Os Herdeiros
1 Um
Notas iniciais
P.S: Por ser um prólogo foi um pouco curto.
Próximo capítulo provavelmente hoje ou amanhã.
♥ Boa leitura, acompanhem.
Os sons dos copos pesados batendo contra a grande mesa de mármore já se tornaram habitual para mim. Assim como as noticias de ataques da República Moderna contra nós, ou os projetos sociais frustrados de mamãe.
— Bom dia, querida. — Disse minha mãe, enquanto se assentava em seu acento, em frente a mim. Sorri e respondi:
— Bom dia, mamãe. Como vão os projetos?
Ela suspirou, desanimada.
— Bem, no geral. — Ela sorriu enquanto posicionava suas mãos entrelaçadas em seu colo.
Logo papai e Anna chegaram. Papai estava sempre bem vestido, vestia seu habitual terno amarronzado e sua faixa reluzente com a frase “ARENDELLE”
— Bom dia, princesa. — Falou enquanto se assentava, Anna fez o mesmo. Respondi assentindo com a cabeça, mantendo meu sorriso.
—Bom dia, Elsa, mamãe. — Continuou Anna.
Eu sorri, e assim era nossa rotina matinal. Nos assentávamos à mesa enquanto tomávamos nosso café repleto de fartura. Desde pães e bolos, a pequenos grãos como granola e aveia. Logo mamãe iniciaria um dialogo com o papai propondo algo novo, ou lhe contando sobre seus projetos. Claro que ele escutaria atento – como deveria ser – e depois leria o jornal oficial de Arendelle, e voltaria a sua voz a mim, me dizendo sobre como agir nas situações que ele acabara de ler.
Momentos habituais de um café da manhã no palácio.
— Elsa, veja. Mais um ataque impresso as ilhas do sul. — Falou ele, eu franzi os lábios.
Você tem alguma sugestão para melhorar isso? Murmurei mentalmente.
— Você tem alguma sugestão para melhorar isso? —Continuou ele. Eu suspirei lentamente.
— E no jornal diz os motivos do ataque? —Arqueei uma sobrancelha.
— Hum... Vejamos. — Folheou mais algumas páginas antes de estender o jornal para mim.
“Novos ataques são anunciados próximos as Ilhas do Sul, obtivemos palavras exclusivas da duquesa Elinor DunBroch.
— Os Impressos estão cada vez mais ferozes em atingir nossa província, e como duquesa creio ser minha obrigação zelar pela segurança dos plebeus. Conversei com os membros da elite real de Arendelle e cheguei à grande conclusão de que os Impressos da República Moderna estão à procura de domínio de nosso reino, para que ele faça parte de um país, ou até mesmo de uma república.
Só não sabemos ao certo, o porquê. Sendo que nossos antepassados fizeram um acordo com um dos primeiros lideres da república – os chamados presidentes – e há anos está tudo sendo mantido nas linhas.
Agora súditos e súditas de vosso rei e vossa rainha, estamos amenizando a situação para melhor convivência de todos, obrigada pela compreensão”
— Não papai, não tenho conclusões para isso. Talvez eles realmente queiram o domínio do reino. Concordo plenamente com a duquesa do sul. Não sabemos o por quê, e isso é um grande problema. — Cocei a garganta e continuei. — Arendelle poderia propor um acordo. Um acordo para saber o Por quê de tudo isso, os ataques.
— Eu concordo com a minha irmã. E se me derem permissão posso sugerir algo? — Perguntou Anna enquanto bebia seu suco de acerola.
— Claro querida, que sugestão você propõe. — Perguntou mamãe. Meus pais se entreolharam como se seus olhos conversassem.
Eram raras as vezes que minha irmã podia falar durante assuntos pessoais do reino. E essa era uma dessas.
— Uma conferencia com o líder da república que nos atacou. — Ouvi o som do metal se chocando contra a mesa.
Papai olhou surpreso para Anna e deduzi que o garfo caído era o dele. Eu franzi os lábios tentando conter uma risada vendo sua expressão.
Gostaria de saber o que passou em sua mente para arregalar os olhos daquela maneira. Ele pigarreou e disse:
— Uma conferencia? Mas o que... — Minha irmã o interrompeu com sua alegria evidente, suas tranças pendiam em seus ombros e balançavam conforme seus movimentos.
— Sim! Aprendi com a madame da escola, ela nos ensinou que na República Moderna, quando ambas as partes não fazem questão de mandarem cartas, realizam uma conferencia frente a frente. E as pautas são os assuntos que interessam para ambos. — Ela terminou colocando uma colher de seu cereal na boca.
— Que absurdo! Iduna veja o que ensinaram para essa garota... Péssimos hábitos de repúblicas. Irei questionar a educação de nosso reino, inadmissível. — Ele largou seu lenço tecido à mão sob a mesa e se levantou bruscamente. — Perdi a fome após ouvir uma barbaridade dessa! — Continuou finalmente, até andar a passos fortes para outro cômodo do palácio.
— Anna, a senhorita sabe como seu pai é sobre isso, essas coisas republicanas. — Anna franziu o cenho e eu continuei imóvel enquanto assistia a cena sem esboçar reação alguma. — Você não ficará impune, princesa. — Disse minha mãe.
— Ah, mamãe. Anna não fez por mal. — Falei sorrindo e acariciando seu ombro carinhosamente. — E se quer a minha opinião, eu concordo com ela. Seria uma idéia surpreendente. — Continuei calmamente. Minha mãe sorriu.
— Você será uma rainha justa e forte, Elsa. Mas repense seus conceitos, queremos uma herdeira à altura do reino, não precisamos de uma república incrementada em Arendelle. — Ela sorriu fraquinho. — O café acaba por aqui, terminem sua refeição e sugiro que voltem para seus aposentos.
Mamãe se levantou e andou serenamente até a escada. Eu sorri para Anna.
— Elsa, obrigada por isso. Por um instante pensei que ficaria sem visitar o pomar. — Ela colocou sua mão no peito e suspirou aliviada, sorrindo.
Eu franzi o cenho.
— Aliás, por que você gosta tanto de visitar o pomar? Está tentando achar o seu príncipe por lá? — Arqueei minhas sobrancelhas em tom brincalhão, ela cruzou os braços e se deixou levar pela brincadeira.
— Quem sabe... Eu já vou indo, tenho algumas lições da história de Arendelle para fazer. — Ela acenou com a cabeça e foi para seu quarto, eu fiz o mesmo.
Me deitei na cama e as palavras da minha mãe começaram a ecoar em meus ouvidos.
“Você será uma rainha justa e forte, Elsa.” — O que será que a fez falar aquilo?Na verdade eu estou confusa sobre isso. Não sei se estou preparada para assumir o trono.
Serão tantas responsabilidades, a esperança que o povo despeja na família real é surreal, não sei se estou preparada para isso.
Não sei se quero isso. Governar; Talvez isso não seja para mim.
“Não fraquejar, uma herdeira cujo sangue azul corre nas veias não fraqueja.” — Pude ouvir claramente a voz rude do meu pai. E aquilo continuou.
Não fraquejar nunca, eu nasci para isso. Assumir o trono de Arendelle.
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