— Pronto, eu fiz a ligação. Meu pai pode chegar aqui em breve. Disse que tá ocupado mas assim que ele liberar dá uma passada aqui.


— Por que você fez isso? E se ele ficar bravo com você?


— Não vai. Na verdade ele tá me devendo. Enquanto isso a gente vai pesquisando e falando sobre outras coisas. A Lavínia não deu mais notícias?


— Não. Ela só disse que ia torcer pra gente encontrar alguma coisa logo porque ela tá morrendo de curiosidade a respeito de tudo.


— Se ela estivesse curiosa mesmo ela estaria aqui — você fala com um certo desdém.


— Talvez ela esteja cansada. Na verdade bem no fundo eu já sabia que Lavínia poderia abandonar. A amiga enfermeira dela foi presa então ela deve estar traumatizada por ter ficado tão próxima de alguém assim — Allison declara.


— Ela pode estar cansada e eu tô aliviadx. Parece que as minhas palavras serviram pra alguma coisa naquela delegacia. Já no último minuto antes de ir embora eu decidir falar sobre as questões estranhas envolvendo essa mulher. No início eu tive dúvidas e incerteza já que o policial tinha me perguntado se eu tinha provas pra comprovar o que eu 'tava falando, mas acho que o pouco que eu disse serviu pra deixar eles com uma pulga atrás da orelha.


— E o que foi que você falou, S/N? Essas coisas não podem ser ditas assim. Para as autoridades tudo é baseado em provas, tem que ter uma comprovação senão eles vão te enquadrar por estar cometendo um crime de perjúrio.


— Mas não é perjúrio. Isso é verdade, ele só não sabe ainda. Seria bom se eles encontrassem esse cara que ficou com o número dela. Até hoje não acredito nessa história dele dizer que não conhece a Mirella. E mais agora que ele some assim do nada, é bem esquisito.


— Você vai falar desse cara pra polícia também?


— Não seria má ideia. O que você acha que eu posso fazer?


— Eu não sei. Se você falou sobre a Mirella e ela foi presa, então falar desse cara pode dar certo — Allison sugere.


— Isso. Só preciso saber se esse cara é o mesmo que a dona Leca via entrando acompanhado de Mirella. Se for ele mesmo, então o fato dele ter desaparecido é por esse motivo, não é? — você fala.


— É, isso faz mesmo total sentido.





⌚️ Após algum tempo de espera...



— A gente deve ir pra recepção outra vez. Meu pai acaba de me mandar mensagem dizendo que tá chegando.


— Tão rápido assim? Eu até comecei a achar que ele não ia vir.


— Não sei porquê. Eu disse que ele tá me devendo.



Chegando na recepção da biblioteca, onde Bianca ainda está a postos toda sorridente, vocês procuram por Joseph que, não tardando logo entra no seu estiloso conjunto de terno verde musgo pela porta chamando as atenções de Allison e também de Bianca que vai ao seu encontro de imediato.


— Senhor Joseph, que prazer receber o senhor mais uma vez. Seja bem-vindo à Biblioteca Central. O que deseja para hoje?


— Boa tarde, Bianca. Prazer em rever você também. Hoje eu vim acompanhar uma pessoa que está me aguardando.


— Ah, sim. Eu entendo. Fique à vontade. No que o senhor precisar pode me pedir que eu vou adorar ajudar — Bianca diz.


— Eles já se conhecem? — você pergunta baixinho para Allison.


— Pelo o que eu tô vendo, parece que sim — elx responde.


— S/N, filhx! Olha você aí. Eu não demorei muito, não foi?


— Não, pai. Você chegou na hora certa — você diz — O Feralício veio com você?


— Sim. Ele está lá fora. Decidiu ir numa lanchonete do outro lado da rua — Joseph diz.


— Entendo.


— Olá, Allison. Prazer em te rever.


— Boa noite, senhor Joseph — Allison diz dando um singelo sorriso.


— Ah, então você é pai de S/N? Elx esteve aqui há pouco com Allison atrás de alguns livros. Inclusive, como está a pesquisa de vocês? — Bianca pergunta.


— Está caminhando. Mas ainda não encontramos nada tão importante. Talvez porque o que a gente precisa tá na sala restrita — Allison fala alterando um pouco a voz.


— Calma, Allison. Deixa comigo — você diz — Er, então, pai, eu fiquei com uma dúvida. Você e a Bianca já se conheciam. Já tinha vindo aqui antes?


— Sim, claro. Como visitar a cidade de Nevinny e não visitar um dos patrimônios históricos e culturais da cidade? Isso seria uma desrespeito de minha parte — Joseph responde.


— Isso é verdade.


— Então, S/N. Você me chamou para que eu viesse te encontrar na biblioteca. Qual seria o motivo dessa urgência? Você nunca me pede nada.


— É verdade. Mas dessa vez eu não tive como não pedir sua ajuda. Estamos fazendo um trabalho super importante pra escola sobre a cidade de Nevinny e o baile desse ano vai ser sobre a cidade e eu e o meu grupo queríamos adicionar coisas importantes tanto pro trabalho e também pro baile pra ter como a gente compartilhar curiosidades e deixar tudo mais cheio de vida e de informações — você dispara.


— Oh, isso é fascinante. Você está querendo fazer seu melhor trabalho como sempre. Isso é de se admirar, mas... qual é a questão nisso?


— Me desculpa interromper, senhor Joseph. Sim, isso é de fato o que S/N me solicitou, porém há uma pequena restrição no meio disso tudo. Allison havia me pedido pra ter acesso à essas informações que tanto precisa, mas pelo breve julgamento concluí que as informações que Allison e S/N precisam possam estar numa área que infelizmente ainda não podem ter acesso — Bianca afirma.


— Isso. E confome ela falou só pessoas que tem autorização podem entrar nessa área. Acontece que a gente precisa muito dessas informações, pai. É o meu primeiro grande trabalho na escola e eu não quero errar — você diz quase que suplicando para Joseph.


Nesse momento ele olha para Bianca que lhe responde com um sorriso nervoso sem saber o que dizer. Joseph volta o olhar para você e, na tentativa de explicação ele diz:


— Muito bem. Acontece que Bianca está certa. Existe uma área na biblioteca que nem todos podem entrar. É como se fosse um acervo com coisas muito importantes, talvez objetos e só pessoas com autorização podem entrar, por isso ela não deixou vocês entrarem.


— Disso a gente sabe, por isso chamei o senhor aqui. Eu pensei que o senhor sendo responsável poderia ajudar a gente a entrar já que nós não temos idade nem dinheiro pra isso — você fala.


— Então, qual o livro que vocês querem que eu pegue? — ele pergunte.


— Desculpe incomodar, senhor Joseph, mas nós queremos livros que tenham informações profundas e novas. Tipo informações que mais ninguém tem — Allison explica, animadx.



Mais uma vez Joseph fica sem resposta e Bianca até sai de perto correndo de volta para o balcão. Isso porque mais um integrante chega na recepção: um homem de cabelos grisalhos com cabelos apenas nas laterais, tipo o Charles Montgomery do "The Simpsons", porém sem aquele sorriso maléfico que ele tem característico. Esse é mais simpático, mais legal.


— Ohh, boa tarde. Olha quem tá aqui. Senhor Joseph Montenegro! Que surpresa!


— Ah, senhor Benson. Que bom revê-lo. Mas confesse que não é uma surpresa o senhor me ver aqui. Aposto que já sabia de minha presença, não é? Alguém deve ter comentado com o senhor — Joseph fala olhando sorridente para Bianca.


— Me desculpe, senhor Joseph. Eu não tive como não avisar ao senhor Benson que está aqui. Ele adora sua presença — Bianca diz.


— E fez muito bem, senhorita Bianca. Merece um aumento de trezentos nevinares — o senhor Benson fala.


— Ah, que isso, senhor Benson. Muito obrigada. Só estou fazendo o que o senhor me pediu.


— E eu agradeço por isso. Eu sempre tenho que estar informado se o senhor Joseph estiver rondando pela minha, quer dizer, pela nossa biblioteca. Eu admiro muito esse homem e muito mais pelo que ele fez e faz pela nossa cidade.


— E o que ele fez? — você pergunta em disparo sem entender a fala do senhor Benson após a afirmação.


— O que ele fez?! Esse homem fez muito pela cidade. Ele ajudou Nevinny numa era difícil. Sua ajuda foi de total importância pra reconstruir a cidade tanto no âmbito econômico e cultural.


— Que bom. Isso é realmente bom — você fala.


— Er... esqueci de te apresentar. Acho que você não conhece ainda S/N Montenegro. Bastante curiosx a respeito das coisas — Joseph fala lhe pegando nos ombros.


— Ah, logo notei uma semelhança entre vocês. Você tem sorte de ter um pai gentil e cooperativo, S/N — Benson diz.


— Tudo bem com o senhor? — você pergunta estendendo sua mão para cumprimentar Benson.


— E essx aqui é amigx de S/N. Se chama Allison Padalecki — Joseph diz apontando para Allison.


— É um prazer conhecê-lo, senhor Benson.


— Ah, mas que educadx. Que formidável.


— Então o senhor trouxe S/N e Allison para uma visita à biblioteca? Isso também é algo bem admirável. Normalmente os pais levam os filhos pra irem na praia, parque de diversões ou àqueles eventos de realidade virtual.


— Eu vim acompanhar S/N para uma pesquisa da escola. Mas na verdade eu vim dar uma pequena facilitada pra S/N encontrar o que precisa.


— Bom, então quer dizer que eu posso ajudar também, assim eu vou estar te ajudando também — Benson fala.


— Se o senhor poder ajudar a gente vai ser muito bom. Porque eu e Allison sozinhxs não íamos poder conseguir. Por isso eu chamei meu pai pra poder tentar fazer com que a gente entre na Ala de Confidências — você declara.


— A Ala de Confidências? E o que seria de tanto interesse de vocês pela Ala de Confidências?


— Nós queremos mais detalhes a respeito da da história da cidade, talvez coisas que nunca foram contadas antes ou mostradas. Queremos algo novo pra incrementar a nossa apresentação de trabalho.


— Por favor, pai, será que dá pro senhor ajudar a gente? Eu não tô pedindo nada de absurdo, é apenas uma coisa simples — você suplica.



Os três adultos ficam em silêncio e se olham por alguns segundos. Joseph com um breve sorriso forçado se aproxima de você e mais uma vez põe as mãos sobre seus ombros e diz:


— SN, tem coisas na vida que nós não podemos ter de imediato. Regras foram feitas para serem seguidas e devemos respeitá-las. Com certeza há um motivo pra não termos acesso àquela sala. Infelizmente não vou poder te ajudar com isso hoje, mas...


— Ora, por que você está falando assim como se não soubesse de nada, Joseph? Você ja visitou aquele lugar inúmeras vezes então por que se inclui como se nunca tivesse tido acesso àquela sala? Ande, eu vou abrir uma exceção para S/N e Allison. Tragam elxs até à sala. Por favor, me acompanhem. Vocês terão acesso à Ala de Confidências, mas as regras continuam as mesmas. Nada de fotos e gravações e nem levar nenhum livro ou objeto pra casa — o senhor Benson dispara — Bianca, muito obrigado pela ajuda. Peço que continue na recepção e cuide bem, ou melhor, continue honrando a nossa biblioteca. Mais tarde passe em minha sala e fale com a responsável econômica para fazer o reajuste para o aumento de seus trezentos nevinares.


— Muito obrigada, senhor Benson. Eu fico imensamente agradecida.


— Ora, então chega de conversa. Eu vou dar essa colher de chá. Vocês estão em um dia de sorte por estarem acompanhadxs de Joseph. Allison e S/N são pessoas de muita sorte, pois ninguém pode chegar assim e ter acesso à Ala de Confidências. Agradeçam também à Joseph por ser um homem de suma importância pra gente. Por causa dele vocês vão ter acesso ao restrito.


— Bom, então vamos. Estou ansiosx — Allison anima-se quase dando pulos de alegria ajeitando o botão que havia se aberto em sua camisa.




📍 Ala de Confidências



Após caminharem por alguns segundos por alguns longos e quase estreitos corredores fazendo caminhos que pareciam nunca ter fim, enfim vocês se posicionam em frente à uma sala que aparentemente é muito semelhante às outras. A diferença é que comparado às outras salas sendo compostas por portas de madeira que se abrem deslizando para os lados, a da Ala de Confidências possui uma porta grande de vidro com detalhes em preto como se fosse uma borda por todo seu arredor sendo possível já ver por fora o que tem lá dentro.


— Bem, aqui estamos. Não é tão difícil de chegar até aqui não, é? — o senhor Benson pergunta dando um sorriso.


— Eu quase fiquei tontx de tantos dobras que a gente deu — Allison fala.


— Segurança em primeiro lugar. Já que trata-se de uma área importante é evidentemente claro que ela precisa ficar um pouco mais afastada das demais.


— Pai, você entra com a gente, não é? — você pergunta.


— Mas é claro — Joseph diz — Mas antes...



Joseph chega próximo à porta de vidro que dá acesso pra sala pondo a mão rapidamente sobre uma área específica da parede. Após feito, uma forma retangular de cor prateada posicionado em pé começa a surgir de dentro para fora da parede. Em seguida, aproximando-se da tal forma, ele fica parado bem em frente à ela posicionando sua cabeça deixando ser tocado por uma luz verde que dispara várias linhas que vão escaneando seu rosto.


— "ACESSO LIBERADO!" — uma voz é emitida da tal forma retangular.


— Nossa, que legal! — Allison exclama.


— Isso parece ser bem restrito. Achei interessante — você fala.


— Restrito e seguro. Isso impede que qualquer pessoa tenha acesso. Não é excelente? — Benson fala.


— Isso é ótimo. A gente já pode entrar?


— Claro, com toda certeza. Venham, me acompanhem que irei mostrar tudo junto ao seu pai.



Ao entrar na sala, as luzes que antes estavam apagadas se acendem. Um arsenal é revelado contendo, é claro, alguns livros distribuídos em algumas partes, assim como objetos tipo esferas de metal em cima de uma prateleira, ferramentas enferrujadas dentro de uma caixa de vidro em um armário de vidro como se fosse exposição de museu ou uma joalheria. Há também obras de arte tanto penduradas na parede como uma outra aberta amplamente em cima de uma das mesas e, por fim, o que lhe chama mais a atenção por ser algo que pra você é de fato o que mais lhe causa curiosidade por ainda não ter visto assim com tanta facilidade.



— Esse é o mapa da cidade — você afirma chamando a atenção de Allison que vai até sua direção.


— Certamente — o senhor Benson diz — Esse é um dos poucos mapas originais que nós temos nos arquivos da biblioteca. Na verdade nós estamos dando uma estudada neles e revisando detalhes comparados aos outros existentes.


— Outras mapas existentes? Tem mais iguais a esse? — Allison pergunta.


— Crianças, vocês não vieram atrás de um livro pra pesquisa de vocês? — Joseph pergunta com uma expressão aparentemente desconfortável.


— Sim, pai, mas olha o que tem nessa sala. É surpreendente incrível. Isso tudo são coisas resgatadas daquela época, não tô certx? — você pergunta.


— É, mas vocês vieram aqui pra pegarem os livros. Eu vim aqui pra te ajudar no que você pediu. Não esqueça que essa é uma sala restrita, pra começar vocês nem devia estar aqui.


— Mas o senhor está. Então a gente já aproveita pra dar uma olhada. O senhor Benson autorizou, não foi?


— Deixe, Joseph. São apenas crianças. Além do mais elxs estão respeitando as regras. O que tem nisso? — Benson fala.


— Esse mapa tem a cidade toda: os rios, florestas, todos os bairros e... essas áreas marcadas com bolas verdes — você fala analisando o tal mapa.


— O que essas marcas significam? — Allison pergunta.


— Essas são as áreas que mais receberam visitas nos últimos meses. Dizendo-se assim podemos dizer que são as áreas que cresceram tanto em visitas como em aumento de procuras de pessoas para residirem nesses lugares.


— Olha, Miríade também está marcada — Allison fala apontando para a área destacada no mapa.


— Allisson é de Miríade, deve saber bem disso — Joseph declara.


— Oh, é mesmo?! Você tem notado alguma diferença na região que mora, Allison? — Benson questiona.


— Não na minha região. Por onde eu moro continua igual, as mesmas pessoas. Acho que se tivesse muitas pessoas entrando lá em Miríade pra morar talvez eu saberia. Você deve saber que em Miríade não é qualquer pessoa que entra, assim como essa sala — Allisson diz.


— Sim, eu sei. Mas o que nós temos reservado pra cada bairro será fundamental pra história da cidade daqui em diante — Benson fala — Bom, eu acho que é prudente e sensato que eu me retire agora. Eu só vim mesmo pra dar boas-vindas pro meu amigo Joseph quando soube que ele estava aqui. Bom, Joseph, foi um prazer conhecer S/N e Allison e é sempre um prazer ter sua visita por aqui.


— O prazer é todo meu, Benson. E obrigado por ajudar — Joseph fala.


— Não tem de quê. Sempre que precisar pode contar comigo.


— Eu sei disso. Certamente.


— Bom, eu já vou indo. Você sabe o que fazer, Joseph. Vou deixar o local sob sua responsabilidade — Benson diz.


— Obrigadx, senhor Benson — Allison agradece.



E assim o homem sai da sala com um sorriso aberto deixando apenas vocês três na sala. Agora ficou mais fácil e menos preocupante averiguar a sala por completo e com mais tranquilidade sem ter alguém responsável pelo local para ficar supervisionando seus passos e atos.


Bem, quer dizer, exceto pelos pontos vermelhos posicionados estrategicamente em alguns lugares da sala que são quase imperceptíveis por sua delicadeza na intensidade da luz, mas que com certeza estão ali por motivos óbvios que nem precisam ser mencionados. Mas não é sobre isso que decide falar, o assunto principal que levou Allison e você até a sala ainda consiste em ser a procura por algum conteúdo que possam ajudar no objetivo do enigma. Será que tendo acesso aos artefatos e livros restritos dessa vez conseguem encontrar tanto o que procuram?


— Eu nem sei por onde começar. Não sei se procuro por algum livro ou se investigo cada objeto da sala — Allison fala.


— Allison, isso não é investigação criminal — você diz dando um sorriso.


— Lembrem que não podem levar nada ou tirar fotos. Estou sob tutela do lugar — Joseph diz.


— Eu sei, pai. Fica tranquilo. Eu só preciso achar alguma coisa que faça sentido — você declara — O senhor pelo visto vem muito aqui, não é? Então deve saber de alguma coisa. Tem algo que possa me indicar? Existe algum livro aqui com alguma coisa que ninguém ficou sabendo sobre os fundadores ou algo da cidade?


— Infelizmente não vou poder te dar essa resposta. Acredito que tudo que se sabem sobre os fundadores estão em livros que não precisem ficar em uma área restrita na biblioteca.


— E quanto à essas esferas? O que elas significam? — Allison pergunta — A última vez que vi uma dessa foi em um filme de guerra.


— São esferas de metal. Acredito que devem ter sido encontradas em alguma propriedade da cidade. Agora se houve guerra em Nevinny já não vou saber dizer.


— Não, não teve. Eu já pesquisei e nunca teve indícios. Na verdade nem faria sentido.


— E quanto à esses objetos enferrujados na caixa de vidro? O que tem de importante neles? Parecem muito com alguns que eu vi num lugar abandonado. Objetos de tortura utilizados em outra época — você pergunta lembrando da vez que visitara Miríade tendo encontrado alguns similares na companhia de Allison e Lavínia.


— Sim, isso mesmo. Encontraram alguns objetos como esses em lugares espalhados na cidade. Realmente tiveram momentos de tortura também nessa cidade. Muito triste saber disso — Joseph declara — Onde você viu ferramentas assim, S/N?


— Acho que em alguma reportagem ou livro. Não lembro.


— Entendo. Bem, não é querendo apressar vocês, eu sei que não é todo dia que se tem acesso à áreas restritas assim, mas eu tenho compromisso logo depois daqui. Se importariam de se apressarem um pouquinho? Filhx, você me entende? Depois eu posso ter todo o tempo do mundo com você.


— Calma, pai. A gente não vai demorar. Estamos quase terminando, eu acho — você diz novamente chegando perto da mesa onde está o mapa da cidade — Esse mapa eu achei bem interessante. São alguns bairros que estão marcados. O senhor Benson disse que foram os bairros que mais receberam visita nos últimos meses. O senhor sabe se eles pretendem fazer alguma coisa? Tipo, aumentar mais ainda o fluxo de pessoas?


— O que eu achei mais interessante é do porquê esses bairros terem tido mais visitas. Com exceção de Miríade, é claro. Ainda continuo achando que quem marcou esse mapa está um pouco equivocado — Allison dispara.

— Bom, existem coisas que certamente estão planejadas para a cidade. Como vocês já devem saber, eu andei contribuindo na infraestrutura econômica pra dar apoio à cidade e assim escolhermos as melhores áreas pra realizar esses investimentos. Depois do lançamento do táxi voador em Dakota ter sido um sucesso muitas pessoas começaram a se interessar e querer conhecer Nevinny. Após esse evento a cidade começou a ganhar notoriedade e não podemos ver nada melhor do que dar destaque para os bairros que possuem os melhores pontos estratégicos pra aumentar essa demanda, o que inclui também o bairro de Miríade, que sempre foi denominado por muitos como o "distrito excluído" ou o bairro em que acontecem as coisas estranhas. O governo viu que seria hora de parar com tais informações e decidiu dar de melhor o que a cidade tem pra oferecer.


— Isso faz sentido. Nevinny merece ter o reconhecimento que merece. S/N, seu pai é um herói.


— É. Isso é bem interessante — você fala pegando um pequeno livro preto de poucas páginas embaixo do tal mapa. Na capa está escrito "Relatório de acompanhamento C: 1012". Ao abrir e ir para a primeira página, logo no início da folha está destacado em letras garrafais em azul "Plano Diretor".


Analisando a folha, você vê a imagem de um extenso e aparente infinito trilho de trem com vários gráficos e detalhes espalhados por todo o desenho, porém o enigma da vez é que os escritos da imagem estão em um idioma na qual você não consegue detectar. Passando para a página seguinte há mais escritas e desenhos de formas, alguns deles confusos para saber do que pode tratar-se e palavras que foram escritas mas logo depois riscadas após uma possível desistência de ideia, talvez.


— Pai, você tem notícias da mamãe? — de uma forma aleatória você pergunta no momento em que se direciona até Allison entregando o caderno em suas mãos.


— Não entendi sua pergunta, S/N — Joseph diz.


— O senhor ainda não tem notícias dela, por onde ela pode estar?


— Por favor, S/N. Já falei que esse é um assunto que quero evitar.


— Eu sei. Me desculpa. Eu estive pensando, se o senhor concordar, pois deve tá muito ocupado com essas coisas da cidade, de talvez depois daqui ir comer alguma coisa na lanchonete — você fala.


— Eu ia adorar, mas será se é uma boa ideia? Não existe alguém te esperando em casa que certamente ia odiar ficar sabendo que você esteve comigo?


— Ah, é claro, verdade. Como eu pude esquecer? Realmente eu combinei com a Lívia um horário pra voltar. Eu não posso desobedecer ela.


— Podemos deixar pra outro dia. Levamos Allison se concordar.


— Ah... o quê? Claro! Claro que sim. Eu ia adorar — Allison diz fechando rapidamente o caderno que você dera.


— O que você está olhando nesse caderno? Não tirou fotos, não é? — Joseph fala indo rapidamente na direção de Allison tirando o caderno de suas mãos.


— Claro que não, pai. Não precisa de tudo isso. Allison não quebra as regras.


— Eu encontrei aqui. Achei que podia olhar — Allison fala na tentativa de se justificar — Bom, eu acho que já devemos ir. O tempo passa depressa, não é mesmo?


— Eu acho que sim. Acho que o que olhamos já me deu umas ideias e inspiração pra ter o que colocar no trabalho — você fala.


— Tem certeza? Nem olhou todos os livros — Joseph diz.


— Sim. Muito obrigadx pela ajuda, pai. Mas a gente precisa ir agora. Allison mora muito longe e ainda precisamos pegar o metrô.


— Você acha mesmo que vou deixar ir de metrô tendo meu carro esperando lá fora?


— Não precisa, senhor Joseph. Não queremos incomodar o senhor — Allison fala.


— Tem certeza?


— Temos. Nós vamos lanchar rapidinho na lanchonete. Pode ir cuidar dos seus compromissos — você fala dando um abraço em Joseph — Até mais, pai.


— Bom, então tudo bem — ele diz.


— Até mais, senhor Joseph. Tenha uma boa noite — Allison fala.


E assim vocês saem apressadamente para irem à entrada da biblioteca novamente. Joseph, por sua vez, permanece dentro da sala observando sua partida com uma expressão de desentedido. Os corredores ainda encontram-se com as luzes acesas. Ainda bem que ainda há tempo de sair antes dela fechar.