Os Cavaleiros do Tempo
3 Capítulo Terceiro
Capítulo Terceiro
Os Cavaleiros do Tempo.
A nave seguiu na direção das terras gélidas de Plucto. James estava pasmado:
– Você é...
– Sim – respondeu o velho. – Sou Cronos, o mais velho dos Magos do Tempo.
– Magos do Tempo?
– Somos uma irmandade que tenta manter a paz na Galáxia há milênios.
– Não estou entendendo nada...
– Quando chegarmos a Plucto, entenderá tudo!
– Por que estamos indo para Plucto? – perguntou Lisa. – Esta nave tem muito combustível! Vamos para meu planeta! Lá estaremos seguros!
– Nós, Magos do Tempo, podemos prever o futuro. Clavícula construirá, em questão de dias, com a ajuda de Set, o traidor, uma arma que o tornará chefe supremo de toda a Galáxia. Um sábio que viveu no passado será obrigado a projetar a arma. Os soldados de Clavícula viajarão no tempo e raptarão esse sábio. Se formos para Megatópia, todo o planeta correrá sério risco de destruição!
– E o que há em Plucto? – perguntou Wolfgang.
– Como é um planeta praticamente inabitado, foi o local escolhido por nós como refúgio. Lá estaremos seguros até que possamos lançar uma ofensiva contra Clavícula.
– Uma ofensiva contra os Skull Raiders? – surpreendeu-se James. – Está louco?
– Saiba, James Grey, que é o único capaz de derrotar Clavícula!
Após essa afirmação, todos se calaram. Deviam acreditar naquele sábio, que já demonstrara ter grande poder.
– Quem é Set, o traidor? – perguntou James.
– Há muito tempo, na época em que as primeiras civilizações terráqueas surgiram, havia em seu planeta um grande Mago do Tempo chamado Grande Set. Os antigos egípcios o identificaram como um deus. Ele protegia esse povo e o ajudou em muitos de seus prodígios. Gostava tanto dessa civilização que desobedeceu à maior regra de nossa irmandade: não revelar os segredos do tempo a ninguém. Ele queria que os homens pudessem viajar no tempo como nós. Apesar de nossos apelos, mandou que os egípcios construíssem três pirâmides, as quais transformou num transportador temporal. Essas são as famosas pirâmides de Set, que permitiram que seu pai, Gerald Grey, salvasse todo o planeta. Com uma egípcia, Grande Set teve um filho no qual colocou seu próprio nome. Como o pai, queria que os homens também pudessem viajar no tempo e, como ninguém da Irmandade concordava com suas idéias, revoltou-se contra nós. Devido ao fato de vivermos milhares de anos, ele ainda está vivo e ajudando Clavícula em seus planos para nos afrontar. Como qualquer membro da Irmandade pode controlar o tempo, ele permitirá que a arma dos Skull Raiders fique pronta em questão de dias. Além disso, ele ajudou Clavícula a construir uma máquina do tempo que permitirá o rapto do sábio que projetará a arma.
– E quem é esse sábio?
– Leonardo da Vinci.
– Deus...
– Então vocês controlam o tempo? – perguntou Lisa.
– Sim, minha cara.
– Pedro sempre me disse que havia morrido... – disse James.
– E morri, mas fui convocado para proteger vocês. Com nossa ajuda, derrotarão Clavícula.
A nave entrou na atmosfera de Plucto, ganhando um vale coberto de neve.
– Onde fica a base de vocês? – perguntou Lisa a Cronos.
– Dentro daquela montanha – respondeu o Mago do Tempo, apontando para uma cordilheira.
– Qual delas?
– A mais alta.
Todas as montanhas, porém, possuíam uma altura média, não havendo uma mais alta ou uma mais baixa.
– Não há nenhuma montanha mais alta.
– James, você está vendo aquele arco de energia? – perguntou Cronos.
– Sim – respondeu o filho de Gerald Grey, que pilotava a nave.
– Passe dentro dele e mantenha a mesma altura.
James obedeceu, e todos, exceto Cronos, se surpreenderam quando a nave ganhou uma ampla caverna, que aparecera do nada.
– Uma montanha invisível! – concluiu Wolfgang.
– Exatamente – respondeu Cronos.
Logo a nave ganhou uma espécie de hangar, onde pousou. O Mago do Tempo e os três viajantes foram recepcionados por vários membros da Irmandade parecidos com Cronos: todos eram velhos e, aparentemente, possuíam incrível sabedoria.
– Bem-vindos a Plucto – saudou um dos magos. – Sou Malek, chefe da Irmandade.
– É uma honra! – saudou Lisa.
– Igualmente – respondeu o Mago do Tempo.
– Grande Malek, eu creio que este é o único lugar em que os três estarão seguros – disse Cronos.
– Sim, é verdade – disse Malek. – Mas logo Clavícula terá concluído seu devastador engenho bélico e nenhum lugar será seguro. Queiram me acompanhar.
Cronos e seus três protegidos seguiram Malek por vários corredores até uma ampla sala circular, com uma esfera de energia no centro.
– O que vocês são afinal? – perguntou James.
– Zeladores da paz – respondeu Malek. – Vou lhes contar uma história.
Logo que o chefe da Irmandade começou a falar, imagens relativas ao que contava apareciam na esfera de energia.
– Há muito tempo atrás, muito antes das primeiras formas de vida existirem, havia no Universo apenas o Ser Supremo, o que chamam de Deus. O Ser Supremo, para habitar as diferentes partes do Universo, criou quatro galáxias: a Via Láctea, Andrômeda, Tarso e Nebulus. Todas as outras galáxias derivaram destas quatro primeiras. O Ser Supremo, então, criou os sistemas solares e os planetas nas quatro primeiras galáxias, habitando-as com raças predominantes, além de outras menores. Na Via Láctea, por exemplo, a raça predominante é a dos humanos. Para manter a ordem em cada uma delas, o Ser Supremo criou quatro guardiões, e cada um dominava um elemento: Lácio com o poder da terra guardava a Via Láctea, Arios com o poder do ar guardava Andrômeda, Tarsius com o poder do fogo guardava Tarso, e Aquius com o poder da água guardava Nebulus. Havia também um quinto guardião, de nome Háspedes, que supervisionava os outros quatro. Este último, porém, revoltou-se contra o Ser Supremo e induziu os outros quatro guardiões a fazerem o mesmo. Para evitar a destruição do Universo, o Ser Supremo criou a Irmandade do Tempo, que, com o poder de controlar a quarta dimensão, poderia vencer os cinco guardiões. Houve, então, uma terrível guerra que durou mil anos. Por fim, meu pai, o Grande Astor, fulminou os cinco guardiões num buraco-negro e retirou seus poderes, armazenando-os em cinco cristais que foram espalhados pelo Universo. Quatro deles estão nas quatro primeiras galáxias em locais que nós conhecemos, enquanto o de Háspedes está num lugar que apenas o Ser Supremo conhece. Os quatro primeiros guardiões se tornaram os quatro Cavaleiros do Apocalipse, pois, se os quatro Cristais forem reunidos, eles ressuscitarão e libertarão Háspedes. Resumindo, o Universo seria destruído. A função da Irmandade é impedir que os Cristais sejam reunidos e manter a paz nas quatro galáxias principais, o que é extremamente difícil com tantas guerras. Nós mandamos membros da Irmandade para vários planetas, onde a maioria viveu secretamente, com o fim de manter a paz. Alguns foram identificados como profetas. Um exemplo é Baruk, patriarca de Megatópia. Homens como Clavícula, com a ajuda de Set, o traidor, podem acabar reunindo os Cristais, decretando a morte de todos os seres vivos. Por isso vocês devem derrotar os Skull Raiders!
Na nave de comando Skull Raider, Clavícula e seus homens se dirigiam para uma ampla sala, onde, no centro, o protótipo da máquina do tempo, uma espécie de cabine ligada a vários aparelhos, era preparado para ser usado.
– O que falta? – perguntou o líder dos Skull Raiders.
– Tudo estará pronto em instantes – disse Set. – Nosso esquadrão já está preparado.
– Nosso esquadrão? Meu esquadrão! Você não comanda meus homens!
– Desculpe-me se me expressei mal, caro aliado...
– Ora, cale-se!
Pouco depois, Set, ligando o botão de início da máquina com seu cajado, disse:
– Está tudo pronto!
– Ótimo! – exclamou Clavícula. – Esquadrão!
Dez homens armados com canhões laser prostraram continência ao líder dos Skull Raiders.
– Lembrem-se: vocês ficarão apenas três minutos no passado. Portanto, peguem Da Vinci o mais rápido possível. Entrem na máquina!
– Sim senhor!
Um por um, os dez Skull Raiders entraram na máquina e desapareceram na cabine.
– Eles chegarão mesmo ao destino certo? – perguntou Clavícula a Set.
– Não se preocupe – respondeu o Mago do Tempo. – Providenciei tudo.
Nisso, no planeta Terra, ano 1503 depois de Cristo, Leonardo da Vinci trabalhava tranqüilamente no seu ateliê em Florença, Itália:
– Quero desenhar uma musa... – murmurou o gênio, esboçando o rosto de uma mulher. – Mas nenhuma dama florentina merece ser retratada... Quem eu poderia pintar?
– Você vai pintar uma bela arma para Clavícula! – exclamou um Skull Raider, apontando seu canhão laser para o artista.
– O quê? Quem vocês são?
– Você vem conosco!
– Mas...
Leonardo foi imobilizado pelos homens de Clavícula, que, pouco depois, levando o gênio italiano, voltaram para o futuro.
Em Plucto, no refúgio da Irmandade do Tempo, James, Lisa e Wolfgang estavam alojados numa espécie de dormitório. Enquanto o lobisomem dormia, o terráqueo e a megatopiana conversavam sobre todas as coisas que haviam visto:
– Isto é incrível! – exclamou Lisa. – Nunca pensei que viveria uma aventura como esta!
– Eu também – disse James. – Logo me igualarei a meu pai.
– Ele realmente era um grande homem... Mas como ele desapareceu?
– Há quinze anos, um exército comandado por um tirano chamado Gorsk Koskorva invadiu a Terra. Ele organizou uma resistência junto com Pedro Cintra e Eva Tucson, a mulher que amava. A batalha final travou-se no Egito, perto das pirâmides de Set. Essas malditas construções acabaram fazendo meu pai, Koskorva e Eva, que estava grávida, viajarem no tempo para algum lugar da Galáxia ou, talvez, do Universo.
– Então você tem um meio-irmão?
– Exatamente, e nunca encontrarei nem ele, nem meu pai...
– Sinto muito...
– Talvez encontre! – exclamou Cronos, entrando no dormitório.
– Como? – perguntou James.
– Para vencer a guerra contra os cinco guardiões, nós criamos os Cavaleiros do Tempo, uma espécie de unidade militar que pode se deslocar para qualquer lugar da Galáxia ou até do Universo em poucos segundos. Os Cavaleiros são todos jovens Magos do Tempo treinados em todas as técnicas de combate. Usam como arma a Espada de Astor, que pode cortar em dois qualquer inimigo sem dificuldade. Porém, os Cavaleiros, após a guerra, se recolheram para algum lugar da Galáxia que não conhecemos. Se eles nos ajudassem, venceríamos Clavícula facilmente e poderíamos encontrar seu pai e seu meio-irmão.
– Ninguém sabe onde eles estão? – perguntou Lisa.
– Apenas Yuk, um espírito zombeteiro, sabe onde os Cavaleiros estão refugiados. Ele vaga pela Galáxia e só nos revelaria tal coisa se lhe déssemos algo em troca.
– Como o quê? – perguntou James.
– Dez mil carpos.
– Eu tenho dez mil carpos, você sabe!
– Mas os dez mil carpos teriam que pertencer a um Mago do Tempo e como não podemos apostar, nunca arranjaremos o dinheiro.
– Mas e se eu lhe desse os carpos de presente?
– Faria isso por nós?
– Claro! O Universo está em jogo!
– Ótimo. Amanhã invocaremos Yuk. Já vou indo...
– Espere!
– O que quer?
– Sempre tive uma dúvida... Koskorva não conseguiu usar a bomba Apocalipse, portanto, Éden nunca existiu e Max Patrick nunca poderia ter viajado no tempo. Como Patrick, então, é considerado o conquistador do mundo antigo e, após a partida da Colombo, ele e a tripulação da nave nunca mais foram vistos?
– São nossos segredos... Não posso revelá-los.
– Entendo...
– Descansem! Amanhã gastarão muita energia!
– Como assim?
Sem responder, Cronos desapareceu misteriosamente.
Enquanto isso, na nave de comando Skull Raider, Leonardo da Vinci se encontrava, de pé, confuso e sozinho, no centro de uma ampla sala circular.
– Como vai, Leonardo? – perguntou uma voz.
– Quem está aí? – perguntou o italiano. – É algum fantasma?
– Ora, não seja ingênuo...
– O que você quer dizer com isso?
– Não percebeu? Viajou mais de quinhentos anos para o futuro.
– O quê?
– Você ouviu muito bem. Através de uma máquina do tempo, meus homens viajaram para o passado e o raptaram.
– O que quer de mim?
– Chamo-me Lorde Clavícula e ordeno que projete uma arma para mim!
– Uma arma?
– Exatamente. Projetará, de preferência, uma grande estação bélica que permita que eu conquiste qualquer planeta.
– Qualquer planeta?
Uma das paredes da sala se abriu e revelou, através de um vidro, a imagem do planeta Arcádia mergulhado entre as maravilhas do espaço. Leonardo, maravilhado, contemplava a paisagem com grande entusiasmo.
– Você pode começar quando quiser – disse Clavícula.
– Não projetarei nenhuma arma! – exclamou Leonardo.
– Projetará sim, por bem ou por mal!
Uma mesa com cadeiras, tinteiros, penas e rústicas folhas de papel surgiu do chão da sala.
– Creio que sabe trabalhar com esses primitivos materiais – disse Clavícula. – Comece!
– Mas...
Leonardo desesperou-se quando, do teto, surgiu um canhão laser que, mirando, começou a seguir seus movimentos.
– Se quiser viver, projete uma estação bélica capaz de dominar qualquer mundo!
O italiano sentou-se e, contrariado, começou a esboçar um engenho bélico.
Clavícula, que estava na sala de comando da nave, disse a Set:
– Ele já começou. Logo teremos um bom projeto.
– Ótimo. Mas onde construiremos a arma?
– Primeiramente, nós precisamos de um projeto. Depois pensaremos nisso.
– E a embaixadora?
– Desapareceu misteriosamente. A Irmandade está protegendo aqueles três.
– Eu sei... Infelizmente, não consigo descobrir em que planeta eles estão, pois a energia da Irmandade é muito maior do que a energia de apenas um Mago do Tempo.
– Quando tivermos nossa arma, os encontraremos facilmente. Mas há um problema...
– Qual, meu aliado?
– A arma que construiremos deve ser devastadora e, além de defesas, terá que possuir um engenho de ataque principal. Tem alguma idéia?
– Creio que sim... Por que você, ao invés de destruir os planetas que não se renderem, não os torna completamente dependentes de nós?
– Como assim?
– Há, em Plucto, numa caverna de difícil acesso, um tipo de cristal chamado Griksu. Os Magos do Tempo o usam há milênios para curar tumores.
– E como ele age no organismo? – perguntou Clavícula, cada vez mais interessado.
– Quando os cristais atingem a temperatura de cinqüenta graus centígrados, entram em estado de fusão e se transformam numa espécie de líquido que age sobre o tumor. Os Magos do Tempo os aquecem até que eles se transformem nesse líquido, que é, então, ingerido pelo paciente. O mais interessante é a ação do líquido sobre o tumor: ao invés de destruí-lo, ele apenas o reduz ao tamanho de uma célula normal, sendo então facilmente eliminado pelo organismo.
– Você está querendo me dizer...
– Que o líquido diminui o tumor de tamanho, mas não o destrói. Se nós coletássemos um certo número de cristais, poderíamos construir um canhão com a temperatura interna de cinqüenta graus centígrados. O poder do Griksu poderia ser revertido num laser e então poderíamos...
– Reduzir planetas ao tamanho de uma laranja!
– Exatamente.
– Brilhante! Brilhante! Vamos até Plucto coletar esses cristais!
– Acalme-se. Primeiro, nós vamos esperar Da Vinci esboçar uma arma. Depois, com o projeto em mãos, agiremos.
– Ótimo! Ótimo!
Continua...
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