Os Jardins Da Babilônia
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Notas iniciais
Manhã de terça-feira: o grupo de amigos estava reunido novamente no Dinner
— Eu não me conformo! Sete pessoas morreram e a polícia não tem nenhuma pista de quem foi o culpado dessa insanidade — lamenta-se Debbie.
Brian, após um sorriso sarcástico pergunta:
— Debbie, eu perdi alguma coisa ou o seu detetive continua na Polícia de Pittsburgh e é responsável pelo atentado da Babilônia?
— O Carl continua investigando, mas não há nenhuma pista. Quem se importa com sete homossexuais que morreram, outros tantos que se feriram e uma boate gay que foi pelos ares? Isso é Pittsburgh! Ninguém se importa! Só nós que nos importamos conosco mesmo.
— E você pretende tirar do armário seu disfarce de Sherlock Holmes?
— Vá à merda, Brian! Idiota!
Delegacia de Polícia de Pittsburgh:
— Detetive Horvath?
— Kinney? Pode entrar!
— Você tem alguma nova pista sobre o atentado à Babilônia?
— Não. Os depoimentos das pessoas presentes, dos seus funcionários e dos organizadores do evento não foram nada esclarecedores. Ninguém viu nada suspeito, ninguém é suspeito, não havia nenhum estranho, todos se conheciam há muito tempo e trabalhavam sempre juntos e também não tinham motivos. Não sei Brian, é muito estranho! Isso me parece o trabalho de uma única pessoa que aproveitou um momento de distração do barman para colocar a bomba. Deve ter sido alguém que entrou no evento, colocou a bomba com um timer e se retirou antes dela ser detonada.
— Então não tem como se descobrir quem fez isso?
— Se realmente foi alguém que comprou uma entrada será realmente muito difícil.
— Além dos depoimentos tem alguma outra pista?
— Impressões digitais, material genético, todos os fragmentos recolhidos após a explosão e fotos.
— Fotos?
— Sim. Temos várias fotos tiradas pelos jornais, por nós mesmos e por curiosos em vários momentos durante todo o resgate. Nós as arquivamos para tentar encontrar algo suspeito, mas até agora nada.
— Posso vê-las?
— Claro!
O detetive Carl Horvarth entrega a Brian uma pasta com várias fotos em preto e branco mostrando diversos momentos do resgate das vítimas e sobreviventes do atentado à Babilônia. Brian se emociona ao ver Michael sendo retirado em uma maca, acompanhado por ele mesmo, Ben e Debbie e em outra foto se vê beijando Justin. Hovarth o vê engolindo em seco e não se contém:
— Brian, eu sei que você considera Debbie como sua mãe. Não peço que me veja como seu pai, mas como um homem mais velho e que sabe mais da vida do que você. Eu não sei muito de amor entre homossexuais, eu ainda estou aprendendo convivendo com Debbie e com vocês; mas eu sei de amor e o que eu sei e eu posso lhe disser que nenhum casal hétero ou gay que eu conheço ou conheci tem um amor maior do que você e Justin. Nenhum amor consegue sobreviver a tudo o que vocês já passaram e se tornar cada vez mais forte. Vocês se amam. Eu tenho certeza disso. Qualquer um pode ver isso. Lute por Justin. A vida é muito curta e todos merecemos ser felizes.
— Detetive Horvath, o senhor está comendo muita caçarola de atum da Debbie. Está se tornando um paradoxo: um policial sentimental. — Os dois deram um sorriso, e Brian complementa: — Obrigado, mas existem coisas que não tem como ser mudadas.
A atenção de Brian retornou para as fotos e ao virar para a próxima página ele sente como se tivesse levado um soco no estômago, empalidece e a sala gira em torno dele. Horvath percebe que Brian está quase desmaiando e o ampara.
— O que aconteceu? Você reconheceu alguém?
— Não! Eu não me alimentei direito e tive um mal estar! Desculpe! Por favor, qualquer novidade me avise.
— Pode deixar, eu o manterei informado.
Ao sair da delegacia, Brian só pensa na imagem que registrou da foto e grita em seu pensamento não podendo acreditar: "NÃO! NÃO PODE SER! COMO ISSO PODE ESTAR VOLTANDO? COMO EU NÃO PENSEI NISSO? EU TENHO QUE ENCONTRAR JUSTIN! ELE TEM QUE IR EMBORA! EU TENHO QUE PROTEGÊ-LO!". Brian nunca correu tanto com seu carro e pouco se importa se será multado ou perderá sua licença para dirigir, a urgência para encontrar Justin está acima de qualquer coisa para ele agora no momento.
Seu telefone toca estridentemente.
— Ted, me dê uma boa razão para não te demitir.
— Brian, os representantes da montadora do Texas estão aqui para a apresentação da campanha. Estamos lhe aguardando.
— Theodore, eu não vou para o escritório. Eles são todos seus!
— Tem certeza, Brian?
— Tenho! E Theodore...
— Sim?
— Não faça besteira!
Quando Brian estaciona seu carro em frente à casa de Jennifer Taylor ele respira aliviado. Seu coração está disparado e ele pensa imediatamente em Justin, porém ele diz para si mesmo: "Deixa de ser ridículo Brian. Isso é a adrenalina pelo que você descobriu. Você não é uma patética adolescente que vai encontrar seu namorado." Mas ele não consegue controlar o tremor em suas mãos ao tocar a campainha. Brian fica chocado ao ver aquela aparição loira, de olhos azuis, linda, com uma boca perfeita, tão parecida com seu irmão quando ele tinha aquela idade. Durante os anos de relacionamento conturbado com Justin, Brian viu pouquíssimas vezes Molly. Ela sempre esteve mais com o pai, estudando ou acatando as proibições de Craig em relação a Brian e Justin, mas agora diante dessa adolescente de dezessete anos, Brian se sente como se estivesse entrado num túnel do tempo e estivesse vendo uma versão feminina do menino que ele encontrou embaixo de um poste de luz próximo da Babilônia na noite em que Gus nasceu. Na noite em que esses dois meninos, Justin e Gus, entraram em sua vida e a mudaram permanentemente.
— Brian! Ei! Brian!
— Ah, Molly! Desculpe-me.
— Você parecia estar em outro planeta... O que está fazendo aqui?
— Eu preciso falar com o Justin.
— Ele saiu com a minha mãe e o Luke.
— Luke?
— É! O amigo dele de Nova York.
— Você sabe onde eles foram?
— Não, ninguém me disse nada.
— Você pode me dar o telefone dele? Eu preciso falar com ele. É urgente!
— Desculpe, Brian, mas eu não posso. O Jus nos proibiu. E se eu fizer isso ele vai revogar a minha licença para viver e não vai me emprestar o carro dele hoje à noite.
— Você pode dizer para Justin que eu preciso falar com ele?
— Pode deixar Brian! Olha, apesar das opiniões do meu pai e mesmo que você e o Justin não estejam mais juntos, você ainda é o meu cunhado favorito.
— Tudo bem, Molly!
Brian entra em seu carro, pega seu celular e disca o número de Jennifer.
— Alô, Jen! Justin está com você?
— Não, Brian.
— Você pode me dizer onde ele está?
— Desculpa, Brian. Mas ele não quer ver você.
— Jen, é urgente! Eu preciso falar com ele ainda hoje.
— Brian, por favor, eu gosto de você e te admiro, nunca poderei agradecer totalmente tudo o que você fez pelo meu filho, mas se você o ama de verdade, como eu sei que você ama, por favor, deixe Justin em paz. Você já o magoou o suficiente. Eu não suporto vê-lo sofrer mais.
— Mamãe Taylor, dessa vez não é o que você está pensando. É para o bem de Justin. Eu realmente preciso falar com ele, por favor!
— Eu vou ver o que posso fazer, Brian.
— Bye!
Justin olha interrogativamente para sua mãe:
— O que Brian queria?
— Ele disse que precisa falar com urgência com você. Ainda hoje.
— Pouco me importa! Eu não quero falar com ele!
— Ele parecia preocupado!
— Esse Brian...
— É, Luke! É o Brian! Mas, eu não quero vê-lo e muito menos falar com ele.
— Mas, se é urgente...
— Eu imagino o que é urgente!
— Justin!
— Desculpa, mãe... Eu não quero mais falar sobre isso. Vamos, Luke! Assim você vai perder seu avião.
Brian entrou no Dinner, sentou no banco olhando com urgência para Debbie.
— O que aconteceu? Tirou o dia de folga?
— Essa é uma das vantagens de você ser o chefe.
— Quando Brian Kinney não vai trabalhar eu me preocupo, pois o inferno está em vias de congelar.
— Debbie... Mãe, você confia em mim?
— Brian, você está me preocupando.
— Você tem o telefone do Justin?
— Ah não, Brian! Deixa o Sunshine em paz!
— Debbie, me ouça! Você está me ouvindo? — Debbie balançou a cabeça afirmativamente — É importante! Eu preciso falar com ele. Hoje pela manhã, eu saí daqui e fui na delegacia falar com o Horvath, ver se ele tinha alguma pista . Ele me mostrou várias fotos do resgate das vítimas do atentado na Babilônia. Eu nunca tinha visto essas fotos. Acho que é porque eu não estava lá quando a bomba explodiu. Quando eu olhei as fotos, eu vi alguém que não deveria estar ali.
— Quem?
— Chris Hobbs.
— Merda!
— Entende porque eu preciso falar com Justin?
— Você acha que ele...
— Eu acho que é possível. Você poderia convencer o Justin a falar comigo? Ele vai lhe ouvir! E peça ao Horvath para ver o que ele consegue descobrir sobre o Chris Hobbs.
— Eu vou fazer isso! Brian tenha cuidado ao falar com Sunshine, ele já sofreu tanto com tudo isso. Eu não sei se ele vai aguentar reviver essa porra toda de novo.
— Eu vou ter cuidado. – afirmou.
— Para onde você vai?
— Para a loja do Michael.
Brian saí do dinner e acende um cigarro, já é o quinto do dia. "Merda! Como estou tenso. Eu deveria ter enrolado uns três hoje pela manhã antes de sair. Com certeza, não estaria assim agora. Justin... Será que um dia você conseguirá me perdoar? Matt não era importante. Era apenas mais um entre tantos outros. Ele só foi útil para o que eu tinha que fazer. Eu tive que fazer aquilo para impedir que você abandonasse seus sonhos. Eu não queria que você visse, eu queria que você soubesse, me esquecesse e fosse conquistar o mundo com seu talento, sem ficar preso a mim. E, além disso, eu estava mostrando a toda Pittsburgh que eu ainda era Brian Kinney, a melhor transa, o cara mais quente, o garanhão da Avenida Liberdade, aquele que não se prende a ninguém...Eu precisava fazer você desistir de mim. Tudo isso era para você parar de sacrificar sua carreira por minha causa. Eu sabia que você não iria para a Europa e voltaria para cá para ficar comigo. E, um dia você iria se arrepender e me odiar. Eu não poderia suportar isso. Eu tinha que fazer alguma coisa... Mas eu não queria que você me odiasse. Porque EU TE AMO!"
Ele entra na loja de Michael.
— Oi, Mikey!
— Brian? O que está fazendo aqui há essa hora? Algum problema?
— Eu acho que sim! Você viu as fotos do atentado da Babilônia?
— Não! O Ben achou melhor que eu não visse.
— Quem viu as fotos das pessoas que conhecemos?
— O Ben, minha mãe, Ted, Emmet, Mel e Lindsey. Mas eles não viram todas as fotos. Quem viu a maioria foi o Ben.
— Por que?
— Porque, Ma, Lindsey e Mel, não estavam dentro da boate, depois Mel e Lindsey foram para o Canadá, o Emmet passava mal todas as vezes que olhava para elas, também a polícia não observou nada de diferente nas fotos. Além disso, eu acho que muitas fotos foram recolhidas depois, pois o Ben voltou à delegacia mais três vezes para fazer reconhecimento, mas não identificou ninguém.
— Você sabe se o Ted ou mais alguém voltou para ver as fotos?
— Eu acho que não. Mas, por que isso agora?
— Eu fui hoje à delegacia falar com Horvath e vi as fotos, Chris Hobbs estava em uma delas.
— Porra! Oh, my God! Você acha que pode ter sido ele?
— Acho, para atingir Justin.
— Não só ele, mas você também.
— Não pensei nisso. Acho que o alvo principal de Hobbs é Justin.
— Mas ele também tem razões para odiar você e, além disso, você é o dono da Babilônia.
— Pode ser, mas a minha preocupação maior no momento é Justin.
— Sempre o Justin! Quando vocês vão perceber que ele já está bem grandinho para cuidar dele mesmo?
— Mikey, não precisa ficar com ciúmes! Eu te amo!
— Eu não estou com ciúmes! É que todo mundo trata ele como se ele ainda fosse um adolescente de dezessete anos.
— Qual o seu problema? Sua mãe ainda lhe trata como se você tivesse cinco anos!
— Foda-se, Brian!
O telefone de Michael toca.
— Alô! Justin...
Ao ouvir o nome de Justin, Brian toma o telefone de Michael.
— Porra, Brian! Esbraveja Michael.
— Alô! Justin! Por favor, não desliga. Eu preciso falar com você. É urgente!
— Nós não temos mais nada para falar um com o outro Brian.
— Justin é importante!
— Então fala logo, que eu estou ouvindo.
— Não dá para ser pelo telefone. Tem que ser pessoalmente.
— Ok! Encontro você no Dinner, em meia hora.
— Tem que ser em um local tranquilo. É uma conversa difícil. Você pode me encontrar no loft.
— Eu não vou encontrar você no loft.
— Eu não vou atacar você. Você está com medo de mim ou de você mesmo?
— Eu não estou com medo de ninguém! Vejo você no loft em meia hora.
— Mais tarde.
— Mais tarde.
— Eu não acredito que vai começar tudo de novo!
— Não fode, Mikey!
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