamos conversar. – largo a espada dourada no chão. Os outros seguem meu exemplo.
– Por que Hermes não vieste trazer esta mensagem? – O Grifo disse
– Meu pai não confia no deus – disse sem pensar – Ele não tem sido profissional com as entregas. E além do mais, é melhor um filho dele falar com você.
– Prossiga – ele disse
– Meu pai... – eu comecei – Acha que você têm feito um ótimo trabalho, no entanto, há muitos anos que você está aqui. E já está na hora de descansar. Um outro... guardião está para vir e ele deve assumir o seu lugar aqui, mas não se assuste. Encare como... Ã... férias.
– Férias? Hoje? – ele disse incrédulo. Meu estomago se revirou, e se ele não acreditasse? Meu argumento era idiota, mas era o único que tinha.
– Sim, sim. O contrato de trabalho dos 100 anos espira hoje. Entende?
– Talvez eu goste dessas férias.
– Ah, claro. Você vai adorar, vai ser bom. Pode ver os amigos... – eu disse – A família.
– Ótimo. Mande cumprimentos ao Lord por mim.
– Só mais uma coisa – eu disse – O cristal. Tenho de devolvê-lo a ele.
O animal me deixa se aproximar e retirar o cristal de seu pelos na cabeça. Se eu achei que os poderes de Pedro fossem bons, é porque eu nunca tinha tido contato com os do meu pai. Relâmpagos surgiram nos céus. No mármore antigo vejo meu reflexo: os cabelos se arrepiaram novamente, os olhos passaram a ser um azul brilhante e pareciam sempre eletrificados. Senti como se o mundo estivesse a meu alcance. Senti como se eu pudesse fazer qualquer coisa. Eu me senti como um verdadeiro rei do Pedro.
Me lembro de meu plano. O grifo já voou, peguei a espada dourada no chão e coloquei a na bainha. Olhei para Pedro, depois para Selina. Os dois se entre olharam logo depois de mim. Em um movimento rápido eles cataram as espadas e dispararam em minha direção. Eu corri pelas ruínas do outro lado do templo.
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