Os Corona-Khoury - Lembranças
3 Cap- 02 — Seja bem-vinda
Notas iniciais
Niko saiu sorrateiramente, sem muita necessidade, já que Félix estava distraido. Já aprendera que não é tão fácil arrancar uma confissão de seu marido, (por mais simples que ela seja), e devia ser sincero consigo mesmo: Nada lhe corroía mais que a curiosidade. Quase nunca desconfiava de nada, mas quando acontecia, era insuportável.
Foi em direção do corredor, e logo estava na frente da porta do quarto do sogro. Nunca ousou ir até aquele quarto. Nem mesmo antes, quando a casa ainda estava desocupada, entrou ali. Enquanto lutava para manter o coração firme no peito, bateu na porta e logo recebeu resposta:
— Entra... — César já ia perguntar o que o filho queria, quando percebeu que não era ele. — O que você quer?
— Posso entrar Dr. Cesar? — Ele titubeou, mas acenou com a cabeça permitindo. Niko entrou e fechou a porta sem se aproximar muito. A insegurança era nítida, "O que eu to fazendo aqui?", perguntou-se vendo agora que a idéia não tinha sido muito boa. Respirou fundo, segurando uma mão na outra tentando conter a tremedeira, o que na verdade, não estava dando muito certo.
— O que você quer? — Refez a pergunta, mantendo a mesma feição.
— N-não.. É que... Bom, eu queria dizer... — Niko suspirou, e abaixou a cabeça. Quando se tratava de falar com o sogro, ainda tropeçava nas palavras.
— Parece nervoso em? — Disse debochado. — Aconteceu algo? — Perguntou, tentando ajuda-lo a falar, e também se livrar do incomodo que era aquela conversa.
— Na verdade... Queria saber o mesmo.
— Esta me incomodando rapaz... Diga o que quer, logo de uma vez!
— É que o Félix esta um pouco estranho. E-e... Ele esta... Bom, bem pensativo, quieto, como se estivesse triste... Ai eu pensei... Que... — Levantou o olhar, como se aquilo terminasse o que dizia.
— Que eu sou o causador disso? — Indagou.
— Não... Por favor Dr. Cesar, não é nada disso. Eu jamais ofenderia o senhor...
— Eu sei... — Surpreendeu o loiro. — E também sei que você se preocupa com meu filho. Não precisa falar, porque eu não sou tão cego... — Niko sorriu tímido e boquiaberto, concordando com a cabeça. Ficaram um pouco no silêncio, mas logo retomou o assunto. — Olha, eu e o Félix entramos em uma conversa diferente hoje, mas não sei se é realmente isso, e eu espero que não. Acredito que dois filhos é o suficiente... Além disso, na verdade, vocês nem deviam ter filhos...
— Porque não? — Rebateu Niko, quase sem perceber.
— Ora... Vocês não são um casal normal.
— Nós somos casados...
— Isso não faz vocês um casal normal. Faz de vocês dois homens casados. É diferente ..
— Ok... Então deixe eu refazer minha frase. Não somos apenas dois homens casados Dr. César. Somos duas pessoas que se amam, e isso é o significado de "casal". Duas pessoas unidas pelos amor... — Cesar desviou o olhar, ainda mais incomodado, e o loiro tratou de mudar de assunto. — Mas não é isso que eu vim tratar. Disse que "dois filhos é o suficiente"... Como assim?
— Estávamos conversando sobre seus filhos, e Félix comentou sobre as netas da antiga babá dele...
— Maryjane e "Ane"... O que que tem?
— Ele comentou sobre um sonho que tinha, de ter uma filha... Que ama os três filhos, mas sempre se imaginou com uma menina... E essa bobagem toda. Depois disso ele ficou sonhando acordado.
— Uma menina? — Niko não sabia reagir sobre o assunto.
— Deve ser um devaneio bobo, logo passa. Afinal Nicolas, dois filhos é a plenitude. São duas crianças, duas bocas pra alimentar, duas saúdes pra cuidar, duas faculdades... Acredite em mim, é o suficiente!
— É-é ... Eu sei... Muito obrigada Dr. César.
— Você cuida bem do Félix... Retribua o favor, e ajude ele a superar isso.
— Pode deixar... Boa noite. — Niko ia saindo quando foi chamado.
— Niko... — Gelou. Foi a primeira vez que ele o chamava pelo apelido.
— Sim?
— Não me incomode mais... — Niko sorriu e saiu do quarto.
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