Notas iniciais
Boa leitura ♡

O palácio era maravilhoso. Bem simples se comparado com os palácios que Sam conheceu em suas viagens, mas extremamente lindo

—Que lugar incrível! — Miya exclamou, olhando os quadros nas paredes.

Lua se aproximou e tocou em uma estátua de uma bela mulher que segurava dois gatos.

—É a Rainha. — Purga falou para Lua. — E esses dois gatos em seu colo são seus filhos.

—Príncipes? — Lua perguntou.

—Sim. Symba e eu.

—Príncipe??! — o grito de Lua ecoou pelo salão. Ela logo abaixou a voz. — Você é um príncipe?

Purga riu:

—Eu sei que não me visto, e muito menos me comporto como um. Mas sim, sou um príncipe.

Purga pediu para que os três o acompanhassem, e foram juntos ao segundo andar.

—A Rainha tem estado doente. Ela se encontra em seus aposentos. — Purga disse, quando pararam na frente de um quarto.

Ele bateu na porta e a abriu, pedindo licença.

As cortinas das janelas estavam todas fechadas, deixando o aposento escuro.

Uma vela estava acesa em cima de um criado mudo, ao lado da cama onde a Rainha repousava. Junto à vela havia uma jarra de água e um copo vazio.

Purga se aproximou da cama, e deu um beijo na mão da Rainha:

—Mãe, estou de volta.

Ela tossiu e perguntou com a voz fraca:

—Como foi a sua busca, meu filho?

—Trouxe três guerreiros do reino após os muros.

A Rainha se sentou na cama com a ajuda de Purga e pediu para que Lua, Miya e Sam se aproximassem.

Os três, que ainda estavam próximos à porta, caminharam até a cama e fizeram uma reverência.

—Vossa Majestade. — Sam disse, com a cabeça baixa e a mão direita sob o peito.

—Estes são Sir Sam, Lady Lua e Lady Miya. — Purga os apresentou.

—Bravos guerreiros, recém chegados do reino após os muros. Agradeço por terem vindo de tão longe. — a Rainha disse. — Peço que me escutem.

Os três se ajoelharam ao lado da cama.

—Existe uma maldição em Litari. Por gerações meu reino tem feito sacrifícios...

A Rainha tossiu mais uma vez, e Purga lhe deu um pouco de água da jarra.

—Na noite de hoje, assim como todos os anos, três flechas cortarão o céu e acertarão a porta de três casas. — ela continuou, depois de beber um gole do copo com as mãos trêmulas. — Três habitantes de Litari, um morador de cada casa, deverão entrar na floresta ao leste e seguir a trilha para... servir de sacrifício ao monstro que vive ali.

Miya sentiu um arrepio na nuca. Ela respirou fundo e perguntou:

—E se não forem para a floresta? O que acontece?

—O fim de Litari. — Purga respondeu. — Ninguém nunca voltou da floresta, e ninguém que esteja vivo já viu o monstro.

Houve uma batida forte na porta, que assustou Lua, Miya e Sam.

—Mãe. — a porta se abriu. Era Symba.

Mesmo com pouca luz, era possível ver que o príncipe possuía a pele tão branca quanto a de Purga, e o prateado de seu cabelo era mais claro que de seu irmão.

Ele encarou os visitantes seriamente e perguntou:

—Quem são esses?

—Guerreiros. Vieram de outro reino. — Purga respondeu, caminhando até a porta. — Vamos conversar lá fora, irmão.

Symba deu mais uma olhada para os três e saiu do quarto com Purga.

—Sinto muito. — a Rainha falou. — Symba não gosta de visitas.

—Majestade. Como podemos ajudar Litari? — Lua perguntou.

A Rainha se preparou para responder, mas teve um ataque de tosse. Ela pegou um sino, que estava embaixo de um de seus travesseiros e o balançou.

Poucos minutos depois, uma servente apareceu na porta.

—Sim, Vossa Majestade. — ela falou, fazendo uma breve reverência.

—Por favor, leve meus convidados até a biblioteca. Mostre a eles O Livro. — a Rainha pediu.

—Sim, senhora.

A Rainha se virou para Sam e falou:

—Peço perdão por não os acompanhar. E... Obrigada por aceitarem vir até Litari.

Sam fez uma reverência e pediu licença. Lua e Miya fizeram o mesmo, e os três deixaram o aposento.

• • •

—Meu nome é Shanya. — a servente se apresentou com um sorriso, após fechar a porta do quarto da Rainha.

—Estas são Lua e Miya. — Sam apresentou as colegas. — E eu sou Sam.

—Muito prazer em conhecê-los.

Shanya tinha algumas sardas pela pele meio alaranjada, seu cabelo preto era curto e tinha mechas brancas e castanhas. Seus grandes olhos eram verdes e continham as lindas fendas pretas, que todos daquele reino possuíam.

Ela vestia um vestido simples azul de botões e sandálias nos pés.

Os três a seguiram pelo palácio e, em alguns minutos, chegaram à biblioteca.

Miya estava tão animada para ver os livros que eles haviam ali, que sorria ansiosa. Mas seu sorriso desapareceu do rosto assim que Shanya abriu a porta do cômodo.

Só havia uma estante pequena, com cinco ou seis livros, num canto da parede, uma escrivaninha no outro canto, e duas poltronas de frente a uma lareira.

—Esta é a biblioteca? — Miya perguntou, tentando não parecer decepcionada.

—Sim. — Shanya respondeu, sorrindo. — Linda, não?

—Parece ser bem aconchegante...

Shanya se apressou e abriu as cortinas, deixando a luz do fim da tarde entrar.

Ela foi até a estante e pegou um livro grosso, com capa preta de veludo, e entregou nas mãos de Miya.

—Eu estarei na cozinha, preparando o jantar. — Shanya disse, antes de sair da bibiblioteca. — Se precisarem de algo, há um sino sob a escrivaninha.

Lua se jogou em uma das poltronas, enquanto Sam caminhava pela pequena biblioteca, com um lenço sob o nariz e a boca.

—Pra quê esse lenço? — Lua perguntou.

—Você não vê a quantidade de sujeira que tem nesse lugar? — Sam sussurrou, emburrado.

Lua olhou em volta. O lugar estava impecável, não havia um canto sujo no recinto.

—Não. — ela respondeu.

Sam apontou para a lareira e franziu ainda mais o cenho.

—É só um pouco de fuligem. — Lua virou os olhos.

Sam ia abrir a boca para reclamar, mas Lua continuou:

—Sam, se comporte como uma pessoa normal pela primeira vez na vida. Não me faça passar vergonha.

Notas finais
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