Notas iniciais
Postado em homenagem ao dia da Visibilidade Trans (29/01) ;)

O palácio de inverno costumava ser habitado por inúmeras crianças que sentavam-se no chão de neve e lá ficavam; rodeadas por seus amigos e familiares. As temperaturas agressivas do inverno Russo tão pouco eram preocupantes para nós que, além de estarmos acostumados, sabíamos aproveitar o dia do jeito que estivesse.

Eu não era uma exceção. Minha mãe até mesmo vestia-me com casacos pesados para alguém de oito anos de idade, que mais parecia um pequeno amontoado de lã. Já meu pai, assim como eu, achava aquela atitude exagerada. Eram tantas roupas que mal conseguia ficar em pé, mas pelo menos quando eu caía, amorteciam minha queda.

Na infância, não costumava ser do tipo que precisava estar rodeada de pessoas para divertir-me. Um ou outro amigo que ficasse ao meu lado, para mim, já era suficiente. E bastáva-me um em especial, que sempre estava comigo.

Seu nome era Máxim e pronunciasse “máksín”, um garoto da mesma idade e de características físicas parecidas com as minhas. Vivíamos juntos, estudávamos na mesma escola e aqui em São Petersburgo, Máxim morava na casa ao lado da minha. Ele era um garoto muito mais tímido e contraído que eu, poderia até arriscar dizer que eu era sua única fonte de amizade.

Os curtos e fios finos de seu cabelo loiro poderiam chegar à atingir toda a brancura da neve. Sua pele macia lembrava um prato de porcelana de tão frágil, opostos aos seus olhos que, apesar de serem do mais sedoso azul, chamavam a atenção por serem impactantes e firmarem uma presença única.

Não que na Rússia tenhamos muitas variedades, não somos um povo ‘exótico’ por assim dizer. Nossa variedade é pouca, todos seguiam um padrão. Loiros, traços finos e pele clara. Quem quer que fugisse da norma ou se portasse de modo fugindo do conservadorismo, era rapidamente excluídos pelo próprio povo, e por seu ultranacionalismo danoso.

Pouco sabia sobre a família de Máxim, só sei que morava apenas com sua mãe por seu pai, Vladimir Konstantin, viver em outra cidade. Sei também que seu avô era um apoiador do antigo PFR, o Partido Fascista Russo, que foi famoso durante a Revolução de Outubro. Na época pouco nos importavávamos com isso, não era como se duas crianças ligassem para esse assunto.

Nós convivemos juntos desde que nascemos até nossos doze anos de idade, quando fomos separados. Máxim deixou São Petersburgo para ir morar com o pai em Moscou, depois de receber uma proposta para trabalhar na capital do país. Após esse dia, nunca mais tive notícias de meu amigo.

❤ ♡ ❤

Podemos dizer que na Rússia existem apenas dois climas: um inverno doloroso e um agradável verão de dez graus. Isso porque estamos em São Petersburgo, onde o clima é mais ameno que no resto do país, principalmente no norte onde a temperatura costuma chegar a quarenta graus negativos.

Meu nome é Anastácia Ivanov, tenho vinte e oito anos, olhos azuis e finos lábios rosados como manda a aparência típica daqui. Meus cabelos são longos e loiros, chegando a bater no meio de minhas costas, com algumas mechas pintadas de preto. Atualmente, trabalho servindo e preparando drinks em um bar.

Já ia esquecendo de dizer. Lembra-se quando disse que a atual Rússia conservadora não permitia que você fujisse dos padrões que tanto querem lhe empurrar? Onde eu moro não era diferente, mas os diferentes costumavam viver em grupos, e eu era uma deles.

— Ana, Ana… por favor, para de falar essas coisas, poxa.

— Eu só estou sendo sincera, você costuma ser muito descuidado com esse tipo de coisa, Ahiru.

— Mas por quê? Eu já uso isso há um ano e nunca deu errado!

— É exatamente por isso, idiota, você deveria parar de usar esse tipo de coisa.

Seu nome era Oliver, mas costumávamos chamá-lo de “Ahiru”, como era seu apelido. Ele era um de meus amigos, tinha cabelos médios ondulados ruivos alaranjados, alargadores na orelha e alguns piercings espalhados, nos lábios, septo, sobrancelha e outros locais. Mas o mais estranho não era sua aparência, e sim, seu fascínio curioso por patos.

— Eu até tento parar, mas é mais forte que eu!

— Eu sei, tadinho de você.

Ele era até bem novo e descuidado, tinha vinte e quatro anos e no momento estava sentado no balcão do bar que eu trabalhava, conversando comigo. Oliver costumava usar um aplicativo de encontros no celular, no qual você conversava com estranhos e marcava de sair com eles, e eu achava um tanto perigoso, principalmente pra alguém como ele, tão fraco, em um país tão perigoso.

— Você que é muito chata, qual é o problema de usar esse tipo de coisa?

— Problema nenhum, oras.

— Então por que a insistência?!

— Porque eu devo te lembrar que existem pessoas disfarçadas que usam esse tipo de aplicativo pra atrair pessoas como você e as torturar.

— Pff, bobagem, isso é só a mídia controlando sua mente.

Aqui na Rússia há leis bem específicas, e o ódio contra aqueles que são diferentes é bem visível. Se mesmo passeando na rua normalmente recebemos olhares raivosos, imagina se trocassemos algum tipo de carícia com alguém do mesmo gênero. Significaria morte! E parece que Ahiru não se dá conta disso.

Já estamos cansados de ver notícias de grupos extremistas que perseguem e torturam gays, gravam vídeos do ato e jogam na internet para que o mundo inteiro possa ver a humilhação diária que passamos. E o governo atual pouco se importa, ou melhor, piora tudo criando leis que impedem qualquer demonstração de afeto pública que fuja do padrão cis-hétero.

Com isso já dá para facilmente perceber porquê me preocupo tanto, certo? É normal jovens gays e lésbicas usarem esses aplicativos para acharem pessoas como eles, como Ahiru faz, porém, quem está por trás da tela do celular pode não ser quem esperamos. Qualquer skinhead neofascista pode estar escondido, só esperando para atrair mais vítimas.

— Eu só acho que a gente não deveria se privar de usar as coisas por medo da violência. – Oliver continua dizendo, teimosamente. – É isso que eles querem, né? Que fiquemos com medo e desapareçamos de vez.

— Ei, eu só tô dizendo pra você tomar mais cuidado que isso nunca é demais.

— Uhum. Qualquer dia você poderia experimentar usar um desses pelo menos uma vez, Ana, assim você vê que não tem nenhum perigo.

— Eu, usar um desses pra quê? Não quero namorar nem nada disso e eu sou hétero, infelizmente.

— Sim, mas devem ter algumas pessoas trans também, não é você que sempre reclama de estar cercada por cis?

Oliver estava certo. Mesmo eu até tendo mais amigos LGBs que o padrão Russo permite, tenho que admitir que dói ser a única mulher trans, ainda que tenhamos um homem trans entre nós, somente um ano mais novo que eu. É chato, pois por mais que Ahiru seja um amigo mente aberta, somente quem é trans também consegue entender o que nós passamos no dia a dia.

Meus pais deram-me o nome de Alexis em homenagem ao ‘filho querido’ dos Romanov, os antigos czares que controlavam a Rússia. Ele era o filho mais velho e por tanto herdeiro do rei Nicolau ll, definido pela corte como “O centro das atenções, de todas as esperanças e afetos”. E eu, contrariando todos os sonhos de meus pais, cresci e me tornei Anastácia, a irmã mais nova que nunca teria acesso ao trono.

Por culpa dos malvados bolcheviques que trouxeram liberdade ao povo e aos trabalhadores, Alexis foi morto junto com o resto da família Romanov dando fim ao czarismo, poder absolutista e opressor, mas Anastácia, pelo que conta o clássico da Disney, foi a única a sobreviver, contrariando o pensamento da menina fraca e miúda, que acabou se tornando mais famosa que seu querido e saudoso irmão.

Gosto de pensar assim. Meus pais me forçaram durante toda a infância para ser o modelo de homem que eles queriam, mas Alexis morreu, e junto com ele, surge Anastácia com a visibilidade que nunca teria normalmente, para provar a significância das mulheres mesmo em épocas extremamente patriarcais. E sou o que sou, uma mulher trans, ou uma mulher com pênis, como queiram chamar.

— Então você vai encontrar com esse sujeito não importa o que eu disser? – Perguntei, Ahiru estava ainda mexendo em seu celular.

— Aham, o nome dele é Dimitri! Olha só. – E o garoto me mostra uma foto da pessoa que ele iria conhecer hoje, um homem magro de cabelos castanhos.

— Pode ser uma foto falsa. – O alertei.

— Não é nada disso, tá? Eu marquei de encontrá-lo aqui mesmo nesse bar pra você conhecê-lo, aliás.

— Olha, que bom, assim é mais seguro.

— Sim, e ele disse que já tá chegando, me pediu pra eu ir vê-lo atrás do bar.

— Por que atrás?

— Pra que entremos juntos, eu acho.

— Tem certeza? Não é melhor já marcar aqui dentro?

— Nah, bobagem, esse bar tá um pouco cheio demais, é melhor a gente se encontrar fora pra nos reconhecermos e aí entramos juntos.

— Ele é daqui?

— Não, é estrangeiro, vai ficar na cidade só essa semana.

— Hm, então tá, se você tem certeza de tudo isso.

— Nada vai dar errado! Ele disse que já chegou, é melhor eu sair agora daqui.

— Vai e volta. Se você demorar muito pra entrar no bar eu vou atrás de você, ok?

— Ai, você é muito preocupada e age como se fosse a minha irmã mais velha. Eu vou ver um garoto normal, não me envolver com uma gangue nazista!

— É o que eu espero…

— Então eu vou nessa, tá bom?

— Vai e volta, Ahiru.

— Eu volto, Ana, eu prometo!

Oliver levantou do banco que estava e saiu do bar, alegre, por estar possivelmente indo encontrar mais uma pessoa que havia conhecido por celular. Ele poderia até me achar chata por isso, mas não posso deixar de me preocupar com sua segurança vivendo em um país tão violento como aqui.

Já haviam se passado uns três minutos, o que em minha mente era muito tempo, então dei uma pausa em meu trabalho. Servi todos os drinks que tinha na velocidade mais rápida que conseguia e fui para a cozinha interna, a qual tinha uma janela que me possibilitava ver os fundos do bar onde supostamente Ahiru estaria. E foi quando eu vi! E levei um susto!

Não era apenas um, mas cerca de quatro rapazes altos com o mesmo visual: cabelo raspado, pele e olhos claros usando jaquetas pesadas, cercando meu amigo que não deveria ter mais de 1,75m e era tão fraco quanto uma pluma. Alguns deles também estavam armados com tacos de baseball e sorrisos sádicos.

E então, é você que é o tal do “Ahiru”? — Disse um deles, em frente a Oliver, que tentou se afastar.

Você tava tentando achar outro viado que nem você, é? – Outro se aproximou por trás, debochando dele. – Você achou que algum de nós fosse, é?

E esse cabelinho de fogo? – Mais um disse, se aproximando pelo lado e puxando os fios ruivos dele. – Essa merda é pintada, né?

Usando nome estrangeiro e sujando seu cabelo assim! — Gritou o quarto, do outro lado. – Você tá querendo esconder suas origens? Você é Russo ou o quê?

Uma merda dessas não deveria nem estar na cidade, envergonha a nossa pátria.

Seus pais não têm vergonha de você, não? Se eu soubesse que o meu filho anda chupando bolas eu já teria matado de tanta porrada!

É, vamo acabar com isso logo! — Nisso, o que estava atrás imobiliza Ahiru pelo ombro.

E-Ei, me solta!

Sim, pega a câmera aí! Vamos filmar a cara desse viado implorando perdão!

Então eu vou começar! – Um dos que estava com o taco de baseball em mãos, pega impulso e o utiliza para bater diretamente no estômago de Ahiru, que só não caiu no chão por estar sendo segurado, mas começou a tossir.

Hahahaha, isso é muito divertido! — Repetiram os movimentos, também filmando todo o ato.

EI, VOCÊS AÍ!

Cheguei bem na hora e gritei, fazendo-os largarem meu amigo no chão e voltarem suas atenções até mim. Percebi que Ahiru ficou grato por minha presença, mas estava tão ferido que acabou permanecendo caído, quase desmaiando. Aqueles deveriam ser mais um dos grupos skinheads que pregam a superioridade da raça branca e do patriotismo.

— Hã, quem é essa aí? – Perguntaram-se.

— Hahaha, será que é uma amiguinha desse cara?

— “Amiga”? Vocês estão é cegos. – Um deles, o que estava armado, se aproxima de mim. – Isso aí não é mulher, é um traveco.

Só eu sei o quanto eu odeio essa palavra…

— Eu exijo que vocês larguem o meu amigo agora! – Gritei, sem hesitar.

— Hahaha, e o que você pretende fazer? – Só dele falar isso, seus outros três amigos começam a vir em minha direção também. – Vai chamar a patrulha do arco íris pra vir bater na gente?

— Não preciso deles agora, pra vocês terem se juntado em quatro pra bater em só uma pessoa eu imagino que devam ser muito covardes.

— Como é que é? Tsc, é por isso que não se deve falar com essa raça, só falam merda.

— É você quem tá querendo falar comigo, querido, eu só quero que você e os seus amigos vão embora.

— Pena que isso não vai acontecer, você e o seu amiguinho aqui vão morrer juntos.

— É, eu acho que não.

Fiquei onde eu estava, mas já me preparava para a defesa. Dois deles vieram em minha direção, correndo, um com as mãos limpas, outro com o taco de baseball. Tentei ver tudo em câmera lenta como meu professor de luta havia me ensinado, então logo tratei de fazer alguma coisa.

Quando os dois estavam próximos, me agachei, fazendo com que o homem à minha esquerda quase batesse com o taco no amigo que estava desarmado, tentando me atingir sem êxito. Por pouco eles não se colidiram, mas aproveitei que estava agachada e dei uma rasteira no que estava armado, fazendo-o cair.

Aproveitei que estava derrubado e peguei sua arma, batendo com o taco de baseball na barriga do outro que estava vindo para cima. Também bati no que havia caído e já estava tentando se levantar de novo, porém sem conseguir.

— É só isso que seus amiguinhos sabem fazer? – Perguntei sorrindo de frente para o que parecia ser o líder deles, o qual havia conversado comigo anteriormente, que só estava parado observando os dois amigos.

— Tsc, levantem daí, seus inúteis! – E ele gritou furioso.

Logo, os dois novamente estavam de pé enquanto o líder permaneceu os olhando. Também tinha um terceiro, que só estava filmando tudo. Me livrei do taco de baseball, já que era melhor com as mãos, e fui para cima do que estava à minha esquerda.

Ele tentou me dar um soco, mas puxei seu braço e o girei, fazendo-o desequilibrar-se e bater no amigo, que estava vindo à minha direita. Aproveitei que este outro estava cambaleando e peguei sua cabeça, batendo-a diretamente no meu joelho o mais forte que conseguia. Havia dado certo e atingiu logo o nariz dele, que se não quebrou àquela altura foi por muito pouco. O empurrei no chão e ele ficou lá, gritando de dor.

Em seguida me virei na direção do que ainda estava em pé e não se importou com o amigo. Ele novamente veio para cima de mim, tentando me socar, mas aproveitei que sua guarda estava aberta e depois de defender seu golpe com o antebraço, peguei dois dedos meus e enfiei em seus olhos, o cegando.

— Aaaah, desgraçado! – Ele gritou, tampando a visão, então apenas dei um chute em sua barriga que quase o fez vomitar e peguei sua jaqueta pelo final, levantando-a como se fosse tirar para que ele ficasse ainda mais cego e eu pudesse dar mais uma rasteira. Ele caiu facilmente no chão e lá ficou.

— Heh, parece que esses dois já foram. Filmou tudo?

— Argh… – O líder ficou furioso e bateu na mão do que estava segurando a câmera, fazendo-o deixá-la cair. – Para de filmar e vai ajudar, desgraçado!

Esse da filmadora parecia meio sem jeito e até um pouco assustado. Ele veio até mim correndo devagar, então apenas me virei, peguei o taco de baseball que estava no chão e tomei impulso, voltando a olhá-lo e batendo com a arma na cara dele. Ele acabou dando um giro no ar e em seguida logo caiu no chão.

— Não acredito… que bando de idiotas. – O líder resmunga, vendo seus amigos jogados.

— Assim como todo bom fascista deve ser. Eu recomendo que você saia daqui e os leve pra casa, antes que eu chame a polícia.

— Tsc, que se dane isso!

Sem hesitar, ele veio pra cima de mim e tentou aplicar um soco pela esquerda. Me defendi, mas logo outro punho veio pela direita e eu só não fui atingida por me afastar rápido. Ele parecia ser bem melhor e mais veloz que os outros, ficou fazendo os mesmos movimentos sem se cansar, e eu apenas fui andando pra trás.

Até que encontrei uma brecha e segurei em sua jaqueta, o girando de costas; entretanto, ele não permitiu e acabou segurando minha mão e me impedindo de me defender. Deu-me um soco com o punho que estava livre e pela primeira vez ali senti algum impacto.

— Aai!

— Heh, até que você grita feito uma mulherzinha.

— Tsc…

Decidi que não iria deixá-lo me encostar de novo. Acalmei-me e quando o rapaz tentou me bater novamente, me agachei e o empurrei pela barriga. Ele ficou hesitante e com a guarda aberta, então pude retribuir o socando do mesmo lado que ele havia feito em mim anteriormente.

— Agora estamos quites.

— Vai à merda!

Novamente veio correndo para cima de mim, mas aproveitei que estava com tanto ódio que o deixava cego e segurei seus dois punhos, o girando no ar e o jogando no chão. Antes que ele se levantasse, subi em cima dele, imobilizando seus braços com minhas mãos.

— Eu avisei que você deveria ter ido embora e levado seus amigos.

— Cala boca, seu lixo!

Ele estava no chão, sem conseguir se mover por eu estar em cima dele, porém, acabou abrindo seus braços e eu me desequilibrei por estar apoiando neles. Meu rosto acabou caindo bem próximo ao seu e por pouco nossos narizes não se encostaram, mas dava para ver sua face de ódio de perto.

— Ahn..?

E no momento em que isso ocorreu, acabei sentindo algo realmente muito estranho. Nossos olhos estavam bem próximos; conseguia ver os dele com perfeição, e um sentimento nostálgico bateu em minha mente no mesmo instante, permitindo que eu me distraísse.

Não era pouco comum ver olhos tão azuis capaz de se confundirem com a neve nesse país, até pareciam-se com os meus, mas o semblante de ódio os deixava tão impactantes que tornava-os únicos e inconfundíveis. E é verdade, não dá pra negar que eu já vi esses olhos antes...

Máxim..?”

Percebi que este embaixo de mim, esse que tão covardemente atacou Ahiru, era o mesmo amigo de infância que eu não via há dezesseis anos! Que hora péssima para descobrir isso, aliás. Fiquei imóvel, sem conseguir me mexer ou fazer qualquer tipo de movimento para defesa.

Máxim, que tampouco havia me reconhecido, aproveitou meu momento se distração e me virou, jogando-me no chão e ficando por cima de mim. A última lembrança que tenho é de seu punho atravessando minha face, pois depois disso, desmaiei e não pude ver mais nada.

Notas finais
GLÓSSARIO / VOCABULÁRIO Trans: pessoas que se identificam com um gênero diferente do designado no nascimento. Mulher trans: pessoa definida como homem ao nascer, mas que pertence ao gênero feminino. Homem trans: pessoa definida como mulher ao nascer, mas que pertence ao gênero masculino. LGBs: lésbicas, gays e bi/pan/polissexuais. Cis/Cisgênero: contrário de trans, aquele que não tem problema com o gênero definido no nascimento. Skinhead: jovens simpatizantes do nazismo, que se mostram intolerantes com minorias, pregando o combate a negros, judeus, homossexuais e nordestinos. Ahiru: significa "pato" em japonês, é um personagem criado mais entre amigos, q. "Oli" (oliver) significa o mesmo em coreano. Anastácia: http://romanov.blogs.sapo.pt/3668.html Alexis: http://romanov.blogs.sapo.pt/10399.html Vladimir Konstantinov (pai de Máxim): https://en.wikipedia.org/wiki/Vladimir_Konstantinov Vladimir Máxim: https://en.wikipedia.org/wiki/Maxim_Martsinkevich ♥ Personagens originais que não imitam a realidade. Qualquer semelhança é mera coincidência. ♥ ♥ Baseado em 'Mulheres trans nunca mentem'. ♥ ♥ Plágio é crime viu mores. ♥ ♥ Não use 'traveco' em nenhum contexto. ♥ Continua =D