Os Mutantes de Rineerland
2 Sem respostas.
Por Clara.
A rainha falava, falava, falava. Me fazia perguntas, e em seguida, respondia-as. Não tinha sentido. Eu não conseguia processar a situação.
— Não pode ser. Pode? Óbvio que não. Mas você controlou a menina. Você cantoupara menina. A família dos Cantores acabou faz tempo. Mas você é Rubra. — Ela apontou para uma ferida pequena no meu pulso que jorrava sangue. — O seu sangue é vermelho. Mas como você cantou para menina? Você é um caso perdido. Qual é seu nome?
— Clara... Clara... Meu nome é Clarice.
— Clarice de...?
— Clarice Hellmort.
— Clarice Hellmort. — O rei saiu do meio de sombras. Pronunciou cada letra como se experimentasse o gosto das palavras.
— Já disse. Ela não é Silveira em circunstância alguma.
— Pelo menos sabemos que ela não é uma invasora. – O rei deu de ombros, assim como uma criança que não se importa com nada.
Uma dupla apareceu do breu. Garota baixinha — Julieta, cabelos negros e escorridos, com olhos cinzentos e sem vida. Pele pálida e sorriso morto — e um menino centímetros mais alto — o herdeiro, cujo só o conhecia pelo seu título real, com um pouco da aparência da irmã mais nova. Cabelo escuro e espetado e pele brilhante, mas, já seus olhos traziam uma vida estranha não presente na íris dos pais. Era uma cor própria. Uma cor azulada, comparada ao céu.
— O que vamos fazer com ela? — Julieta indagou, atrevida, me analisando de cima abaixo como um inseto de laboratório.
— Ela não pode sair. Talvez, o mundo todo possa descobrir que existe alguém mais especial que O Alguém, e queiram segui-la. Não podemos perder nosso poder sobre a sociedade. — O rei explicou, gesticulando com as mãos para a menina.
— Mas como a deixaremos aqui dentro?
— Somos os superiores, Hector, podemos fazer o que quisermos.
— Mas ela precisa de um título para se arrastada conosco feito um cão, à nossa guarda. – Hector rebateu.
— Então supõe o que? Que ela se case com você? — A mais nova debochou, indignada com a forma de pensar do irmão, com as mãos em repouso completo na cintura.
— Não. — Ele respondeu quase que automaticamente. Seu sangue fervilhou e subiu para às bochechas.
— Então o que sugere? — O rei, pelo o que sei desde que trabalho na palácio, é um homem que sempre exigiu demais do filho. Queria que ele alcançasse a perfeição.
— Que ela se case...
— Com quem, Hector? Não temos ninguém para ela casar! Apenas você, mas você, querido, não pode ser casar com uma Rubra qualquer. — A mulher parecia furiosa, seus olhos semicerrados me encaravam como uma ameaça.
— Mãe, sinceramente, ela não é uma Rubra qualquer. Ela cantou para uma Bonbs!
— Uma Bonbs que ela você poderia se casar!
— Chega. Estamos expondo nossos planos à Clarice. Vamos sair daqui. Todos para o escritório. — A Rainha saiu acompanhada do Rei e de sua filha caçula. Ficaram apenas eu e o Herdeiro do trono.
— Você só esteve no lugar errado, na hora errada.
— Como assim?
— Você não precisava estar passando por isso. Se tivesse deixado ser recrutada, ao menos não estaria prestes a virar o cãozinho da realeza até sua morte.
— Para onde vou agora?
— Calabouço. — A palavra me soou fria. Calabouço... Calabouço.— Os guardas te levarão. Desejo boa sorte, eles são rígidos.
Me guiaram por uma porta, enquanto eu relembrava cada palavra de Hector. Um dos guardas se abaixou, e tirou um tapete do lugar. Puxou uma abertura subterrânea, e me tacou nela. Caí no chão, com uma dor imensa batucando nas minhas costas. Meu sangue fervilhava a presença de alguém. Uma voz disse alto, sem medo algum. Na verdade, não tinha o que temer. Ninguém nós ouviria.
— Olá. — Uma luz de uma lâmpada queimada que piscava brilhou um canto que me deu uma sensação de espaço. Me arrastando, bati de cara contra uma fileira extensa de grades, e uma mão áspera tocou meu rosto.
— Quem é você... — Não consegui me afastar das mãos que pressionavam seus dedos calejados contra meu rosto meio bronzeado.
— Sou o primeiro filho do rei; seja bem-vinda ao calabouço.
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