Os Dez Mandamentos: E Se?
18 Especial Cenas Excluídas 2
Notas iniciais
Henutmire andava pelo Palácio com sua dama de companhia Yunet com a expressão serena. O dia havia amanhecido ensolarado, e ela tinha a sensação de que os Deuses a beneficiariam mais que nunca, inclusive agora que seu pai estava querendo lhe arrumar um marido. Ela tinha esperanças de que esse marido em questão fosse o general Disebek, por quem estava ficando perdidamente apaixonada. A Princesa do Egito suspirou, e sorriu.
— Tudo pronto para nosso banho no Nilo, Yunet? — Indagou.
— Sim, senhora. — A dama sorriu falsamente. — Não poderia ter escolhido dia melhor para irmos nos refrescar no Rio.
Henutmire abraçou sua dama, e continuou andando, não vendo a expressão de ódio que Yunet lhe mandava pelas costas.
"Você vai pagar por tudo que tá me fazendo passar, Princesa, e vai ser hoje". — A vilã pensou para si mesma, maquiavélica.
Sentindo a brisa do vento e das aguas, a jovem filha de Seti e Tuya não poderia se sentir mais renovada e de bem com a vida. Entrou no Nilo e começou a banhar-se. Então Yunet aproximou-se sorrateiramente e começou a afoga-la, sem mais nem menos, mantendo a cabeça da nobre submersa em baixo da agua por alguns minutos e se deleitando com aquilo.
— MORRA, HENUTMIRE! — Esbravejava a louca.
Saiu da Piscina rindo, certa de que havia matado sua rival.
Minutos depois, Hur, o filho do joalheiro Real, passava pelo local e desesperou-se ao avistar o estado da jovem egípcia, que ele amava em segredo. Seu coração bateu forte, e ele não pensou duas vezes antes de pular na Piscina e prestar auxilio a Henutmire.
Olhou para ela desmaiada em seus braços.
— Viva, Henutmire. Por favor, não posso lhe perder se ao menos ter tentado lhe declarar o meu amor. — Sussurrou.
Como que por mágica, a jovem abriu os olhos lentamente, e Hur deu um meio-sorriso. Como era possível ela ter acordado tão rapidamente?
— Princesa, você tá bem. — Falou.
Henutmire olhou para o homem que a carregava e o reconheceu como sendo o Hur, filho do Joalheiro. Nunca havia reparado no quão lindo ele era. Sentiu uma pontada forte na cabeça.
— Pelos Deuses! — Exclamou. — O que houve? Como vim parar em seus braços? — Indagou, confusa.
Hur sorriu.
— Não sei ao certo, Princesa. Quando cheguei a senhora estava se afogando no Nilo, desacordada e eu lhe salvei. — Explicou ele. — Lembra de algo?
Outra pontada na cabeça.
— Ai, como dói. — Reclamou. — Não, infelizmente não lembro de nada. — Entristeceu-se.
— Bem, acho que não interessa. O que importa é que nada de grave aconteceu a Princesa. — O jovem notou.
Henutmire sorriu largamente. Estava ficando encantada pelo homem, seu herói.
— Graças a você, não é mesmo? — Riu de maneira fraca.
Hur ousou acariciar o rosto da jovem mulher suavemente, ato que ela não impediu. Pelo contrário, estava gostando muito da sensação de calmaria e o carinho que o rapaz estava lhe proporcionando. Os dois se olharam intensamente, e os olhos do hebreu desceram até a boca da Princesa. Mordeu os lábios, nervosamente. Não poderia beija-la, poderia? Henutmire continuava sorrindo alegremente para ele. O jovem não estava aguentando mais. Ter Henutmire tão perto dele era demais para sua sanidade.
— Em que pensa? — A egípcia inquiriu, curiosa.
— Posso lhe beijar? — Hur perguntou por impulso, mas repreendeu-se. Como ele perguntou uma coisa dessas para a filha do Rei? Ela poderia achar a atitude dele ultrajante, e nunca mais querer vê-lo.
Pegando-o completamente de surpresa, foi ela quem aproximou-se e tomou a iniciativa de começar o beijo, beijo que Hur logo correspondeu.
.....
— Isso tudo é uma loucura, senhora. — Anippe dizia, exasperada.
Safira suspirou. Anippe já estava começando a lhe irritar sempre questionando suas ordens. Afinal, ela era sua dama. Deveria fazer tudo que ela mandasse sem questionar, certo?
— Não me interessa o que você acha ou deixa de achar, Anippe. — Falou, ríspida. — Eu irei na vila e pronto.
Anippe abaixou a cabeça, envergonhada pela reprimenda que havia levado de sua senhora.
— Desculpe. — Sussurrou, antes de sair do aposento.
Finalmente iria sanar sua curiosidade sobre os hebreus, pensava Safira. Sempre que ela perguntava sobre eles e a vila onde moravam, todos a olhavam de canto ou mudavam de assunto rapidamente. A filha de Henutmire colocou sua túnica branca, suspirou e saiu. Respirou aliviada ao não ser reconhecida pelos soldados que guardavam os portões do Palácio.
Ao chegar na vila, Safira enxugou uma lagrima ao ver a situação deplorável em que os escravos viviam, e comoveu-se ainda mais ao ver um feitor chicoteando uma pobre criança sem ter nenhuma pena. Os hebreus eram pessoas, não animais domados, pensava a nobre.
Estava tão distraída acabou esbarrando num homem.. Que era lindo. Calou-se por alguns segundos, apenas o admirando. Então, a arrogância que deveria ter por ser nobre e a imensa raiva encarnou-se nela ao ouvir o jovem sussurrar baixinho.
— Que linda.
Safira bufou.
— Ah, eu sou linda, e.. você é.. — Calou-se novamente, ainda encantada com o hebreu de tal maneira, que ficava sem palavras. — Um cego! — Falou.
Agora foi a vez de Moisés irritar-se. Enraivecido, ele tirou a túnica que cobria a jovem, podendo ver como ela era muito mais linda sem ele, e agarrou os braços dela, encarando-a intensamente.
— Pois foi a moça que não viu por onde andava. — Elevou a voz. — Quem pensa que é para falar comigo assim?
Safira apenas o encarou. Queria tocar em seu rosto, mas conteve-se.
— Ah, não tenho que perder meu precioso tempo com idiotas cegos feito você. — Falou.
Olhou para Moisés uma última vez antes de ir-se dali, completamente irritada. Maldita hora em que pisara naquela vila.
.....
Miriã estava terminando de arrumar as coisas de sua senhora, Maya, quando sentiu alguém lhe abraçar por trás e beijar-lhe o pescoço. Estremeceu e deu um meio-sorriso. Só poderia ser ele.
— Como vai a mulher mais linda deste Palácio? — Perguntou Ramsés a ela, virando-a e lhe dando um selinho.
Miriã se afastou, completamente envergonhada.
— Ramsés! — Exclamou. — Maya pode aparecer aqui a qualquer momento.
O faraó fez um gesto com as mãos, como se dizendo que o que Miriã havia dito não tinha a menor importância. Aproximou-se e voltou a beija-la, dessa vez de forma apaixonada.
— Não me interessa Maya. Estava morrendo de saudades de minha amada. — Disse, colando a morena contra si. — Já lhe disse que lhe amo mais que tudo hoje? — Sorriu.
Miriã sorriu. Era inegável que estava completamente apaixonada por Ramsés. Não havia como fugir mais desse sentimento.
— Hum, acho que hoje não. — A hebreia brincou.
— Te amo, te amo, te amo, te amo, te amo. — Repetia o homem, voltando a beijar a morena. Eles se entregavam completamente ao beijo e ao amor que os unia. Não importava Maya, nem ninguém. Apenas eles importavam.
Até que Ramsés foi deitando Miriã na cama, sem parar de a beijar. Começou a tocar o corpo dela também, a estremecendo.
— Não, Ramsés. Não podemos. — Falava, ofegante.
Mas o faraó do Egito não queria saber de reclamações. Não aguentava mais. Tinha que ter Miriã para si.. E agora.
— Claro que podemos, meu amor. Eu te quero e te desejo Miriã.. Como nunca desejei outra mulher. — Declarou-se.
Os dois estavam quase dando um passo mais, e se entregando ao que queriam, mas então a porta abriu-se, e eles levantaram-se rapidamente, assustados. Nefertari olhou para eles de forma irônica.
— Ah, pensei que a Rainha Maya estivesse por aqui. — Explicou-se. — Atrapalhei alguma coisa?
Miriã e Ramsés se entreolharam, afoitos enquanto Nefertari deliciava-se com a confusão que se passava com os dois.
....:
Bianca andava pelos corredores do Palácio até ser puxada e prensada num dos pilares. Era Gabriel, que sorria para ela.
— Gabriel? O que que.. — Começou, mas ele colocou seu dedo no lábio dela, a silenciando.
— Eu não aguento mais, Bianca. — Tenho de agir. — Falou, e em seguida a beijou.
Completamente estupefata, a jovem afastou-se e deu um tapa forte na cara do Príncipe, saindo logo em seguida.
— Como ele ousou me beijar assim tão abruptamente? — Sussurrou, atônita.
Foi até a cozinha onde estava Chibale. Sorriu. A egípcia pensava que estava começando a sentir algo por ele. Talvez agora que estavam sozinhos fosse o momento certo para falar algo.
— Bianca. — O filho de Gahiji sorriu ao vê-la. — Não havia lhe visto aí.
Bianca olhou para as mãos trêmulas, completamente nervosa. Tomou coragem e aproximou-se.
— Chibale, eu precisa dizer-te uma coisa. — Começou.
— Diga. — Pediu curioso. O coração de Chibale bateu forte ao pensar que ela poderia se declarar para ele. Não, que bobagem, isso nunca aconteceria.
Bianca olhou fixamente para o jovem. Sabia o que queria dizer, mas as palavras não lhe vinham na boca. Parecia que estava muda. Mas, não poderia perder essa oportunidade de dizer o que sentia.
— Bem, eu sou melhor com ações do que com palavras. — Falou.
Chibale franziu a testa, confuso. O que ela queria dizer com aquilo?
Então, a jovem dama de companhia de Safira o beijou.
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