Os 9 Lordes Piratas
3 Scarlett Barbossa
– Capitão! capitão Turner!
Michael levantou-se abruptamente ao ouvir os gritos de Gibs, sacando sua espada e apontando-a para o pobre velho que escancarara, afoito, a porta. O pobre senhor não teve outra alternativa que não fosse levantar as mãos, em gesto de rendição até que seu capitão despertasse completamente.
Assim que o mais jovem percebeu o que acontecia, balançou a cabeça de leve e guardou sua espada. Colocou uma de suas mãos em ambas as têmporas, cobrindo os olhos, tentando aplacar a dor de cabeça e a tontura pelo despertar abrupto.
Estava desacostumado. Um pirata não devia hesitar como ele fizera. Os últimos meses estavam calmos à ponto de serem dignos de forte desconfiança. Precisava manter a guarda alta ou não conseguiria se dar bem nem em uma maldita luta justa.
– O que houve, Gibs?
– Capitão. O Peróla Negra, sumiu.
– O quê?! — ele gritou, quase voando para fora e se jogando contra a borda do navio, constatando que o navio que, outrora estivera a dois píeres de distância, havia sumido — Como é que um navio some?! Ainda mais um navio com uma tripulação bêbada, barulhenta e de ressaca?!
– Simples, uma pessoa ali não estava nem bêbada e nem de ressaca! Pelo menos, não quando partiu. — uma voz feminina falou atrás de sí.
– O que faz aqui, Scarlett? — perguntou Michael desconfiado, olhando a garota agarrada ao mastro na altura das suas velas — E, por favor, larga do meu mastro.
– Nossa quanta ignorância! — diz a garota largando o mastro e indo para o chão — Só achei que ia ficar feliz de ter uma visita, oras!
A garota tinhas fios ruivos alaranjados e ondulados, as roupas e tons vivos de vermelho contrapostos por acessórios marrons e o branco da camisa que usava por baixo eram chamativas.
Os olhos verde-azulados pareciam antigos e sagazes e seu sorriso era eltal.
– Michael, Michael. Você, realmente, nunca deve ter aprendido boas maneiras.
– Diz a filha de Hector Barbossa.
– Oras, meu pai era um home, digamos... — ela disse ao brincar com uma mecha do cabelo e antes de rir — Sofisticado.
– Você não viria qui sem motivo,então, repito: O que faz aqui, Scarlett?
– Vejamos... — a garota sorriu, fingindo uma cara de pensativa logo depois, arranhando com as unhas a madeira da borda do navio ao se dirigir à Michael — Eu posso, muito provavelmente, ter encontrado certa amiga... Das antigas sabe?... E ela, talvez, possa ter me dado algo para que eu entregasse a você, como um empréstimo, já que teria de devolvê-lo, óbvio... Mas não consigo lembrar dela.
Sacou sua faca e começou a lançá-la contra amadeira"corrimão" gasta na qual se apoiava, fingiu estar confusa e pensativa, numa atuação que seria convivente se Turner e Gibs já não aconhecessem tão bem.
– Carolina?Não... Charlotte? Catrina? Carisma? Charlottina?
– Catarina. Catarina Sparrow. — falou, sem paciência, o belo capitão.
– Essa aí! — disse Scarlett, apontando-o a faca, eufórica.
– O que ela deu para você? O que ela mandou que me entregasse?
– PEDIU. — acentuou — Ninguém manda na capitã do Vingança da Rainha Ana. Meu pai perdeu muita coisa(até a perna esquerda, feia e cabeluda que mais gostava), e balhou muito para conquistar aquele navio, que o Diabo o tenha, e agora ele é meu. Não, querido, não se dá ordens à mim.
– Scarlett... — Michael ameaçou.
A ruiva riu, se virando de costas e pegando algo perto dos seios. Olhou por sombre o ombro direito, sorridente e provocativa, como sempre, antes de erguer a mão esquerda na mesma direção que estava olhando, deixando pender uma bussola azul-escura.
– Isso é..? — começou Gibs.
– O que você mais deseja,... — a garota continuou, abrindo a bússola, como se desinteressada antes de fitá-lo de canto de olho — Capitão Turner?
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