Notas iniciais
Nico, Percy e Annabeth foram convocados à Casa Grande por Quíron. Enquanto os três esperavam calmamente pelo centauro, Percy e Annabeth conversavam algo sobre arquitetura – ou melhor, Annabeth falava sobre arquitetura e Percy ficava apenas ouvindo.
Nico só ia algumas vezes para o acampamento e no primeiro dia daquele ano que estava lá, fora chamado por Quíron. Era alguma missão ou algum problema?
O centauro entrou na Casa Grande em sua cadeira de rodas motorizada – como um humano comum, como ele quase sempre ficava aos fins de semana ou quando se fingia de professor por algum meio-sangue, como fizera com Percy.
- Sim, Quíron – disse Annabeth interrompendo as perguntas sem noção de Percy que logo prestou atenção em Quíron.
Ele pareceu pensar, mas falou:
- Foram detectados dois semideuses em uma escola perto daqui e preciso que vocês três os tragam em segurança – disse Quíron.
- Dois meio-sangues? – perguntou Annabeth.
- Sim, não posso dizer muita coisa – ele pareceu murmurar algo em grego que eles poderiam ter entendido bem, se não fosse pelo som baixo de Quíron. – Eles estão na escola Campbell School, que fica perto do... Bem, Empire State.
Annabeth e Percy se entreolharam e Nico apenas ficou observando e depois olhou para o diretor das atividades.
- Ok. Mais alguma coisa?
- Sim – respondeu Quíron, com Nico pensava. – O que eu sei é que: os monstros que estão atrás deste meio-sangues são a diretora e o professor deles. Eles são do primeiro ano classe B.
Nico, Percy e Annabeth ouviram mais dicas – ou algo do tipo – que Quíron falou e partiram para a Colina e a desceram, logo encontrando a van com Argos.
- Estranho isso – disse Annabeth.
Percy a fitou.
- Estranho como?
Ela pareceu concluir algo mentalmente e olhou para Argos que estava no lugar do motorista.
- Ele quer que nós três busquemos dois meio-sangues. Ok, tudo bem, mas é estranho como ele disse: “não posso dizer muita coisa” – ela afirmou.
Nico pareceu pensar também – e tornou uma expressão sombria.
- Será por causa dessa nova Profecia?
- Hã? Que Profecia?
- Aquela que ele recitou para os campistas ontem, duh – Annabeth disse. – Você não se lembra?
- Claro que lembro – protestou Percy remexendo o bolso até encontrar sua caneta Contracorrente letal. – Mas não sei com o quê esses fatos são ligados!
Nico revirou os olhos.
- Tudo, né? Preste atenção, cara.
Eles entraram no carro.
Annabeth verificou a mochila que levava e achou o seu boné da invisibilidade e o deixou amarrado ao short jeans que usava.
- Pronto, caso precisarmos... – ela voltou a olhar a mochila e seu olhar encontrou a adaga que sempre usa.
Depois de uma hora e meia, Argos parou a van.
- Obrigada – disse Annabeth desembarcando e os meninos seguindo atrás dela.
O Campbell School era enorme – três andares do prédio escolar, duas quadras e um pátio verde enorme com várias árvores frutíferas e plantas. As alunas usavam saias preguiada na altura do joelho e camiseta branca com o logo do colégio e meia escolar branca também. Os alunos usavam calça escura e a mesma blusa com o logo do colégio.
- Legal – Annabeth disse e Percy a encarou, mas ela não disse nada. – Vamos. É aqui que os dois meio-sangues estão.
Ela avançou com os garotos na direção da entrada, mas antes que entrassem, foram interceptados por uma mulher talvez com quarenta anos de idade – cabelo preto com fios grisalhos presos em um coque, usando uma saia (não preguiada como as das alunas) na altura do joelho, blusa vermelha e salto alto preto.
Ela tinha um olhar desafiador e isso incomodou Annabeth.
- Vocês são... ?
Percy iria responder, mas Annabeth fez isso primeiro.
- Nós estamos visitando a escola – disse ela.
Percy a fitou como se dissesse “e ela vai acreditar nisso?”, mas a mulher pareceu acreditar embora ainda os fuzilasse com o olhar. Logo abriu um sorriso e a expressão mudou.
- Claro. Meus queridos. Sou a diretora do colégio, Annie. Bem, usem isso – ela entregou três papéis para os três jovens. -, para se identificarem ao ver o colégio. Podem entrar queridos.
Annabeth apenas assentiu e chamou os garotos para acompanha-la.
Um bando de garotas loiras se aproximou deles.
- Ah, vocês são visitantes – uma disse. – Legal – ela olhou para Percy e emitiu um sorriso, o que deixou Annabeth com raiva, mas se controlou. E depois olhou para Nico olhando-o de baixo para cima.
Nico vestia uma calça escura, uma blusa de caveiras dançantes do Dia dos Mortos e uma jaqueta de aviador por cima aberta. Ele também usava o anel de caveira e mantinha o cabelo desgrenhado negro na altura do ombro e possuía leve orelheira ao redor dos olhos negros e ainda permanecia com a pele pálida. Ele passava mais tempo falando com mortos e no Mundo Inferior que em qualquer outro lugar, o que deixava Percy e outros campistas inquietos.
- Você não tem senso de moda, rapaz? – a mais alta das loiras disse.
Nico a olhou com um olhar desanimado e não a respondeu.
- Coloque algo mais... Vivo em você e atrairá mais garotas que qualquer um... Bem, você também é bonito – disse olhando para Percy. – Sou Katie.
Annabeth entrou na frente de Percy.
- Prazer, sou Annabeth, namorada de Percy.
Katie a lançou um olhar mortal – mas ela não dava medo tanto quanto Thalia, a filha de Zeus.
Outra menina loira – deveria ter catorze ou treze anos – disse:
- Os visitantes e os novos alunos estão no auditório – a menina apontou para o local onde tinha uma porta entreaberta.
- Obrigada – Annabeth sorriu para a menina mais nova e quando olhou para Katie, ela apenas a fuzilou com o olhar e puxou Percy pela mão até o auditório.
Nico a seguiu enquanto ouvia alguns comentários de Katie, mas apenas a ignorou.
Annabeth abriu a porta e olhou para Percy.
- O quê? – disse ele.
Ela revirou os olhos e entrou no auditório.
Havia dezenas de adolescentes – alguns acompanhados pelos pais – com crachás de visitantes. Outros eram alunos já que usavam o uniforme e tinha professores também. Nico ajeitou a jaqueta e fechou um botão dela.
- O que vamos fazer agora? – perguntou ele.
- Procurar os meio-sangues – disse Annabeth. – Já achamos um dos monstros.
- Quem? – perguntou Percy.
Annabeth o fuzilou com o olhar.
- A diretora, Cabeça de Alga. Esqueceu o que Quíron disse?
Ela voltou o olhar para as arquibancadas procurando os meio-sangues.
- Somos semideuses e outros semideuses...
Ela olhou pelos alunos nas arquibancadas e em pé.
- Eles podem não estar aqui – disse Nico.
- Não – Annabeth sorriu. – Eles estão aqui.
Ela apontou para dois adolescentes na arquibancada com a cabeça, fazendo um simples movimento.
Nico e Percy seguiram seu movimento.
- Como Quíron me disse.
- Ele não disse nada – Percy comentou.
- Não para vocês. Mas pra mim ele me disse que eram dois jovens irmãos japoneses. E eles são os únicos japoneses.
Nico se lembrou dele e da irmã quando foram resgatados por Annabeth, Percy e os outros. Então sua irmã morrera.
Ele viu uma menina japonesa sentada perto de um garoto também japonês – como Annabeth dissera. Ela tem cabelo castanho escuro liso na altura do busto e usa franja um pouco abaixo da sobrancelha. Os olhos castanhos eram puxados e ela usava delineador. Também usava uma saia do colégio, mas a dela era um pouco mais a cima do joelho e usava um colar com um pingente de uma foice. O menino ao lado dela parecia mais velho e tinha cabelo preto jogado para o lado e usava um headphone no pescoço e assim como os alunos, o mesmo uniforme, porém também tinha um anel com uma foice.
A menina viu que eles olhavam para ela e o menino e virou a cara murmurando algo para o garoto que não parecia ligar.
- Ela nos viu – murmurou Nico para Annabeth que olhou para os professores.
- Então vamos falar com eles.
Se for Annabeth que dizia, os dois decidiram fazer o que ela falou.
- Prefiro ficar aqui – Nico murmurou e se escorou em uma parede perto dos dois japoneses e ficou observando tudo.
Annabeth e Percy se aproximaram dos jovens e o menino ergueu uma sobrancelha pros dois jovens.
Ele olhou para a menina que pareceu falar com ele através do olhar e depois novamente para os dois jovens.
- O que vocês querem? – perguntou ele com sotaque japonês e Percy o fitou.
- Conversar.
Annabeth levantou os cantos da boca em um sorriso leve para a menina que fez o mesmo – mas o dela não era bem um sorriso feliz, era um sorriso do tipo “o que você quer?”.
- Eu sou Annabeth Chase e esse é meu namorado Percy Jackson. Queremos falar sobre seus pais...
A menina japonesa inclinou na direção de Annabeth.
- Não temos pais.
O sotaque japonês dela era bem parecido com o menino, mas era mais suave.
- Eu sei... Quero dizer. É difícil você compreender – Annabeth abaixou o volume da voz. – Conhece a mitologia grega, né?
A menina ficou ereta e no mesmo tom que Annabeth disse:
- Sim. Por quê?
- Porque os deuses e monstros são reais.
- Você é louca – o menino disse.
Annabeth o encarou.
- Gente – disse Percy. – É sério, eu também não acreditava. Mas qual é a idade de vocês? Treze e quinze anos?
A menina rolou os olhos.
- Eu tenho quinze anos e meu irmão dezessete.
- Ah, desculpe.
Ela deu de ombros e olhou para o irmão e depois para uma parede perto deles.
- E seu amigo? O que ele quer?
O irmão dela seguiu o olhar.
- Ah, ele é... – Annabeth foi interrompida.
O menino se aproximou.
- Nico di Angelo – respondeu por Annabeth. – Filho de Hades. Ela é filha de Atena e ele filho de Poseidon. Acredite tudo isso é real.
A menina hesitou, mas começou a pensar.
- Isso me lembra de quando... Nós fomos trazidos para cá e vimos um ser de um olho só, mas os outros acharam que estávamos delirando – disse ela.
- É um ciclope – disse Percy. – Eu tenho um meio-irmão ciclope chamado Tyson.
A menina o encarou como se fosse maluco.
- Talvez realmente seja verdade, mas ainda sim é estranho.
Nico a fitou e ela apenas mudou o olhar para o anel de foice do irmão.
- Eu sou Sumiko Sasaki e este é meu irmão Akira.
- Sumiko... – murmurou Nico. – Escutei isso em algum lugar e tem um significado... Hã... Criança... Hã...
- Criança Pura – disse Sumiko se levantando e olhando para a porta. Ela automaticamente segurou o colar e seu olhar tinha um toque de desespero.
Nico e Annabeth seguiram o olhar dela e encontraram um homem e a diretora olhando para eles.
- Os monstros – sussurrou Annabeth. – Precisamos levar vocês para o acampamento logo.
Akira levantou e se espreguiçou e uma das mãos bateu levemente na cabeça da irmã que se encolheu.
- Bobinha... – olhou pros três jovens. – Ok. Como a gente os mata?
Annabeth ficou surpresa – talvez Akira houvesse aceitado melhor do que pensavam.
- Ok. É fácil – ela abriu a mochila. – Primeiro vamos sair de onde tem muitos mortais para...
Akira pulou da arquibancada e disse sem olhar para Annabeth:
- Planos são perda de tempo.
E seguiu na direção da diretora e do homem – talvez o professor – com o anel entre os dedos.
Annabeth ficou boquiaberta.
- Ele é doido.
- Esquenta não – Sumiko disse. – Ele sempre foi assim.
Logo Akira sumiu com os dois outros monstros e fez os quatro jovens tentarem seguir o possível local onde foram.
Sumiko ainda agarrada ao colar, murmurava algo em outra língua – talvez japonês, já que nenhum dos três adolescentes sabia do que ela falava.
- Você mora aqui faz quanto tempo, Sumiko? – Annabeth perguntou.
- Hã... – ela pareceu pensar e fez uma careta. – Não lembro.
Annabeth ergueu uma sobrancelha para ela.
- Não lembra?
Sumiko balançou a cabeça negativamente.
- Então como fala inglês fluentemente?
- Porque eu... – ela se interrompeu e fez outra careta. – Não sei.
Annabeth pareceu pensar.
- Você foi trazida de onde para cá?
- Por que tantas perguntas? – Sumiko ficou desconfiada.
- Nada, curiosidade. Ah, ali – Annabeth apontou para uma sombra que virou no lado esquerdo do corredor e parecia de uma mulher que usava coque, talvez a diretora.
Ela estava certa. A diretora olhava para Akira que possuía uma espada negra (não feita de ferro estígio) nas mãos ao invés do anel. Akira tinha uma expressão sombria – igual ao de Nico normalmente, mas talvez a dele fosse mais perversa – e tinha um sorriso malévolo no rosto.
- Akira! — Sumiko arquejou, mas Annabeth tampou a boca dela.
- Calma, vamos ver isso – sussurrou ela.
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