Os Cavaleiros do Caos
1 Irmãos de Sangue
Notas iniciais
ATO I – PRESENTE DIVINO.
Era Noite, o vento batia nas folhas das arvores fazendo um barulho que lembrava muito o bater de asas de vários pássaros, Álvaro era o Lorde Governante de Pgrephen, um dos 4 grandes Reinos de Dranglard... E estava totalmente perdido na Floresta, junto de seu escudeiro ele procurava o caminho de seu castelo.
Álvaro não tinha esposa ou herdeiros, ele e sua irmã, eram os últimos filhos da casa Colleun e mesmo com vários mestres, quase todas as responsabilidades do reino eram dele, contudo, ele sempre conseguiu manter a paz e a justiça em Pgrephen, era amado e respeitado por todos, um bom Lorde.
Cavalgando por varias horas, Álvaro e Luther seu fiel escudeiro, escutam um som de algo se movendo entre as arvores...
— Senhor, ouviu isso?
— Ignore, deve ser algum animal selvagem, ou a floresta pregando uma peça em nós! – Respondeu Álvaro, sem demonstrar qualquer tipo de duvida.
Novamente o barulho. — Senhor, tem alguém por aqui, acho melhor irmos logo! – sussurra Luther, com um certo tom de medo na voz, enquanto olha pra todos os lados das arvores.
— Francamente Homem, está com medo? Pode ficar tranquilo, a coisa mais perigosa nessa floresta sou eu! E não estou nem um pouco afim de matar você ...mas posso reconsiderar, caso não cale a boca. – Diz Álvaro, enquanto da um tapinha nas costas de seu escudeiro, e continua a cavalgar.
— “Isso era pra fazer eu me sentir melhor?” – Pensa Luther enquanto segue Álvaro. Após mais alguns minutos caminhando, eles ouvem outro som, dessa vez, o choro de criança, tal barulho era impossível de existir em um lugar frio e escuro como aquela floresta!
Eles se aproximam devagar, Álvaro desce de seu Cavalo, e faz o movimento de embainhar a espada, mas lembra que tal arma não era utilizada por ele fazia décadas! (Antes de se tornar Lorde, ele era um grande Cavaleiro, que servia diretamente ao antigo Rei dos vampiros, e a espada, era sua melhor amiga) Ao chegar bem perto, ele se assusta, não era apenas uma criança, mas sim duas... dois garotos sem roupas, dentro de uma cesta dourada cobertos por um pano apenas! O choro vinha de um dos bebês, já o outro estava silencioso, olhando para Álvaro com olhos que brilhavam como rubis.
Estava muito frio, sem pensar duas vezes Álvaro pega os garotos, entrega um deles nas mãos do escudeiro e segura o outro – O que? bebês? Aqui no meio do nada, olha meu Lorde... eu já vi coelho, lobo, até Fada Nessa floresta, mas bebês... é a primeira vez! o que vamos fazer com eles? – Diz Luther com um certo tom de sarcasmo. ( Essas eram as mesmas perguntas que Álvaro tinha, mas ele acreditava nos Deuses Antigos, e sem ter filhos ou herdeiros, tratou aquilo como um presente Divino.)
Os dois Cavalgaram o mais rápido possível atrás de uma saída da floresta e encontraram o castelo, ele era um bom homem, mas sabia que jamais tais crianças seriam aceitas no reino como seus filhos legítimos, porem no mesmo momento que encontrou os irmãos, ele já havia aceitado o fardo de cuidar das crianças.
Ao chegar no reino, ele manda seus guardas chamarem Karie, sua irmã mais nova... Alguns minutos depois ela entra no quarto, se depara com os dois bebês na cama e se assusta! – Álvo, o que significa isso, quem são essas crianças? – Ele se aproxima dela e pede que ela fale baixo, explica o que havia acontecido e pede um conselho para ela.
— Isso é muito estranho, eles estavam sem roupa na floresta e no frio... – Karie fala, com um certo tom de ironia...
— Eu também acho! Quem será que deixou eles lá? – Responde Álvaro.
Karie se aproxima dos bebês e faz uma cara de deboche. – Não, O fato deles estarem no meio da floresta é algo normal, crianças são abandonadas quase todos os dias! O estranho mesmo é que você não colocou uma roupa neles até agora, você disse que vai querer cria-las, mas elas vão morrer de frio antes disso! – Diz ela, enquanto os cobre. – Se você vai cuidar deles, precisa de Alimentos adequados, Roupas, Amas de Leite, Etc.. Tem certeza que vamos fazer isso?
— Ótimo, você vai me ajudar então?
— Acho que sim, mas você não t... – Antes de terminar a frase, Karie olha mais atentamente os irmãos e percebe que eles tem marcas tatuadas no corpo, um no ombro e o outro no rosto. – Álvo, por que essas crianças tem essas marcas? Nunca vi nada parecido com isso em toda a minha vida.
— Eu também não sei, mas lembra bastante aquelas runas que os Elfos usam...
— Cala a boca idiota! Não tem nada a ver, eu já estudei a língua dos Elfos, essas marcas parecem muito mais antigas! Responde Karie, totalmente encantada com os garotos.
Álvaro sabia que seja o que fosse aquelas marcas, era algo poderoso, e o melhor a se fazer, era ter tal poder sob seu controle! – De qualquer forma, eles precisam de nomes, alguma ideia? – pergunta Karie.
— Sim, esse garoto de cabelos brancos se chamará Zendris...
— Significa "Destruição" na linguá dos elfos, não é? interessante escolha... e esse que não fica quieto, como se chamará?
— Esse eu deixo você escolher... — Respondo Álvaro.
— Vamos chamar esse aqui de Damian...
— Colocar o nome do Rei dos Demonios que quase destruiu tudo com a Guerra, tem certeza? -Questiona Álvaro, nem um pouco contente com a decisão de Karie.
— Tenho sim, meu irmão... a partir de hoje eles são Damian e Zendris, filhos da casa Colleun.
ATO II – CONVOCAÇÃO.
15 Anos depois...
Os jovens Garotos estão treinando juntos, ambos cresceram e se tornaram inteligentes, fortes e bonitos, Enquanto Damian(16), que tinha os cabelos negros e os olhos vermelhos como o sangue era Irritadinho e Ignorante, com um ar de Superioridade e Arrogância, Zendris(17) por outro lado, tinha os cabelos e os olhos Brancos, era Calmo e Gentil, sabia como se portar em todos os lugares e jamais quebrava uma promessa. Ambos eram muitos habilidosos com a espada, eram famosos e importantes em todos os clãs, porem sofriam do mesmo problema... eram conhecidos no reino como “Impuros” pois todos sabiam que eles não eram filhos legítimos de Álvaro e não tinham direito algum ao seu trono.
Mesmo com o titulo indesejado, não havia sequer uma pessoa em toda Pgrephen que não amava Zendris, ele era de uma honra extrema, conhecido como bondoso e gentil. Por outro lado, Damian era indisciplinado, Folgado e causava diversos problemas na cidade, ele era ruim e deixava bem claro que se divertia muito sendo “o pior” dos irmãos.
Os dois cresceram como Lordes, porem tinham paixão pela magia e pelas guerras, treinavam quase todos os dias como cavaleiros... e compartilhavam o sonho de se tornar DragonSlayers, Cavaleiros Lendários especializados em matar Dragões, criaturas Aladas cuja força e velocidade aterrorizava até mesmo o mais corajoso dos homens, com o poder de destruir cidades inteiras, apenas cuspindo fogo ou se tratando de um Dragão adulto... apenas com o bater de suas enormes asas.
Ao anoitecer, era comum que a casa Colleun, jantasse no salão, e assim aconteceu. Na ponta da enorme mesa retangular, estava Álvaro, do outro lado, Karie, no meio estavam os irmãos, um de frente pro outro...
Um silencio toma o salão, com uma cara de tédio, Damian se distrai brincando com um garfo... (Na noite anterior, uma briga entre ele e o pai havia acontecido, todos estavam tensos e até mesmo Karie que gostava de falar durante todo o jantar, não havia mencionado uma só palavra.)
— Damian, gostaria de falar algo? – Pergunta Álvaro, com um tom de braveza.
— Tem muita coisa que eu quero falar, mas melhor esperar você não estar presente! ...velhote. –Responde o garoto, enquanto se distrai com o talher.
— Nós somos família, pode falar qualquer coisa na minha frente, meu filho! – Responde o pai.
— NÃO SOMOS FAMÍLIA! Você nos encontrou, não é nosso pai de verdade, você só teve pena da gente! E aposto que o Zendris pensa da mesma forma! Ele só é gentil demais para falar isso na sua cara! – Grita Damian, cravando o garfo na mesa.
— Calado Damian! – Grita Zendris, olhando seriamente pro seu irmão.
Álvaro se levanta, anda alguns passos em direção de Damian, e coloca a mão em seu ombro. – Por que carrega tanto ódio dentro de si, meu filho? — Damian abaixa a cabeça, e fica em silencio por alguns segundos. –Desculpa, é que as vezes eu fico com muita raiva! ...é esse lugar, eu preciso sair daqui, viajar, conhecer lugares novos, eu sei lá!
— Que bom que você mencionou isso. –Respondeu Karie, com um sorriso singelo no rosto.
— O que quer dizer com isso, Karie? — Pergunta Zendris, ainda olhando para Damian.
— Vocês já ouviram falar de Clasthern? – Pergunta Karie, puxando da manga de sua blusa duas cartas.
— Sim! — “Zendris.
— Não! — “Damian.
— É uma espécie de escola de Magia, Formada Pelo Rei e pela união de todas as raças, hoje em dia apenas quem nasceu com magia, prodígios em batalha ou membros da Realeza estudam lá, e aqueles que se destacam entre os melhores, são convocados para a Exden, uma espécie de elite de cavaleiros – Responde Zendris sorrindo, pois já havia entendido o que estava acontecendo...
— Exatamente Zendris, e aqui em minhas mãos, eu tenho a convocação de vocês dois, parece que a escola de Magia de Clasthern tem interesse em vocês, tem até amanhã pra decidir! Nesse final de semana é o começo das aulas. “Karie
Imediatamente, Damian se levanta e sai do salão. Zendris olha para o teto, se levanta e pega as cartas da mão de Karie, agradece, e também se retira. – Vocês podem sair, obrigada! – Fala Karie para as empregadas.
— Você sabe o motivo do interesse do Diretor Santeun nos garotos né? – “Karie.
— A marca do Damian fica bem a mostra, cobre quase todo o olho direito dele, mas como aquele maldito diretor ficou sabendo da marca do Zendris, Será que foi uma má decisão, contar a eles sobre as cartas? – Álvaro se questiona, enquanto olha para o lado de fora do castelo.
— Talvez o diretor não saiba sobre elas, talvez os tenha convocado apenas por serem habilidosos com a espada, talvez por utilizarem magia, eu não sei... mas seja como for, naquela escola, eles vão estar protegidos! Principalmente se não descobrirem a verdadeira origem das marcas! — Karie
— E NÃO VÃO!!! -Grita Álvaro, já irritado.
— Calma, só digo isso pois me preocupo com o Damian, ele está cada vez mais bravo, perde o controle de sua raiva com muita facilidade... Uma peculiaridade diferente... porem erá bem comum no clã dos demônios! Não tem mais como negar, irmão. -Responde Karie
— Já chega desse assunto, não importa a origem deles, são meus filhos... e aquele Clã maldito já não existe mais, não me interessa o que você acha que eles são...
Continua...
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