Os Ganhos Nas Perdas I
1 Capítulo único
— (...) Barraca do beijo?! – Perguntei, perplexa. Isso deveria ser alguma piada da Lee Soo-ni.
Minha irmã sabia da minha aversão a barraca do beijo em festivais no dia dos namorados. O primeiro motivo, é o fato dessa bendita barraca dar oportunidade de cafajestes se aproveitarem da situação. O segundo motivo... bem.. o primeiro já é justificável o suficiente. Eu odiava aquela barraca. Mas pelo menos, ganhávamos bons trocados para eventos sociais.
— Eu não posso tomar conta da barraca do beijo hoje, tenho uma entrevista para uma bolsa de estudos ainda esta tarde. – Juntava as mãos, implorando com seu bico avermelhado. Estava ajoelhada a minha frente. – Por favor, Hyu-ni! Eu tenho que deixar alguém responsável pela barraca, ou o chefe Bonni ficará muito irritado.
— Mas porque eu, Unnie? – Perguntei, ficando cada vez mais impaciente, toda vez que ela puxava a barra do meu vestido.
— Porque você é a única garota solteira da equipe! – Explicou, se levantando em seguida. Estava com um sorriso malicioso em seu rosto. Eu conhecia bem aquele sorriso. – Além disso, é uma ótima oportunidade para encontrar um cara legal, não acha?
— Aish... – Bati o pé e cruzei os braços. – Isso é muito injusto. – Ignorei sua última sugestão.
— Por favor, me prometa que não causará problema, sim? – Pediu.
— Eu estava muito feliz na barraca de doces, sabia? – Debochei, fazendo careta.
— Sei! Sei! – Tocou meu ombro. – Prometo que será a última vez.
Bufei. Não era a primeira vez que eu ouvia esse tipo de coisa. Lee Soo-ni estava sempre me envolvendo em seus rolos. Na época de colégio, eu estava sempre limpando suas encrencas, mesmo eu sendo a mais nova. Ela quem deveria está cuidando de mim, e não eu dela.
Olhei para a barraca do Beijo. Minha maior e mais antiga inimiga. Lembro de ter substituído a Lee Soo-ni uma vez. Não foi uma boa experiência. Nem bem chegou o primeiro cliente, e eu consegui arrumar uma bela de uma briga com ele.
...Ele não deveria ter tentando me agarrar daquela forma.
— (...) Ei! Hyu-ni! – Ouvi a voz de Sunbae Bonni me chamar. – Porque essa cara? – Ele parecia impaciente. – Pare de preguiça e anda logo. – Bonni-Ssi apontou para a barraca do beijo. Bufei, seguindo caminho até ela.
“Aish... eu realmente odiava tudo isso”— Pensava, enquanto que uma multidão já se aglomerava pelo parque da cidade, comprando bilhetes na roda gigante, e fichas para barracas de jogos.
Arrumei as duas poltronas dentro da cabine. Eram poltronas vermelhas e confortáveis. As paredes eram pretas, por esse motivo, haviam lamparinas que acentuavam de forma “romântica”, o ambiente. Apesar de eu achar tudo isso uma balela, o chefe Bonnie explicou que o cenário amoroso, era para confortar o coração daqueles que poderiam fantasiar seu primeiro beijo.
“Blah” – Fiz careta.
— Aishh.. – Resmunguei. – Mas isso vai mudar! – Levei o punho pra cima e sorri, decidida.
***
Pov. Jungkook
— (...) Pare com isso, Hyung! – Falava, enquanto me livrava das pequenas mãos fortes de Jimin. Apesar de ser o mais baixinho dos amigos, ele era um dos mais fortes.
— Aigoo, Jungkook-ah! – Jimin ralhou. – É só uma barraca do beijo! Pagou, beijou e vai embora. – Fez gestos exagerados em frente ao meu rosto. Taehyung, que estava nos acompanhando, caiu em gargalhada. Eu realmente odiava sua falta de discrição. Olhei para ele, que se calou.
— Se é assim, porque você mesmo não vai? – Ajeitei a jaqueta torta pelos puxões apressados do Hyung.
— Aish, moleke! – Jimin bateu em minha cabeça. – Essa é sua punição, lembra-se? – Cruzou os braços. – Além disso, foi escolha de Yoongi.
— Hyung ainda está chateado comigo, não é? – Perguntei. Os dois assentiram.
O fato de eu está, neste exato momento, passando pelo maior constrangimento da minha vida, se dava por uma vingança de Yoongi. Eu sabia que, se perdesse a aposta, ele não facilitaria pra mim. Pois eu o envergonhei, sem querer, em uma entrevista ao vivo para a emissora KBS. Eu não tive culpa se me pediram pra imitar o mais desengonçado do grupo em sua maioria das vezes.
— Ei! – Taehyung chamou minha atenção. – É melhor ir logo, antes que a fila comece a crescer mais ainda. – Apontou para a barraca do beijo. Percebemos um grande alvoroço na entrada.
Curiosos, nos aproximamos. A grande maioria parecia notar a nossa presença, mas estávamos com um Staff, por garantia. Como não era um evento completamente aberto ao público, era mais fácil andarmos com mais tranquilidade pelo parque.
“Eu realmente não entendia como Bang-PD permitiu que viéssemos a este evento e cumprir a punição.”— Pensava, impaciente.
— Ah... – Jimin bateu no peito de Taehyung, direcionando nossa atenção para um lugar específico. – Aquela é a garota? – Perguntou. Os dois pareciam empolgados.
Levei um pouco mais de tempo pra achar a dona dos suspiros dos meus hyungs. Estava realmente o alvoroço em frente a barraca. Era quase como se estivesse acontecendo uma competição.
Então, em meio a uma pequena brecha, enxerguei a garota. Estava com um blusão listrado em preto e branco. Usava um macacão curto. Os cabelos soltos e longos. Ela era bastante baixinha, e não usava salto algum. Muito pelo contrário, usava um all Star vermelho. De longe, era quase como ver uma colegial. Apesar de atraente, não parecia ter idade suficiente para está em uma barraca do beijo.
— É uma criança?! – Perguntei, debochado. – Meu primeiro beijo vai ser com uma menor de idade?! – Olhei indignado para meus hyungs.
— Ela não pode ser menor de idade, ou não estaria em uma barraca como esta. – Taehyung observou. – Poxa, você é sortudo!
Revirei os olhos. Eu realmente estava cogitando a possibilidade de voltar ao dormitório e implorar perdão ao Yoongi. Eu acho que faria qualquer coisa para não ter que passar por isso...
— (...) Ela está desafiando a todos! – Ouvimos dois rapazes passar por nós três. Nossa atenção ficou na conversa deles. – Está causando problemas de novo. – O mais alto deles resmungava.
— Ei! – Jimin chamou a atenção deles. – O que está acontecendo ali?
Os rapazes arregalaram os olhos, nos reconhecendo. Conti a vontade de revirar os olhos. Iniciaram uma onde de reverência incansáveis.
— Oh! – Eles estavam realmente surpresos com nosso presença. Jimin e Taehyung tentou conté-los.
— Ok! Ok! – Jimin pediu para que se controlassem. – Me respondam, por favor.
— É a Hyu-ni.. – Apontou para a garota da barraca. – Ela decidiu que para ganhar um beijo, terá que conquistar ele. – O rapaz entristeceu.
— Um desafio por um beijo? – Taehyung me fitou. – Ei! Você adoro desafios Jungook-ah! – Lembrou. Estralei o pescoço, recompondo a paciência que me faltava.
— Melhor voltar e implorar por Yoongi. – Decidi, dando meia volta. Jimin e Taehyung me acompanharam, impedindo minha passagem.
— Vai mesmo fugir de um desafio para se rebaixar na frente do Yoongi? – Taehyung perguntou surpreso.
— Sabia que ele vai te venerar se você conseguir passar por esse desafio? – Jimin provocou.
Parei e olhei para eles. Suspirei. Eu odiava quando me pressionavam a fazer algo que eu não queria. Mas odiava ainda mais ser desafiado e perder. Não era a toa que eu me chamava Golden Maknae.
— Yah! – Grite, mais para descontar minha frustração. Voltei para o caminho da fila. Jimin e Taehyung fazia algum tipo de comemoração pelas minhas costas. Era realmente irritante ter os dois ao meu lado agora.
— (...) É uma pena mesmo. – Ouvi a garota dizer, enquanto fazia um bico debochado. Ouvi também os murmúrios de desesperança, enquanto mais um saiu da cabine bastante descepcionado.
“Se era tão difícil assim, porque esse caras insistiam em continuar tentando?”— Pensei, achando toda aquela situação, realmente desnecessária.
Percebi quando Taehyung conversava alguma coisas com alguns rapazes ali próximo. Em seguida, agradeceu, voltando-se para mim e Jimin. Nem havia reparado sua ausência repentina. Eu estava mesmo nervoso.
— Eu descobri que aquela tal de Hyu-ni, está substituindo a irmã mais velha. Aparentemente, ela nunca beijou, e está apostando seu primeiro beijo naquele que ganhar o desafio dela. – Taehyung disse, e fiquei surpreso por ele ter descoberto o que a pouco eu estava curioso.
— O primeiro beijo dela também? – Jimin arregalou os pequenos olhos. Em seguida sorriu de forma bastante maliciosa. Eu conhecia bem aquele tipo de sorriso. Olhou para mim, apertando meu ombro com seus braços ao redor. – Você é realmente sortudo, Maknae! – Expressou, animado.
— Ei! – Tentei afastá-lo, impaciente. – Está contando vitória antes do tempo.
— Você é o Golden Maknae, nunca perde um desafio. – Lembrou Jimin. Tae concordou.
Pra ser completamente honesto, eu estava indeciso sobre perder ou ganhar. Se eu ganhar, terei que beijá-la. Se perder, serei motivo de chacota. Não sabia qual das duas opções me eram piores. Eu tinha muitos motivos para está nervoso.
Analisei minhas opções. Levei a mão direita a queixo e respirei fundo. Jimin e Taehyung me avaliavam. Não era como seu eu pudesse fugir, afinal, se isso acontecesse, Yoongi não me perdoaria nunca mais.
— (...) Ela é terrível! – Ouvimos quando mais um rapaz saiu da cabine, irritado.
Suspirei mais uma vez. Essa garota deve ser realmente muito boa em desafios. Por fim decidi que deveria tentar, ou não viveria em paz. Talvez nem fosse tão ruim assim caso eu perdesse. A cabine deve ser fechada, portanto, ninguém saberia...
“Talvez eu possa suborná-la a mentir!”— Pensei. — “Ela não negaria a um idol, negaria?”
— Olha, Tae! – Jimin puxou o castanho um pouco mais para a esquerda da cabine. – Daqui podemos ver se Jungkook cumpriu o desafio.
Assustado, dei um pulo para o mesmo lado, tentando enxergar o que tanto eles enxergavam. Arregalei os olhos ao perceber que havia uma lona branca e quase transparente. Era fácil ver a sombra de quem quer que estivesse ali dentro. E a medida que minha mente processava a frase “Estou perdido”, mais uma sombra saia de dentro daquela cabine. Provavelmente, se tratava de mais um caso perdido.
— É sua vez! – Eu, Jimin e Taehyung olhamos na direção da entrada da cabine.
A garota estava lá. Encostada na porta e com um sorriso bastante presunçoso em seu rosto. Engoli em seco. Primeiro, porque ela era, realmente, muito bonita. Segundo, porque eu estava realmente muito perdido.
Antes de entrar, levei uns bons tapas de apoio nas costas. Era ainda pior saber que meus Hyungs veriam isso. Independente do que acontecesse. Era constrangedor igualmente.
“Aish...” – Lamentei, mentalmente.
***
Pov. Hyu-ni
Eu estava muito satisfeita em conseguir manter meus lábios longe de todos aqueles pervertidos. Sentia que poderia me gabar por isso. Não era todo dia que se ganhava um apelido de garota de ferro. Eu estava realmente gostando.
Chamei pelo próximo rapaz, mas não prestei atenção em sua aparência. Na verdade, nenhuma delas me importava. Quando entramos, pedi para ele sentar na poltrona a frente, e muito hesitante, sentou. Pude finalmente reparar em seu rosto.
Para ser completamente honesta, era a primeira vez que eu realmente ficara supresa ali dentro. Não se tratava de um cara qualquer. Mas de uma Idol... mais especificamente, meu Utt supremo do grupo BTS.
Travar, gaguejar ou arregalar os olhos, não parecia ser o suficiente para expressar meu nervosismo. Me levantei assustada e ele parecia confuso. Dei as costas para ele e levei as mãos a boca.
Logo, lembranças me acometeram.
Flashback on
— (...) Ei! – Minha irmã jogara um travesseiro em meu rosto.
Era uma primavera de 2013. Um grupo de Kpop acabara de ser laçado na Mídia. E eu e minha irmã assistimos ao comeback tão esperado, tamanha a divulgação. Lembro de ter suspirado diversas vezes, cada vez que repetia aquele vídeo. Em uma dessas vezes, cheguei a comentar que estava completamente apaixonada. Mais especificamente, pelo mais novo do grupo.
— Você é uma boba Hyu-ni! – Minha irmã dizia, ao meu lado.
— Bobamente apaixonada. – Me joguei na cama, suspirando e sorrindo. Quem visse, diria que estava falando de alguém bem mais próximo da minha realidade.
— Não deveria se iludir. O mal de amar um idol, é o fato de saber que nem mesmo sabem que existimos. – Soo-ni suspirou, frustrada. Ela também havia se apaixonado por um idol em sua adolescência.
— Unnie... – Olhei para minha irmã, que me fitou, curiosa.
— hm? – Pergutou.
— Como foi seu primeiro beijo? – Perguntei, e ela riu.
— Ora... – Fez ares de negação. – Porque isso agora?
— Curiosidade. – Dei de ombros.
— Quando for maior, saberá! – Disse ela, jogando mais uma almofada em mim. – Além disso, deve ser com um rapaz bonito e educado. Ouviu bem? – Orientou, com autoridade.
— Terei meu primeiro beijo com Jeon Jungkook então. – Me gabei, sabendo que levaríamos tudo isso na mais pura inocência e brincadeira.
— Ok, Sra. Jeon... – E em meio a risos e brincadeiras, eu acabei prometendo a mim mesma que Jeon Jungkook seria o primeiro rapaz a me beijar.
A medida que o tempo ia passando, aquela promessa de adolescente ficava cada vez mais esquecida. Mesmo que eu não tenha me recordado mais, inconscientemente, acabei evitando, a todo custo, ter qualquer tipo de relacionamento. E não era como se eu não pudesse. Eu apenas não conseguia.
E agora... agora eu me lembrava o motivo.
Flashback Off
— Você está bem? – Ouvi quando o moreno perguntou. – Não vai surtar, não é?
Sua preocupação parecia está envolta da possibilidade de ter se deparado com uma army. Eu não o culpava por se sentir assustado com minha reação. Muito provavelmente, ele já conhecia esse tipo de comportamento.
“Céus, era Jeon Jungkook!” – Pensei, em um quase colapso de desespero.
Lentamente, me virei para encará-lo. Seus olhos eram realmente maiores. Exatamente como eu os percebia em vídeos. Era alto... bastante alto.
— Sim! – Fiz uma leve reverência. Eu me sentia uma idiota por está tão nervosa ao seu lado. – É q-que você é um idol. – Me senti envergonhada.
Percebi que ele rira. Colocou as mãos na cintura e me encarava, curioso.
— Isso é algum tipo de jogo psicológico para desestimular a gente? – Perguntou de repente.
Confusa, levei um tempo para entender seu questionamento. Até que, finalmente, havia processado.
— Oh... – Neguei com as duas mãos. – Não! Não! – Sua sobrancelha ergueu, em um misto de confusão e surpresa.
Como eu explicaria o desafio idiota, por motivos idiotas? Porque no momento, eu estava me sentindo uma tola. Jeon Jungkook, provavelmente, estaria me achando uma louca.
— Enão qual o é o desafio dessa barraca? – Perguntou, ansioso.
— É um desafio simples de Kai, Bai, Bo... – Falhei no fim da frase.
Para ser completamente honesta, eu não sabia se queria ganhar desta vez. Quer dizer... tinha uma oportunidade de realizar um desejo adormecido. Neguei com a cabeça. Eu estava perdendo a cabeça por uma besteira. Jeon Jungkook era uma pessoa como qualquer outra. Eu não era nenhuma adolescente boba para sonhar acordada.
Sou a garota de ferro!
— Só isso? – Ele perguntou, entre risos. Encarei o moreno, surpresa. Ele parecia, incrivelmente confiante, de repente.
Ele estava debochando do meu desafio? Bufei, impaciente.
— Claro... – Sorri, debochada. – Imagino que esteja contando vitória antes do tempo.
— Ah... – Ergueu o ombro, gabando-se. – Não sou conhecido como Golden Maknae a toa.
De fato, estava certo. Mas ainda sim, ninguém nunca me ganhou em jogo algum. Talvez hoje, a sorte dele mude.
— Sei... – Respondi. – Vamos ver o quão bom você é.
Senti que travávamos uma batalha interna. Posicionamos nossas mãos. Ele estava tenso, e por alguma razão, eu também. Quer dizer... haveriam duas opções. A primeiro, se eu ganhar, nunca mais verei Jeon Jungkook, portanto, nenhuma oportunidade a mais de realizar meu desejo. A segunda, se eu perder, eu finalmente o beijaria, mas perderia minha fama de durona.
Era uma escolha difícil. Reputação ou desejo? E o mais engraçado, era que seria decidido em um jogo idiota de Kai, Bai, Bo. Conti a vontade de rir. Ele percebeu.
— Qual a graça? – Perguntou, curioso.
— Nada. – Respondi. Ele apertou os olhos, desconfiado.
— Tem certeza que sabe quem eu sou?
— Claro que sei. – Olhei para ele, confusa.
— Certo... – Hesitou. – É uma Army, então?
— Pode ser. – Dei de ombros. – Sim.. – Completei.
— Não vai perder de propósito, não é? – Voltou a questionar. Baixei a mão, indignada.
— Porque eu perderia de propósito?
A verdade, é que eu parecia ter cogitado essa possibilidade minutos atrás. Não estava 100% certa sobre o que queria. No entento, eu não seria tão fácil assim.
— É o sonho de toda Army, não é? – Riu, como se estivesse contando uma piada. – É uma oportunidade única.
Eu realmente não esperava que dissesse aquilo. Era quase como declarar que toda fã tem um desejo absurdo de beijar seu Idol.
Ok. Ele poderia está certo. Mas eu não me sentia bem com essa imagem criada de nós, fãs. Era uma ideia narcizista.
— Está querendo que eu pegue leve, só porque sou uma Army? – Rebati, ao passo que ele me fitara, surpreso. – Pois saiba, que isso não vai acontecer.
— É um jogo de sorte. Como poderia ser tão confiante assim? – Ele perguntou, perplexo com minha declaração.
Ignorei sua contra resposta. Posicionei minha mão novamente. De repente, ele fez sinal para que eu esperasse.
— Vamos mudar o jogo. – Fiz careta. – Se eu ganhar, você me diz quem é seu Utt e fingimos que nos beijamos. Se não quer parecer que perdeu. – Sugeriu. – Se eu perder, poderá pedir o que quiser.
Ponderei sobre seu pedido. Seria alguma brincadeira dele?
— Não veio aqui por um beijo? – Apontei para toda a cabine e a ficha em sua mão. Ele olhou para o papel e sorriu, antes de explicar.
— Na verdade, estou aqui por causa de uma aposta. Se eu falhar, meu Hyung irá me punir severamente. – Explicou. Assenti, compreendendo a situação.
— Sei como é ser obrigado a fazer o que não quer... – Suspirei. – Estou aqui substituindo a minha irmã. E para ser completamente honesta, eu odeio essa barraca do beijo. – Confessei. Ele riu.
Por incrível que pareça, estávamos bastante confortável um com o outro no momento. Jeon Jungkook era bastante simpático, como o esperado. Mais um motivo para desejar beijá-lo ainda mais. Porém, se a regra mudasse, eu não teria essa oportunidade. O que eu faria? Pediria um beijo? Estava contra meus princípios. Era praticamente ir contrário ao objetivo inicial do desafio.
— Trato feito então? – Estendeu a mão.
— Trato feito. – Aceitei. Depois decidiria o que faria.
Mais uma vez, posicionamos nossas mãos. Empatamos por três vezes. Ele estralou o pescoço. Parecia tenso. Não o culpava.
— Precisamos desempatar. – Comentou. – Ou podemos fingir que ganhei. Te dou um autógrafo e não digo a ninguém lá fora que ganhei. Apenas a meus hyungs.. por causa da aposta, claro. – Sugeriu.
— Não! – Neguei, quase que prontamente. Ele se assustou. – Eu não gosto de empatar. – Expliquei, antes que ele pensasse mal de mim.
Na verdade, eu tinha um desejo, e já havia decidido. Ou já havia tomado uma pequena parcela de coragem para isso. Ele não poderia negar, já que ele próprio havia mudado as regras.
“Eu devo ter enlouquecido de vez!”— Pensei.
— Ok. – Riu, anasalado. Corei.
Novamente, empatamos na duas primeiras, e de repente, um resultado diferente.
— Oh... – Fiquei surpresa com o resultado, apesar de saber que tinha muita sorte. Ele levou alguns segundos a mais para me encarar. Parecia decepcionado. Ainda sim, decidiu sorrir.
— Isso é embaraçosso. – Confessou.
Imaginei qual seria a punição de Jeon Jungkook. Eu não queria que ele sofresse qualquer tipo de dano. Por esse motivo, eu deveria salvá-lo, não é?
— Tudo bem... – Dei tapinhas em meu próprio joelho, pensativa. – O combinado seria eu pedir o que quisesse? – Precisei confirmar. Ele crispou os lábios, concordando com a cabeça.
— Seja uma boa army... – Apelou, arrancando uma risada da minha parte.
Ah! Eu deveria ser, não é?
Em um impulso, puxei a gola de sua jaqueta e juntei nossos lábios. Uma corrente elétrica percorreu todo o meu corpo. Era quase como a concretização de um sonho. Um melhor, a libertação de uma prisão invisível. E pela forma como ele tocara em meu ombro, não parecia está recusando.
Levei um pouco mais de tempo para me afastar. A vergonha de encará-lo já havia tomado conta dos meus pensamentos.
— Isso não foi um pedido... – Jungkook disse, enquanto nossos rostos ainda estavam próximos. Tentei sorrir, mas senti que, tanto eu, quanto ele, estávamos envergonhado.
“Céus! EU beijei Jeon Jungkook!”— Pensei, eletrizada.
— Você disse que perderia uma aposta se não beijasse. – Expliquei. – Estou te salvando.
Ele concordou, desorientado. Eu também estava. Não parecia sair nada de nossa boca, no momento. Nem sei quanto tempo se passou naquele silêncio desconfortável.
— Ainda não fez o pedido. – Questionou ele, finalmente.
— Oh... – Pensei.
Eu gostaria muito que ele me respondesse se havia gostado de me beijar. Embora fosse meu primeiro beijo, eu realmente gostaria de saber que meu Utt estivesse satisfeito com ele.
— Você gostou? – Perguntei, de repente. Não sei de onde havia tirado coragem para fazer tal pergunta. Mas se já estava já chuva, era para se molhar.
— Vou confessar algo e espero que fique entre a gente. – Sorriu ele. – Esse também foi meu primeiro beijo.
Eu deveria surtar agora ou fingir que estava tudo bem? Assim como eu, Jungkook nunca havia beijado. Destino? Não devo ter processado direito a informação.
— Como? – Arregalei os olhos.
***
Pov. Jungkook
Eu devo ter enlouquecido de vez. Contar a uma army que meu primeiro beijo havia sido com ela. Mas aquela garota parecia tão confiável. Além de ter me surpreendido de uma forma bastante positiva. Ela me salvou de uma punição. Nada mais justo que retribuir de uma forma igualmente honrosa...? Imagino o quão sortuda deva está se sentido. E não é porque estou sendo presunçoso. É a realidade. Felizmente ou infelizmente, recebemos diariamente confissões de Armys via internet. Em sua grande maioria, o desejo de nos namorar.
Era o fato engraçado, mas que assim como ela, nós, do grupo, também nos sentimos honrados com os elogios e desejos alheios. Era um salto enorme pro nosso ego. Mas não nos gabávamos por isso. Não era o certo. Respeitamos todas a nossas fãs, assim como gostamos que façam o mesmo por nós.
— Um presente, por ter me salvado de uma punição. – Ri, percebendo seus bochechas vermelhas. Ela era realmente muito fofa quando mais de perto.
— Meu primeiro beijo foi com meu Utt. – Ela disse. – Esse presente já me é o suficiente. – Completou.
Então eu sou o Utt dela?
Por alguma razão, meu coração parecia aquecido e ligeiramente acelerado. Não era como se fosse a primeira vez ouvindo uma Army dizer que eu era seu Utt. Mas as circunstancias era completamente diferentes. E se eu estava feliz, era praticamente impossível não demonstrar.
— Ainda não fez o seu pedido. – Insisti no questionamento. Eu estava realmente curioso para saber o que ela pediria.
— Eu acho que não sei o que pedir. – Ela confessou, envergonhada.
Não poderíamos passar uma tarde inteira dentro daquela cabine até que ela decida, então, eu fiz a coisa mais louca que poderia ter feito. As consequências eram incertas. Contudo, no momento, eu precisava disso.
— Anote meu número. – Pedi, ao passo que ela me olhava confusa. – Por favor.
Ela buscou o celular em seu próprio bolso e entrou para mim. Salvei meu número e entreguei de volta. Tudo isso, sob seu olhar curioso e surpreso.
— Quando decidir o que pedir, é só me dizer. – Sorri.
Eu jamais pensei que um dia faria tal coisa. Mas sentia que deveria.
— Oh... – Sorria, olhando para o próprio celular. – Eu prometo que guardarei com cuidado este número. – Ela prometeu.
— Bom saber. – Em seguida, me levantei, e ela fez o mesmo.
E foi assim que nos despedimos naquele momento. E para ser completamente honesto. Eu esperava, ansiosamente, pelo seu contato.
***
Um mês depois...
Estava na sala de ensaio com os Hyungs. Esperávamos, ansiosamente pelo almoço. Meus pés já não se aguentavam em pé, e eu sentia como se não dormisse a um ano.
Deitado no chão, olhei para o teto, pensativo. Um mês desde o beijo mais inesperado da minha vida. A Hyu-ni, não entrou em contato comigo. Talvez este seja o motivo de eu está me sentindo tão cansado e frustrado. Não era como se eu esperasse muita coisa...
Ela teria desistido? Eu ainda seria seu Utt?
Me arrependia de não ter pego eu mesmo o seu número. Era um verdadeiro idiota. Jimin e Taehyung estava certos quando me repreenderam por ter dado meu número a uma completa desconhecida. Os outros não sabia de nada, apenas que eu cumpri bem minha “punição”.
“Se toda punição fosse como aquela, eu teria entrado em encrencas mais vezes.”— Pensei, em um riso fraco.
— (...)Jungkook-ah! – Jimin gritou ao meu lado. Em um susto, olhei para ele. – Estou te chamando a minutos! – Ralhou.
— O que? – Perguntei, desinteressado.
— Aish... o que você tem? – Perguntou, fazendo careta. – Deixa pra lá. – Apontou para o meu celular que estava ao lado do meu quadril. – Seu celular está vibrando, não percebeu?
Em um pulo, tateei o celular no chão, me levantando com toda pressa do mundo. Ignorei os olhares confusos dos meus hyungs. Desbloqueei a tela quase em desespero.
— Qual o problema do Maknae? – Jin perguntou, curioso. – Anda mais apegado a esse celular, do que Sugar com o travesseiro.
— Ei! – Suga resmungou. – Eu tenho dormido pouco. – Se justificava.
Me afastei dos hyungs o suficiente para não correr risco deles verem meu interesse com o aparelho. De qualuqer forma, isso também evitaria deles verem minha decepção, caso não seja quem eu esperava que fosse.
Ansioso, abri o espaço de notificação de menagem. Era um número desconhecido. Seria ela?
“Este é o número de Jeon Jugkook?”
Se eu respondesse que sim, poderia ser alguma fã maluca tentando descobrir meu número. E minha vida seria um inferno. Mas se eu dissesse que não, a pessoa do outro lado da linha, poderia ser a Hyun-ni, e aí, nunca mais terei a oportunidade de falar com ela, novamente.
Suspirei. De qualquer forma, números podem ser trocados, não é mesmo?
“Sim. Porque?”— Meu coração acelerou em um misto de desespero e esperança.
“Uau! Eu realmente pensei que estivesse brincando com minha cara.”
Avaliei a resposta. Seria mesmo ela, ou alguma brincadeira de mal gosto?
“Quem é?”— Perguntei, nervoso.
“Hyu-ni. Meu pedido ainda está de pé, Jeon Jungkook?”
Aquela resposta foi o suficiente para me fazer sorrir o resto do dia. Eu não poderia está mais aliviado. E meu coração não poderia está mais aquecido. Foi inevitável fazer gesto de vitória.
Os hyungs se levantaram, se aproximando e me cercando de dúvidas e questionamentos. Taehyung tentou tirar o celular das minhas mãos. Jimin parecia querer fazer o mesmo. Entramos em uma verdadeira guerra onde o prêmio, era meu próprio celular. Eu deveria repreendê-los por isso, mas não os culpava. Na maioria das vezes, eu mesmo os fazia passar por esse tipo de situação. Agora eu entendia como era inconveniente da minha parte.
Conseguindo escapar do falatório e dos braço. Corri para fora da sala de ensaio, entrando na primeira sala do corredor, me trancando na mesma. Ouvindo os resmungos e protestos dos Hyungs do lado de fora, apenas me limitei a rir e respirar fundo.
Finalmente, olhei para a tela do celular, e com todo prazer do mundo, pude responder:
“Estou ansioso para saber o que vai pedir.”
Ah... Eu, definitivamente, não perdi naquele desafio. — Pensei.
Fim.
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