Os Jogadores

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Olha quem está de volta? Eu! E com mais um capítulo. Um agradecimento especial à Garota Confusa pelo lindo comentário no capítulo um, VLW XOXO. Espero que gostem e boa leitura. Nós conversamos nas notas finais e nos comentários.

Abri os olhos aos poucos para me acostumar com a claridade da enfermaria. O que eu estava fazendo aqui? Após alguns décimos de segundo tudo veio a minha mente. Eles me atiraram na piscina do ginásio. Hoje eles foram longe de mais. Até para eles mesmos. Por isso estou aqui.

Comecei aos poucos ver a figura de uma pessoa de pé a minha frente. Cabelos castanhos como os meus foram ficando cada vez mais nítidos.

— Já estava na hora da bela adormecida acordar – disse uma voz vinda da direção oposta da que eu estava olhando, era o Bryan. Ele ainda estava ali? Que horas eram? Ainda estava cabulando aula. Porque não podia simplesmente ir embora?

— Fica na sua cara, já disse pra você se mandar daqui, mas já vi que você é surdo, então fica na tua que ninguém te deu permissão de falar com ela. – Esse era meu meio irmão Richard, deixando o jogador intrigado, alguém respondendo ao Bryan duas vezes no mesmo dia? Isso deveria ser uma novidade na vida dele, seria para qualquer um dos jogadores da elite, na verdade. – Quer me fazer o favor de me dizer. Que merda. Aconteceu aqui? – O Richard voltou a olhar pra mim quando perguntou com uma sobrancelha arqueada um tanto suave, apesar de suas palavras não serem.

Fazia tanto tempo que não o via que só em pensar em tudo o que tinha acontecido tinha vontade de chorar. Por saudade do Richard, pela dor que já havia passado quase por completo em meus pulmões, por eu ter que aguentar os “jogadores” até o fim do ensino médio e por eu estar agora chorando agora na frente do garoto do qual gostaria que nunca me visse chorando por receio de me ver mais frágil do que pareço e do garoto que faria qualquer coisa só pra me fazer feliz e não merecia me ver nesse estado.

— Rick... – levantei e o abracei me afundando em seu peito, ele era uns quinze centímetros mais alto que eu. Comecei a chorar e sentia os soluços. – Rick... – era a única coisa que eu conseguia dizer e ele me abraçou fechando seus braços nas minhas costas.

— Calma linda. Não precisa chorar eu to aqui com você agora. Já pedi até pra sua mãe pra eu dormir lá na sua casa hoje. Ela deixou, e vai ser uma longa noite... – ele deu uma risada e fez com que eu risse também. Era sempre muito bom quando ele ia lá para casa, fazíamos besteiras pra comer e ficávamos a madrugada inteira olhando filmes ou séries de comédia e terror. – Me deixa secar essas lágrimas, temos uma longa noite pela frente e não quero a lembrança que nosso tempo juntos, assim que passarmos por aquela porta seja de você chorando, só se for de rir. – ele passou os polegares embaixo de meus olhos e pegou minha mochila que só agora via que estava do lado da cadeira que Bryan estava sentado.

— Ela ainda não pode sair! O pai do Will falou que ela só pode sair depois que o último sinal tocar, já que você pelo visto, não é responsável por ela. – disse o mais burro dos jogadores rispidamente, parecendo uma criança minada.

— É mesmo. – Richard se lembrou. – Mas podemos ficar conversando enquanto não toca o sinal. – disse olhando para mim. – E você, vai ficar aqui até que horas? Não tá vendo que eu to aqui com ela agora? – fuzilou o com olhar o outro ser presente na enfermaria.

— Não e você não manda aqui, posso ficar até quando eu quiser! – falou se gabando enquanto cruzava os braços e pernas na cadeira que era para algum acompanhante caso um dos alunos passasse muito mal.

— Não vamos perder tempo com ele, Rick. – Me surpreendi com o que falei mais não deixei isso transparecer. – Temos muito a falar e pouco tempo, não te via a duas semanas. – enquanto falava ia puxando ele para maca até sentarmos lado a lado. – Como foi à competição estadual de Box? – Já sabia que ele tinha ganhado em segundo lugar, mas não resisti em perguntar, queria ver seus olhos brilhando por falar de algo que gostava muito.

— Foi de mais, não faz ideia, pena que você não pode ir. Ganhei em segundo lugar e depois os dez finalistas foram jantar fora com uns patrocinadores e o Michael Forbes, que é um dos diretores da mesma universidade que você quer cursar, veio falar comigo, pediu meu número e disse que eu tinha futuro, e na mesma semana ele me ligou pediu que eu fosse ao seu escritório e lá me ofereceram uma bolsa de estudo se eu continuar lutando lá.

— Isso é de mais, imagina se daqui a dois anos eu consiga ir pra lá, vamos poder nos ver quase todos os dias. – meu sorriso se abriu e o dele também. Parecia que só havia nós dois ali.

— Vai ser incrível. Sua mãe ainda tem aquele contato com a mulher de um dos diretores de lá, não é?

— Sim, elas são muito amigas e minha mãe só me colocou aqui porque se minhas notas continuarem altas, eles também podem me oferecer uma bolsa, já que aqui é a melhor escola da cidade e como à senhora Maddox era daqui e estudou nesse colégio... É só eu aguentar esses dois últimos anos. – na mesma hora o Richard parou de sorrir e fez uma expressão séria e meu sorriso se desmanchou quando eu vi o que eu tinha acabado de falar.

Ele se aproximou mais de mim e passou os dedos nas minhas bochechas.

— Quem fez isso com você, me fala que eu arrebento de porrada por ter mexido com a minha garota. – Senti um desconforto no ar e vi o Bryan passar voando pela porta.

— Foi ele não foi? – disse ele se levantando, provavelmente com raiva, pois sua veia do pescoço começou a saltar. – Só estava aqui para garantir que você não ia contar nada, não é? Mas com essa história do Box ele deve no mínimo ter achado que você falaria e se mandou antes. Eu to certo?

— Ele não foi o único. – baixei a cabeça.

— Mais quantos? Eu já ouvi a versão dele eu acredito que seja verdade, menos a parte em que ele não viu quem fez e muito menos que não foi ele um dos principais, já ele estava aqui, não é.

— São três. – desde pequenos contamos tudo um para o outro, ou quase tudo, é uma das coisas que mais gosto em ser irmã dele. Nenhum problema de família nos separou, não que tenha tido algo grave. E espero que isso nunca mude.

— Três? – ele deu às costas a porta. – É sem dúvida há essa hora eles devem já ter se mandado. – disse passando as mãos pelo cabelo parecendo um tanto frustrado.

O sinal tocou e ajeitei a mochila sobre os ombros, mas o Richard pegou.

— Deixa que eu levo isso pra você. Tá se sentindo melhor?

— É. Acho que sim. – disse. Meus pulmões não doíam tanto quando eu respirava agora, mais estava ficando nervosa com o nervosismo dele.

— Certo, porque já sei exatamente o que vamos fazer hoje à noite. Quatro palavras. Barraca, quintal e armar armadilhas para esses idiotas. Eles mexeram com a garota errada. – ele falou passando o braço pelo meu pescoço, mais não da mesma maneira bruta de Bryan, de forma fraternal. E fomos saindo da enfermaria para ir para casa.

— Mais isto da mais de quatro palavras. – falei sorrindo.

— E você acha que eles sabem disso? – e começamos a rir.

Alguns alunos que eu via todos os dias no corredor e em sala de aula passavam por nós e encaravam. Será que achavam que ele era meu namorado ou um simples aluno novo que já havia sido fisgado? Deixei isso para lá e continuei falando com meu meio irmão até chegarmos ao estacionamento.

— Você conseguiu sua Custom? Parabéns! – falei animada ao ver a bela moto na nossa frente.

— O nome dela é Miley. – e eu ri.

— Isso é sério?

— Sem dúvida. – falou me mandando uma piscadela.

Comecei a encarar a moto, uma Custon prata que no bando atrás era mais alto do que no lugar do motorista. Era simplesmente linda, parecia ter acabado de sair da loja, lembrava-me de como nos últimos dois anos ele só falava no sonho de comprar uma moto dessas, mas se ganhasse ficaria mais feliz.

Ele me passou um capacete tirando-me dos meus devaneios e eu coloquei.

— Quer ajuda para subir? – perguntou já sentado nela.

— Acho que vai me faltar um pouco de coragem. – me apoiei no seu ombro e subi.

— Acho que coragem você tem, receio é algo bem diferente. – ligou a moto e foi saindo do estacionamento enquanto eu passava os braços pela sua cintura. Olhei para o lado um pouco antes de passar pelo portão e quatro pares de olhos nos observavam. Os “jogadores”. Se eles tinham a mínima esperança de estragar com o resto do meu dia, eles estavam terrivelmente enganados. Estragar o resto do meu ensino médio? Mas errados ainda. Agora eu iria mudar. E eles nunca mais iriam pisar em mim.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo, até o próximo e nos falamos mais nos comentários. XOXOXOXO