Os Filhos Dos Três Grandes

4 Empurrões, socos, chutes, e velhos gordos.


Notas iniciais
Esse capítulo teve uma certa "comédia". *Mas isso não é humor* o.k.?

–Nat-

O tal Logan, parecia ter a minha idade. Era mais alto que eu, mas não maior que Annabeth (que devia se um ano mais velha que nós). Tinha cabelos castanhos escuros na altura do pescoço, com uma franja bagunçada. Tinha olhos verdes cor de esmeralda. Sua pele era clara como a minha. Annabeth conversou um pouco com ele, perguntando sobre sua dislexia. O garoto respondia, mas parecia desconfiado. Porque duas massagistas adestradas (oops, treinadas) queria tanto saber da vida dele?

–Eu sei que tudo isso deve estar sendo um tanto estranho para você. –Falou Annabeth –Mas eu tenho pouco tempo para explicar tudo o que está acontecendo. Você precisa ser breve em suas respostas.

–Quem...São vocês? –O menino perguntou

–Ela é a Annabeth, e eu sou a Anne. Já disse isso mil vezes...

–Quero dizer –Ele continuou –O que fazem aqui?

–Bom, eu fui sequestrada. –Eu disse.

–O que? –Disse Logan.

–Nada! Ela não disse nada! Anne, fique calada! –Disse Annabeth –Somos de um lugar secreto, e estamos em busca de pessoas... especiais.

–E porque acham que eu teria algo de especial? –Ele disse cruzando os braços

–Você não sabe de onde veio. Não faz ideia da sua origem. É dislexo... Eu tenho a impressão de que você é especial. Mas se quiser vir conosco, precisa dizer o que você fez... Sobre o que o diretor estava falando? –Falou Annabeth

–Eu... Bem, eu estava sentado perto do lago. Então... Uma coisa muito estranha começou a acontecer. Mas não briguem comigo! Eu não tenho culpa do que houve!

–Mas o que aconteceu de estranho? –Eu perguntei –Não que eu tenha alguma coisa a haver com isso...

–Bom, a água começou a... molhar todo mundo. Os papéis, as roupas, as crianças, os bebês, as lições... Molhou tudo! Mas eu não fiz nada! Eu estava cansado de mais, e irritado por estar preso aqui... E aí eu olhei para o lago e... Bum! Uma onda se formou e molhou todo mundo!

–Isso não é nada bom... –Disse Annabeth.

–Nada bom??? Isso é de mais! –Eu falei.

O menino deu um sorriso tímido para mim.

–O.k... É melhor você vir conosco Logan. –Annabeth falou.

–Vou pegar minha mochila!

–O que? Você vai mesmo? Tipo... Você nem conhece a gente direito! –Eu disse.

–Eu estou tentando fugir daqui, desde o dia em que cheguei! Um vampiro pode me oferecer carona, mas se for pra sair daqui eu aceito!

Ele pegou a mochila, em quanto nós esperávamos na recepção. Annabeth teria que distrair a mulher novamente.

–O.k., estou pronto. –Falou Logan –Podemos comprar gelatina depois? Eu amo gelatina, mas nunca compram aqui! Não devo comer uma gelatina a dois anos! Podemos, podemos, podeeemos????

–E eu que pensei que era estranho o Percy, ter um vício em coisas azuis. –Disse Annabeth. –Agora, rápido! Vamos logo!

–Como vai distrair a tiazinha da recepção? –Eu perguntei

–Eu ainda não sei... Mas não vou usar o boné de novo aqui. A névoa pode ter algum tipo de reação. Li isso em um livro.

–Névoa? –Perguntamos, eu e Logan.

Ela nos deu uma explicação rápida sobre o que era. Logan achou estranho, mas não questionou.

–Alguém tem ideia de como não fazer ela ver a gente fugindo?

–Bom, eu tenho. –Disse Logan

–Sério? –Falou Annabeth –Vá em frente!

Logan se aproximou da mulher da recepção. Ela usava um uniforme preto, era do tamanho de um hipopótamo, e tinha uma arma de choque. Pelo jeito devia usar ela, quando alguém tentava fugir... Não gostava nem de pensar na dor que devia ser.

–Ei moça.

–O que está fazendo aqui, Williams?! Quer levar choque de novo?! –Falou a mulher

–Na verdade eu só queria... –Ele deu um soco da cabeça dela, o soco mais forte que alguém poderia ter visto. Ele devia estar com muita raiva quando bateu nela.

A mulher caiu da cadeira, e desmaiou. Ou então morreu. Um dos dois.

–Esse era o seu plano?! –Falou Annabeth.

–Genial, não?

–Tanto faz... Agora vamos! Rápido!

Nós saímos correndo do orfanato. Tentamos subir pelo telhado, mas é óbvio que não era tão fácil quanto descer.

–Entoni! –Disse Annabeth.

–O que? –Ele disse se aproximando, mas não conseguíamos ver seus pés ou traseiro peludo, eles estavam cobertor por uma manta. –Ei! Um garoto!

–Ham... Sim. Como subiram aí em cima? –Falou Logan

–Foram os cavalos voadores! –Eu disse

Ele me olhou como se fosse doida.

–Rápido, Entoni! Nos ajude a subir!

Entoni estendeu suas mãos, para nos puxar. A primeira foi Annabeth.

–Até que está forte hein? Anda malhando? –Falou Annabeth para Entoni.

–Bom, eu costumava correr bastante no orfanato, você sabe, quando serviam os lanches e tal. Acha que emagreci?

–Ah, bom, sim eu acho. Já experimentou caminhada, ou canoagem? Também ajud... –Falou Annabeth

–Ei! Será que podem nos ajudar aqui?! –Eu disse, interrompendo aquele papo estranho, entre menino-pônei (quer dizer, bode. Ou Sátiro. Sei lá.) e filha da deusa da sabedoria.

Entoni tentou me puxar, mas eu não alcançava. E olha que eu era até meio alta, para a minha idade.

–Não dá! Eu não te alcanço! –Falei.

–Suba nas minhas costas. –Falou Logan.

–O que?

–Suba nas minhas costas. Aí o Entoni, te puxa.

–Fala sério, não vou pisar em você... É bizarro.

–Você disse que cavalos voadores te trouxeram até aqui. Se aquilo não foi bizarro pra você, subir nas minhas costas também não será.

Olhei para cima. Entoni fazia sinal de “positivo” com a cabeça, me encorajando a subir nas costas do garoto-espancador-de tias da recepção. Eu concordei, afinal não ia ter outro jeito de subir no telhado se não fosse aquele. Eu subi, e Entoni me puxou para cima. Logo depois de mim, Entoni puxou Logan. Ele era mais alto que eu, então Entoni conseguia alcança-lo. Seria muito simples puxa-lo, se não fosse por um detalhe: Entoni não aguentava o peso de Logan.

–Você pesa muito cara! –Ele disse em quanto fazia força para puxar ele

Logan era magro. Não ‘magro’ por total. Ele era meio ‘fortinho’. Não forte, mas era fortinho. Tinha braços bem definidos, e parecia ter um ótimo abdômen. Tradução: Ele era magro, mas não uma tábua. Tinha força. De repente, a porta do orfanato se abriu, e o diretor saiu de lá junto com a mulher da recepção.

–Eu não entendo Helga. Como uma garoto de 15 anos, conseguiu te derrubar? –Falou o diretor.

–Aquele monstrinho! –Disse a mulher da recepção (Helga, pelo que entendi.) –Ele deve ter fugido! Não me lembro quanto tempo fiquei me debatendo no chão, e gritando ‘socorro’ para me levantarem!

O lado bom é que Helga não havia morrido, apenas caído no chão. O lado ruim era que ela não havia desmaiado.

Eles olhavam em direção à rua, em quanto Logan estava bem ao lado da porta, onde Helga e o diretor feioso estavam.

–Ainda bem que eles não olharam para o lado! –Logan cochichou

No momento em que ele disse isso, eles olharam.

–Ali está ele! –Gritou Helga, apontando para Logan que estava ‘pendurado’ pelas mãos de Entoni, tentando subir.

–Rápido! Puxe as pernas dele! –Disse o diretor, tentando puxar Entoni para baixo.

Estava complicado. O diretor era um homem gordo e velho, e Helga era uma mulher gorda e velha. Dois gordos velhos, tentando puxar um garoto de 15 anos, que está pendurado por um garoto-bode (ou pônei, como eu gostava de chama-lo) que estava em cima de um telhado.

–Soltem o meu pé! –Ele gritava

–Você não vai fugir, de jeito nenhum! –Dizia o diretor em quanto puxava seus pés.

– Soltem ele! –Eu gritei ajudando, a puxar Logan, junto com Entoni.

–Espere... É a garota da massagem! O que está fazendo aí?! E onde está minha massagem?!

Enquanto ele falava sobre sua massagem, Logan deu um chute na cara deles. O diretor e Helga, caíram um em cima do outro. Entoni, Annabeth e eu puxamos Logan, e ele finalmente conseguiu subir no telhado.

É claro que ele quase caiu, quando viu os pégasos.

–O que é isso??????

–São cavalos voadores. –Eu disse –E só pra constar... Isso não é bizarro.

–Eu quero voltar! Vocês são malucos!

–Bem-vindo ao clube, querido. –Eu disse.

O diretor e Helga recuperaram o folego, e se levantaram.

–Vocês vão ver só! –Falou o diretor, tentando subir no telhado.

–Rápido! Eles vão subir! –Eu disse empurrando Logan para dentro da carruagem.

Annabeth e Entoni subiram na carruagem, logo depois.

–Cadê as suas pernas??? –Falou Logan

–Longa história, pouco tempo. –Ele disse.

Annabeth disse aquelas palavras estranhas novamente “Μπορούν να πετάξουν πέρα από το σύμπαν” (Podem voar além do universo). Mas os pégasos pareciam não estar reconhecendo aquelas palavras.

–Eu disse ‘Μπορούν να πετάξουν πέρα από το σύμπαν’! –Falou Annabeth, mas os pégasos não se moviam – ‘Μπορούν να πετάξουν πέρα από το σύμπαν’! –Ela repetiu.

–Não está dando certo! –Disse Entoni –Não entendo... Porque não está dando certo?!

O diretor e Helga, já estava quase conseguindo subir. Comecei a ficar nervosa. E se o diretor conseguisse subir?! Íamos ficar totalmente ferrados! Então fiz uma coisa que jamais pensei que fosse fazer. Eu nem acreditava que fosse dar certo, mas fiz. Comecei a falar baixinho “Por favor pai... Nos ajude...Por favor papai!”. De repente, uma palavra em grego veio a minha mente.

–Eu...Eu acho que sei a palavra! –Eu disse –Πετώντας πέρα από το ουράνιο τόξο!

Quando acabei de falar as palavras, o diretor conseguiu subir no telhado. Ele já estava quase subindo na carruagem, quando os pégasos começaram a bater as assas, e depois disso só pude ver o orfanato ficando cada vez mais distante, e só conseguia ouvir “Vocês me devem uma massagem! Eu vou processar vocês, suas pirralhas idiotas!”. Não sei se eu achava mais estranho, o fato de meu pai ter me respondido ou do diretor não se assustar ao ver uma carruagem sendo puxada por cavalos voadores! Mas aí lembrei que a névoa, devia ter coberto a carruagem. Ele devia ter visto um helicóptero.

–Como você... Como você sabia as palavras? –Perguntou Annabeth

–Meu pai. –Eu falei –Meu pai me disse.