Os Filhos De Hades

11 Ice Princesses


Notas iniciais
Obrigado por estar acompanhando!

– Rose, você está exuberante. – A voz de Connor Stoll sussurrou para mim.

– Hã... ok, — fui tirando os braços de cima de mim – obrigado, mas agora temos outras prioridades, como essa missão.

A voz da deusa me advertiu, dizendo que fazia parte do nosso trato, concordei, mas não o beijaria agora. Coloquei os braços dele de volta, suspiramos e ficamos em silêncio.

****

“PUTA QUE PARIU” foi a minha frase mais usada durante todo o percurso (não foi contar agora qual era o destino porque senão eu não teria o que contar para vocês). Ficamos mais de uma semana andando numa estrada vazia, como se houvesse apenas névoa em volta, nos alimentado basicamente de comida de astronauta e eu, com o visual impecável enquanto os outros vestiam farrapos. Aliás, não sabíamos os efeitos colaterais daquela misteriosa névoa, até o nono dia. A estrada de terra havia acabado, a tal da névoa nos encurralou. Estávamos no caminho certo meu “GPS Mental Oferecimento Afrodite” me indicava isso.

– Não acredito que aquela periguete nos enganou!

– Irmã, talvez apenas devêssemos entrar dentro dela – sugeriu Nico.

– Acho melhor nã... – E quando vi Percy e Annabeth haviam se aventurado no território de Hécate – MERDA! Agora não temos outra escolha além dessa encruzilhada.

Andei até ela e senti uma brisa gelada pairar sobre as partes descobertas de meu corpo. Apenas nos guiávamos por uma suspeita luz que refletia das espadas. Em fila indiana caminhamos quase o dia inteiro receosos. Sem saber onde pisávamos nem em que direção íamos. E, de novo, PUTA QUE PARIU! Fiz uma cagada. Na minha mente lembrei dos meus ex–soldados e claro, eles estavam de volta e dessa vez não havia nenhuma deusa para consertar meus erros.

– Senhorita Black! Há quanto tempo, vejo que ainda não pôde me esquecer. – Disse a caveira maior, antes de soltar uma maligna risada – Fique tranquila, nosso plano não inclui você morta, por enquanto.

– Então por que apareceram sem nenhuma intenção maquiavélica?

– Hã... Rose, se eles nos matar ou não, a diferença será mínima neste momento – Sussurrou Percy, entretanto sua sensata namorada o calou, estava armando um trato.

– Ex–senhora, tenho interesses nessa missão, e como sabe, não somos sólidos e não sendo sólidos não conseguimos fazer certas coisas que vocês heróis podem fazer. O acordo é o seguinte: deixamos vocês livres para chegar no ponto final da missão e quando chegar a hora é só nos entregar parte do que foi achado.

Annabeth finalmente se pronunciou.

– Soldados, vocês querem o Jarro de Pandora para que finais? Esse acordo não me soou muito confiável. Queremos mais itens a nosso favor. Do tipo “não os mataremos em nenhuma circunstância”, ou “podemos os matar, porém só se um deles não cumprir nosso trato”.

– Madame Chase, a vossa senhoria é muito esperta. Nós também somos e vemos nesse acordo algo promissor. Não se esqueçam dele...

E sumiu.

Sutilmente, a névoa foi desaparecendo. Estávamos no cume de um pequeno morro e abaixo, nove estátuas femininas, não eram de pedra, e sim de gelo. Os Stoll, “não sei por quê”, logo as reconheceram. Eram as Musas.

Então era por isso que nos últimos tempos nunca mais elas tinham sido vistas. Estavam aprisionadas numa jaula de gelo. Estavam protegendo o Jarro. Mas por que elas? Por que estavam naquele local tão submisso?

– São elas mesmas. – Nico estava um pouco maravilhado, pela sua expressão.

– Espero que elas estejam vivas para que possamos descongelá-las – Desejou Travis.

Ainda bem que não foi seu irmão.

– Travis, lógico que estão vivas, são deusas. Deusas não morrem, as Musas apenas não estão capacitadas para usar seus privilégios imortais agora.

Karina terminava de responder e, como sempre, os metidos do Percy e da Annabeth já usavam suas armas para extrair o gelo do belo corpo das estatuas. Já que todos estavam mostrando suas “incríveis” habilidades, eu iria usar a minha também. Nico sempre me chamou de “irmã do foguinho azul” ou “menina azul” e nunca foi por menos.

Estabilizei meu corpo e ativei o chamado foguinho azul. Aliás, não era foguinho, parecia que eu estava sendo incendiada por uma chama azul. Não percebi se alguém olhou para mim — com certeza sim – e logo comecei o meu trabalho. Derreti o gelo de três Musas em menos de cinco minutos. E os outros continuavam lá. Lógico, dei uma mãozinha. E lá estavam elas, imóveis e bonitas. Bonitas, mas imóveis. Esperamos por uns dez minutos alguma reação, porém nenhum gesto de vida foi dado. Decidimos fazer uma doação de néctar estocado para poder oferecer a elas e aí sim saber o que havia acontecido naquele monte.

****

Elas acordaram daquela profunda prisão. Todas mudaram suas roupas num piscar de olhos. Nosso grupo se juntou e elas, que estavam em círculo, andaram até nós.

– Nós somos as Musas, e eu, Clio, digo por todas as minhas irmãs que apreciamos esse ato de salvação. – Clio, apesar de toda sua formalidade, parecia a mais despojada de suas irmãs. Vestia um shorts laranja, camiseta surrada escrita “ART”, creeper florido e um lindo livro com detalhes dourados nas mãos.

– Também agradecemos vocês, porque não tenho dúvidas de que você serão nossa salvação. – Respondeu Percy, envergonhado por estar usando roupas medíocres perto delas. Não era só ele. Todos nós estávamos, o encanto de Afrodite passara.

Olhei para cada uma e posso detalhar para vocês, talvez seja porque elas pareciam humanas de verdade e tão lindas que até eu admiti isso a elas.
Calíope, a mais velha e com voz mais bela trajava um vestido de cor pastel, uma anabela rosê, flores claras nos cabelos e um headphone dourado.
Erato, a mais amável de todas usava uma saia rosa que batiam em seus joelhos, um top florido, salto alto bege claro e muitas joias.
Euterpe, a Musa dos prazeres, vestia uma camisa listrada com jaqueta jeans por cima , uma calça alça justíssima e salto fino preto.
Melpômene, aquela que irradia tragédia, usava uma regata de seda, jeans surrados, uma plataforma preta e chapéu escuro.
Polímnia, das terras férteis, vestia uma jardineira jeans com um top verde com flores brancas, chapéu de palha e espadrilha.
Tália, aquela que irradia comédia, trajava uma camisa amarela, shorts jeans com desenho do Bart Simpson, óculos em formato de Sol e um saltão laranja.
Terpsícore, a Musa da dança, usava uma T-shirt escrita “DANCE”, saia rodada vermelha, scarpin branco com spikes coloridos e era a única das irmãs a usar coque.
Urânia, mais jovem e mais refrescante, vestia uma regata azul com estrelas, shorts jeans, salto bege mochila com estampa de galáxia.

Todas, menos Melpômene, eram simpáticas, cada uma com sua personalidade. Sentadas ao pé do monte explicaram as suas sagas para todos nós.

– Fomos mandadas aqui pelo nosso coroa. Para proteger o Jarro, e isso já faz décadas atrás, antes mesmo do Olimpo se mudar para NY. – Urânia, a mais jovem fez questão de resumir o que havia acontecido, já que suas irmãs mais velhas ainda eram muito formais. – Chegamos aqui e começamos a fazer uma forte magia de proteção. Um pouco antes de acabarmos, um ser místico parecido a um pinguim apareceu e nos atacou. Viramos bonecas de neve. Felizmente a magia tinha se completado.

– Nosso antigo colega veio nos visitar novamente, Musas. – Disse serenamente Melpômene, se virando.

Nem deu tempo para atacar, quando voltei à consciência eu estava congelada. As Musas nem bem tinham escapado e lá estavam elas de novo. Só não via meus amigos.

Notas finais
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