Os Filhos Dos Elementos
3 A carta
Notas iniciais
Chegando em casa, Alexandre foi direto para o quarto sem falar com sua avó, deixando pelo chão e pela escada marcas do seu tênis sujo de terra, chegando na porta de seu quarto, retirou o tênis e deixou na porta, entrou no quarto escuro e ligou a luz, dava para ver uma enorme bagunça no quarto, ele fechou a porta, empurrou as roupas que estavam em cima da cama e se jogou nela, ela era tão fofa que acabou empurrando ele para o chão por causa do impacto, eles mordeu o lábio para não gritar de dor, havia machucado o joelho e imaginava que sua avó estivesse dormindo, não queria acorda-la, então deitou-se novamente na cama e ficou olhando para o teto pensando no que havia acontecido naquele dia. Após meia hora deitado, concluiu que devia ter dormido durante a aula e sonhou aquilo, então se virou de barriga para baixo e colocou a metade de cima do seu corpo para fora da cama, levantou o lençol e viu debaixo da cama um frigobar, menor que o normal, abriu então a porta e viu um estoque de cervejas, retirou uma latinha e fechou-o novamente, sentando-se na cama e abaixando o lençol para esconder o frigobar olhou a data de validade da latinha e encontrou escrito " Proibido para menores de 18 anos ", então pensou " Bah! Que besteira! " abriu a latinha e bebeu, lembrou-se que como teria dormido na aula, não tinha dever de casa para ele então ligou seu xbox 360 e começou a jogar assassin's creed, seu cabelo então começou a se mexer do nada e suas roupas também, como se tivesse uma ventania em seu quarto, mas tudo estava parado, as portas e janelas estavam fechadas, apenas ele estava assim, ele largou o controle no chão e ligou as luzes do quarto assustado, então ouviu alguém bater na sua porta e tudo se acalmou, seu cabelo e sua roupa não mais balançavam, " É melhor eu parar de beber... " pensou ele, então escondeu a latinha e abriu a porta.
– Chegou isso para você. — Sua avó estava com um olhar cansado, vestia uma camisola muito apertada, dava para perceber seus vários pneus, tinha tantas rugas que poderia ser confundida com uma múmia, estava segurando uma carta na mão.
– Hum, boa tarde, vovó...
– Que hálito é esse? Andou b-bebendo novamente? Onde consegue comprar essas bebidas menino? Ai meu Deus, esse domingo iremos a igreja, vou pedir ao padre para acabar com esse seu vício. — Ela entregou a carta e saiu de lá.
Após ler a carta ele pensou " Uma nova escola, próxima semana?! Isso deve ser interessante, uma nova reputação para criar! ", então dobrou a carta e saiu do quarto se direcionando para o quarto da avó, entregou a carta para ela e voltou para seu quarto para pensar que estilo de reputação queria criar dessa vez. Novamente a avó bateu em sua porta com uma cara meio triste.
– Então... Vai se mudar...?
– Acho que sim, né.
– Ira me mandar cartas?
– Crie um e-mail.
– Não entendo disso.
– Ok, te mando cartas.
– Quando irá?
– Próxima segunda.
– Quatro dias...
– Volto no natal.
– Está bem... Arrume suas malas, estão no sótão.
– Ok. — Ele começou a separar o que iria levar, após fazer uma enorme bagunça no quarto resolveu ir buscar as malas, no fim do corredor havia um cordinha, ele puxou-a e uma escada empoerada caiu, ele subiu e encontrou... Nada, o lugar estava muito escuro, teria que descer e pegar uma lanterna para procurar o local em que a luz ligava.
No outro dia, já na escola, Alexandre conversava com seus dois amigos, uma garota de cabelos negros, lisos, possuia uma franjinha, o cabelo muito grande, olhos grandes e esperançosos de cor cinza, era um pouco baixa para a idade, o garoto tinha uma aparência de "bad boy", moicano não muito longo, com o cabelo pintado de duas cores, a raiz continuava preta, mas o resto tinha uma mistura de verde e roxo, seus olhos eram tão negros que pareciam um buraco negro, a garota usava um vestido de primavera e sapatilhas, enquanto o garoto uma regata verde escuro, um casaco de couro preto, jeans rasgado com correntes e uma basqueteira all star preta.
– Como assim sair da escola?! Eu não permito que se mude, não permito! — Falou a garota, ela balançava os braços com raiva e seu rosto estava vermelho. — Você não vai!
– Eu tenho que ir May... Prometo que volto para visitar vocês, não queria ir também...
– Não me importo, vá. — Disse o garoto parecendo irritado com a gritaria de May.
– Como assim não se importa?! Ele é seu melhor amigo, Viktor! Você devia me ajudar a fazê-lo mudar de ideia!
– Não adianta, pode vir o presidente, ele não vai mudar de ideia, conheço ele, e outra, não é ele que paga a escola, logo não é ele que escolhe.
– Obrigado Viktor, você me entende! Então, estou indo esvaziar meu armário, querem me ajudar enquanto a aula não começa?
– Ok, estou indo... — May ficou com o rosto triste e seus olhos brilhavam, dava para perceber que ela estava segurando um choro.
Após retirar seus pertences do armário, e pegar a transferência com o diretor, Alexandre se preparou para se despidir de seus amigos, tinha de esperar a aula terminar para falar com eles, então pegou seu iPod e começou a escutar suas músicas preferidas, sentou-se no chão ao lado da porta da sala com sua mochila ao seu lado. Após meia hora o sinal tocou anunciando o final da aula, ele se levantou com sua mochila apoiada no braço esquerdo, guardou o ipod e esperou May e Viktor sairem, quando viu os dois, chamou-os e foi para a porta do colégio, ficou um tempo calado, os dois olhando para ele, até que os olhos de May se encheram de lágrimas, Alexandre abraçou-a, ela começou a chorar logo em seguida, então Viktor falou:
– Que idiotice! Ele só vai mudar de escola, ainda vamos sair juntos!
Alexandre piscou várias vezes seguidas e então falou:
– Não sei por que, mas sinto que não voltarei... O colégio, não é aqui... É meio que um... Colégio interno... Eu sinto que talvez eu não volte...
May o apertou com mais força e tentou não chorar mais, estava encharcando a roupa de Alexandre, Viktor fechou e apertou o punho com a força, quis socar algo mas não tinha nada por perto, ele começou a piscar rápidamente e tentando não olhar para Alexandre falou:
– Então... Não nos veremos mais...? Isso seria, um adeus?
– Farei de tudo para poder voltar. — Disse ele tentando soltar May.
Ele finalmente consegue se soltar de May, se aproxima de Viktor, dá um tapinha nas costas dele e vai embora como se fosse só mais um dia normal saindo da escola.
Fale com o autor