Notas iniciais
Bom essa é minha 1° fic aqui.
Espero que gostem ♥

O Circo é o meu lugar predileto na Muralha. É o único lugar onde nós temos diversão, fora isso, o restante da minha vida, e da dos outros, é trabalho. A apresentação estava acabando e logo teria de voltar para casa.

Casa. Qualquer pessoa que pense nessa palavra lembra-se de conforto, descanso, paz. Esse não é o meu caso. Desde que papai morreu as coisas só pioraram para nós. Mamãe entrou em depressão e passa o dia inteira trancada dentro de um quarto, quase não se alimenta. Nem me lembro de quantas vezes batia durante horas a fio na porta, implorando para que nós conversássemos ou para que ela se alimentasse.

Carter, meu irmão mais velho, passou a cuidar de nós. Ele conseguiu um emprego que mal dá pra nós sustentar e precisa trabalhar durante várias horas exaustivas. Mal o vejo. Quando chega em casa á altas horas da noite,isso quando volta pra casa,já estou dormindo e quando sai,antes do sol nascer nem se quer já tenho acordado.

Para ajudar na renda, trabalho como garçonete em um restaurante. O salário não é dos melhores e as poucas, e raras, gorjetas que recebo, mal fazem diferença no final do mês, mas cada centavo é importante.

- Chloe. Chloe! – ouço Tyler me chamar. Ele fazia movimentos com a mão para chamar minha atenção. Olhei nos seus olhos cinza e voltei á realidade. – Vamos?

- Claro.

Saímos em meio á pequena multidão que caminhava em direção a saída da minúscula tenda. Logo saímos do desconfortável ambiente e seguimos caminhando em direção a minha casa pelas estreitas e sujas ruelas de Muralha.

- O que achou da apresentação? – perguntou Tyler.

- O que você acha? Você sabe que eu adoro as apresentações, apesar de serem incrivelmente repetitivas. Mas não dá pra eles criarem um espetáculo novo a cada semana. É impossível.

- Quantas vezes eu vou ter que repetir: O possível só se torna impossível, quando você o declara assim.

Chegamos a minha casa em aproximadamente quinze minutos. Convidei Tyler para entrar, mas ele disse que estava atrasado para um jantar de família e que teria de correr para não levar uma bronca da mãe. Sua família não esbanjava fortuna ou luxo, mas não eram mendigos necessitados. Eles tinham um mercadinho, o que lhes dava uma boa renda no final do mês e uma vida confortável. Despedimo-nos e ele seguiu rumo a sua casa

Entrei em casa e não avistei ninguém. Obvio, pensei. Acendi as luzes da pequena sala de estar e fui para meu quarto. Entrei no banheiro e tomei um bom banho. Durante o banho fiquei lembrando-me do que passou. Lembrei-me da tediosa, aula de ciências, do trabalho na lanchonete, que me rendeu algumas gorjetas e do passeio para o Circo com Tyler.

Não me lembro de um dia se quer que tenha se passado sem que eu e Tyler nos encontrássemos. Também não me lembro desde quando nós somos amigos. Uma das únicas coisas de que me lembro sobre nossa amizade é que não importa o que acontecesse, ele sempre esteve ao meu lado. Lembro-me do dia em que cheguei à escola com os olhos inchados de tanto chorar por causa de papai. Todos perguntavam se eu estava bem, mas eles não queriam saber se eu estava realmente bem. O que eles realmente queriam era que dissesse que estava bem e que logo iria superar, então foi isso que eu fiz. Tyler foi o único que me abraçou forte e disse que eu poderia contar com ele pra tudo.

Ao sair do banheiro já me sentia bem mais leve. Vesti uma roupa confortável e fui para a cozinha. Minha barriga estava roncando. Ao abrir o armário as únicas coisas que vi, foram: Pão e geléia. Tive de me contentar com isso. Depois do “jantar”, fui para o meu quarto. Deitei-me de lado na cama e esperei até que o sono chegasse. Vi no criado mudo um porta-retrato com uma foto minha e do papai. Eu ainda era menina nós estávamos brincando num lugar cheio de árvores e com grama. Honestamente, não me lembro de quando ou onde foi tirada essa foto. Que eu saiba não existe nem um lugar assim dentro ou fora dos limites de Muralha.

Olhe para o meu pai, ele estava feliz, radiante. Muita gente diz que me pareço com ele por causa do cabelo ruivo, mas meus olhos são azuis e os dele eram verdes. Havia puxado isso da minha mãe, bom, em pelo menos alguma coisa tinha de ser parecida com ela. Quem tinha os olhos verdes era meu irmão. Ele tinha o cabelo castanho da mamãe e os olhos verdes do papai, e eu tinha o cabelo ruivo do papai e os olhos azuis da mamãe. Em questão de aparência e personalidade, Carter era idêntico a mamãe. Cabeça fechada, calado e teimoso. Ele é o tipo de pessoa que não tem muitos amigos por opção. Nunca levou ninguém em casa, amigos ou namoradinhas.

Com tantos pensamentos rodeando minha cabeça acabei dormindo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.