Os Jogadores
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Finalmente é a última aula do dia. Nada de grave ocorreu, a não ser o encontro com Willian mais cedo e o recebimento dos novos horários. Guardava meus materiais que precisava levar para escola na mochila enquanto tocava uma música da Birdy no meu celular, acho que o nome dela era Tee Shirt, quando senti um cutuco no meu ombro e virei para trás, pausei a música e vi uma garota que deveria ter uns quinze anos e alguns centímetros mais baixa que eu. Seu cabelo era loiro e parecia uma boneca de tão bonita.
– Posso conversar rapidinho com você? Prometo não tomar muito seu tempo. – ela falou.
– Ham... Claro. – respondi entranhando.
– Podemos ir a um lugar mais reservado? – ela sussurrou olhando para os lados como se alguém pudesse aparecer a qualquer instante, mas só havia nós. Eu saí da sala um pouco mais cedo por terminado à prova de matemática, mas os outros continuaram lá.
– Acho que ninguém vai aparecer tão cedo. Faltam quinze minutos para bater o último sinal ainda. – falei e fechei meu armário.
– Ta bem, então. – ela concordou meneando a cabeça para ela mesma. – Bom, eu soube da sua gravidez e... – então os alunos já estão sabendo? Que rápido – e sei que é péssimo e você é tão nova. – sua timidez ficava cada vez mais evidente começou quase não abrindo a boca e agora falava a cem quilômetros por hora para terminar mais rápido. – Meu pai é médico e já fez diversos abortos e se eu disser que você é minha amiga ele faz sem cobrar e nem conta a seus pais. Problema resolvido, sabe? E posso garantir que todas as garotas que fizeram abortos com ele estão vivas e bem, nenhuma vida foi prejudicada. Só não posso citar nomes, sabe, os das garotas...
Problema resolvido... Coloquei minhas mãos instantaneamente na minha barriga. Nenhuma vida prejudicada? E a dos bebes? Ela é tão nova e já pensa assim. Eu odeio essa cidade parada no tempo, aborto para os pais não descobrirem e não acabar com a vida que poderiam ter... É ridículo! Esse é o futuro dessa cidade.
– Você está louca? – falei. – Ninguém nem nada fará com que tire meu filho!
– Eu sei que você deve estar achando que não é seguro o que estou falando ou que seus pais vão descobrir, sei que deve estar sentindo muita pressão e se te expulsarem por estar grávida. É só um grãozinho de nada que há em você e que ao mesmo tempo pode acabar com sua vida agora e com o seu relacionamento também... Ele é um homem e homens não suportam a ideia de serem pais tão novos. Será o fim.
– É meu bebe, darei minha vida por ele se for necessário. E juro que se você continuar falando essas asneiras para mim, vou partir essa sua cara. Agora, some! – senti meu rosto esquentar de raiva e a garota sair correndo, mas antes de virar no corredor gritou.
– Só não diz que não te avisei!
Fui para frente da escola e sentei nos degraus esperando o Richard que viria me buscar quando batesse. Em menos de dez minutos ele apareceu desceu da moto e veio correndo na minha direção.
– Você está bem? – ele me perguntou meio que desconfiado.
– Não sei... – respondi.
– O que aconteceu?
– Uma garota... E-Ela falou umas coisas pra mim... – não conseguia encontrar as palavras para falar, apesar de que cada palavra que ela me disse estava nítida em minha memória.
– Que coisas? – Instigou.
– Aborto. E sobre o pai médico que poderia fazer meu aborto de graça e sem falar para meus pais... Que um filho acabaria com meu futuro e meu relacionamento. Como se fosse o melhor que eu pudesse fazer. – deixei as lágrimas saírem pelos meus olhos. Eu podia não estar grávida, mais isso não mudaria o fato de que isso dói em mim, não fui criada para tomar a alternativa mais fácil para mim vida. Se não eu nem estaria mais nessa escola.
– Que barra. – ele passou sua mão pelas minhas costas. – Não quer ir a paria agora? Repirar um pouco?
– Adoraria, mas ainda tenho que pegar o presente do nosso filho. – ri ironicamente.
– Sério? De quem? — Ele perguntou no mesmo tom.
– Willian Collins, fraudas servem como desculpas?
– Se ele nunca mais tocar um dedo em você, acho provável, mas duvido.
– Vamos lá, faltam uns dois minutos para bater e quero pegar antes de sair.
– Você vai mesmo levar pra casa? – ele perguntou com um tom de humor na voz.
– Já viu quanto tá um pacote grande de fraudas nas farmácias? É um roubo. Vou guarda-las como lembrança do meu Ensino médio louco. – ele riu mais ainda e tentei acompanhar.
– Respondendo a sua pergunta não. As fraudas ficam bem longe das camisinhas, sabe... – ambos rimos. Chegamos ao meu armário peguei o presente e dei para ele.
– Feliz dia dos pais adiantado, — falei e o sinal tocou. – Hora de vazar.
Ele passou o braço pela minha cintura e pegou minha mochila ainda segurando o embrulho. – Só entrando no papel – falou sorrindo enquanto os alunos iam saindo de suas salas e andando na direção de seus armários.
– Vamos fazer um passeio? – me perguntou notando que algumas pessoas olhavam para nós. Ele tinha esperança de um dos jogadores passarem por ali?
– O que você tem em mente? – respondi sorrindo maliciosamente enquanto passava meu braço pela sua cintura. Nós não íamos a praia?
– Olha, tem uma casa vazia a nossa espera... Um quarto com uma bela cama com um colchão macio... – meu irmão era impagável... E eu achava que quando crescesse meu irmão nem gostaria de falar coisas assim para mim... Estava completamente enganada.
– Olha, não é aquela garota que está grávida? – comecei a ouvir uns murmurinhos e acho que o Richard também, me pareceu que ele começou a andar mais devagar.
– Muito puta essa garota, ela nem tem vergonha, a Ketlyn foi oferecer ajuda pra ela e só faltou ela partir pra cima dela. Estragar a vida tão... Assim.
– Até que o brinquedinho dos jogadores é gostosa, to começando a me arrepender de nunca ter dado uns pegas nela que nem o Willian e o Thiago! – exclamou um garoto não tão longe de nós rindo alto. Ele queria ser ouvido.
– Calma... – sussurrei enquanto o sentia ficar tenso e começar a tremer um pouco. Olhei na direção da voz e vi Josh passando uma nota de cinquenta pratas para um garoto que deveria ser o dono da voz. – Não se estressa, eles estão sendo pagos para dizer isso.
– Você que deveria estar assim e não eu... – sussurrou de volta.
– É que eu sou sua irmãzinha inconsequente, nunca se esqueça disso. – Subi nas pontas dos pés e pressionei um beijo em suas bochechas.
– A irmãzinha que me usa sempre que está necessitada... Ah! – ele fez um gemido baixo estridente e desnecessário.
– Cala essa boca – bati no seu ombro rindo. – Você que gosta de ser usado! – ri maliciosamente.
Não sei quando aconteceu exatamente, só que de repente várias pessoas começaram a meio que nos atropelar passando entre nós dois até que eu não sentia mais nenhuma das mãos de Richard ou simplesmente ele por perto. Sentia como se eu estivesse presa em meu armário pela primeira vez com todas aquelas pessoas a minha volta, me senti perdendo o ar – eu iria cair a qualquer momento. Sim eu iria.
– Rick! – falei o mais alto que minha voz permitiu, mas acho que mal passou de um sussurro, sentia minha garganta se fechando e meus olhos marejarem. Porque estava com tanto medo? Apenas nos desencontramos e logo ele estaria aqui do meu lado novamente. Não estaria?
Parecia que finalmente os corredores começaram a esvaziar mais ainda não conseguia ver o meu irmão, até que alguém pegou meu braço. Senti-me aliviada na mesma hora, olhei para trás sorrindo. Mas não era Rick, era Will.
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