Os Guardiões.

8 Capítulo VI - It's Supernatural, Extra-Terrestrial


Notas iniciais
O capítulo foi dividido, hihi...

Continuei abraçada a Doug durante todo o trageto de elevador e a pé até o carro, Fred soltava algumas piadas e Doug o insentivava, rindo.

- Eu vou atrás! — Gritou Doug abrindo a porta traseira do Kia Cerato Dub prateado que nos esperava na garagem. Não era um carro muito sofisticado, e também não era comparável ao New Beattle cor-de-rosa de Alícia, era confortável, espaçoso e com o tanque cheio, isso bastava.

Resmunguei quando Fred abriu a porta do carona para mim e eu fui obrigada a entrar, já que Doug estava deitado no banco traseiro com as pernas na janela. Fred caminhou até o outro lado e se sentou no lugar do motorista, colocou o cinto e eu também o fiz, então, virou-se para trás e levantou as sobrancelhas ao observar a posição de Doug.

- Coloque o cinto, Doug. — Doug resmungou e se sentou ereto. O clima estava tão pesado... Então achei melhor ligar o rádio, uma música que eu conheci abem começou a tocar: E.T., da Katy Perry, só o anúncio do homem da rádio já despertou o interesse de Fred.

- "Agora vamos ouvir um grande sucesso de uma rainha: E.T. da Katy Perry"

- I got a dirty mind (Eu tenho uma mente suja)
I got filthy ways (Eu tenho um jeito nojento)
I'm tryin' to bathe my ape (Estou tentando banhar meu primata)
In your milky way (Na sua Via Láctea)
I'm a legend, I'm irreverent, I'll be reverend (Eu sou uma lenda, sou irreverente, serei reverendo)
I'll be so faaaaa-ar up (Eu estarei tão longe no céu)
We dont give a f-ck (Não não estamos nem aí)

Olhei para Fred surpresa, ele estava realmente cantando a parte do Kanye West?

- Mas o que... — Não pude terminar pois Fred me lançou um sorrisinho e começou a cantar a outra parte.

- Welcome to the danger zone (Bem vinda a zona de perigo)
Step into the fantasy (De um passo para a fantasia)
You are not invited to (Você não está convidado)
The other side of sanity (Ao outro lado da sanidade) — Ele cantava a música para mim, me encarando pelo espelho do carro, o que me deixava arrepiada, decidi que iria entrar na brincadeira. —
They callin me an alien (Eles me chamam de alien)
A big-headed astronaut (Um astronauta cabeçudo)
Maybe it's because your boy (Talvez seja porque o seu garoto)
Yeezy get... (Yeezy pega...) — Ele não terminou a parte da música, já que não falava coisas muito bonitas e eu vi a ligação entre esse trecho com a própria existencia de Fred, realmente, as pessoas iriam chamá-lo de alienígena se o vissem fazendo o que eu vi.

- You're so hypnotizing (Você é tão hipnotizante)
Could you be the devil, could you be an angel (Você poderia ser o mal, você poderia ser um anjo)
Your touch, magnetizing (O seu toque, magnetiza)
Feels like I am floating, leaves my body glowing (Parece que estou flutuando, deixe meu corpo irradiar) — Minha nossa, eu realmente cantei isso... Para ele? Não pare Mel, ele está sorrindo, não pare... — They say be afraid (Eles dizem para eu ter medo)
You're not like the others, futuristic lover (Você não é como os outros, amantes futuristas)
Different DNA, they don't understand you (DNA diferente, eles não te entendem) — Era estranho como a música se adequava ao sobrenatural do meu lado, a parte do DNA me deixou intrigada, iria quentioná-lo sobre isso mais tarde... — You're from a whole 'nother world (Você é de outro mundo)
A different dimension (Uma outra dimensão)
You open my eyes (Você abriu meus olhos)
And I'm ready to go, lead me into the light (Estou pronta para ir, me guie para dentro da luz) — Decidi não ocultar o refrão, mesmo ele dizendo coisas que eu não queria dizer, era só uma música... Certo? — Kiss me, ki-ki-kiss me (Beije-me, be-be-beije-me)
Infect me with your loving, fill me with your poison (Me infecte com o seu amor e me preencha com o seu veneno)
Take me, ta-ta-take me (Possua-me, po-po-possua-me)
Wanna be your victim, ready for abduction (Faça-me sua vítima, pronta para a abdução)
Boy, you're an alien, your touch so foreign (Garoto, você é um alien, o seu toque é de outro mundo)
It's supernatural, extra-terrestrial (Isso é sobrenatural, extra-terrestre) — A cada palavra a música dizia um pouco mais sobre a nossa situação, a de todos os sobrenaturais, mesmo tratando-os como E.T.'s, ela falava perfeitamente o que eu sentia quando estava na companhia do Sr. Metido.

- Não sabia que gostava de Kanye West. — Pude ver o sorriso debochado no perfil de Fred.

- Não gosto, mas curto a Katy.

- Você canta bem. — Desviei o olhar, esse assunto não me deixava confortável, resolvi mudar.

- Doug dormiu? — Virei para trás e vi que ele estava jogado no banco, suspirei. — Queria ter coragem para pegar no sono nessa situação que estamos...

- Ah, Mel, nós vamos achá-la... — Disse colocando a mão sobre a minha. Sei que ele queria me confortar com esse gesto, mas eu fiquei vermelha, ainda mais quando ele apertou a sua mão contra a minha fazendo uma leve pressão.

- Eu sei que vamos... — Falei recuperando o fôlego. — Só tenho medo de como a encontraremos... — Isso pareceu encomodá-lo também, pois tirou a mão de cima da minha para trocar a estação. Estava tocando alguma música anos 80, agitada, um pouco folk. Ah, quem liga?

- Não acha um irônia? — Fred me olhou com um ar brincalhão e curioso.

- Depende a que você se refere. — Comecei a tamborilar os meus dedos na porta do carro no rítmo da música.

- Todos os nossos sobrenomes são em latim, a língua dos mortos. Dizem que tudo que é falado em latim vira realidade...

- Lumus, Superna, Níger, Scopo... Interessante...

- E as palavras que você usou hoje...

- Sphaera Virtutis? — Olhei para ele de olhos arregalados, esperando que algumas bolas vermelhas saltassem na sua direção. — Calma, Mel, isso só funciona quando eu quero. — Sorriu brincalhão.

- Então, é tudo em latim. — Agora, nem todos os sobrenomes são em latim, mas até agora todos os sobrenaturais que eu conheci tem eles em latim, isso tem alguma ligação? — Fred assentiu, mas como não continuou entendi que eu deveria ficar excluída. Era difícil viver em um mundo onde você ainda não era completamente aceita, me sentia como a Peg em A Hospedeira, mesmo depois de todas as provas de confiança que ela dava, ainda não confiavam totalmente nela por ela ser uma alienígena!

- Olha Mel, eu queria poder te contar tudo, tudo sobre tudo...

- Eu sei, vocês não podem, eu entendo, sou uma intrusa... — Comecei a pensar se não seria melhor que Fred cuidasse das crianças, assim elas poderiam contar por completo por uma pessoa.

- Você não é uma intrusa. — Novamente ele segurou minha mão, não vi necessidade, mas ele pareceu gostar de tentar me confortar. — Sabe, eu sinto ciúmes de você, queria poder ficar com Doug e Alícia o tempo todo, até me ofereci, mas eles acharam melhor encontrar outra pessoa, Alícia gosta de mim, mas ela não consegue se abrir, não consegue chorar na minha frente, nem rir. Acho que é culpa minha... — Ele suspirou, resovi deixá-lo falar. — Durante algum tempo fui treinador dela e sempre disse que se os inimigos a vissem chorar pensariam que ela era fraca, que ela não iria lutar contra eles e venceriam fácil. Eu tive que ser duro, mas ela era muito nova, ficou com esse trauma, perdeu o pai muito cedo, a mãe morreu no parto, ela não tem ninguém... Ninguém. — Eu não sabia sobre a história dos dois, sabia que não era confortável falar sobre isso, então eu não perguntava sobre o passado deles e eles não perguntavam sobre o meu. Era um troca justa onde só vivíamos o presente.

Foi a minha vez de apertar sua mão, ele entrelaçou nossos dedos e ficamos assim.

- Alícia sorri comigo, e chora também, mas Doug mal olha para mim... Com você ele se solta, queria saber porquê, mas acho que ele se solta mais com você porque é homem, mas isso é só uma teoria... — Fred riu e acariciou minha mão com seu polegar, eu estava gostando daquele carinho...

- Doug é difícil de lidar, mas ele fala muito de você. — Resmunguei.

- Ele nunca falou de você, nem ele nem a Alícia... — Só depois de falar percebi que aquilo soou rude, muito rude.

- Pedi para que não falasse... — Suspirou. — Não sei porquê, mas preria eu mesmo te encontrar, conversar como estamos conversando. — Ele sorriu desafiador. — Essa luta ainda não acabou, vou tentar conquistar a guarda dessas crianças, pode esperar. — Soltei um riso nasalado.

- Estou pronta para a briga. — Ficamos mais um tempo de mãos dadas, apenas ouvindo a música e eu me senti aconchegada como se estivesse sendo abraçada quando ele acariciava minha mão, um momento ele soltou minha mão e começou a fazer movimentos sem um padrão na minha palma, como se reconhecesse cada linha, depois de alguns minutos assim espalmou a mão novamente em cima da minha e apertou seus dedos nos meus. Como ele conseguia dirigir sem sentir-se tão arrepiado quanto eu me sentia quando estrávamos em contato um com o outro? Droga, eu estava agindo como uma garotinha de 13 anos quando recebia um abraço do menino que gostava no dia do aniversário! E o pior: Fred ainda nem tinha me abraçado. Estava refletindo se eu desmaiaria antes ou durante o abraço se esse um dia viesse a acontecer quando Doug começou a resmungar e se levantar, esfregando os olhos. Fred apertou com mais força minha mão, vendo que eu iria tirá-la da sua e olhou para Doug pelo espelho retrovisor. Inclinei minha cabeça e a encostei na janela.

- Estou morrendo de fome! — Doug falou e eu sorri, o mesmo de sempre... Era incrível como ele não parecia abalado na situação em que estávamos, mas eu sabia que esse era o seu jeito de disfarçar a raiva e a dor por estar longe de sua única colega de equipe.

- Vamos parar para reabastecer e fazer um lanche. — Fred tirou a mão da minha para trocar a marcha e quando foi procurar pela minha ela já estava do outro lado, muito longe da sua. Suspirou ao ver que eu não queria que ele ficasse tão íntimo perto de Doug, ainda estávamos em pé de guerra... Certo?

- Não quero lanche de posto de gasolina. — Reclamou Doug.

- Ainda não começou a escurecer, acho que podemos viajar mais um pouco antes de dormirmos. — Falei tentando convencer Doug, mas isso não era algo fácil.

- Ah, Mel, por favor! — Suspirei e neguei.

- Ah, vamos, Mel! — Fred me olhou sorrindo zombeteiro.

- Até você? — Falei indignada. — Não, não, não e não!

Notas finais
Parte dois desse capítulo daqui a alguns segundos e parte três mais tarde... Desculpe a demora, crise de criatividade..