Os Jardins Da Babilônia
15 O Retorno aos Trilhos.
Notas iniciais
Brian olha para Justin adormecido ao seu lado na cama do hospital. O moreno tenta compreender e conciliar suas emoções diante de todos os acontecimentos que atingiram os dois durante a semana.
O retorno de Justin a Pittsburgh, a descoberta de que foi Chris Hobbs que colocou a bomba em Babilônia, a morte de Luke, a lembrança do baile, o aparente retorno de Justin em sua vida, Gus voltando para casa, a morte de Hobbs e Justin mais uma vez ferido. Havia se passado apenas quatro dias? Poderia a vida de duas pessoas se transformar em tão pouco tempo? Brian não queria pensar. Ele só queria sentir. Sentir o corpo quente de Justin ao seu lado, que era onde pertencia e de onde jamais deveria ter saído.
Após dois longos anos de distância, Justin estava novamente em sua vida e Brian não podia negar os sentimentos de alegria e paz que o atingiam naquele momento. Isso é o que ele queria. Isso é o que ele sempre quis e teimosamente sempre se negou a admitir. Mas, agora Deus ou seja lá quem for que controle toda essa merda, estava lhe dando mais uma chance de ser feliz e ele se agarraria a essa chance fazendo tudo que estivesse ao seu alcance para merecer essa chance, pois ele não acreditava que esse ser supremo continuaria a ser tão indulgente em relação a ele como estava sendo nos últimos dias . Brian prometeu a si mesmo não estragar nada dessa vez e se render finalmente aos seus verdadeiros sentimentos. Afinal, ele poderia ser o idiota que todos acreditam que ele seja, mas ninguém pode acusar Brian Kinney de ser burro.
Brian olha Justin com o coração ainda apertado por toda a preocupação que o acompanhou ao longo desse dia interminável. Depois de todos os acontecimentos traumáticos que haviam ocorrido nas últimas horas,, Justin estava dormindo tranquilo nesse momento ao seu lado e Brian queria somente que o seu jovem amante se recuperasse o mais rápido possível dos seus ferimentos e fosse liberado do hospital, para poder ter Justin ao seu lado e assim permanecesse. Ele não estava disposto a permitir que o loiro se afastasse de sua vida novamente.
Aquele final de tarde havia sido agitado com a visita de Jennifer e Debbie que não conseguiam parar de abraçar e beijar Justin, verificando o quanto ele estava ferido e levando-as a quase histeria, ao olhar com muita preocupação para o menino que tanto amavam. Em nada ajudava o estado em que Justin se encontrava, aumentando ainda mais a preocupação das duas mulheres ao verem todas as contusões aparentes que cobriam o seu corpo. Foi necessário que o médico intervisse e garantisse às duas mulheres que Justin se recuperaria plenamente. Essas mesmas contusões, faziam Brian estremecer cada vez que as via, fazendo-o lembrar-se que, mais uma vez, que Hobbs conseguiu atingir Justin teve sua vida ameaçada por ele mais uma vez. E mais uma vez Brian não pode detê-lo e proteger o homem que ama.
O fato de Chris Hobbs estar morto era agora um grande alívio para Brian, pois ele tinha certeza que Justin estava livre de sua loucura. Porém, caso Hobbs ainda vivesse, Brian tinha certeza que garantiria pessoalmente a ida do maldito para o inferno, evitando desse modo que o psicopata jamais ferisse Justin novamente.
O médico que havia examinado Justin, após ele ter acordado, concluiu que o loiro apesar de estar com o corpo coberto de contusões, duas costelas quebradas e uma concussão, ficaria bem, mas necessitava descansar, o que serviu de argumento para levar Debbie e Jennifer a deixar o modo operacional mãe superprotetora em relação a Justin e se encaminharem para o evento beneficente no GLC a fim de cumprir os compromissos assumidos com a PFLAG.
Após a saída das mulheres, Justin deu seu depoimento a Carl, e logo em seguida, adormeceu vencido pela exaustão e pelo efeito dos medicamentos para a dor , o que ocasionou imediatamente a saída do detetive.
O sono inicialmente agitado foi se tornando cada vez mais calmo, principalmente depois que Brian deitou-se ao seu lado na cama de hospital e o envolveu em seus braços.
Agora, o jovem artista dormia tranquilamente nos braços de Brian que finalmente começa a relaxar afastando seus pensamentos dos acontecimentos recentes. O moreno sente as pálpebras pesarem e cuidadosamente aperta o corpo de Justin mais próximo ao seu, adormecendo ao lado do seu amante.
A escuridão da noite já envolvia o quarto quando Brian sentiu alguém tocar levemente o seu ombro e chamá-lo de forma hesitante.
“B-Brian?... Bri?”
Brian abriu seus olhos para encontrar o olhar preocupado de Ted sobre ele e Justin.
“Theodore...” Brian responde sem poder evitar o cansaço em sua voz.
“Como Justin está?” Ted olha cada vez mais preocupado para a fisionomia cansada de Brian. Seu olhar desvia para o corpo adormecido de Justin e ele não consegue evitar o estremecimento ao observar os ferimentos aparentes no corpo de seu jovem amigo.
“Ele vai ficar bem.” Brian retira a cabeça de Justin de cima do seu peito com muito cuidado, afastando-se do corpo do jovem e se levantando. Ele acena para Ted acompanhá-lo para o outro lado do quarto afastando-se o máximo possível da cama onde Justin está adormecido, evitando assim, acordá-lo com a conversa que teriam, mas permitindo ao mesmo tempo que Brian ainda vigiasse o seu sono.
“Brian, a reunião com a rede de restaurantes Sawasdee foi mais longa do esperávamos, mas no fim eles adoraram o trabalho feito por Justin e assinaram o contrato. Essa é a razão de eu não ter vindo mais cedo.”
Brian não pode deixar de sentir uma pontada de orgulho por Justin. O trabalho realizado por ele havia sido um dos mais incríveis que Brian já havia visto.
Brian queria muito conseguir a conta da rede de restaurantes tailandesa. Além de ser uma rede internacional com filiais em praticamente todo o continente americano, ainda possuía filiais espalhadas pelos continentes asiático e europeu, o que representava um negócio de vários milhões de dólares , mas havia também o fato de que essa era a rede de restaurante tailandês favorita dele e de Justin. Ele sorriu ao lembrar-se como se divertiu com seu Sonnyboy enquanto estavam pensando na campanha. Há muito tempo Brian não se divertia tanto assim no seu trabalho. Parecia que havia se passado muito tempo desde que ele e Justin estavam trabalhando nessa conta. Será que isso aconteceu realmente ontem?
Ele sabia da alta qualidade do trabalho de Justin e agora que ele havia despedido Sanders, será que ele poderia esperar a possibilidade de Justin assumir o Departamento de Arte de Kinnetik? Ele se certificaria disso posteriormente. Isso era algo que Justin deveria querer por si mesmo e que de maneira alguma viesse a atrapalhar o seu trabalho artístico.
“Ok, Theodore! Obrigado por ter assumido a reunião. Bom trabalho!” Brian dá uma leve batida no ombro de Ted.
“Não há problema, Brian. Pode contar comigo sempre que precisar.” Ted percebe o cansaço nos olhos de Brian e resolve ser objetivo para permitir que o moreno retorne logo para junto de Justin. “Por que você me pediu que viesse encontrá-lo aqui?”
“Ted, o meu celular estava com o maldito do Chris Hobbs. Foi desse modo que ele atraiu Justin para a armadilha. Justin contou para mim e Carl que ele questionou Hobbs de que modo ele conseguiu o meu celular. O maldito do Hobbs praticamente afirmou a Justin que foi alguém que trabalha em Kinnetik que havia pego o celular e entregue a ele. Eu não consigo pensar em quem pode ser. Eu chamei você para me ajudar a tentar descobrir quem poderia ser esse traidor.”
“Justin tem certeza disso? Ele não está confuso por causa da pancada na cabeça?” Ted pergunta a Brian atordoado com o que o moreno havia lhe dito.
“Não, Ted. Justin não está confuso. Ele está muito certo de tudo isso e preocupado que ainda existe um cúmplice de Hobbs solto podendo nos ameaçar. É por isso que Carl deixou esses dois não tão quentes policiais de guarda na porta do quarto de Justin.” Brian faz um gesto com a cabeça para a porta do quarto onde do outro lado a dupla de policiais montava guarda.
“Eu sei. Eles me pediram que me identificasse e me perguntaram se eu era realmente o contador mais chato do planeta como você havia me descrito para eles.” Ted não poderia evitar a careta de exasperação para Brian.
“Tenha em mente Theodore, que isso é uma forma de reconhecer as suas qualidades.” Brian dá um pequeno sorriso e morde o lábio.
“Eu não estou muito certo que isso é um elogio.” Ted olha interrogativamente para Brian.
“É um elogio. Acredite em mim e aproveite, pois não terá muitos de onde veio esse.” Brian continua com um sorriso para seu amigo.
“Eu tenho certeza disso. Agora eu preciso pensar no que você me disse e ajudar a descobrir quem poderia ter feito isso.” Ted deu um breve sorriso para Brian, percebendo que moreno estava deixando um pouco da tensão sair do seu sistema.
Ted começou a refletir sobre o que Brian estava lhe dizendo. Ele não poderia imaginar quem seria capaz de fazer algo como isso que Brian havia lhe dito. Quem ajudaria Chris Hobbs a ferir Brian e Justin? A maioria dos funcionários de Kinnetik trabalhavam na agência desde a sua fundação e todos admiravam e respeitavam Brian. Eles também conheciam Justin e gostavam muito dele.
Justin auxiliou o Departamento de Arte várias vezes ao longo dos anos em que esteve com Brian, sempre que se fez necessário, principalmente nas grandes campanhas que Kinnetik lançou. Mesmo morando em New York e vindo apenas para visitar rapidamente e por um pequeno espaço de dias, por estar muito ocupado na grande cidade construindo o seu nome no mundo da arte, porém Justin nunca se negou em ajudar o Departamento de Arte quando precisaram e, nesses momentos, sempre tinha um sorriso no rosto e tratava todos com muita gentileza.
Justin sempre era atencioso, permitindo que as pessoas dessem suas opiniões e contribuíssem com suas ideias para as campanhas fazendo com que a equipe estivesse sempre satisfeita com os resultados, principalmente quando vinham acompanhados de elogios e nas ocasiões quando a campanha resultava em grandes lucros para a agência, todo o departamento recebia um bônus muito bem-vindo. E, todos sabiam que, muito desse sucesso, era resultado da direção dada por Justin na realização do trabalho. Justin seria um grande diretor para o Departamento de Arte, na opinião de Ted. Seu talento era extraordinário, ele sabia como trabalhar em equipe e o mais importante, ele nunca seria subserviente a Brian e não o deixaria aterrorizar o departamento artístico com tanta frequência como Brian estava sempre propenso a fazer. Seria muito interessante ter Justin trabalhando em Kinnetik e poder assistir como funcionaria a parceria Taylor-Kinney em um ambiente de criação e execução de ideias. O talento combinado desses dois homens seria o melhor que poderia acontecer a empresa e os lucros seriam muito satisfatórios para todos. O lado prático de contador de Ted estava exultante diante dessa perspectiva.
O senso de lealdade de Ted lhe dizia que precisava ajudar seus amigos diante deles. Ele não queria decepcionar Brian que havia confiado em sua ajuda na solução do enigma que se apresentava diante deles. A sua amizade com Brian se tornou muito importante na sua vida nos últimos anos. Ted aprendeu muito sobre o que Brian escondia dos outros que o conheciam, trabalhando ao lado dele. Ele aprendeu a admirar Brian e o conheceu melhor. O seu chefe não era apenas um dos maiores e mais competentes dos profissionais em sua área de atuação, mas também um homem generoso e justo com todos os que trabalhavam sob suas ordens. Ted admirava Brian não apenas como o profissional que ele era, mas também como o homem que Ted passou a reconhecer por baixo da máscara que Brian costumava ostentar. Brian havia acreditado em Ted, com o seu dinheiro e com a sua empresa, quando mais ninguém acreditava e confiava nele e isso era muito valioso para o contador. Ted estaria sempre ali para Brian e sempre o auxiliaria quando o moreno solicitasse.
Ao tentar encontrar uma solução, Ted percebeu que a forma mais rápida de descobrir o traidor seria rever todos os acontecimentos relativos ao desaparecimento do celular de Brian. Eles precisavam descobrir quem teve a oportunidade para ter acesso ao aparelho e a aproveitou para roubá-lo.
“Brian, quando o celular desapareceu?” Brian pondera sobre o que Ted está lhe perguntando, quando ouve um pequeno gemido de Justin. Imediatamente, ele se aproxima da cama para verificar se o jovem ainda está dormindo e se tranquiliza ao perceber que Justin continua profundamente adormecido. Ele se afasta lentamente da cama se encaminhando para onde Ted o aguarda, querendo resolver logo essa situação para estar o mais rápido possível ao lado de Justin.
“Quarta-feira. Você sabe muito bem disso, Theodore. Você e Cynthia vasculharam todos os cantos de Kinnetik tentando encontra-lo.” Brian não conseguia saber porque Ted estava fazendo perguntas estúpidas agora. Ele queria que tudo acabasse logo e não conseguia esconder a sua irritação.
“ E onde você estava?” Ted continuou a questionar Brian metodicamente sem se importar com a expressão irada e frustrada de seu chefe e amigo.
“ Você pretende entrar para o Departamento de Polícia de Pittsburgh? Eu só quero saber quem foi o maldito que pegou o meu celular e entregou para Hobbs. Eu já respondi as perguntas de Hovarth e não quero jogar vinte perguntas com você.”
“ Brian... Por favor, eu só quero ajudar. Precisamos saber quem pode teve acesso ao seu celular, para isso precisamos rever tudo o que aconteceu em Kinnetik na quarta-feira.” Ted conseguia compreender o estado de espírito de Brian. Se fosse Blake no lugar de Justin, ele também não teria nenhuma disposição para conversar e só gostaria de estar ao lado do seu parceiro, mas por hora, a situação exigia que Brian o auxiliasse na tentativa de descobrir o que realmente havia acontecido.
Brian observava a expressão compreensiva e solidária de Ted. Ele sabia que o homem só estava tentando ajuda-lo. Ao longo dos anos, Ted havia se tornado um grande amigo e um funcionário de extrema importância para Kinnetik, Brian sabia disso, porém jamais admitiria isso para Ted.
“ Certo, Theodore. O celular estava sobre a mesa do meu escritório como ele fica normalmente. Então, o que você acha?”
“ E quem esteve no seu escritório na quarta-feira?”
“ Apenas você, Cynthia e Michael que me presenteou com sua visita para saber o que Justin estava fazendo no loft.”
“ Mais ninguém?”
“Sanders esteve no escritório para uma reunião. Eu pedi que ele modificasse as placas da campanha da Remson Pharmaceuticals e preparasse a apresentação que fizemos hoje e que ele fodeu de todas as formas possíveis. Ele não fez nada do que eu recomendei e se eu não fosse quem eu sou teríamos perdido a conta. Foi essa a razão pela qual eu o demiti.”
“Somente nós quatro então estivemos em seu escritório naquele dia?”
“Sim, não houve mais ninguém.”
“ Bem, eu tenho certeza que não fui eu, nem Cynthia ou Michael. Então, só nos resta o Sanders.”
“Você acha que poderia ter sido ele?”
“ É a única pessoa possível. Sanders não escondia de ninguém que não estava satisfeito com o trabalho em Kinnetik, ele estava frustrado pois você não lhe dava o reconhecimento que ele achava que merecia e francamente, ele nunca escondeu de ninguém que você não é a sua pessoa favorita no mundo. Ele nunca fez parte do grupo de adoradores de Brian Kinney.”
“ Então, só porque ele não gosta de mim, ele se une a Hobbs e fere Justin como uma forma de se vingar?”
“ É bem possível que tenha sido isso que aconteceu.”
Brian olhou para Ted refletindo sobre o que ele havia falado. Sanders havia se comportado de forma estranha nos últimos meses. O homem se mostrava insatisfeito com seu trabalho em Kinnetik. Inicialmente, o ex-Diretor de Arte havia se mostrado brilhante nas primeiras campanhas que havia trabalhado, mas aos poucos, ele se mostrou arrogante e invejoso do talento dos outros artistas do Departamento de Arte, atrapalhando o bom desenvolvimento do trabalho, não conseguindo trabalhar em equipe e frustrando todos os que trabalhavam com ele. Seu trabalho se tornou medíocre e sempre resistia quando Brian fazia as intervenções necessárias nas campanhas. Brian se questionava o porquê de ter mantido o imbecil por tanto tempo a frente de um dos setores mais importantes da sua empresa.
Brian não gostava de Sanders. Ele não confiava no homem e diante dos fatos ele tinha certeza que foi o seu antigo empregado que auxiliou Chris Hobbs na armadilha para pegar Justin.
Brian deu um suspiro cansado. Ele estava fervendo de raiva de Sanders. Ele poderia feri-lo nesse momento, mas seu corpo estava exausto e cobrando todo o cansaço que Brian sentia nesse momento.
“Obrigado Ted! Eu sabia que poderia contar com sua ajuda. Agora preciso falar com Carl o mais rápido possível para que ele possa encontrar aquele miserável.”.
“Brian, volte para perto de Justin. Eu irei falar com Carl e darei a ele todos os dados que temos de Sanders . Justin agora precisa de você. Confie em mim que Carl saberá tudo o que for necessário para pegar Sanders.”
Brian olhou para Ted com gratidão. Ele sorriu para o seu amigo e apertou o seu ombro agradecido.
“ Obrigado, Ted! É muito bom poder contar com você.”
“Fique com Justin e deixe que eu cuidarei de todo o restante sobre Sanders. Ele terá que explicar o que aconteceu e porque ele ajudou Chris hobbs.”
Brian balançou sua cabeça num gesto afirmativo de forma cansada e sorriu para Ted. O contador saiu do quarto e Brian se encaminhou para cama de Justin. Brian deitou-se no seu lado ao lado de Justin, na cama do hospital, abraçando o corpo do homem mais jovem e adormecendo mais uma vez.
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