Os Mistérios do Amor
7 Eu não vou desistir
Notas iniciais
Voltamos no carro eu, Nate e Nick em completo silêncio. Eu estava brava e não sabia como reagir em um cenário daqueles. Eu deveria estar completamente feliz, pulando de alegria por ter finalmente conseguido o papel principal na minha peça preferida, mas, mais uma vez, Cameron havia conseguido estragar uma das coisas que eu mais gostava de fazer.
Eu balançava tanto as pernas, que o carro tremia.
Quando Nate parou na frente da minha casa, Cam estava entrando na casa de Emma e aguardei um pouco no carro. Não sabia como reagiria se tivesse que olhar na cara dele naquele momento:
—Ei, gatinha. — Disse Nate.- Minha proposta continua de pé.- Olhei para ele confusa.- Tanto para a comemoração quanto para ser o seu Romeu. Você não precisa estar na peça para viver uma história de amor.
—Podemos deixar a comemoração para depois? — Perguntei fazendo bico.- Preciso entender o que Cam quer com essa história. Além disso, eu não sou do tipo de garota que desiste tão fácil. Essa pode ser a minha porta de entrada para uma boa faculdade.
—Só lembre que estou aqui. — Sorri, como eu poderia ter conseguido alguém tão fofo?
Saí do carro, deixei minha mochila na minha casa, e segui para a casa dos Woods determinada a tirar essa história a limpo. A tia Lucy abriu a porta.
—Minha querida, tudo bem? — Perguntou ela e eu assenti, tentando não transparecer a raiva que eu sentia do filho dela. -Pode subir, Emma está lá em cima.
—Oi, Tia.- Respondi.- Não é com Emma que eu quero falar, mas obrigada. — Disse passando por ela para entrar na casa.
Subi as escadas de dois em dois degraus e atravessei o corredor batendo os pés no chão com força. Passei em frente ao quarto de Emma, que me olhou e segui diretamente por ela, em direção ao quarto seguinte. Abri a porta com força.
Para a minha surpresa, Cameron estava sem camiseta. Fitei seu abdome por um milésimo de segundo, ponderando se deveria sair do quarto, antes voltar meus olhos raivosos para seu rosto, determinada a enfrentá-lo:
—Olha, Cam. Eu não sei qual é a sua necessidade de me torturar dessa forma, ou de qualquer um dos jeitos que você têm feito nos últimos anos, mas dessa vez você passou dos limites. De todos eles. — Minha voz saía como um rugido de tanta raiva que eu sentia. Eu quase não me reconhecia.- Uma coisa é você me infernizar aqui, na escola, no caminho até ela ou através da janela. Outra, completamente diferente, é você fazer o que você fez.- Eu apontava o dedo para ele, que parecia confuso.-Eu tinha o meu refúgio longe de você, seu imbecíl.- Respirei fundo.- Todo mundo sabe o quanto lutei por esse papel, e você não conseguir me fazer desistir dele.
—O que está acontecendo aqui? — Era Emma na porta. Me virei para ela.
—Pode me dar os parabéns, Em.- Me voltei para ela, abrindo os braços. Droga, eu estava chorando. Não queria que isso acontecesse, não na frente de Cam.- Eu sou a nova protagonista da peça da escola. Junto com o seu irmão. — Emma passou seus olhos de mim para Cameron repetidas vezes. Me virei para Cam novamente. — Agora, se me dão licença, eu quero distância de você enquanto ainda posso. — Me virei para ele uma última vez. — Ah, e antes que eu me esqueça de deixar claro: Eu te odeio. Mais do que um dia achei possível.
Disse e saí de volta para a minha casa. Quando cheguei na minha casa, sentei na minha cama e chorei. Chorei que nem uma criança. Chorei forte pela primeira vez em quatro anos, me permitindo sofrer. O filhote de capiroto não tinha esse direito. Eu não entendia, mas aceitava os apelidos, a falta de respeito, a forma rude com que ele me tratava… mas Em nem estava envolvida no clube de teatro. Ele tinha que atrapalhar logo isso?
Depois de algumas horas eu decidi: não choraria mais por isso. Faria qualquer coisa, menos dar a Cameron Woods o sofrimento que ele esperava de mim. Levantei da cama, tomei banho, comi algo para forrar o estômago e foquei em decorar o máximo de falas possível para o dia seguinte. Dormi com o livro ainda em mãos.
***
Na manhã seguinte, acordei mais cedo e mandei mensagem para Nate e Emma. Me recusava a ser obrigada a encarar Cameron naquela manhã, uma vez que passaria a tarde inteira ao lado do ser, ensaiando.
Nate encostou de carro no exato momento em que Cameron e Emma saiam de casa. Entrei no carro rapidamente, sem olhar para eles, e fui em direção a escola.
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