Os Poderes Perdidos
19 Capítulo 19: Mergulho para a morte
FOI A PRIMEIRA vantagem em ser filho de Zeus que notei desde que me descobri semideus. A cobra não havia parado de cuspir fogo e eu, exausto e tonto. Rastejei até meu mais novo parceiro e o montei. Eu ainda estava tonto, como se tivesse quase desmaiando, mas me mantive firme.
Voando conseguimos nos aproximar do animal, e eu estava certo. Havia um circulo de fogo embaixo, onde o corpo do animal deveria estar, então eu só via a parte de cima: O enorme pescoço e a cabeça gigante com olhos vermelhos e dentes afiados.
– Hey bicho feio – eu chamei
O monstro se virou cuspindo fogo, mas meu pegaso era mais rápido e conseguiu desviar. A cobra tentou atacar de novo, mas ainda sou mais rápido, e dessa vez consegui desferir um golpe com Omega, ceifando o pescoço da aberração.
– Wow, era só isso? – disse
Algo chama me atenção. Selina. Ela está gritando algo pra mim, com certeza deve ser algum estimulo ou um agradecimento por eu ter matado a fera então apenas sorrio de volta.
– Segura! – disse meu pegaso na minha cabeça e mergulhou em direção ao fogo.
Não entendi nada até ver as duas cobras enormes lá. Elas cuspiram fogo juntas e só me salvei porque meu pegaso mergulhou em direção ao fogo... Ai caramba ele mergulhou em direção ao fogo!
– Sobe, sobe, sobe! – eu dizia
Pã! Ele subiu no ultimo momento me livrando de ser cremado vivo. Segurei Omega com força. Se matei uma, mato duas, não é mesmo? Não, não é. Mas eu ia me esforçar. Subi com o pegaso, agarrado em sua crina. Agora seria mais fácil, porque os arqueiros disparavam flechas, o que me dava medo de eles acertarem em mim alguma, ainda mais as de fogo, ou as explosivas (principalmente as explosivas).
Me aproximo de uma cobra que está distraída e ceifo sua cabeça, a outra vem pra atacar, mas meu pegaso desvia e corto seu pescoço. Achei que havia acabado quando mais 2 apareceram na minha frente, corto suas cabeças. Outras duas atrás. Decepei-as também, mais 4 na frente e mais 4 atrás.
Olho para baixo, Selina pôs as mãos na cabeça ainda gritava pra mim, de forma que talvez fosse melhor escutá-la. Digo ao pegaso para descer e ele tenta, driblando aquele monte de cabeças, mas uma consegue nos acertar, não com os dentes mas com uma cabeçada que me faz voar do pegaso em direção as pedras. Pedras. Melhor elas do que o fogo.
A queda era de uns 10 metros. 9. 8. 7. 6. 5. 5, o numero que me fez rever o pavor. A 5 metros do chão, pude ver que não era nas pedras que eu ia cair, e sim no fogo. Pânico. Eu não tinha o que fazer a não ser me irritar com Hades rindo em minha mente. Não, eu não podia morrer. Mas senti que estava. Eu não ouvia mais nada, nem a risada, nem os gritos, nem o barulho das pedras. Eu só ouvia a batida do meu coração... talvez a ultima batida.
Começo a gritar apavorado. Não, eu não ia desistir. Omega virou uma lança em minha mão, estiquei-a pra frente e ela raspou em uma pedra. Até cravou, mas logo se soltou. 3 metros. 2. 1. Fecho os olhos e não faço mais força, jogo as mãos para cima e... sinto alguém agarrá-las. Abro os olhos. Meu anjo da guarda! Bruno.
– Segura firme. Segura firme. – ele disse, segurando minha mão com suas duas.
Jogo os pés pra frente tentando alcançar as pedras e escalar, mas estou longe. Não ouso olhar para baixo, só iria me dar mais pânico, se é que é possível. Mas ouso olhar para o corpo dos animais... não, do animal, só tem um corpo. Um corpo, 8 cabeças... Oh, céus! Eu cortei a cabeça de uma hidra! Eu só piorei as coisas. Mas ainda tinha problemas maiores. Uma cabeça, uma cabeça vindo na direção de Bruno. Era o fim. Ele a olhou e mesmo assim não me soltou, não correu. Ela está perto, com a boca aberta pronta pra nos engolir quando de repente bum! Um escudo dourado a luz do fogo atinge bem em seus olhos. O animal rosna e se vira.
– Rápido. Vem. – David disse pegando meu outro braço. Juntos, ele e Bruno me içaram.
– Onde está...?
– Ali – Bruno apontou. Selina contra uma cabeça, luta boa de se ver, mas ela não duraria muito tempo. O bicho tentou abocanhá-la mas não conseguiu porque ela rolou para o lado e desferiu um golpe certeiro no olho do animal. Ele urrou e tentou golpeá-la de novo, mas ela conseguiu esquivar. Oh oh. Outra cabeça vindo na direção dela, pelas costas, com a boca aberta e fogo pronto. Disparo em corrida, mas sei que não vou chegar a tempo. Então descubro que não sou só eu que tenho amigos. A azul vem... voando e da um belo chute no nariz da cabeça. Sim, ela estava voando com um... sapato voador? Era o que parecia.
Puxei Selina para o meu lado, Bruno pegou a azul e a trouxe também. Pensei que a hidra viria em nossa direção, mas na verdade ela tinha outras distrações, como os outros. Eu queria salvá-los, mas sei que não conseguiria, então simplesmente evito olhar. Selina me olha fixamente com ódio puro.
– Ta, como Hercules matou essa coisa? – perguntei
– Ele colocou fogo logo depois de cortar as cabeças, para que elas não crescessem mais. Mas é inútil, eu já tentei – Selina afirmou.
– Então o que vamos fazer? – David perguntou
– Matar 8 vai ser difícil – Bruno afirmou
– Impossível – corrigiu a azul
– Se fosse só 1, era bem mais fácil – Selina me disse brava
– Eu não sabia, ok?
– Você acha que é só empunhar uma espada e vai resolver o problema!
– Você poderia ter avisado! – eu disse bravo
– Cala a boca você já estragou demais as coisas por aqui.
– Eu? Então porque não resolve isso, senhorita perfeição!
– Eu resolveria se você não tivesse chamado 300 cabeças da aberração. Seu burro!
– Eu sou burro? Você é... A rainha da idiotice!
– Rainha da idiotice? Quantos anos você tem, 5?
– 3, eu tenho 3!
– Parem! – Bruno gritou – Eu vou ter que jogar uma coisa na cabeça de vocês para entenderem que tem que trabalhar juntos? E sem brigas?
– Jogar na cabeça... – Selina disse e seus olhos se iluminaram... ela me olhou
– Acha que tem no teto? – perguntei
– É claro que tem! Olha a estrutura disso! – ela afirmou
– O que tem no teto? – David perguntou
– Qual é o plano? – Bruno perguntou
– Precisamos de uma saída primeiro. – Selina disse – Precisamos de uma arqueiro, rápido.
Olho em volta, as 8 cabeças estão tentando matar os outros 7 que se escondiam. Um deles tinha que ser arqueiro... E sim, era! Avistei um arco, segui a mão da pessoa, o braço e... Não! Ele não! Pedro segurava o arco com força, e tinha apenas mais 2 flechas em sua aljava.
– Precisamos do Pedro. – eu disse
– David e Bruno, peguem ele. Digam a ele para abrir uma saída. Onde tiver mais água nas paredes. Erick eu e Lívia vamos matar o monstro.
– Mas vai... – David começou
– Custe o que custar. Abram a saída. – Selina disse firme
Os dois saem correndo. Olho para Selina.
– Pedro tem 2 flechas explosivas na aljava, uma abre a saída, a outra quebra as pedras. – eu disse
– Ele vai precisar das 2 para a saída. As pedras é com a gente. – Selina respondeu
– Que olhos de águia. – Lívia afirmou – Literalmente
– Onde está seu escudo? – Selina perguntou
– Ali – apontei para o chão. Peguei-o na mão. E peguei Omega também, em forma de lança.
– Vamos precisar atirá-los. – Selina disse
Bum. Um enorme estouro vindo da direita me fez olhar. Rochas caíram, pedras cederam, mas ainda não conseguiram fazer uma saída. Pedro encaixa a outra flecha no arco. Tinha que ser rápido. Peguei o escudo e o joguei para cima com toda a força. Ele sumiu na escuridão. Cract, o barulho do impacto. Seguro Omega com força e a jogo também. Mais um barulho, mas não o suficiente.
Selina pragueja em grego antigo. Eu praguejo em grego antigo. Lívia nos olha como se ainda não compreendesse. Olho para cima, estreito os olhos. Estalactites balançam. Eles balançam rápido, bem rápido. Olho para onde joguei Omega, um estalactite enorme balançando. Balançando.
– Corre! – gritei.
Peguei Selina pela mão e saí correndo igual a um louco para onde Pedro e os outros estavam. Bum! A flecha explosiva de Pedro atinge a parede e abre um buraco nela. Bum! O estalactite cai com o impacto. Não ouso olhar para trás, mas sei que as cabeças da hidra estão sendo fincadas com pontas gigantes. E também sei que alguns estalactites estão caindo no fogo, e que o fogo vai vim para cima de nós como uma onda.
Tumulto, um tumulto correndo para a saída. Mesmo sendo apenas 12 pessoas, o volume era grande. Consigo chegar a saída puxando Selina para fora, saímos pro lado e um pouco de magma ainda sai da caverna. Caímos no chão. Exaustos, cansados. Confusos e chamuscados. Mas vitoriosos.
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