Os Poderes Perdidos

15 Capítulo 15: Sou nocauteado


COMO SE NÃO bastasse estar preso com uma pessoa chata que acabou de brigar comigo, ainda fiquei sem ter como utilizar meu escudo...

– Eu tive uma ideia – disse a Selina que parecia estar bem mais nervosa e com raiva do que eu. – Eu posso transformar meu escudo, ele pode quebrar a algema.

– Ou minha mão! – ela exclamou – Você está louco, vem comigo.

Ela me puxou pela mão e saiu rápido andando duro cabana afora. Eu saí tropicando atrás e só depois de uns 3 passos consegui me equilibrar.

– Calma! – eu disse – Eu posso tirar isso. É só cortar com a espada.

– Como? Ta brincando, né tomadinha? – ela disse

– Não, olha só. – Eu peguei Omega e pedi que ela esticasse o braço, ela esticou mas me encarava com os olhos arregalados e espantados como se eu fosse matá-la a qualquer momento. Eu medi, medi, medi de novo e quando estava prestes a descer a espada quando Selina me interrompeu

– Não! Para com isso!

– Você prefere ficar acorrentada comigo?

– Não! Mas você vai tirar meu braço fora! Vamos procurar alguém de confiança!

– Confiança? – eu disse – Eu to acorrentado junto e não sou de confiança?

– Cala a boca e me segue! – ela disse e saiu andando

– Não, não, eu vou ir pro outro lado

Ela deixou escapar um leve riso. Me segue?

– Onde você está indo? – perguntei

– Em qualquer lugar que tenha um bom espadachim. Vamos atrás de Bruno.

Não demorou muito até ele abrir a porta e rir 5 minutos da nossa cara enquanto a gente mandava ele calar a boca e dizia que foi culpa de Aron e que não fizemos nada. Pedimos a ele que quebrasse a corrente. Ele tentou espada de esgrima, espada de lamina dourada, espada de titânio primordial, mas nada quebrou aquilo.

– Pega a minha espada – eu disse

– Está louco, eu não quero me eletrecutar! – ele afirmou – Mas aí, vocês ficam tão bonitinhos juntos – ele disse e riu histericamente com seus amigos verdes e David que estava junto.

– Cala a boca! Aron me prendeu aqui, eu preferia estar morta! – Selina afirmou

– Queria ver se fosse você que estivesse preso com ela e eu tivesse fazendo piada.

– Foi engraçado – David disse

– Ah, cale a boca – eu e Selina dissemos juntinhos

Saímos dali entupidos de raiva e fomos atrás de algum arqueiro cabanas a fora, mas quando estávamos quase chegando nos azuis (a primeira em que íamos procurar) Selina parou de repente como se tivesse visto um fantasma.

– O que foi? – David perguntou

– Nada, eu só... me ocorreu que... deixa pra lá.

***

Pelos meus cálculos nós procuramos um arqueiro até lá pelas 10h da noite e em toda cabana que passávamos eram zombados e havia as piadinhas quando contávamos a história. Mas nossa busca não durou muito tempo porque quando começamos já era isso aí de horário. Tentamos também a cozinha, passamos olho, manteiga, mas nada deslizou nossa mão o suficiente. Então fomos falar com Aron.

– Escuta Aron, nos arrependemos, não vamos mais querer trocar de equipe, por favor solte a gente – implora Selina

– Vamos fazer assim – ele começou – vocês vão ficar o dobro do que eu disser, ok? 1 dia assim

– Então são 2 – eu disse

– Agora são 4 – disse Aron

– Que é... – antes de eu terminar Selina tampou rapidamente minha boca com a mão e parecia que ia explodir, seu rosto estava completamente vermelho.

– Tudo bem Aron, entendemos. Vem, tomadinha

Ela me puxou arrastado para nossa cabana onde sentou e me empurrou pra o beliche ao lado.

– Tudo culpa sua! – ela afirmou

– Minha? – indaguei, até parece que eu tinha brigado sozinho

– 1 dia assim – ela disse – agora são 2, blablabla – ela fez uma imitação ridícula da minha voz – E só paramos em 4 porque calei sua boca!

– Ok, ok – eu disse, afinal estava mesmo sem argumentos sobre o assunto – Espera, eu tenho que ir no banheiro.

– E agora? – ela disse e caminhamos até a porta do banheiro

– Sei lá, fica de costas.

– Erick, tem um espelho – ela disse devagar e ironicamente apontando para o enorme espelho que ficava de frente pra porta. – Tenta ir, eu puxo o braço o máximo que posso e você faz o mesmo.

– O que?

– Só obedece

Fomos puxando um pra cada lado e o metal foi se esticando como uma borracha até dentro do banheiro. Fechei a porta e usei o banheiro, quando abri a algema nos puxou tão rápido que quase quebrei a mão. Selina fez o mesmo enquanto eu esperava lá fora. Depois ficamos parados lá dentro, procurando meu primo, mas ele já tinha saído. Bum, houve um barulho alto na porta e corremos para abrir mas estava trancada. Bum, lá se foram as janelas.

– O que está acontecendo? – perguntei

– Eu não sei. Arromba!

Forcei a porta varias vezes, mas nada adiantava

– Não da, estão segurando. As janelas

Antes mesmo que pudéssemos correr até as janelas uma nuvem de fumaça começou a surgir do fundo da cabana, uma fumaça verde, que só me fez ficar tonto.

– Tranca a respiração – Selina disse rápido

Eu obedeci, mas em questão de minutos, antes de chegar a janela, caí desmaiado.