Os Ganhos nas Perdas II
1 Capítulo único
Não havia nada pior que ser capacho de alguém... Quer dizer, obviamente existia coisa pior. Talvez eu estivesse reclamando de barriga cheia. De qualquer forma, eu estava realmente sofrendo com meus minúsculos problemas.
Não era nada pessoal... era o que diziam.
Eram como me convenciam.
No entanto, com um tempo, as coisas só pioraram. Logo depois de descobri o quão desconfortável eu ficava ao lado do ser irritante em minha humilde vida. Eu só não sabia, exatamente, se era de um jeito bom ou ruim.
— (...) July! – Ouvi quando Crista chamou, no momento em que abriu a porta da sala de descanso dos Staffs. Eu estava arrumando minha mochila pra ir embora.
— Sim? – Ela suspirou, e eu sabia muito bem o que significava aquela expressão. Crista era a única naquela empresa que entendia minha situação. – Não brinca! – Resmunguei, me levantando no mesmo instante.
— Ele exigiu apenas a sua ajuda. – Ela disse, abafando o riso. Revirei os olhos em desgosto.
Era sempre o mesmo discurso. Min Yoongi estava sempre solicitando a minha ajuda. As vezes eu acreditava que ele fazia isso de propósito, apenas para me ver irritada. Ele adorava me provocar. Mas sempre pagava de bom moço.
Eu sabia o inferno em que havia me metido. E muitas vezes me questionei sobre abandonar este trabalho e mudar de emprego. Em meio a isso, lembro que ainda tenho uma irmanzinha de cinco anos para cuidar, e uma avó de 86 anos também. Éramos apenas nós três. Sendo a única a ganhar bem o suficiente – Por que sim, eu ganho muito bem para ser Staff de Min Yoongi. -, para sustentar um pequeno apartamento e as despesas de casa. Então, eu realmente não tinha muita escolha.
— Aquele projeto de lord voldmord! – Resmungava enquanto passava por Crista. Ela não se conteve ao rir. Também era a única que entendia minhas referências.
Além de projeto de Lord Voldmord, eu também o chamava de Malfoy; Alma dark, Morcego diabólico; The Monio’... até mesmo Beetlejuice. Este último apelido, atribuí quando percebi que sempre que estava falando dele, ou até mesmo pensando nele, o miserável surgia para me atormentar.
Passando por um longo corredor e subindo as primeiras escadas a esquerda, me deparei com a sala de ensaio que costumava ficar. Muito lentamente — quase implorando piedade -, abri a porta, notando alguns membros sentados, conversando e descansando. Min Yoongi estava encostado a parede, e no momento em que perceberam a minha presença, olharam para o recém loiro diabólico. Obviamente, até mesmo eles percebiam a implicância comigo.
— Me chamou? – Perguntei, tentando manter o melhor sorriso no rosto. Ele fingiu está feliz em me ver e não hesitou em pedir.
— Vou jantar fora hoje. Vai me levar e trazer, porque ainda preciso voltar para trabalhar na música.
Percebi quando os outros se entreolharam, confusos. Nada disseram. Nem mesmo em minha salvação. Quase nunca se intrometiam nas ordens de Min Yoongi. A não ser Hoseok. Ele era realmente um anjo de pessoa, e estava sempre elevando minha autoestima, como costuma fazer com os outros. Não era atoa que Crista – sua staff -, estava sempre de bom humor.
Aquela exigência implicava uma outra. A minha permanência aqui, até que o Malfoy coreano decidisse ir embora. Eu realmente estava irritada desta vez, e não poderia evitar recusar fazer esta tarefa. O primeiro motivo, era o fato de hoje eu ter prometido a minha irmanzinha, que levaria um bolo bonito de aniversário. O segundo motivo, era porque eu não gostava mesmo de ter que ficar horas extras com ele. Mas ultimamente, ele tem feito isso com muita frequência. E por muitas vezes, eu era obrigada a ficar em uma cabine minuscula de ensaio individual, vendo-o conferir e re-conferir melodias e efeitos instrumentais.
— Me desculpe, mas eu realmente não vou poder ficar horas a mais. Já solicitei meu horário padrão pra hoje. – Expliquei. – Tenho um compromisso e não posso adiar. – Ele me encarou, e parecia surpreso. – Trarei seu jantar, e pedirei para alguém me substituir, caso precise de ajuda hoje, ainda.
Dizendo isso, apenas fiz uma reverência para todos, que retribuíram – menos Yoongi, é claro. –, e fechei a porta.
Suspirei, cansada. Precisava ter feito isso, ou chegaria, novamente, tarde na noite em casa, e não cumpriria o desejo da minha irmanzinha. Além disso, situações como estas, deveriam ser evitadas. Yoongi precisava aprender que o mundo não girava em torno dele, e se ele não tinha ninguém importante o esperando em casa, eu tinha, e eu prezava por esses momentos.
— July! – Ouvi quando ele próprio me chamou. Me virei, apenas para notar o desespero em sua voz e na forma com bateu a porta da sala de ensaio. – Você é minha staff. Não quero ninguém mais.
Aquela frase soou estranha aos meus ouvidos, e muito provavelmente, ele percebeu tendo em vista a forma como ficara completamente sem graça. Por um breve segundo, meu coração deu um salto. Era uma sensação desconhecida para mim.
— Já pedi desculpa por isso. – Avisei, tentando ignorar o constrangimento que havia se instalado. – Eu realmente não posso te levar a nenhum lugar hoje.
— Que compromisso importante é esse, que vai fazer você abandonar o horário de trabalho? – Apelou.
— Eu não estou abandonado meu horário de trabalho, Min Yoongi. – Olhei para o relógio, apenas para conferir que eu realmente já estava livre. – Eu apenas não vou poder fazer hora extra hoje. – Pensei em voltar a caminhar, mas ele impediu.
— Então eu vou com você, pego alguma coisa para comer, e você me deixa aqui, antes de ir embora. – Sugeriu. Ele era, realmente, insistente. No entendo, hoje, ele estava bem pior. Teria algum motivo específico?
“Não! Yoongi nunca precisou de motivos para me provocar e me irritar.”— Pensei.
— Qual o problema de ser outro staff a fazer isso? – Questionei, cruzando os braços. Ele deu de ombros.
— Você sabe como sou exigente. Outros Staffs não estão acostumados. – Era uma boa desculpa, e de fato, ele não estava mentindo. Mas desta vez, eu não iria ceder. Antes que eu pudesse contra argumentar, ele continuou. – Eu só confio em você, July.
Aquela declaração não podia ser verdadeira. Apesar disso, fez meu coração acelerar. Yoongi era muito bom com as palavras quando queria, e isso me confundia. Ora ele era como anjo — quando precisava, é claro -, Ora era o diabo em pessoa. Eu aprendi a lidar com ambos os lados dele. Isso só tornava nossa relação de trabalho mais complexa. Ele sabia quando me dobrar. E eu quase nunca estava preparada pra isso.
— Aish... – Olhei novamente para o relógio. De repente, tive uma ideia. – Ok – Concordei, ao passo que ele assentiu. – Farei o que pediu, mas te deixarei aqui e levarei o carro comigo. Porque já estou atrasada. – Olhei para o relógio. – Terá que me esperar aqui.
— Mas eu quem deveria ditar as ordens, não é? – Ficou impaciente. E aí estava o Yoongi que eu conhecia.
— De acordo com este papelzinho aqui. – Retirei minha autorização de folga do extra de hoje para mostrar a ele. – Eu estou livre do extra de hoje. Portanto, quem está no controle da situação agora, sou eu. – Ergui a sobrancelha, em vitória. – Se quer voltar e trabalhar a noite, terá que aceitar minhas condições de hoje. – Ele revirou os olhos. – A não ser que queira esperar um staff substituto.
— Ok.- Ele finalmente concordou. – Faremos como você quiser, desde que me traga de volta e depois venha me buscar. Preciso realmente trabalhar na música.
— Ok. – Fiz sinal positivo. – Estarei esperando no carro. Não demore. – Pedi, apontando para o relógio e voltando a sala dos staffs. Precisava pegar minha mochila e me despedi de Crista.
Quando finalmente ele surgiu na garagem, não disse absolutamente nada. Logo percebi que ele havia conseguido o que queria de novo. Eu ainda me perguntava como cedia tão rápido a ele.
Entramos no carro, e seguimos ruma a avenida. Ele parecia bastante confortável no banco de passageiro. Como o esperado.
Não questionou, ou se quer fez uma pergunta. Ele não estaria curiosos a alguns minutos atrás sobre meu compromisso? Porque parecia tão calado?
De longe, pude ver uma padaria aberta. Era uma loja famosa por seus bolos bem enfeitados. Meu pedido já deveria está pronto. Encostei o carro no acostamento e abri a porta.
— O que vai fazer? – Yoongi perguntou, fazendo o mesmo que eu.
— Preciso pegar uma encomenda. – Avisei. Ele decidiu me seguir. Não evitei. Era melhor está de olho nele. Apesar de não está em horário de trabalho agora, eu ainda era sua staff.
Entrei na padaria, e enxerguei Yong-Han. Ele era o filho do padeiro. Era responsável por confeitar todos os bolos. Era jovem, alto e muito bonito. Não era atoa que vendia tão rápido seus bolos. Além de serem deliciosos, é claro.
— Noona! – Seu sorriso ia de um canto a outro. Fez uma reverência para Yoongi, que o fitava atentamente. Han sabia quem era, mas manteve o bom senso, apenas se limitando a cumprimentar o idol. Enquanto Yoongi, fingia olhar variedades de pães na vitrine. Em seguida, Han voltou a sorrir para mim. – Como andam as coisas? – Perguntou.
— O de sempre, você sabe. – Respondi, sorrindo. Ele deu de ombros, ciente do que eu falava. Além de Crista, Han também era um bom confidente.
— Já pensou sobre aquilo?
Acontece que Yong-Han era bastante tímido quando se tratava de garotas. Mais especificamente, Crista. Ele realmente gostou dela no primeiro momento em que pisamos neste estabelecimento, juntas. Eu estava dando uma força para os dois. Crista também não era boa em expressar sentimentos. Eu havia prometido organizar um jantar apenas para os dois.
— Ahh.. – Rir, ao passo que ele ficara envergonhado. – Não se preocupe. Estou resolvendo tudo e... – Levei a mão a boca, para falar em um sussurro. – Terá a melhor noite da sua vida.— Ele alargou ainda mais o sorriso, e nosso atenção volta para um Yoongi engasgando.
— Você está bem? – Han perguntou, preocupado. Yoongi fez sinal que sim. Revirei os olhos. Eu sabia que aquela cena toda era para eu me apressar. Ele estava sempre impaciente sobre tudo.
— Han, o bolo está pronto? – Perguntei, e ele rapidamente fez sinal de que iria buscar. Não demorou muito, e voltou com um lindo embrulho.
— Fiz com muito carinho para a minha princesa. – Disse.
Han conheceu, por um acaso, a minha irmanzinha no shopping enquanto eu havia decidido fazer compras para ela. Ela sempre está perguntando por ele. Se referindo ao mesmo como Oppa bonito. Era hilária a paixão que ela tinha pelo Yong-Han. Ele, é claro, levava na mais pura inocência.
— Muito obrigada, Han. – Agradeci. Como eu já havia feito o pagamento antes, apenas me despedi, arrastando Yoongi comigo até carro.
Pedi para Yoongi segurar o bolo pra mim, e ele o fez, reclamando, obviamente. Resmungava coisas que eu não entendia. Apenas ignorei e segui destino.
Paramos em uma loja de conveniência para comprar algum Kimchi para ele. Era uma refeição do qual gostava bastante. Principalmente os apimentados. Muito apimentados.
Pedi para que continuasse no carro. A loja estava relativamente cheia, e não queriamos chamar atenção. Comprei o Kimchi e retornei ao veículo.
— Aqui está seu jantar. – Entreguei a ele, colocando o embrulho do bolo no banco de trás, cuidadosamente.
— Hm... – Ele não agradeceu. Ele quase nunca o fazia. As vezes eu tinha realmente vontade de puxa-lhe a orelha e exigir a boa educação. Mesmo sendo mais velho que eu, deveria ter esse bom senso.
Indignada, apenas retornei ao caminho da BigHit, em silêncio. A medida que nos aproximávamos, percebemos uma enorme movimentação em frente a empresa. E na sua proximidade.
Bem mais afastada do local, estacionei, para entender o que estava acontecendo, e o que faria. Aquelas fãs não podiam ver Yoongi no carro, ou pensaria errado.
Ultimamente, as coisas ficaram bem mais complicadas depois que o Maknae do grupo, assumiu o namoro com uma garota que conheceu em um parque. A mídia não deixou nem ela em paz. Contudo, os dois pareciam ter sido bem mais aceitos, apesar das ameaças constantes de Armys enlouquecidas. Os membros estavam sob alerta de exigências delas.
Levei a mão na cabeça, preocupada. Ligaria para Crista e perguntaria o que eu deveria fazer.
— É impossível passar pela garagem. – Yoongi observou, abismado com tamanha rebelião armycas. Era quase hilária a situação.
— Verei o que posso fazer. – Teclei os números de Crista. – Se não puder voltar a empresa, vou te levar para o dormitório.
— Não! – Disse ele, de repente. Estranhei aquele comportamento. – Eu não quero voltar para o dormitório agora... – Disse. Parecia decepcionado.
Levei alguns segundos a mais para perceber que Crista estava na linha. Yoongi estava me deixando de cabelo em pé, hoje.
— July, não tente entrar. Está uma verdadeira confusão.— Avisou o óbvio. – Pode levar Yoongi para o dormitório? Daremos um jeito de levar os outros também. — Concordei, suspirando.
Quando desliguei, fiquei com bastante vontade de perguntar o porque dele não querer voltar para o dormitório agora. Eu não podia, simplesmente, abandonar Yoongi na rua e voltar para casa. O que eu faria?
— Não vamos poder entrar. – Falei, olhando diretamente para ele. Percebi sua expressão de desgosto. Não disse nada. Ele realmente não estava disposto a voltar para o dormitório.
Suspirei e recoloquei o cinto, apenas para voltar a ligar o carro e seguir caminho.
— Pra onde estamos indo? – Perguntou, finalmente.
— Para minha casa. – Respondi, com bastante tranquilidade. Percebi que o loiro arregalara os olhos.
— Não vai ter problemas levando um homem para sua casa? – Perguntou.
— Hm... – Olhei para ele, confusa. – Você não é um homem qualquer. É um idol, e tecnicamente, meu chefe também. Além do mais, não quer voltar para seu dormitório agora.
— Me disse que tinha um compromisso. – Ele questionou, curioso.
— E tenho, na minha casa. – Respondi. Ele olhou para o bolo, depois olhou para frente, pensativo.
Seguimos o caminho todo em silêncio. Até que finalmente chegamos no prédio onde eu morava. Era simples, mas com uma boa vizinhança. Eu não era rica, portanto, não era surpresa ver que Yoongi olhava tudo ao redor com bastante curiosidade.
— Você mora aqui? – Perguntou. Mas por incrível que pareça, ele não parecia enojado e incomodado.
— Sim. Tem uma boa vizinhança, e apesar de ser em uma área pobre, somos bastante limpos e organizados. – Respondi. Fiz sinal para que me seguisse.
Eu morava no terceiro andar. Não havia elevador, e os corredores eram minúsculos. Olhei novamente para o relógio, percebendo que já estava quase na hora. Antes de entrar, pude ouvir uma verdadeira algazarra do lado de dentro. Entreguei o bolo para Yoongi segurar.
— Preciso fazer uma coisa antes de entrar. – Ele olhou confuso. – Segura firme pra mim. – Pedi, enquanto abria a caixa, retirando algumas velinhas rosas e encaixando em cima do bolo decorado com igual cor. Peguei um fósforo e acendi todas as velas. Peguei o bolo de voltar, e pedi para ele abrir a porta. Yoongi o fez, observando atentamento minha ação.
— Por favor, seja menos carrancudo, apenas por algumas horas. – Pedi. Praticamente implorei. Ele ergue a sobrancelha, surpreso com meu pedido.
Com a porta já aberta, entrei cantando feliz aniversário. Nem preciso dizer o quão feliz a minha irmã, ficou. Vovó estava mais sorridente que o normal, mas não ignorou o fato de ter um rapaz ao meu lado. Logo depois do parabéns — do qual Yoongi parecia está completamente por fora -, Sarah me abraçou com bastante carinho. Vovó batia palmas, animada.
— Porque não me disse que era uma festa? – Yoongi perguntou, encostado na parede, um pouco deslocado. Puxei ele para a cozinha.
— Sem reclamações por favor. – Lembrei. Ele fez careta.
— Não estou reclamando. – Disse.
— Não é exatamente uma festa. Queria fazer uma surpresa. – Falei.
— Não diga.. – Parecia ter sido sarcástico. Revirei os olhos.
— Desculpe não ter dito. Eu estava realmente concentrada no que faria pela minha irmanzinha. – Expliquei. – É a primeira vez que consigo uma folga pra comemorar o aniversário dela assim. – Olhei para ela, animada na sala.
— Tudo bem. – Ele disse, sem nenhuma expressão. – Eu ainda estou com fome.. – Apontou para a própria barriga. Revirei os olhos. Ele ainda estava segurando seu Kimchi em mãos.
Não demorou muito para Sarah se aproximar da cozinha, junto com vovó.
— Unnie!! – Chamou minha atenção. Me agachei, apenas para poder ficar mais próximo a ela. – Foi Oppa bonito que fez o bolo? – Perguntou, acanhada.
— Sim! – Respondi, animada. – Han disse que era um presente especial para a princesa dele.
Ela sorriu, e parecia está flutuando nas nuvens neste momento. Eu faria qualquer coisa para manter esse sorriso sempre. Desde a morte dos nossos pais — há dois anos — , Sarah se sentia bastante isolada. Era bom saber que as coisas já estavam mudando. Principalmente agora que eu conseguia pagar uma boa escola para ela.
— Amanhã vamos comprar um lindo presente! – Ela comemorou, para logo em seguida olhar para Yoongi, curiosa. O loiro fez uma reverência para minha vó, que sorriu, desconfiada.
— Nunca trouxe um rapaz para nossa casa. – Observou ela. Sarah riu, colocando a mão na boca. Estava envergonhada?
— Ele é Min Yoongi, vovó. – Lembrei a ela. – Tivemos problemas com algumas fãs na entrada da empresa e não tive escolha se não trazê-lo para cá. Pelo menos por enquanto.
— Ah.. sim. – Ela o encarou.
— É um prazer conhecer a família da July. – Fez uma nova reverência. Ele nem mesmo parecia o Yoongi carrancudo que conhecida.
— Unnie... – Minha irmã fez sinal para que eu pudesse oferecer meu ouvido a ela. – Ele é mais bonito que Oppa bonito. – Sussurrou, e quase engasguei com seu elogio. Abafei o riso, notando Yoongi curioso e sem graça.
O loiro realmente era lindo. Principalmente quando sorria. Fazia quase jus ao seu apelido “Sugar”. Apesar de não ser nada doce. De qualquer forma, eu nunca ignorei sua beleza. Me recriminava por isso.
Suspirei.
Min Yoongi era uma caixinha de surpresas. Sorte dele que eu adorava desafios.
***
Pov. Yoongi
Depois de passar quase uma hora observando a interação entre July e a irmã. Fiquei imaginando os motivos para July decidir ir embora. Ela parecia feliz onde estava. Porque ela precisava voltar para o Brasil? Aqui era a casa dela agora.
Para ser completamente honesto, eu gostava de July. Gostava o suficiente para implicar com ela apenas para vê-la vermelha e carrancuda. Era linda e fazia meu coração acelerar. Ninguém nunca me fez sorrir como ela faz. Além do rapazes do grupo e claro.
Me doía saber que ela estava para ir embora e nem mesmo pensava em se despedir de mim. Foi por esse motivo que decidi passar o maior tempo possível ao seu lado, hoje. Eu queria poder convencê-la a não ir, nem que para isso, eu precise adiantar meus sentimentos.
— Eu vou ligar para Crista e perguntar se tudo está calmo por lá. Irei te levar de volta. – Ouvi quando ela entrou na cozinha avisando.
— July! – Impedi dela pegar o celular. Confusa, apenas me fitou. – Não preciso voltar para a empresa hoje. – Avisei. Ela bufou, e mais uma vez, percebi o quão linda era quando estava irritada.
— Você é muito indeciso, Yoongi. – Ela disse. – Então decidiu ir para o dormitório? – Perguntou.
— Podemos dar uma volta? – Perguntei. Ela bufou mais uma vez.
— Não deveriamos ficar passeando. Você deveria voltar para o dormitório. – Ralhou.
— Por favor... – Apelei. Sabia que ela sempre cedia para mim. E eu realmente criava esperança com isso.
— Tudo bem. – Suspirou. – Mas depois, vamos direto para seu dormitório. – Exigiu. Concordei.
Fiquei afastado, próximo a porta, vendo-a conversar alguma coisa com a avó. A velha senhora parecia desconfiada. Enquanto tentava ouvir a conversa, senti uma mãozinha puxar meu moletom. Era a pequena Sarah, e ela fazia sinal para que eu me agachasse ao seu lado.
Para ser honesto, eu nunca me dei muito bem com crianças. Esta era a primeira que se aproximava o suficiente. E eu me sentia preocupado. Não queria fazer uma criança chorar. Principalmente a irmã de July.
— Oppa! – Sussurrou, falhando em parecer discreta enquanto cochichava em meu ouvida. – Unnie gosta de você. – Em seguida, colocou a mão na boca e riu como se acabasse de ter feito uma travessura.
Aquele comentário inocente arrancou um sorriso meu. Involuntariamente. Não sabia se era por, talvez, ela está sendo sincera, ou pela travessura inocente. Era fofa.
— Sarah! – Ouvi quando July chamou pela irmã. – Está de segredinho? – Perguntou, fingindo-se de brava.
— Shh.. – A pequena fez sinal de silêncio para mim, antes de correr para longe da irmã, que a chamava, nervosa.
— Esta menina ta precisando mesmo de novos ares. – Ouvi quando a avó de ambas comentou, rindo com a atitude indiscreta da mais nova.
Não pude evitar ficar nervoso. Eu precisava fazer alguma coisa antes que July decidisse ir embora. Eu faria qualquer coisa para ela não ir.
Quando finalmente nos despedimos e ela nos levou para um passeio a pé — a pedido meu -, e suspirei várias vezes durante todo o percurso. Estava nervoso. Pela primeira vez, estava nervoso em ser tão sincero com alguém.
Parei em uma esquina qualquer, e senti o olhar de July sob mim.
— Aconteceu alguma coisa? – Perguntou, preocupada. Eu gostava da forma com a voz dela soava quando perguntava se eu estava bem. Eu me sentia confortável.
— July, você não pode ir embora! – Expressei de uma vez.
— O que? – A morena não parecia ter entendido nada.
— Eu soube que você estava voltando para o Brasil. – Soltei. Mas não esperei que explicasse, ou perderia a coragem. – Primeiro pensei em oferecer algum extra, apenas para não te ver ir embora. Depois aquele tal do Han surgiu, e você dizendo aquelas coisas absurdas. Ele é seu namorado? – Perguntei.
— Yoongi, você bateu com a cabeça? – July levou as mãos a minha cabeça averiguando alguma coisa. Me afastei o suficiente para ela parar.
— Pare com isso. – Pedi. – Me responde.
— Han não é meu namorado. Ele gosta da Crista... – Em seguida, ela ergue a sobrancelha. – E de onde ditou essa história de que eu estou voltando para o Brasil? – Riu. Me senti um idiota.
Ao mesmo tempo, confesso que fiquei imensamente aliviado por saber que ela e o tal do Han não tinha absolutamente nada.
— Mesmo você sendo um completo chato, irritante.. – Revirou os olhos, voltando a caminhada e me deixando para trás. – Eu não te deixaria.
Aquela última frase era quase um sussurro, mas pude ouvir claramente. Meu coração não poderia está mais feliz, e involuntariamente, um sorriso era projetado em meu rosto. July ainda continuava a andar, e eu não tive escolha, se não acompanhá-la.
Decidido, me aproximei o suficiente para puxar seu braço e fazê-la me encarar.
— Gosta de mim? – Perguntei, em um ato de pura ansiedade. Deu uma tossidela. Eu a conhecia bem o suficiente para saber que estava tentando escapar de alguma situação. Ela sempre fazia isso quando eu a pegava me encarando nos ensaios.
— Precisamos voltar, Yoongi. – Disse.
— Me responde primeiro. – Pedi.
— Você é cheio de ordens! – Ela parecia nervosa. – Mas eu estou no comando hoje, e e... – Não deixei que finalizasse a frase.
Em uma passada rápida, juntei nossos lábios em um beijo quente. July não pareceu se incomodar com isso, e por esse motivo, me permiti aprofundar o contato.
Eu havia me lembrado do um outro motivo de está sempre implicando com ela. O fato de ser uma tagarela, me deixava com vontade de calá-la com um beijo, e sabendo que havia um bom senso envolvido, eu preferia, simplesmente, irritá-la a ponto de ver o bico e suas passadas pesadas para longe. Mesmo eu não a querendo longe.
Eu sabia que July tinha um temperamento explosivo, e sabia que poderia perder minha moral por me declarar para ela. Contudo, eu estava ganhando algo bem mais especial...
— Eu te odeio, Yoongi. – Foi a primeira coisa que ela disse, no momento em que nos separamos. Mas não parecia está sendo sincera.
— Mas também me ama. – Completei, a medida que sorriamos um para o outro, e a morena revirava os olhos.
Fim.
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