Notas iniciais
Brian e Justin tem uma conversa franca e esclarecedora.

Capítulo Seis: Processo de Cura

POV de Brian


Olho para Justin e me pergunto o que posso fazer? Esse seu estado de modo silencioso é muito estranho e novo para mim, prefiro ele falando tudo que se passa em sua cabeça, prefiro-o me dizendo o que, na maioria das vezes, não quero ouvir, mas preciso escutar.


Esse abismo fui eu quem construiu. Será que valeu a pena?

Olhando para ele, eu percebo tudo que perdi; tudo o que eu pensei e tentei me convencer que poderia viver sem. Como eu pude pensar que seria capaz de viver sem ele? E agora? O que eu vou fazer? Ele está tão perto e, ao mesmo tempo, tão distante de mim! Como eu posso estar com ele sem tocá-lo, sem poder envolvê-lo em meus braços, sem poder ter seu corpo junto do meu?


POV de Justin



Sinto o olhar de Brian em mim, sei que ele quer falar comigo, saber como estou, como me sinto. Mas sei que é pena. Pena do pobre Justin que não consegue se livrar dos fantasmas do seu passado. Para Brian, ainda sou o garoto de dezessete anos, que ele tem obrigação de proteger só porque dei minha virgindade para ele. Sei que ele sente ainda alguma coisa por mim. Tudo que vivemos foi intenso demais para ser jogado embaixo do tapete. Mas, ele me expulsou de sua vida. Colocou outro em meu lugar. Ele deixou de me amar da forma como eu queria. E agora, estou aqui de novo trazendo, mais uma vez, todas as minhas merdas para a sua vida. Eu odeio essa impotência. Eu odeio que as pessoas me vejam como o adolescente que eu fui. Sou um adulto agora, conheci o mundo e aprendi com minhas dores e meus erros, mas para eles e, principalmente, para Brian, ainda sou o patético Justin apaixonado, que teve sua cabeça quebrada pelo homofóbico Hobbs. Eu não posso ficar aqui; vou acabar enlouquecendo. Ainda amo Brian com toda minha alma e meu corpo grita só porque estamos juntos no mesmo espaço. Amanhã falarei com Carl para encontrar outra solução, preciso me afastar de Brian. Não quero e não posso passar por tudo isso outra vez.


Droga, não consigo parar de pensar em tudo que está acontecendo. Eu preciso dormir. Quero que esse dia acabe logo. Todos falam que não tenho culpa, mas fui eu quem masturbou Hobbs no depósito, o desafiou em frente ao Woody e enfiou uma arma em sua boca... Como eu não tenho culpa? Agora sei que pessoas morreram e se feriram por causa dos meus atos. Michael quase morreu! Luke está morto porque estava comigo. Se Chris matou Luke ele pode matar Brian. Oh, Meu Deus! Brian, não! Por favor, não deixe nada acontecer com Brian. Eu prefiro morrer do que permitir que algo aconteça com ele por minha causa. Proteja Brian...

Brian ouve os soluços de Justin e vê as lágrimas em seu rosto.

_" Por que você está chorando? Me deixa ajudar você!"

_" Você não precisa me ajudar. Não é sua responsabilidade. Me desculpa, por fazer essa bagunça na sua vida de novo."

_"Desculpa é besteira! E além disso, minha vida andava muito monótona e nada como o velho Sunshine para agitá-la novamente."

_" Quem é você? O que você fez com Brian Kinney? Desde quando sua vida é monótona?"

_" Desde que um certo loiro deixou de fazer parte dela."

_"Para com isso, Brian! Nós sabemos o que aconteceu."

_" O que aconteceu?"

_" Você me trocou pelo Matt!"

_" Ótimo! Onde está o Matt?"

_" Desistiu quando viu com quantos caras diferentes você é capaz de transar em uma semana."

_" Como alguém que é capaz de tirar 1500 pontos no SAT, não consegue perceber o que está ao seu redor?"

_" Aonde você quer chegar?"

_" Pense, Sunshine! Não foi você quem revisou o Manual Brian Kinney, que Mikey escreveu?"

_" Você quer insinuar que todo o lance com o Matt foi uma manipulação?"

_" Eu não estou insinuando nada! Eu não faço insinuações!"

_" Por que?!! "Justin grita com Brian, expulsando a raiva que se acumula._" Por que você me feriu daquele jeito?"

_"Porque Roger, o seu agente, me ligou e disse que você não queria ir para a Europa e iria voltar para Pittsburg. Eu sabia que chegaria o dia no qual você se arrependeria e eu não poderia conviver com isso. Por isso, eu tinha que fazer alguma coisa. Eu precisava lhe empurrar, porque a sua teimosia não ouviria a voz da razão."

_" Então você me jogou no Despenhadeiro Kinney, assim como quando você montou toda aquela farsa de monogamia e vida doméstica para me convencer a ir para Nova York?"

_" Em ambas situações, eu estava certo! Olha o sucesso que você se tornou! Você conquistou o mundo da arte com seu talento. Você é tudo e muito mais que qualquer um e até mesmo eu, pensou um dia que você poderia ser."

_"Palmas, para o grande Brian Kinney! Você conseguiu o que você queria! Você transformou o seu perseguidor adolescente, que foi hostilizado, atacado e danificado em um grande sucesso internacional do mundo das artes. Você nunca se perguntou se era isso que eu queria? Nunca passou por sua cabeça, me perguntar quais eram os meus sonhos?"

_" Nova York era seu sonho!"

_" Nova York, nunca foi meu sonho. Era o seu sonho e de Lindsey!"

_" Eu não ouvi você reclamar quando foi para Nova York."

_" O que você queria? Você estava estranho, representando aquela comédia de trauma pós-atentado. Eu achei que precisava me afastar, parar com a história do casamento para você se reencontrar. Eu reclamei depois que você veio me ver, eu quis voltar, mas você começou a me dizer que grande artista eu seria e eu vi tanto orgulho em seus olhos quando você me dizia o quanto eu era corajoso por enfrentar o mundo da arte em Nova York. Eu queria que você tivesse orgulho de mim. Eu sempre quis que você se orgulhasse de mim! Uma vez você me disse que eu seria o melhor homossexual que eu poderia ser e, eu sempre busquei isso, para ver o orgulho por mim em seus olhos. Eu queria ser grande para você! Por isso, eu me calei durante os dois anos em que permanecemos ainda juntos, sobre o quanto eu me sentia só e miserável em Nova York. O quanto eu sentia a sua falta, da minha mãe, de Molly, Daphne, Debbie e todos os outros. Eu me calei sobre todas as noites em que acordei gritando, por causa dos meus pesadelos e você não estava lá para me abraçar e me acalmar como só você é capaz de fazer. Eu me calei por você! Eu me calei para que você se orgulhasse de mim!"

_" Sunshine, eu não podia imaginar... Eu tenho muito orgulho de você! Eu sempre me orgulhei do quanto você é corajoso e determinado em conseguir o que quer. Eu sempre acreditei em você. Eu lamento por tudo o que eu fiz. Eu pensei que estava fazendo o melhor por você."

_"Como você poderia fazer o melhor para mim, se o meu melhor é sempre quando estou com você?"

_" Sunshine, me desculpa, eu não percebi o quanto eu estava errado. Eu deveria ter escutado você. Mas eu sempre soube que um dia você me deixaria por alguém mais jovem e capaz de te amar da forma como você quer e merece, assim como aconteceu quando você ficou com Ian, só que esse alguém iria ser muito melhor para você e lhe merecer muito mais do que o violinista."

_" Desculpa é besteira! E Brian, quem lhe disse que eu iria deixar você? Você sempre me amou da forma como eu quis, da forma como eu precisava. Você sempre me deu tudo o que eu desejei. Hoje eu sei que a sua necessidade de transar com todo cara quente de Pittsburg , um dia vai passar e você irá se contentar com uma só pessoa. Eu sempre quis ser essa pessoa, desde o dia em que estive aqui pela primeira vez e, mesmo que você nunca admita; fez amor comigo. Eu sempre amei você Brian, desde aquela noite. Eu não consigo parar de lhe amar, mesmo quando você é capaz de ser tão idiota. E como eu posso lhe convencer que Ethan foi o maior engano da minha vida? Que jamais eu vou ser capaz de ser feliz sem ter você comigo. Eu te amo, Brian! Eu te amo muito e não consigo viver sem você!"

_" Justin... Eu senti tanto a sua falta!"

Justin se joga nos braços de Brian. Ele está tão cansado de lutar contra seus sentimentos e suas emoções. Ele consegue entender a forma atravessada de pensar e de resolver as coisas tão própria de Brian. Afinal, alguém que teve o infortúnio de ser filho de Jack e Joan Kinney, que quando criança se sentiu tão rejeitado e carente de amor, que só começou a se sentir amado quando conheceu Michael e foi sentimentalmente adotado por Debbie e Vic, só poderia resultar nesse adulto tão inseguro em relação a como se sentir amado, convencido que não merece o amor de ninguém. Justin conseguiu quebrar as crostas protetoras da carapaça de Brian, mas Ethan e as suas saídas da vida de Brian, causaram rachaduras que só aumentaram sua insegurança com relação a certeza que Brian necessita ter do amor de Justin.Mas Justin está disposto a provar a Brian o quanto ele o ama. Ele sabe que nunca será fácil amar Brian Kinney, mas se há uma coisa que Justin Taylor tem certeza na sua vida é o quanto vale a pena amar e ser amado por esse homem tão complexo que agora ele tem nos braços e cola sua boca na dele.

Brian se esqueceu da última vez que se sentiu tão feliz, mas com certeza Justin fazia parte dessa felicidade. Esse era o homem que ele amava. Esse era o único capaz de amá-lo da forma como ele queria. Justin, seu perseguidor adolescente que nunca desistiu dele, que sempre se fez presente nos momentos mais felizes e mais tristes da sua vida nos últimos nove anos. Suas vidas tinham se entrelaçado de tal forma que nem mesmo ele seria capaz de separá-las. Ele não podia ainda admitir em voz alta, ele ainda não sabia como disser as palavras e ser tão aberto com relação aos seus sentimentos, mas ele também não poderia viver sem o seu Sol. Justin era realmente a luz do Sol de sua vida. Com ele sua vida ganhava cor, calor, luminosidade e sentido. Brian tinha vivido os dois anos mais miseráveis de sua existência sem Justin, nem quando ele era criança na casa da Família Kinney ele se sentiu tão infeliz.Naquela época ele não sabia o que era felicidade, por isso ele não sentia falta. Com Sunshine ele havia aprendido o sentido de ser feliz e de uma forma bem idiota, ele havia jogado fora. Agora ele estava de volta. Em seus braços, na sua boca e na sua pele. E nunca mais ele o deixaria partir.

O beijo se tornou mais profundo e eles se encaminharam para a cama, sem pararem de se tocar deixando suas roupas pelo caminho. Brian deitou Justin nu, em sua cama. A visão da pele clara em contraste com seus lençóis escuros aumentou sua luxúria. Perfeita... Não havia outra palavra capaz de definir a visão que ele tinha naquele momento. Ele se deitou sobre o outro homem, ele necessitava do contato daquela pele na sua pele. Eles se beijaram mais uma vez, mais intensamente.

Não havia agora a urgência daquela tarde. Eles se tocavam, se beijavam e exploravam cada pedaço de pele do corpo do outro reaprendendo os caminhos, as sensações, redescobrindo como dar e receber prazer através de suas mãos, bocas, dedos, línguas e dentes.

Justin explorava o pênis de Brian com sua boca, a língua recuperando o gosto que ele pensava que havia perdido. Ele aumentou a pressão quando sentiu o pênis pulsar, percebendo que o orgasmo estava próximo e quando Brian gozou em sua garganta, tocando seus cabelos, ele sentiu novamente o sabor de Brian, algo há muito ansiado por ele.

Brian estava ofegante, essa era a mágica de Justin. Ninguém era capaz de deixá-lo assim. Ninguém conseguia fazer com que ele gozasse dessa maneira. Ninguém o satisfazia desse modo. O aprendiz superou o mestre. E agora, Brian queria provar Justin de todas as formas.

Brian beijou mais uma vez . Ele nunca se cansaria de beijá-lo. Ele pegou o preservativo e o lubrificante e entregou a Justin. Antes que Justin utilizasse o lubrificante em si mesmo, Brian o deteve:"Em você não! Em mim! Eu quero sentir você dentro de mim!"

Justin sorriu seu sorisso de mil watts e beijou Brian.Brian ser passivo para ele era um dos gestos que ele fazia para demonstrar seu amor e confiança em Justin, sem precisar usar palavras. Ele sabia que Brian só era passivo com ele, então ele começou a prepará-lo com todo cuidado, pois havia mais de dois anos que Brian não tinha transado com ninguém dessa forma. Justin tocou a abertura de Brian com sua língua começando a explorá-lo, arrancando gemidos de prazer. Lubrificando seus dedos, introduziu um pela abertura,depois acrescentando mais um e um terceiro expandindo e relaxando o músculo, enquanto chupava o pênis de Brian que a essa altura já havia desistido de pensar com coerência, se entregando plenamente ao prazer que Justin estava lhe proporcionando. Massageando a próstata do seu homem, Justin sentiu o relaxamento e a entrega de Brian, colocou o preservativo e começou a tomar posse daquele corpo que ele tanto amava. Ele não saberia jamais expressar seja com palavras ou até mesmo com sua arte a emoção que sentia quando tinha Brian assim, totalmente entregue para somente ele. Justin poderia ser o artista mais talentoso de sua geração, como vários críticos já o apontaram, mas agora ele era totalmente incapaz de exprimir como ele se sentia nesse momento. Ele estava em Brian. Brian era dele. Ele estava no comando do prazer dos dois e Justin estava determinado a dar a Brian o máximo de prazer possível.

Justin era extremamente gentil, mas ao mesmo tempo firme e viril. Brian se negava a admitir, mas ele adorava sentir Justin dentro dele. Poucas vezes em sua vida ele foi passivo. Claro, quando ele era adolescente ele fez passivo para alguns poucos caras, na faculdade apenas uma vez, depois que ele se tornou o garanhão da Avenida Liberdade, nenhuma foda ocasional se aproximou da sua bunda. Então, veio Justin. O tesão que ele tinha pelo garoto foi derrubando todas as suas barreiras. A primeira vez que ele deixou Justin transar com ele como ativo, foi após a festa do Sap, quando ele aceitou o empréstimo para PIFA. Justin necessitava estar no comando e Brian estava curioso e excitado com a idéia, desde que ele o viu com o cara (Sean?... Shaun?... Quem se importa?), que o garoto ganhou dele no Concurso Rei da Babilônia. Naquele dia, Justin o surpreendeu. Brian nunca havia sentido tanto prazer numa transa como passivo do modo como sentiu daquela vez. Ele começou a compreender o que os outros sentiam quando estavam na cama com ele. Claro, o menino aprendeu com ele e repetia sua técnica, mas havia algo mais que era tão de Justin, que Brian era obrigado a admitir secretamente, só para ele mesmo e jamais diria em voz alta : Justin Taylor era melhor na cama do que Brian Kinney! A criatura superou o criador. A partir dali, sem permitir que Justin desconfiasse, Brian passou a desfrutar sempre que possível, os plenos prazeres que sua criação poderia lhe proporcionar.

Justin intensificava seus movimentos tomando conta totalmente do corpo de Brian. Ele o olhava nos olhos e beijava sua boca, mordiscava sua mandíbula e pescoço, sentindo que Brian estava muito próximo do orgasmo. Brian começou a gemer mais alto: "Justin... Mais forte! Mais rápido!" Ele obedeceu e Brian gozou,gemendo e estremecendo sob seu corpo. Justin,não aguentando mais também atingiu seu prazer e deslizou sobre o corpo de Brian, descansando a cabeça no seu ombro tentando regularizar sua respiração. Brian o abraçou com força e o beijou se negando a perder o calor que emanava do corpo do seu homem-menino.

_" Brian, eu te amo!"

_" Eu também te amo, Sunshine!"