Claude leu o arquivo em voz alta.

— "Claude Fernandes é um homem que tem um desejo de vingança em seu coração. Ele deseja matar o mutante que assassinou seu irmão. Eu não sei o quão longe ele vai, mas estou curioso para ver se ele pode receber um empurrão. Se ele realmente se mostrar capaz de matar um mutante, outro ser humano, ele pode ir longe no meu projeto para a NEO-Depecom".

Clara interrompeu.

— Ele... Queria mesmo te usar...

— "Infelizmente, até agora não surgiu nenhum caso onde se justificaria matar um mutante. Mas eu posso dar um jeito nisso. Uma das mutantes na minha lista tem o poder de controlar o fogo. Eu poderia causar um pequeno "acidente" em sua casa para que ela seja incriminada, e melhor ainda, classificada como ameaça. Eu só preciso falar com as pessoas certas. Ela pode ser monitorada de longe, e no momento exato... Digamos que essa garota vai de "inocente" para "criminosa" em questão de segundos."

Guiga cobriu sua boca com a mão.

— Não pode ser... Esse homem é um monstro!

Renata cobriu o rosto e começou a chorar.

— Ei, Renata... Fica calma... — Disse Clara.

— Ele contratou alguém para monitorar a Renata... E ver o momento exato em que ele poderia agir para causar um incêndio em sua casa. Dessa forma... Ela certamente seria classificada como ameaça. E deu certo... — Disse Claude.

Claude copiou tudo para o pendrive e fechou o notebook.

— Eu sinto muito, Renata... — Disse ele.

Renata enxugou as lágrimas.

— Tudo bem, você não sabia... E agora pelo menos eu já sei quem matou meus pais...

Renata se levantou do sofá. Ângela a abraçou.

— Claude... O que você vai fazer? — Perguntou Clara.

— O que é mais óbvio... Eu vou ter uma "conversa" com o Mathias.

— Cuidado, Claude... Agora você sabe o quão perigoso ele é. — Disse Guiga.

— Eu não me importo.

Claude se levantou.

— Tudo isso é prova contra ele, Claude. Você tem que proteger muito bem!

— Disse Eugênio.

— Sim, e eu salvei tudo no meu pendrive por segurança. Não tem como ele escapar.

Renata se virou para Claude.

— Claude...

— Hum...?

Renata correu até Claude e o abraçou com força enquanto chorava. Claude soltou o notebook no sofá e a abraçou de volta.

— Vai ficar tudo bem, Renata... A justiça vai ser feita. — Disse Claude.

Guiga e seus filhos observavam aquela cena. Era incrível como Claude subiu de uma pessoa terrível para um homem maravilhoso em questão de segundos no conceito deles.

— Se precisarem de alguma coisa... Nós estamos aqui. — Disse Ângela.

Renata soltou Claude.

— Obrigada... Obrigada a todos... — Disse Renata.

— Vamos, Renata... Temos algo importante a fazer... — Disse Claude.

— Ok...

Renata e Claude se despediram da família de Guiga. Em seguida, voltaram para o carro.

O cenário era uma casa simples na cidade. Mathias dormia em sua cama. De repente, acordou com o que parecia ser uma explosão.

— O... O que foi isso?!

Rapidamente, Mathias se levantou e tentou acender a lâmpada... Mas a mesma não acendia.

— O que aconteceu? É um apagão?!

Naquele instante, Mathias entrou em choque. Ele ouviu passos vindo de dentro de sua casa.

— Quem... Quem está aí?!

Como estava muito escuro, Mathias pegou uma pequena lanterna de emergência que estava em seu criado-mudo e a acendeu. Assim que saiu de seu quarto, notou um cheiro no ar.

— Isso é... Fumaça?!

Rapidamente, Mathias correu até a sala. Para sua surpresa, havia um balde pegando fogo bem no meio do seu tapete.

— O que é isso?!

Mathias correu até a cozinha e pegou uma jarra com água. Imediatamente, voltou para a sala e a jogou no balde, apagando quase toda a chama. O restante ele virou no chão e apagou pisando em cima.

— Espera... O que era isso que estava queimando?!

Mathias pegou um dos papeis. Ele reconheceu na hora.

— São... São meus projetos?! Meus planos de tornar a NEO-Depecom no maior nome em relação à caça de mutantes?! Mas quem fez isso?!

Mathias novamente levou um susto. Outra vez, passos ecoaram pela casa. Ele apontava a lanterna para todos os lados procurando a origem do barulho.

— Eu vou chamar a polícia!! Quem está aí?!

Mathias ouviu uma porta se batendo. Era a de seu quarto. Rapidamente, correu até ele e o abriu. A cena que ele viu o fez estremecer de medo. Renata estava deitada em sua cama, virada para ele.

— Oi, Mathias... Tá muito frio essa noite...

Renata abriu sua mão e criou uma bola de fogo.

— Por que não vem aqui e se esquenta um pouco...?

Em pânico, Mathias bateu a porta e correu de volta para a sala. Mas para sua surpresa, no final do corredor...

— Olá, Mathias... Obrigado por me ensinar a matar pessoas... — Disse Claude.

Claude mostrou uma faca para Mathias:

— Vem cá... Deixa eu mostrar o que eu aprendi com você...

— Claude... Como... Como você... — Disse Mathias, desesperado.

— Mathias, Mathias... Você protege muito mal seus projetos...

Claude se aproximava lentamente de Mathias, que ouviu a porta do quarto se abrindo novamente. Renata lentamente se aproximava dele por trás, com suas duas mãos em chamas.

— Você gosta de provocar incêndios, certo Mathias...? — Perguntou Renata.

— Você gosta de assassinatos, certo Mathias...? — Perguntou Claude.

Mathias não sabia o que fazer. Imediatamente, caiu de joelhos no chão e começou a chorar.

— Não... Não... Eu não quero morrer...

Claude e Renata se olharam com um leve sorriso. Claude se ajoelhou em frente à Mathias.

— Você não vai morrer, Mathias... Mas eu já cuidei do seu destino.

— O... O que você fez?!

— Todo o seu projeto já foi parar nas mãos da polícia... E eu tratei de chamar um policial que certamente vai gostar de ver o que você estava planejando...

Mathias gaguejou e não falou nada.

— Vamos pra casa, Renata...? — Perguntou Claude.

— Com certeza, Claude... Eu não gosto de ver homens adultos chorando de medo.

Os dois saíram da casa. Alguns instantes depois, um homem entrou na sala, e viu Mathias ajoelhado.

— Você é o Mathias? — Perguntou Beto.

— Eu... Eu...

Beto se aproximou.

— O seu plano de criar um grupo para caçar mutantes foi revelado. Você vai pra delegacia e vai responder por um incêndio criminoso com duas vítimas. Não tem escapatória.

Esse foi o fim de Mathias.

De volta em casa, Claude e Renata entraram na sala sorrindo.

— Você viu a cara dele?! — Perguntou Claude.

— Haha... Tava parecendo filme de terror...

Os dois se olharam.

— Claude... Obrigada...

— Não me agradeça, Renata... Eu fiz por você... E por mim.

Renata se aproximou de Claude e pegou em suas mãos.

— Então... A minha parte da missão já acabou... — Disse Renata.

Claude olhou para o lado.

— É... E teve um final feliz...

— Mas ainda temos muito a fazer.

— Sim... Mas ei, o momento é de comemoração. Você é uma garota livre agora.

Renata sorriu.

— Mas... Eu quero continuar com você por enquanto... Até tudo isso acabar. Até você também ter o seu final feliz.

— ...Obrigado, Renata.

Os dois se abraçaram.