Os Opostos Se Atraem
12 Proibido é mais gostoso
Notas iniciais
Os dias se passaram seguindo aquele ritmo: Marina fingia ir pra praia mais cedo, Clara chegava sempre mais tarde, as duas se pegavam pelos quartos, banheiros e demais aposentos da casa. Na rua, sempre havia uma boa desculpa para uma fuga rápida, e a noite, Marina sempre ia parar no quarto de Clara, inevitavelmente. Às vezes as amigas desconfiavam de algo, mas sempre davam um jeito de disfarçar. Nenhuma das duas se permitia parar para pensar porque estavam agindo daquela forma: Pensar era perder tempo, agir era muito mais divertido.
– Ai caramba, a Luiza ainda vai acabar descobrindo isso! – Clara reclamou assim que chegou no quarto de Marina, de madrugada. – Ela está mais do que desconfiada!
– Eu reparei... – Marina disse chegando mais perto – Alguém te viu entrar aqui?
– Acho que não... – Clara respondeu rápido e Marina sorriu.
– Então vem cá... – Meirelles disse a puxando pela mão e Clara sorriu junto – Esquece que elas estão lá fora... –Marina Disse beijando o pescoço de Clara, que já fechava os olhos – A partir de agora você é só minha, docinho... – Marina sorriu pervertida e a beijou, fazendo Clara rir.
Depois de alguns amassos, nada muito além disso, Clara deitou-se na cama ao lado de Marina e ela viu Clara fechar os olhos, lutando contra o sono. Sorriu e a puxou para mais perto, abraçando-a.
– Pode dormir se quiser... – Marina disse baixo e Clara sorriu.
– Eu não posso, eu tenho que ir pro meu quarto daqui a pouco. – Clara respondeu sentindo-se incrivelmente confortável ali.
– Tudo bem, eu acordo você quando amanhecer. – Marina disse e deu um beijo na testa de Clara, que sorriu, mas não respondeu nada.
_//_
– Marina, sua mãe te ligou, você deixou a porcaria do celular no meu quarto e... PUTA QUE PARIU!
Gisele deu um berro ao entrar no quarto. Olhou Clara e Marina que pularam com o grito, e em dois segundos Meirelles estava trancando a porta.
– MAS QUE PORRA É ESSA? – continuava berrando, e Clara deu um pulo na direção de Gisele, tampando a boca dela.
– Gisele, meu amor, pára de gritar! – Clara dizia baixo, mas sua voz estava trêmula – Você disse que ia me acordar! – Reclamou um pouco mais alto, ainda tampando a boca de Gisele.
– Eu acabei dormindo! – Marina alisou o cabelo, impaciente.
– Eu sabia que não tinha que ter vindo e...
– Hum! Hum! – Gisele murmurou com a boca tampada e Clara quase riu, ainda nervosa.
– Se você gritar eu enfio aquele vaso na tua cabeça. Você me conhece. – Clara Respondeu séria e Gisele assentiu.
– MAS QUE... – Gi ia falando alto, quando percebeu o que fizera – Mas... Como? Você estão? Como assim?
– Não é nada disso que você está pensando, Gisele... A gente não tava transando, eu só dormi aqui – Clara respondeu rapidamente e Gisele caiu na cadeira atrás dela, boquiaberta.
– Mas vocês estão... ficando?
Marina encarou Clara, que deu de ombros. Já não podiam mais esconder aquilo, não de Gisele.
– Estamos. – Marina respondeu e o queixo da amiga quase abriu uma cratera no chão, fazendo com que Meirelles gargalhasse – Mas ninguém sabe! Aliás, você também não sabe de nada! Você não viu nada, tá me entendendo, Gisele?
– Mas eu preciso dizer isso pra alguém, Clara Fernandes e Marina Meirelles! Ai meu Deus! – Gisele repetia e Clara riu.
– Se você manter esse segredo, eu arrumo o telefone daquelas amigas minhas que você tinha pedido.
– A Marcelle e a Amber? – Marina viu os olhos de Gisele brilharem ao dizer os nomes e segurou o riso. Clara era realmente boa naquilo.
– Sim, e da Molly também, se você quiser. Ela te achou um gatinha, sabia? – Clada arqueou uma sobrancelha e Gisele estendeu a mão.
– Fechado. Passa os telefones! – Gisele disse e Marina gargalhou, aliviada.
– Nunca pensei que fosse dizer isso, mas as coisas ficaram um pouco mais fáceis com a Gisele sabendo de... De nós! – Clara sorriu tímida brincando com a areia. Eram quase meia noite e ela e Marina estavam numa praia mais distante, só as duas.
– A Gisele pode ser útil quando está interessada... – Marina riu, segurando uma das mãos de Clara. – Clarinha, deixa eu te perguntar uma coisa?
– Claro! – Ela sorriu, vendo as bochechas de Marina ganharem um tom levemente avermelhado.
– Eu estava falando com a Gisele hoje, sobre... É sobre o que nós temos, somos, sei lá... E eu... Não soube o que dizer. – Meirelles disse e Clara olhou em seus olhos – Não que eu precise saber, mas não entendo muito de relacionamento e geralmente as pessoas que costumam a namorar sabem. – Marina riu.
– Tenho pensado nisso ultimamente – Clara sorriu – Acho que posso nos classificar como amigas com benefícios?
– Que? – Marina riu.
– Nunca viu One Tree Hill, cabeçuda? – Clara deu um pedala em Marina, que riu mais ainda.
– Desculpa se eu não sou viciada em seriados. – Marina disse com a voz afetada e Clara mordeu sua bochecha. – Explique-se.
– Bom, nós somos amigas... Nos damos bem, apesar de ninguém saber disso. Mas temos o benefício de ficarmos também, entende?
– Isso é o novo jeito de dizer que temos uma amizade colorida?- Marina gargalhou da cara de desdém que Clara fez.
– Se você tiver oitenta anos, vovô! – Ela disse rindo e Marina suspirou, derrotada.
– Porque você tem que ser tão chatinha?
– Pra agüentar você.
– Outch! – Marina fez careta para a resposta, e Clara gargalhou. – Retire o que disse!
– Não.
– É melhor retirar...
– Não vou retirar. – Clara sorriu maliciosa e Marina arqueou uma sobrancelha.
– Você sabe correr?
– Ah não, Marina! – Clara arregalou os olhos – Você não vai...
– Dois segundos de vantagem. – Marina disse e Clara ficou de pé, gargalhando. – Um, dois.
Clara deu um grito e Marina saiu pela praia atrás dela, rindo alto, enquanto Clara tentava, em vão, correr na areia fofa. Em questão de segundos, Marina a pegou pela cintura enquanto Clara ainda se debatia.
– Por favor, não faz isso! – Ela pedia com a voz chorosa e Marina riu.
– Agora você pede por favor, né? – Disse entrando na água e indo mais para o fundo. Clara prendeu as pernas ao redor da cintura de Marina, tentando evitar contato com a água, fazendo-a rir ainda mais – Você tá me escalando?
– Eu vou te matar Marina, essa água tá um gelo!
– Tarde demais, docinho!
Marina a derrubou na água e desatou a rir, e quando Clara saiu para a superfície, Marina sorriu maliciosa.
– Eu mandei você retirar o que disse...
– Já disse que te odeio hoje? – Clara perguntou séria, apertando as mãos contra os braços descobertos – Eu te odeio, Meirelles.
– Você fica sexy nervosa.
– Cala a boca.
– Eu posso te esquentar, se você quiser... – Marina Sorriu maliciosa.
– Você é uma idiota! – Clara disse quase rindo.
– Uh, isso foi um quase sorriso? – Marina disse segurando o rosto de Clara com as duas mãos – Estamos melhorando aqui.
– Você que pensa. – Clara Respondeu firme, vendo-a aproximar o rosto do seu – Eu vou te morder.
– Eu gosto de mordidas. – Meirelles gargalhou.
– Não vai gostar dessa, amiguinha. – Clara disse e quando Meirelles aproximou a boca da sua, mordeu o ar, quando Marina se afastou. – Viu?
– Você mordendo o ar? Vi! – Marina gargalhou e Clara bufou, saindo da frente de Marina e indo para a areia.
– Volta aqui Clarinha, eu tava brincando! – Meirelles disse apreensiva e Clara parou de andar, de costas pra ela. Clara suspirou ruidosamente e virou de frente.
– ouça bem o que eu vou dizer, porque provavelmente será a última vez que você vai ouvir: Você acabou de se tornar a pessoa mais sexy que eu já conheci, porque só você consegue me fazer ir do ódio ao... – Clara parou e respirou fundo.
– Amor? – Marina completou, segurando-a pela cintura.
– Menos do que isso.
– Tesão?
– Mais do que isso. – Clara riu, mordendo o próprio lábio. – Eu não vou conseguir explicar, mas eu posso te mostrar... – Clara Disse baixo e ficou encostando os lábios nos de Marina e a beijou, enquanto Marina a fazia prender as pernas em sua cintura e passeava com os dedos gelados por suas costas descobertas pelo vestido. – Você... Você... Conseguiu entender?
– Eu sou burra, vou precisar de mais algumas explicações!
Marina sorriu marota e Clara gargalhou, fechando os olhos e sentindo-a aproximar novamente. Não precisavam de explicações. Há certas coisas que não se deve explicar, apenas sentir.
Fale com o autor