Os Escolhidos - Destinos Interligados

26 Capítulo 25 - Que a Guerra Comece


Notas iniciais
Anjos, eu estava SEM internet por isso não postei por todo esse tempo. E um pouco magoada com o Nyah! já que minhas atualizações estão empacadas. Além disso, minha cabeça tem estado repleta de ideias para novas estórias e se eu não escrevê-las não consigo pôr OEDI para frente. Um BJ!

O abraço de Michael era reconfortante. Ouvi-lo dizer “senti sua falta, querida” logo após um beijo apaixonado, foi a maior recompensa que Chloe poderia ter recebido depois de tantos dias fora. Ela também sentira falta dele. Mais do que poderia expressar em palavras até, sendo assim se contentava em aproveitar a sensação de segurança que ele lhe transmitia. Já tinha ligado para Laura, que muito nervosa dissera que passaria na Academia mais tarde para que pudessem explicar tudo que estava acontecendo e, com os braços do namorado — que se recusava a deixá-la se afastar novamente um instante que fosse. — ao seu redor, contava a Christopher tudo que acreditava que ambos deveriam saber. O que excluía muita coisa, ou seja, tudo que Selena concordava que deveria ser deixado em segredo, mesmo deles.

– E como eles reagiram com tudo isso? – indagou Michael apoiando o queixo em seu ombro.

– Dentro do esperado. – ela suspirou. – Bem, ao menos do esperado para aqueles que já sabiam como aconteceria.

– Quantidade que se resume praticamente a você, irmãzinha. – sorriu Christopher.

– Não é como se eu gostasse disso. – lembrou-o, estreitando os olhos em sua direção, mas logo perdeu o foco e sentiu um breve arrepio percorrer sua pele e uma grande inquietação se instalar em seu corpo.

Ambos os garotos pareciam sentir-se da mesma forma. Michael se levantou de pronto, erguendo-a junto consigo e logo Chris também estava de pé.

– Um abalo no tecido. – disse seu irmão, atônito. – O escudo foi rompido.

– Errado. – ela falou. – Ele foi desfeito. Selena quebrou o feitiço.

– Mas por que ela faria isso? – insistiu Michael.

– O destino está seguindo seu curso. – ela respondeu. – Pensei que tivéssemos mais tempo, mas aparentemente a hora de agir acabou de chegar.

E para o bem de todos nós, espero que os planos de Selena deem certo, pensou ela.

– Porque será que tenho a sensação de que você deixou a melhor parte da explicação de fora, Chloe? – Chris lhe encarava com o olhar de quem tem certeza em suas convicções.

– Porque você costuma estar sempre certo. – ela falou sem se preocupar em explicar. – Agora vamos para a Sala de Guerra, rápido! Temos muito a fazer e o plano de evacuação do prédio deve ser iniciado nesse instante!

E seja o que os deuses permitirem!

***

O flash de luz branca desapareceu e desorientada Rennata olhou ao redor, piscando sem parar. Estavam no quarto de Selena, o que era ótimo. Ethan aparentemente era competente em fazer portais. Mas então porque tudo parecia tão errado? Porque em seu corpo ecoava uma sensação tão estranha?

– A barreira… – ouviu Ethan murmurar.

Oh, deuses!, seu pensamento gritou.

– Então você veio. – Thomas disse de repente. Ele estava imóvel no centro do quarto e permanecia olhando fixamente para um ponto no chão em particular.

– Onde está sua irmã? – ela perguntou temendo a resposta.

– Foi embora. – ele disse vago. – Ela estava estranha e levou o Sage.

Xingando mentalmente em espanhol, Rennata foi até ele e segurou o rosto dele entre as mãos.

– Thomas, foco! Você não pode perder o controle agora!

Ele piscou e encarando-a com intensidade, cerrou o maxilar.

– E que significa tudo isso? – exigiu. – Me diga o que está acontecendo.

– Está acontecendo que as visões da Chloe são uma droga sem horários. Ao menos se eu soubesse que já era o momento certo nunca teria saído desse quarto. Ficaria vigiando aquela bruxa boa/má que você chama de irmã até que você chegasse e esperasse ao lado do carinha apaixonado. Francamente, o amor é um sentimento esquisito e aposto que Sage se deu por vencido sem persistir nem ao menos um pouco.

– O quê…? – suas palavras foram interrompidas quando uma cor de vermelho vivo tingiu as paredes numa magia que Rennata ainda não compreendia completamente, mas temia. Ela já tinha visto aquilo acontecer antes… quando a propriedade da mansão Elísio foi invadida. Porém, dessa vez os tons de vermelho não oscilavam como se as paredes estivessem piscando, mas permaneciam firmes e por algum motivo, aquele fato parecia ser ainda pior. – Parece que já descobriram sobre a barreira. – comentou.

– Selena a desfez, certo? – indagou Rennata e Thomas assentiu, encarando-a contrariado.

– Parece haver mais do que isso. Se já deram esse aviso – disse Ethan apontando as paredes. – parece que a propriedade foi invadida. É melhor irmos para a sala de guerra logo.

Rennata olhou para sua irmã que permanecia em silêncio, com os olhos arregalados. Isabella balançou a cabeça dizendo:

– Nem pense em dizer que eu devo ficar fora disso.

– Eu não ia dizer nada. – mentiu, por dentro desejando que tudo aquilo fosse um simples pesadelo. – Mas, sinto, não vou a sala de guerra com vocês. Tenho que encontrar a Selena.

– Eu vou Junto. – Thomas disse.

Ela não o contrariou.

– Ethan, leve a Isabella e cuide dela com a sua própria vida se for preciso. E se você me aparecer com ela machucada ou com um fio de cabelo fora do lugar, pode se preparar para sair tiroteado daqui.

– Essa do cabelo foi demais – Ethan revirou os olhos. – e para início de conversa, a palavra “tiroteado” nem existe.

– Bobinho, o lado bom de se inventar uma palavra é poder definir o significado para ela e o significado que eu escolhi em especial, inclui bastante dor e balas, então é melhor que não arrisque. E outra – mudou subitamente de assunto. –, estamos passando por um período crítico, então precisamos do Conselho aqui também. Se Chloe ainda não o tiver feito, ligue para sua mãe, até mesmo ela será de grande ajuda.

– Parece que o tempo fez com que você amadurecesse. – uma voz surgiu de repente e ela não se surpreendeu ao constatar que era Poseidon, nem mesmo pelo fato de que ele estava completamente sério.

– Parece que sim. O que faz aqui?

– O que parece? Vim oferecer ajuda. – disse simplesmente.

– Ótimo. – enrolou os dedos ao redor de seu arco com ainda mais força. – Agora precisamos todos nos separar. Estamos perdendo um tempo precioso.

***

O escudo desapareceu diante dos olhos de Marise a medida em que tudo a sua volta começou a desvanecer. Foi aí que ela soube que Selena tinha realmente agido de acordo com seus desejos. Olhou ao redor, para o novo espaço que surgia e sem surpresa percebeu que tudo ia de acordo com seus planos.

Estava no porão e a sua frente estava Selena com um sorriso ligeiramente sarcástico e quase que totalmente ácido, visível mesmo a meia luz.

– Olá, priminha. – disse a outra garota acenando com os dedos no ar usando de um tom que geralmente não usaria.

Selena é doce e pura. Quer sempre o bem de todos... Bem, geralmente é assim, mas não agora, e se dependesse de Marise, ela permaneceria daquela maneira pelo tempo que fosse necessário. Essa versão era bem mais agradável...

– Eu disse que nos encontraríamos em breve. – comentou Marise e estreitando minimamente os olhos observou o "garoto" adormecido e recostado a uma das paredes.

Um deus insignificante. Um produto defeituoso e descartável da Nova Era.

– Sim, demorou um pouco para que eu conseguisse emergir de toda aquela luz. Francamente, aquela garota é irritante. E poderosa, como era de se esperar. O processo de purificação pelo qual me fez passar me deixou mais debilitada do que achei ser possível. E, você sabe, o lado bom de Sel… o meu lado bom, também é um oponente forte contra quem lutar. – levou uma mão aos cabelos, jogando-os por sobre um dos ombros. – Mas isso não vem ao caso agora. Os daimons com toda certeza já invadiram a propriedade da Academia e nosso apoio lá dentro deve estar cuidando de toda a coordenação do ataque.

– Claro – assentiu Marise. – O feitiço de selamento deve ser feito neste momento. Quero estar lá quando o show atingir o clímax.

Selena sorriu friamente.

– Deixe-me ter a honra. – disse ela e se virou em direção ao jovem deus, com uma mão erguida em direção a ele.

Marise deixou seu olhar percorrer a extensão da sala e se concentrou em uma seção de uma das paredes, coberta de armas. Observou com atenção cada uma delas ao som dos murmúrios de Selena, enquanto a mesma recitava o encantamento. O feitiço de selamento.

Logo correntes botaram do chão e se ataram ao redor dos pulsos e tornozelos do prisioneiro, fazendo-a sorrir. Aquela era uma cena maravilhosamente agradável.

Os murmúrios de Selena cessaram quando, atando as mãos, ela se virou para Marise.

– Está feito. – disse ela sem expressar qualquer sentimento. – Ele não vai conseguir se libertar, muito menos depois de eu ter extraído a força vital dele. Podemos voltar a Academia agora. Preciso me divertir um pouco.

– Claro. – concordou Marise, venenosamente. – Eu não poderia ter dito melhor.

***

– Estamos chegando perto! – gritou Ariel por sobre o barulho do vento e dos cascos do cavalo batendo contra a terra.

Segurava o celular com uma mão e a cintura de Ivens com outra, enquanto tentava desesperadamente ouvir o que Shannen – que ajudava Chloe com todo sistema de distribuição e evacuação de tropas. – lhe dizia, mas era inútil.

Ela e Ivens tinham levado armas de prata, apesar de Ariel preferir lutar com suas próprias mãos. Estava sentindo a concentração elevada de energia maligna a cada vez mais que se aproximavam, que por sinal, era numa velocidade bastante incômoda.

Puxou brevemente a manga da camisa de Ivens, recebendo seu olhar logo em seguida.

– Aqui está bom! – falou alto e no mesmo instante Ivens puxou as rédeas, forçando o cavalo a parar bruscamente e empinar as patas dianteiras no ar por uns poucos segundos. – Calma lá, amigo! Pretendo sair viva dessa floresta.

Sorrindo de lado Ivens desceu do cavalo ajudando-a em seguida. Assim que ambos firmaram os pés no chão o animal correu em disparada, como se até mesmo ele pressentisse que as coisas iam ficar feias.

Ivens se agachou e tocou o chão, fechando os olhos. Murmurou umas poucas palavras e logo depois respirou fundo se erguendo. Ergueu três dedos no ar e articulou com os lábios uma contagem regressiva.

Três.

Dois.

Um.

O som de estalos invadiu a floresta e como imãs os causadores a atraíram em sua direção. Sua surpresa não poderia ter sido maior ao dar de cara com…

– Garotos? – franziu a testa puxando dois punhais de seu cinto.

– Daimons. – Ivens disse postando-se a sua frente e atirando quase no mesmo instante, dois disparos sucessivamente.

O barulho foi ensurdecedor e ambos os tiros certeiros.

– Glamour. – sussurrou ela, vendo o encanto cair e os garotos, com o peito fumegando levemente onde a bala de prata acertara, se transformarem em monstros perante seus olhos e, finalmente, desabarem no chão. – É pior do que eu pensava…

Ela já vira daimons, claro – bem, apenas uma única vez quando invadiram a mansão Elísio. –, mas mortos. Ela não fazia ideia de que o glamour usado par eles poderia ser tão forte, mesmo depois de tudo que Thomas contara.

Mais daimons avançaram atacando pelos flancos e Ariel atirou um dos punhais de prata que segurava, logo atravessando a garganta de um deles. Apesar de o lugar atingido ter começado a se desintegrar numa velocidade dolorosamente lenta, o monstro continuou indo em sua direção, sem se afetar. Ariel deu alguns passos para trás, de repente sentindo um certo temor incompreensível para ela.

– Pelos deuses, Ari! – gritou Ivens e pelo canto do olho, ela viu que ele não a observava, envolvido demais com seu próprio adversário, mas isso não significava de que não estivesse consciente dela. – No coração, rápido!

Um forte ardor se espalhou por seu ombro esquerdo e ela foi empurrada para o lado com força, o membro ardendo de maneira insuportável e soltando um leve chiado. Caiu de joelhos xingando-se mentalmente por ter baixado a guarda e hesitado. Seus olhos embaçaram com lágrimas e ela apertou os dentes com força, prendendo seu grito. Apesar da dor, pegou a pistola que levara na cintura e atirou freneticamente em direção ao daimon.

Não era apenas a dor. O sentimento de puro medo rastejava em sua pele e se instalava em seu ser. Aquilo não lhe era comum. Geralmente eram nestes momentos em que ela procurava ficar mais calma e séria. O que estava acontecendo?

Nós não vamos conseguir, pensava. Estamos perdidos.

– Que droga, Ari! O que você tem?!

É impossível…

Mordeu os lábios largando a pistola. Uma mão a agarrou e empurrou contra o chão, mas a essa altura ela não sentia mais tanta dor. Seu terror se tornou ainda mais intenso ao ver os olhos negros do daimon fitando os seus e uma breve e debochada risada de garota soando dentro de sua cabeça. Ela conhecia aquele riso de algum lugar… mas de onde? Um pensamento se infiltrou em sua mente numa velocidade incrível considerando-se seu controle atual sobre si mesma:

Estamos sendo traídos.

***

Ivens rugiu em frustração, cerrando os dentes com força. Fazendo um arco no ar com a espada abriu um grande talho do pescoço ao peito do daimon, levando-a para trás e rapidamente afundando a lâmina no coração do inimigo. Enojado com o sangue negro puxou-a de volta e alarmado se apressou em direção a Ariel.

Segurou com força a arma de fogo em seu punho e atirou sem hesitar na criatura que se alimentava da alma da garota que ele amava. As balas atravessaram os lados de sua costela e rasgaram o tecido do coração pútrido. O daimon caiu sobre o corpo de Ariel e Ivens o empurrou de lado, puxando-a para seus braços.

– Ari? Ariel?! – balançou-a delicadamente, mas a morena não acordava.

Aquilo tinha sido um pouco estranho. Ariel não costumava perder o controle de uma luta tão facilmente. De repente ela não parecia ela mesma.

Ivens começou a se erguer quando viu algo mudar. O cenário em que se encontravam parecia piscar, trocando a floresta por dunas de areia quente. Logo, ele não se encontrava mais na propriedade da Academia, mas sim num deserto. Girou em círculos com Ariel em seus braços, tentando adivinhar que tipo de brincadeira era aquela. Geralmente daimons podiam usar técnicas elementais, não teletransporte em massa. Não havia uma única alma viva naquele lugar, com exceção a eles…

Um riso cínico ecoou.

Bem, recapitulando, havia mais alguém ali. E esse alguém estava tramando para eles.

– Quem está aí? – indagou com firmeza, logo se repreendendo em sua própria mente. Aquela fala parecia ter saído direto de um filme de segunda categoria.

– Que tolinho. – uma garota, a qual ele não conseguia ver, zombou. – Você se acha muito forte, não é?

– Ao menos eu não me escondo, sua covarde.

– Pode-se dizer apenas que não sou idiota. – a voz dela parecia vir de todos os lugares. – E é por isso que ela me quis como aliada.

– Quem é você, uma de nós? Está falando de Marise, não é?

– Hum… quem sabe? – ela riu. – Você não precisa saber. Muito menos sua amiguinha, já notou o ferimento dela? Foi uma queimadura feia, se infeccionar ela vai se ferrar.

Ele olhou o ombro de Ariel. Tinha visto quando a bola de fogo se chocou contra o ombro dela, mas apenas neste momento tomava consciência plena da gravidade daquilo. A pele onde fora atingida estava vermelha, repleta de bolhas com algumas estrias enegrecidas para completar o quatro. Aquilo estava ruim.

– Entende agora? – a voz voltou a perguntar. – Ela vai morrer nesse lugar ao qual considera como um lar. E você também.

Seus ombros ficaram tensos e Ivens apertou Ariel um pouco mais. … nesse lugar ao qual considera um lar. Ou seja, eles ainda estavam na propriedade da Academia. Com a clareza e velocidade de um relâmpago, a mente de Ivens se iluminou. Ele não tinha sido teletransportado para outro lugar. Aquilo era apenas um glamour. Uma ilusão. Bastava apenas achar a dona da magia e forçá-la a anular.

Enquanto a garota divagava sobre todas as burrices e falta de sanidade que ele provocou e adquiriu, Ivens se ajoelhou no chão com ambas as mãos tocando a areia e murmurando em latim um pequeno feitiço rapidamente.

– Localizar. – disse ele por fim e com os olhos ainda fechados viu uma espécie de mapa se formar em sua cabeça, como o que Selena fazia, mas de um modo um pouco menos seguro.

Não demorou muito para que visse a localização da garota, em sua mente. Pegou o pequeno punhal de prata preso firmemente entre os dedos de Ariel e, com calma excessivamente exagerada atirou-o a sua esquerda numa velocidade que tornava difícil demais até para os olhos acompanharem.

Um som seco foi ouvido, acompanhado de um arfar e o deserto piscou, transformando-se novamente na floresta. A garota tossiu, caindo de joelhos agarrada a própria cintura.

– Como foi que você…?

– Nunca subestime um feiticeiro da terra, criança. – Disse aquilo como se ela fosse muito mais nova que ele. – Somos ótimos em localizar coisas. Ao menos aquelas que possuem uma alma.

Mesmo uma alma negra como a sua deve ser.

A filha de Afrodite perdeu a consciência quase que instantaneamente, desabando sobre o chão úmido.

– Você não sabe o que te espera, Rebecca. – Ivens disse baixinho e lançando um olhar culpado a Ariel começou a conjurar um portal para voltar a Academia o mais rápido possível.