Os Olhos da Morte
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Bem, essa é a primeira história que posto aqui (e em qualquer outro site), então, não sei se alcançará as expectativa de vocês.
De qualquer forma, espero saber o que vocês acharam.
Boa leitura.
Era um dia normal, como qualquer outro. Eu havia saído do meu pequeno apartamento alugado, na cidade de Millow, para ir ao trabalho, onde o que mais faço é servir café.
Não entendo, particularmente, porque as pessoas gostam de café. Para afogar as mágoas, talvez. Mas para isso existe o uísque.
É, eu não gosto de café, até o cheiro me incomoda. Se eu gostasse, poderia ter sido salva, só para morrer depois, um pouco mais tarde.
Porque, naquela noite, quando recusei tomar um café com Chuck, um cara legal que sempre aparece na lanchonete às 20:30, eu fui baleada.
Mas a recusa, apesar de ter me matado naquela hora, me salvou depois. E, mesmo quando abri os olhos no hospital, eu soube que aquele assaltante que me fez de refém não mentiu ao dizer que me mataria, porque ele me matou.
Primeiramente, foi o barulho. Depois, a dor. A ardência em meu peito era tanta que poderia me matar de novo e, então, senti alguém segurando minha mão. Percebi os fios antes de meus olhos encontraram a Sra. Clarc, e só nesta hora me dei conta de que estava em um hospital.
— Querida, você está bem?
Eu quis responder, mas só conseguia pensar no barulho do tiro e na dor que ele causara. Repetidamente, como um vídeo no replay.
— Oh, não. Não precisa responder — ela disse. — Vou chamar a enfermeira.
Apertou de leve minha mão e foi até o corredor. O silêncio que ficou no quarto parecia gritar.
No tempo em que ficou fora, pensei no tempo em que fiquei desacordada — quanto tempo? E outra coisa me intrigava, uma sensação horrível de vazio, como se tivesse esquecido de algo, mas sabia que havia acontecido.
A Sra. Clarc voltou com uma moça que vestia o uniforme do hospital. Ela sorriu ao me ver.
— Olá! — Ela checou os aparelhos ao lado de minha cama. — Sou a enfermeira Rose. Consegue falar, querida? Pode me dizer seu nome?
— Ally... — parei imediatamente quando meu pulmão começou a queimar. Minha voz estava horrível, fraca e desafinada, mas eu não desistiria de falar. — Ally Cortez.
— Muito bem, Ally. — Rose falou. — Graças à Deus que acordou. Está tudo bem com você. Vamos torcer para que possa ir para casa logo.
A Sra. Clarc sorriu de alívio e apertou minha mão de novo.
— Quanto... tempo...? — Falei pausadamente, a queimação insistindo em voltar.
— Bom, isso depende de seu estado, mas... como está melhorando... bem rápido... acho que não chega à duas semanas. — Rose sorriu, mas de forma estranha. O que estaria acontecendo?
Balancei a cabeça negativamente, o que me deu tontura. Fechei os olhos.
— ... eu fiquei aqui? — Completei a pergunta e tossi. Foi como se meu pulmão saísse do peito.
— Ah, sim — ela limpou a garganta. — Três dias, querida. — Rose falou da forma mais reconfortante possível. — Evite falar, está bem? Seu pulmão ainda precisa se recuperar. — Ela olhou para a Sra. Clarc. — Ela vai ficar bem.
— Obrigada — a Sra. Clarc respondeu, e depois as duas foram para o corredor novamente.
Três dias desacordada, e Rose dissera que eu estava me recuperando bem rápido de um tiro no pulmão. É possível sobreviver depois de levar um tiro no pulmão? E se recuperar em três dias? Eu não sabia o que pensar sobre isso.
A Sra. Clarc voltou e se sentou ao meu lado, sorrindo.
— Você está realmente bem. Isso é um alívio. — Ela piscou para afastar as lágrimas dos olhos. — Me desculpe por chorar, mas você sabe que é como uma filha para mim. — Uma pausa. — Eles disseram que suas chances eram mínimas, acharam que fosse morrer. Na verdade, estava morrendo. Seus batimentos estavam fracos, não respirava sozinha. Quase não aguentou a cirurgia — sua voz falhou. — A bala... perfurou seu pulmão... quase acertou o coração... Depois da morte do meu menino, eu não aguentaria ver você partir... E eles disseram que você não deveria se recuperar... não em três dias.
Ela começou a chorar de verdade, até soluçar.
A bala perfurou meu pulmão, quase acertou meu coração. Mas eu sobrevivi. Sobrevivi?
— Mas, então, você melhorou — ela se recompôs. — De uma hora para a outra. Os batimentos voltavam, estava reagindo. E, hoje, acordou! — Ela sorriu, limpando uma lágrima. — Dizem que foi um milagre.
Milagre. Essa palavra me acertou em cheio. Eu me lembrava de tudo: o assalto, o assaltante me pegando, a bala acertando meu peito, a escuridão.
Mas houve uma luz. Seria isso o que eu não me lembrava? Seria um milagre?
— Isso mesmo, foi um milagre — ela sorriu e se levantou, me beijando na testa. — Eu já volto, meu pequeno milagre — e riu, brincando. A observei sair do quarto.
Não. Não foi um milagre. Eu não acredito em milagres.
Notas finais
Espero que tenham gostado e que não desistam da história.
Por favor, comentem o que acharam: se ficou bom, se ficou ruim, se ficou legal, se ficou uma porcaria... o que vocês acharam MESMO! Sejam sinceros.
Obrigada pela leitura! :3
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