Os Guardiões.

6 Capítulo IV - Central Quase Proíbida


Notas iniciais
Então, nem demorei tanto, né? Agora, eu tentei fazer esse como o capítulo mais cumprido, mas ainda sim, perdeu para o 3, por poucas palavras.

Acordei ofegante. Hesitei durante um bom tempo antes de abrir os olhos. O que aconteceu? Alícia, carro, Fred, fogo, desmaiar e...

– Alícia! — Levantei num salto, batendo minha testa no teto baixo do automóvel.

– Hey, Mel, acalme-se! Estamos indo para a Central. Vamos resgatá-la.

– Eu vou. — Disse zangada esfregando minha testa.

– Sei como se sente. — Ele suspirou e mudou o tom de voz para algo mais agressivo. — Mas parou para pensar que é você que assinou aqueles papéis, que é você que mora com eles, que é você que os conforta e escuta suas risadas? Parou para pensar comoeu me sinto com relação a isso? — Eu acabei de conhecê-lo... Nunca imaginei que eles tinham... Opções para escolher. Claro que sabia de pessoas das outras equipes, que por interesse, queriam se juntar aos dois.

– Desculpa. — Falei, quase num sussurro.

– Eu sou tão bom assim, como ator? — Olhei para ele pelo retrovisor, encontrando seus olhos e vi que seu rosto esbossava um leve sorriso no canto da boca. Ri quando ele soltou um riso fraco e pulei para o banco da frente, colocando o cinto.

– Idiota. — Falei num murmurio.

– Olha a ofensa! Não te dei esse tipo de liberdade, Srta. Superna!

– Perdoe-me, Sr. Lumenus. — Pensei um pouco e percebi que já havia escutado algo desse som, algo em outra língua... — Hey, Fred. — Falei cutucando-o após um tempo. O que? Ele me chamava de "Mel", tenho todo o direito de chamá-lo assim!

– O que aconteceu com o Sr. Lumenus? Era bem mais agradável... — Que abusado!

– Não enche. — Disse rolando os olhos. — O que significa seu sobrenome?

– Lumenus? — Que ridículo, até onde eu sabia, ele não tinha outro!

– É o único sobrenome que você têm, certo?

– Pelo que eu saiba... É. — Ele não tirava os olhos da estrada. Sinal de responsábilidade. Já é uma coisa boa...

– Então, o que significa?

– Vem do latim. É a junção das palavras Lumen e Gradus, que significam Passos Leves. Na minha árvore genialógica consta que minha família veio da Grécia, então fugiu para Roma e foi para a Itália. Então, na 2ª Guerra Mundial eles fugiram para os Estados Unidos... Então, cá estou. Parece que enquanto estavam na Grécia viraram grandes adoradores de Hermes, deus dos ladrões e mensageiro do Olimpo. Parece que para isso ele precisava ter "Passos Leves", daí vem meu sobrenome.

– Obrigada pela aula de história, mas eu me contentava com um "Do latim, Passos Leves." — Acho que devo ter sido rude de mais, mas não quis fazer ele pensar que eu iria amolescer por causa de uma histórinha dos antepassados dele.

– Você é mais difícil do que eu pensava. — Ele disse sorrindo safado para mim pelo retrovisor. Sem dúvidas ruborizei. — Então, sua vez, Superna, o que significa? E pode deixar, não vou ficar nervosinho se você me der uma aula de história.

– Latim. Ninguém sabe ao certo qual palavra é que deu origem ao meu nome. Diziam que éramos uma família de feiticeiros e bruxos, que jogavam pragas e atraíam o mal para onde íamos. Várias vezes fomos expulsos de vilas, ou até mesmo queimados, sabe Joana D'Arc? — Olhei para ele que confirmou com a cabeça. — Mais ou menos assim. Não fomosnós que escolhemos nosso sobrenome, e sim o povo, que quando passavamos falava "Superna's, corram!". Várias são as teorias de onde veio a palavra... Uma seria de Suprem, que significa Supremo. Não sei ao certo a história dessa teoria, pelo que eu me lembre é sobre uma lenda, onde um bruxo desafiou o Rei de um certo lugar a um duelo, quem vencesse seria coroado. O feiticeiro venceu e o povo deveria chamá-lo de Sr. Supremo. Mas essa é a pior história.

– Chegamos, você me conta no caminho. — Ele saíu rápido do carro e abriu minha porta antes que eu pudesse pensar. Esticou a mão para me ajudar a sair e eu aceitei seu gesto. Ele estava tentando a todo o custo, mas isso era só um jogo para ele, afinal, eu nunca havia visto um sobrenatural feio e com toda certeza ele tinha muitas delas atrás dele. Nada de Cinderela, o principe não fica com a plebéia na vida real. Nunca. Fui ficar de pé, mas quase caí com a dor que tomou conta do meu tornozelo, deveria ter torcido ou coisa do tipo. Fred passou seu braço na minha cintura para que eu não caísse. Muito perto. Respira, Mel, respira.

– Posso continuar? — Perguntei quando estávamos entrando na Central da ASIS. Eu nunca pude ultrapassar a porta da recepção, nem mesmo acompanhada de Doug e... Alicia.

– Claro. — Acho que não importava muito quem eu era, mas eu estava com Fred, e pelo modo que a garota, que não devia ter muito mais de 20 anos, que estava atrás do balcão da recepção sorriu para ele — e não, eu não fiquei nem um pouquinho com raiva. — e lançou um olhar mortal para mim, deveria gostar, e muito, dele.

– Supra. Superior. — Falei para continuar a conversa. — Essa significaria como se minha família fossem montros... Como se fossemos superiores a todas as criaturas da terra. Como se tivéssemos o poder de transformar em pó todos os que se opusessem a nós. – Nesse momento estávamos sobre a Sala de Testes, logo abaixo dos nossos pés. Uma das partes mais importantes do conjunto. Você poderia compará-la a um grande escritório da NASA, mas na verdade, era muito mais simples. Vários sobrenaturais se sentavam em cadeiras, macas, ou incubadoras e eram testados. Você pode ver coisas pegando fogo, bonecos explodindo, segredos que estavam no mais profundo da mente de alguém em telas de computador ou até mesmo coisas flutuando. Mas nada que se compare ao que eu vi com Fred. Atravessamos toda a extensão do refeitório e sala de recreação, que encobria a Sala de Testes, onde os estudiosos pesquisavam sobre os poderes uns dos outros, e entramos no elevador, que nos levaria ao 3º andar.

– Interessante. Mas nenhuma dessas duas parece realmente com o nome, alguma coisa teoria? – Ele disse isso enquanto estávamos em um elevador, que nos levaria ao andar superior da instalação, o segundo é onde se encontram a Central de Comando e de Telecomunicações, onde Fred provavelmente estava na hora em que ligamos. Ali eles armazenam as informações de todos os sobrenaturais e têm uma sala com pouco mais de 100 atendentes que ficam sentados esperando um chamado de emergência pelo Skype.

– Sim, só mais um. – Falei enquanto saíamos do elevador e caminhávamos pelo único corredor em direção à última sala, enquanto andava percebi que o chão era transparente, e que se poderia ver tudo que acontecia na CCT, mas quem estava em baixo não teria nem idéia do que acontecia em cima. – Esse me deixa atormentada. Doug me perguntou o que significava Superna e eu pensei que fosse uma brincadeira de mal gosto. Superna pode, e provavelmente vem, de Supernal, ou Supernatural, que significa...

– Supernatural, do latim, Supernal. Significa Sobrenatural. No dicionário da língua portuguesa: Superior à natureza, fora das leis naturais, extraordinário. No site Wikipédia, a enciclopédia livre: Considera-se sobrenatural um fenômeno qualquer que não tenha uma causa natural. Ao meu resumo: Sobrenatural é qualquer coisa feita que não seja da natureza humana, mas, que com pesquisas, acaba se tornando e recebendo o nome de uma doença. – Fui interrompida brucamente pela porta se abrindo e um homem, com pouco mais de 40 anos e com um livro na mão explicando por mim. Quando foi falar sua própria conclusão ele fechou o livro, como se não precisasse dele para explicar. E realmente não deveria precisar, sendo ele um sobrenatural e sendo o Diretor-Chefe de uma Agência de Segurança Internacional de Sobrenaturais.

– Olá Senhor. – Disse Fred.

– Olá Fred, prazer Melanie. Ouvi muito sobre você. Aqueles garotos te adoram. – Disse ele folhando o livro e se virando para voltar para sua sala. – Por favor, sigam-me!

Entrei apoiada em Fred, não consegui nem raciocinar direito. O homem, que é provavelmente o homem mais importante do mundo, sendo que com um simples comando todos os sobrenaturais do mundo se voltariam contra o governo, fala o significado do meu sobrenome, explica toda conclusão que eu deveria ter dito e diz que têm muito prazer em me conhecer, que ouviu muita coisa sobre mim e que Doug e Alícia me adoram. E durante todo esse tempo estou apoiada em um cara que é provavelmente o mais popular na Central. Meu dia não podia ficar mais maluco. E eu ainda tinha Alicia desaparecida. Espera. Cadê o Doug?


Notas finais
CARAMBA, O QUE VOCÊ ESTAVA PENSANDO ESSE TEMPO TODO MELANIE? CADE O NOSSO LINDO DO DOUG? NÃO ME DIGA QUE VOCÊ PERDEU ELE TAMBÉM SUA IRRESPONSÁVEL!
Pula, canta, da uma reboladinha e manda uma review!