Os Opostos Se Atraem
13 Amigas com benefícios
Notas iniciais
– Amigas com benefícios? – Gisele riu – Isso não colaria se eu usasse com uma garota, mas com a Clara dizendo, aposto que ficou bem fácil de acreditar...
– Tudo o que ela diz fica muito fácil de acreditar – Marina dizia olhando para a piscina, vendo Clara conversando com a irmã – Eu não sei o que acontece.
– Acontece que você tá gostando dela! – Gisele gargalhou um pouco alto e Marina fez careta.
– Eu não to gostando de ninguém, fica na sua.
– É claro que está, e é da Clara! – Fernanda chegou e Gisele não conseguiu conter o espanto em seu rosto. Marina sorriu amarelo.
– Se mata, Gisele. – Marina respondeu sem graça e quando Fernanda ia abrir a boca pra falar, Roberta veio correndo até elas.
– Meninas, prestem atenção: Sábado nós vamos dar uma festa na mansão! A Vanessa concordou por vocês, só um detalhe... – Roberta riu.
– Concordou por nós? – Fernanda fingiu indignação – Tudo bem, pra festa eu deixo! – Fernanda riu.
– Vamos chamar o pessoal aqui da região e fazer uma festa inesquecível! Muita bebida, gatinhos – Robby parou no meio da frase e se corrigiu – Francesas também, né Marina?
Marina tossiu e Gisele segurou o riso.
– Adoro francesas. – Marina disse ainda abalada e Fernanda desatou a rir.
– Eita, o que deu nela? – Robby franziu a testa sem entender.
– Nada, Fernanda é retardada! – Meirelles disse rapidamente – Vou pra água.
Marina se jogou na água e mergulhou até o outro lado da piscina. Voltou à superfície apoiando as mãos na borda, quando percebeu que aquilo não era borda alguma. Chacoalhou a cabeça e passou uma das mãos nos olhos, para enxergar melhor. Estava com as mãos apoiadas nas coxas de Clara. Vanessa encarava abismada e Marina ficou sem reação. Clara sorriu discretamente e bateu um pé na água, dando um caldo em Marina.
– Meirelles! Tá maluca? Tira a mão daí, sua idiota! – Clara berrou enquanto Marina tentava limpar os olhos com cloro. – Ai meu deus, machuquei você? – Clara disse ainda alto e de repente todos da piscina pararam pra olhar.
– Eu não acredito que eu ouvi isso! – Vanessa repetiu boquiaberta e Gisele encarou Clara, apreensiva.
– Ah, mas se tiver machucado, foda-se também! Ninguém mandou por a mão onde não devia! – Repetiu alto e Meirelles a encarou, sem dizer nada. – Vou pegar algo pra beber.
Clara disse por fim e passou ao lado de Gisele, fazendo sinal com a cabeça pra que ela a acompanhasse.
– Vou ao banheiro! – Gisele disse alto e entrou na casa logo em seguida. – Se controla, a Clara que a gente conhece não ficaria preocupada em ferir a Marina que a gente conhece! – Gisele disse rolando os olhos e Clara assentiu.
– Eu sei, não sei o que houve comigo! – Disse sincera – Faz a Marina entrar pra eu ver o olho dela!
– Só foi um pouco de cloro, Clarinha... – Gisele riu e parou – Ops! Já entendi o que você quer ver! – gargalhou e Clara mostrou o dedo, mas também ria. – Tô indo!
– Hey, Gisele!
– O que foi?
– Obrigada. Você é um fofa. – Clara Disse sincera e Gisele sorriu.
– Não tem de quê.
Gisele foi em direção a piscina e viu Marina deitada numa cadeira ao lado de Roberta. Fez uma careta estranha, mas seguiu mesmo assim.
– Marina, você precisa lavar teu olho... – Gisele disse rapidamente e Meirelles arqueou a sobrancelha.
– Eu to bem, Gi.
– Não tá não, vai arder, você tem que lavar seu olho.- Gisele disse impaciente e Roberta riu.
– Que bonitinho. Preocupada com a amiga, own. – Roberta disse olhando para o nada e os olhos de Gisele arregalaram.
– Tá falando comigo?
– Não, com as minhas unhas... – Robby rolou os olhos teatralmente e riu. – Marina, vai lavar logo seu olho antes que a Gisele faça isso por você.
– É, meu olho! – Marina deu tapa na testa entendendo a mensagem e entrando em casa. – Clarinha? – Sussurrou entrando na cozinha, sem ver ninguém.
– Aqui. – Ouviu a voz da garota vindo do banheiro e sorriu. – Ah, desculpe, você está bem? – Clara disse preocupada e Marina riu.
– Foi só um pouco de cloro, Clarinha. Não é como se eu fosse ficar cega ou coisa do tipo. Mas já que você está preocupada... Eu deixo você cuidar de mim. – Meirelles sorriu marota e Clara riu.
– Não estou mais preocupada, você está bem, vou pra piscina.
– Ai, ai meu olho! Ai meu Deus, vou ficar cega! – Marina disse segurando o olho e Clara virou de frente, arqueando uma sobrancelha. – Cuida de mim? – Marina Perguntou com a carinha fofa e Clara não resistiu, riu baixo e passou as mãos ao redor do pescoço de Meirelles, roçando o nariz no dela.
– Você não presta.
– E você adora.
– De certa forma... – Clara sorriu e Meirelles gargalhou, antes de beijá-la.
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– Ok, nós temos dois dias pra fazer essa festa bombar, por onde começamos? – Luiza perguntou em frente ao notebook e Clara entrou correndo no quarto.
– Achei vocês! – Ela sorriu.
– Aonde você tava, louca? Te procurei pela casa toda! – Flavinha disse e Clara sorriu amarelo.
– Tava conversando lá fora... Mas okay, foco não é meninas? Temos uma festa pra organizar! – Clara Disse e Luuh fez careta, mas obedeceu. Não adiantaria perguntar.
Aos poucos as idéias foram surgindo, tanto para a decoração, quanto para o buffet e não foi muito complicado encontrar um Dj. Vanessa, Marina, Fernanda e Gisele não fizeram muita coisa, o que já era de se esperar, mas as meninas também não reclamaram. Organizar festas era um dos hobbies favoritos de Clara, Luiza, Flávia e Roberta.
– Tivemos sorte de achar uma gráfica que imprime os convites pra gente hoje, não? Precisamos entregar isso para pessoas bonitas o quanto antes! – Flavinha disse rindo e as meninas concordaram.
– Certo, então vamos chamar a Vanessa e as meninas pra agilizar o processo! – Luiza disse – É claro que temos que supervisionar tudo o que elas fizerem.
– Ei, eu ouvi isso! – Vanessa exclamou e as quatro riram.
– Era pra ouvir mesmo, Fernandes! – Luuh completou – Precisamos buscar os convites na gráfica, comprar as coisas da decoração, comprar as bebidas e coisinhas pra comer e fechar com o Dj. Estamos em oito, vamos em quatro duplas. – Luiza olhou ao redor da sala – A Clarinha tem que falar com o Dj, porque foi ela quem fechou com ele pelo telefone, a Robby entende melhor de decoração, eu entendo bem de bebidas, então a Flavinha pega os convites.
– Tá, mas eu posso fazer isso sozinha, não preciso que ninguém venha comigo e... – Flavinha ia dizendo quando Clara interrompeu.
– Todo mundo tem que participar, fica na sua Flávia ! – Clara disse e a amiga fez careta.
– Isso, a Clarinha tá certa! – Luiza sorriu de um jeito estranho, que Clara não conseguiu decifrar – Marina, você vem comigo? Luiza Perguntou olhando especificamente para Clara, que deixou o queixo cair levemente. Não precisava de mais nada, aquilo era melhor do que se Clara formalmente tivesse dito alguma coisa.
– Eu? Comprar as bebidas? – Marina fez careta.
– É, vamos? – Luuh sorriu e Fernanda arqueou uma sobrancelha.
– Tudo bem. – Marina disse baixo e desanimada.
– Eu vou com a Clarinha. – Fernanda disse e Clara ainda estava abalada com o surto da amiga. Então ela realmente sabia, o tempo todo. Deu de ombros ao ver que Fernanda se aproximava.
– Eu não entendo nada de decoração, posso ir com você pra gráfica Flavinha? – Vanessa perguntou com as bochechas vermelhas e a Flávia sorriu.
– Claro.
– Como é? – Gisele disse alto e Clara riu. – Ah esquece, eu desisto de entender vocês. vamos Roberta, vamos decorar as coisas... – Gisele disse engraçadamente e todos da sala riram, antes de irem para seus afazeres.
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– Meirelles, terra chamando por favor! – Luuh disse pela quinta vez, já estava rindo da cara de nada com que Marina encarava as prateleiras lotadas de bebidas diferentes.
– Desculpa, tava viajando...
– Aonde, exatamente? – Ela perguntou pegando algumas garrafas de vodka.
– Como assim? – Marina franziu a testa e Luiza gargalhou.
– Bom dia Marina, como vai? – Luuh disse e Marina riu alto – Perguntei no que você tava pensando.
– Em nada, só tô com sono... – Marina desconversou e Luuh segurou o riso.
– E aquela francesa, Meirelles? Ainda está com ela? – Perguntou aleatoriamente e Marina mordeu o lábio.
– De vez em quando. – Marina Disse rindo. Luiza era estranha, estava começando a ter medo dela – Por quê?
– Por nada. Acho que ela te faz feliz. – Luuh sorriu de um jeito encantador e Marina sorriu junto. – Você está diferente sabe? Ela anda te fazendo bem, quem quer que seja... Aliás, ela vem pra festa?
– Não sei, eu vou chamar.
– Isso! Chama mesmo, eu quero conhecê-la! Acho que vou gostar dela!
– Provavelmente... – Marina riu. Então Luuh tacou um engradado de cervejas no carrinho e bufou.
– Caralho Marina, quando você vai deixar escapar que a francesa na verdade se chama Clara Fernandes? – Luiza quase berrou e Marina arregalou os olhos, completamente assustada.
– Que?
– Isso mesmo, vocês pensam que eu não sei, mas eu sei de tudo! Vocês estão ficando, não estão? E outra coisa, a Fernanda sabe e a Vanessa pode passar a desconfia e...
– Luiza, respira! – Marina estendeu as mãos e Luiza parou. – Eu não sei do que você está falando.
– Sabe sim Marina! Até quando vocês vão esconder isso?
– Luiza eu não...
– Ah, cala a boca ! Se é pra ficar mentindo, não precisa nem falar... Pega mais dois engradados disso e me encontra na seção de frios!
– Luiza, volta aqui!
– Ah, e outra coisa... – A garota voltou e aproximou-se de Meirelles – Não que a Clara mereça, porque não devia esconder isso de mim... Mas se você magoar a minha amiga, você vai se ver comigo, Meirelles!
– Clarinha, se você continuar falando francês com esse cara eu te peço em casamento em dois minutos! – Fernanda sussurrou e Clara segurou o riso, enquanto assinava um contrato com o Dj.
– Você é uma idiota, Fernanda . – Clara riu — Merci, jusqu'à demain.
– O que você falou pra ele?
– Que ele é uma delícia e que eu quero ir pra cama com ele essa noite. – Clarinha gargalhou. – Eu só agradeci, sua retardada!
– Ah sim, acho bom mesmo! Até porque eu conheço alguém que não ia gostar nada de saber que você anda de gracinha pro lado do Dj... – Fernanda disse e assoviou, olhando para o teto. Clara chacoalhou a cabeça e riu.
– Você nunca vai desistir.
– Nunca.
– Hum, tá calor, quero um sorvete! – Clara riu e Fernanda rolou os olhos.
– Não adianta fugir, eu sei exatamente o que está acontecendo... – Fernanda disse indo em direção ao vendedor de sorvetes – Vai querer o que?
– Flocos. – Clara sorriu – E eu sei que você sabe.
– Um de flocos e um de chocolate, por favor. – Fernanda disse distraída – É claro que eu sei e... Espera, o que você acabou de dizer? – Fernanda arregalou os olhos e Clara riu.
– Que eu sei que você sabe, ué! – Clara disse pegando o sorvete e andando até um banquinho.
– E você acabou de assumir isso!
– Exatamente. Pronto, Fernanda, agora você oficialmente sabe. Está feliz? – Clara gargalhou e fez careta.
– Claro que não! Agora vem a melhor parte... A parte que você me explica COMO ESSA LOUCURA VEIO A ACONTECER! – Fernanda berrou e Clara desatou a rir, lambendo o sorvete.
– Credo, vocês são muito dramáticas...
Clara Disse e começou a contar a história, que ela mesma mal sabia explicar, sob o olhar atento e as perguntas constantes de Fernanda, que parecia não acreditar no que estava ouvindo. De fato, imaginar Marina e Clara juntas não era a coisa mais fácil do mundo para ninguém.
– Hey Mari! – Fernanda entrou no quarto de Marina, que procurava uma regata no armário.
– Hey! Fecharam com o Dj? – Meirelles perguntou despreocupada, vestindo uma regata verde.
– Fechamos. Cara, agora entendo o porque da francesa... A Clarinha realmente fica muito sexy imitando uma. – Fernanda disse rindo e Marina arqueou uma sobrancelha, virando-se de frente. – Eu já sei de tudo.
– Ah, tá bom então... – Marina riu.
– Não tá acreditando? Eu posso ser mais clara se você quiser, Meirelles! – Marina arqueou uma sobrancelha de um jeito desafiador e riu – Vocês ficaram pela primeira vez naquele dia da boate. Ela te pediu motivos pra alguma coisa que eu não lembro... Depois continuaram ficando escondidos pelos cantos da casa, com desculpas esfarrapadas para nós e... – Fernanda parou e gargalhou da cara de espanto de Marina – Eu disse que sabia.
– Ela te contou isso? – Marina franziu a testa e Fernanda balançou a cabeça afirmativamente – Eu achei que não podia dizer pra Luiza, ela quase me matou hoje a tarde... – Meirelles riu – Mas tudo bem, deixa quieto.
– Marina, eu nunca imaginei um negócio desses!
– Eu menos ainda. – Meirelles riu – Aliás, tem hora que eu ainda nem acredito!
– Besta! – Fernanda gargalhou – Ela gosta de você. – Fernanda disse sorrindo e Marina virou de frente, paralisanda.
– O que você disse? O que ela disse?
– Ela não disse com todas as palavras, mas eu conheço a Clarinha... O jeito que ela fala de você é estranho, tenho certeza que ela gosta de você!
Fernanda disse e Marina respirou fundo. Sentiu seus lábios se curvarem num sorriso tímido, mas ainda assim estava descrente na informação. Clara Fernandes gostando de alguém? E esse alguém era ela?
– Não acho que seja verdade... – Marina chacoalhou a cabeça e riu – Afinal, somos apenas amigas com benefícios, nada mais.
– É na amizade que se começa, Marina! – Fernanda riu – E eu sei que você gosta dela, o que é estranho. Eu nunca vi você tão afim de alguém...
– Ei, nem vem, eu tô normal! – Marina levantou as mãos e gargalhou.
– Esse não é seu normal! Ah, que orgulho, minha garota cresceu... Em breve vai dispensar as gostosonas pra ficar em casa vendo filmes abraçada com a namorada! – Fernanda sacaneou, apertando as bochechas de Meirelles.
– Sai pra lá, Fernanda! – Marina a empurrou, segurando o riso – Eu nunca serei esse mulher! Parece que não me conhece! Meirelles não é de uma só, e nunca será! – Marina disse firme e Fernanda arqueou a sobrancelha.
– Melhor você se cuidar então, Marina... Porque esse lance com a Clara vai ficar perigoso. Se você não for o melhor pra ela, já sabe das conseqüências...
– Tá me ameaçando?
– Eu não. Mas a Vanessa vai ficar bem puta. – Fernanda fez careta – Agora vou nessa, pegadora... Tô com fome, e hoje temos que entregar convites por aí, não esquece!
– Não vou esquecer. – Marina disse realmente baixo, e assim que viu a amiga sair do quarto, se jogou pra trás na cama. O que ela estava fazendo? Quem era aquela Marina Meirelles da última semana?
– Nossa, você quer matar quem do coração com esse vestidinho vermelho dona Clara? – Flávia assoviou e Clara riu, tacando uma almofada na amiga.
– Ninguém específico, só tenho que estar bem convincente pra que os franceses aceitem vir pra nossa festa, sabe? – Clara respondeu rindo e Robby concordou.
– As amigas da sua irmã estão lindas e perfumadas, acabei de vir do quarto da Fernanda! Sério, isso vai bombar amanhã! – Luiza disse animada e as três riram, indo para o quarto de Luiza.
As garotas desceram as escadas da mansão e Marina sentiu o queixo cair quando olhou para Clara. Gisele não pode deixar de rir, ainda que discretamente, enquanto olhava todas aquelas pernas e decotes passeando em sua frente.
– Pra que chamar mais gente, voto em festa particular! – Fernanda disse e Clara estapeou Fernanda que riu alto.
– Pervertida!
– Vocês que me levam pro mau caminho, tá? – Fernanda disse com carinha de bebê e as meninas riram – Vou chamar a donzela da Vanessa pra gente ir!
– Eu vou pegar uma cerveja! – Marina disse rapidamente e passou entre Roberta e Luiza, que não disseram nada.
Aproveitando que as amigas conversavam distraídas, Clara caminhou devagar até a cozinha, mas logo percebeu que Flávia estava em seu encalço e desanimou. Viu Marina e Fernanda conversando e parou do lado de Meirelles.
– Oi, tentação. – Clara Sussurrou vendo Marina arrumada com sua camisa branca e uma saia longa. Marina riu baixo.
– Que pernas. – Marina murmurou e Clara riu um pouco mais alto.
– Clarinha, acabou a Sprite, serve Fanta Uva? – Flavinha disse e Clara chacoalhou a cabeça, voltando para o foco.
– Pode ser, vai... – Clara disse sem humor algum.
– Cheguei, vamos nessa? – Vanessa disse entrando na cozinha e parou para olhar para Flávia e seu vestido azul royal curtinho. Suspirou alto. – Erm, bonito vestido! – Vanessa disse desconcertada e Clara riu. – Ei, aonde você pensa que vai com esse pedaço de pano?
– Vá a merda, Vanessa! – Clara gargalhou.
– Eu vou ter que te proteger no caminho! Mas que diabos, odeio ter uma irmã gostosa! – Vanessa disse e Marina gargalhou, saindo da cozinha.
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