Os Filhos do Olimpo
4 Capítulo 4: Aísha Light – Nada melhor para começar o dia do que uma corrida matinal

O sol já estava nascendo quando acordei. Eu sempre tive o hábito de acordar nos primeiros raios de sol, então não havia nada de novo nisso. O novo era eu olhar pro lado e ver uma garota toda ensanguentada do meu lado. Ninguém está preparado para isso nos primeiros dois segundos do dia. Por isso confesso que gritei. Logan acordou num pulo com uma faca na mão. Maya só ficou encarando a gente.
— Vocês fazendo isso toda manhã? – perguntou.
— O que aconteceu com você? – Logan questionou.
A garota olhou pra ele confusa e depois olhou para ela mesma. Quando viu seu estado franziu a testa como se nem tivesse reparado. Automaticamente suas mãos foram para o cabelo e ajeitaram o rabo de cavalo, como sempre faz quando está nervosa. Porém, como havia um corte no braço o gesto foi seguido de um “Ai!” surpreso.
— Houve umas harpias. – respondeu – Nada demais, não havia necessidade de acordar vocês.
— Você parece um cosplay de Carie, a estranha. – comentei.
— A maior parte do sangue é delas. – se vangloriou. Olhou para Logan que pegava ambrósia. – Nem pensar. Não desperdice Néctar com um arranhão.
Como conhecia a peça, Logan nem discutiu porque sabia que não iria vencer.
— Pelo menos deixe Aísha fazer um curativo.
— Nem morta. – falei – Eu tenho horror a sangue. – os dois me encararam – Não me olhem com essa cara, eu sei que sou filha de Apolo, mas não sou obrigada.
— Certo, eu mesmo faço.
Ele se agachou para pegar o kit de primeiros-socorros. Era estranho como o kit estava no topo da mochila como se tivessem usado antes. Olhei novamente para Maya. Ela estava escondendo algo. Conhecendo ela, aposto que é uma coisa legal, afinal ela sempre finge ser mais durona do que é de verdade, então não precisava me preocupar.
Peguei um pacote de biscoito e comecei a assistir a cena, sem olhar para o sangue, obviamente. Awn, o Logan é tão fofinho perto da Maya, eu shippo demais. Ela percebeu meu olhar e me encarou, eu não desviei o olhar e ela ergueu a sobrancelha. No código de conversas telepática, o sinal estava claro “O que eu devo fazer sobre isso?” perguntou. Dei ombros e depois fiz um coração com a mão: “Não sei, mas acho fofo.”. Apontei para a blusa dele e depois para o nariz: “O que aconteceu mesmo, sua Pinóquio?”. Ela deu ombros: “Nada demais.”. Logan reparou no gesto dela:
— Porque você tá se remexendo tanto? Tô te machucando?
Suspirei e fiz outro coração com a mão. Maya parecia querer me matar.
— Hiperatividade, lembra? – respondeu.
Meu amigo caiu nessa também. Olhei para ela fazendo um gesto de reprovação e depois apontando para o menino: “Tão bonito mas tão bobinho...”, a morena mordeu os lábios para não rir e fez um gesto de ondas “Seria filho de Poseidon?”, exatamente como fazemos com ela. Somente sorri para ela. Era estranho, mas parando para pensar, mesmo me dando bem com todos nunca tive uma amiga com quem pudesse conversar por olhares e com a Maya parecia tão fácil. Eu gostava de sentir que tínhamos um segredo. Como se fôssemos realmente grandes amigas.
— Pronto. – Logan falou depois que limpou e enfaixou o braço dela – Está te incomodando?
— Você quer ser médico, não é? – perguntou do nada. O garoto desviou o olhar como se tivesse sido pego no fraga. – Fala sério, você estava concentrado demais num curativo. Deu para perceber... Obrigada.
Tão fofo! Maya revirou os olhos para mim e roubou o pacote de biscoitos da minha mão.
— Então, nada de sinal de Zeus? – perguntou Logan.
— Não. – respondeu Maya – E vocês ainda queiram que eu me ajoelhasse para....
— Gente... Uma águia dourada poderia ser um sinal? – pergunto.
— Acho que sim, porque?
Apontei para o céu. A águia voava rapidamente e, sem falar nada, nós três levantamos e começámos a correr na mesmo direção. Boa forma de começar o dia.
....
Eu estava claramente em desvantagem. Maya parecia uma maratonista, nem perdia o fôlego. Logan não tinha técnica mas era filho de Hermes então estava sempre pronto para fugir correndo. E eu, apesar do treinamento de herói, era uma monga para correr. E, depois de um tempo, não consegui mas acompanhar eles. Os dois pararam ao meu lado, nem suavam. Meu Deus, eu os odiava.
— Continuem. – falei arfando.
— Mesmo se quiséssemos não ia dar. – Maya apontou para o céu – Está tomando altitude, a não ser que aprenda a voar, não tem como a seguimos.
Nos olhámos por um tempo até que eu tive uma ideia meio óbvia. Assobiei. Maya me olhou como se eu estivesse louca mas Logan entendeu.
— Eu pedi para Amora ficar por perto. – falei, se referindo a pégaso – Talvez ela aguente duas.
— Não vai rolar. – Maya avisou – Eu adoro animais de todos os tipos. Mas o sentimento é platônico quando se trata de pégasos.
Eu iria argumentar, mas enquanto ela falava Amora e Thunder (o pégaso de Logan) pousaram e não deu pra contradizer. Nenhum dos dois pareciam confortável com Maya.
— Hades, só pode. – Logan resmungou. Maya olhou feio para ele. – Certo, mas eu vou apostar no bolão que fizeram no acampamento. Me julgue.
Revirei os olhos, mesmo que tivesse pensando o mesmo. Quer dizer, tirando o veganismo Maya daria uma filha de Hades perfeita.
— Você tem certeza que não vai? – perguntei.
— Enfrentar um desafio mortal preparado pelo rei dos deuses? – respondeu ironicamente – Eu vou superar.
Apesar de não querer demonstrar, sabia que estava desconfortável. Era nosso primeiro desafio e ela não poderia ir. Tentei pensar em alguma solução porém Logan me interrompeu..
— Aísha você nunca me contou que tem um grifo. – comentei.
Olhei para o seu confusa e Maya seguiu meu olhar. Eu tinha achado que Logan estava louco, mas realmente havia um grifo pronto para pousar. Um grifo com uma pata enfaixada e garras afiadas. Minha confusão acabou em instantes. Maya havia feito um amigo durante a noite. E não eram as ditas harpias. A garota se aproximou do animal e começou a sussurra, como se estivesse conversando com ele. Tive vontade de rir, mas o grifo e ela pareciam se entender bem.
— Certo. – ela se virou para a gente – Porque ainda não foram? Já acompanho vocês. Ele vai me dar carona.
..
Maya estava um pouco metida com aquele grifo, mesmo que merecesse. Ela tinha nós dado uns 5 minutos de vantagem. Depois apareceu do nada e assumiu a frente. Ia e voltava como se Amora e Thunder fossem os seres mais lerdos do universo. Porém, não tinha como ficar brava com a mesma. Nunca a tinha visto tão feliz ou sorrindo tanto. Ela parecia se divertir como nunca e isso me fazia feliz também. Porém, toda a diversão acabou quando pousamos numa caverna. Sim, Zeus não era o deus da criatividade.
A águia dourada parou na entrada da caverna e virou fumaça. Um sinal claro de que estávamos no lugar certo. Nos olhamos nervosos. Não seria novidade nenhuma achar um monstro sanguinário aqui dentro. Mas Zeus foi até gentil, colocou uma plaquinha dourada em grego escrito: Lar de Anfisbena, o verdadeiro olhar. Eu quase desisti. As vezes a sabedoria é uma droga.
— Anfisbena. A cobra de duas cabeça. Dois olhos em uma que de fazem paralisar além de ser venenosa. Sua segunda cabeça não é venenosa e só tem um olho. Segunda a mitologia esse olho mata instantaneamente nas noites de lua cheia. Mas essa parte é mesmo mito. Ela não se importa muito se é lua cheia ou não. – falei lembrando tudo que eu sabia. Só então percebi que estava tremendo. Eu tinha um pequeno problema com cobras. Senti a mão de Maya no meu ombro.
— Podemos acabar com ela de olhos fechados. – comentou – Literalmente.
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