Notas iniciais
Oi Gente! Desculpem pela demora, mas pelo menos este é o maior capítulo até agora. Aliás, eu tentei postar a foto de Jason no último capítulo, mas não consegui. Então se ainda quiserem ver, ele é assim: http://www.myspace.com/bella_edward_jacob/photos/2618518#%7B%22ImageId%22%3A2618518%7D
Aproveitem e espero que gostem!

Jolie

Abri meus olhos. Eu estava em uma sala pequena. Eu não me lembrava de como tinha chegado lá. Olhei ao meu redor. Não havia nada naquelas paredes brancas, nem mesmo uma porta. Eu estava presa.

– Tem alguém aí!? – gritei, mas ninguém respondeu – Tem alguém aí!? – gritei com ainda mais intensidade expulsando todo o ar de meus pulmões.

Ouvi uma risada vinda de todos os lados, mas, ao mesmo tempo, de lugar nenhum. Era uma risada forte e maligna que debochava da minha situação: Sozinha, presa e incapacitada. Estremeci. Esse era meu pior pesadelo.

– Desista jovem semideusa! – disse a voz maligna. Ela não estava mais rindo. Estava mais séria e autoritária – Você sabe que vai morrer se não desistir! Renda-se a mim e eu te darei o que você mais quer!

– Nunca! – eu falei tentando parecer mais corajosa do que eu realmente estava – Nunca irei me render a você!

– Eu aceito essa sua decisão semideusa, mas agora você sofrerá as consequências – ele disse e voltou a rir debochadamente.

Então eu vi porque ele ria: As paredes estavam se movendo. E o pior: Em minha direção. O pânico começou a me invadir. Desesperada, fui até uma parede e a soquei tentando, de algum modo, quebra-la e dar uma chance de fuga. Mas nada acontecia.

As paredes estavam muito próximas agora. Eu batia mais e mais forte a cada minuto. Faltavam cinco metros para as paredes me esmagarem. Bati mais forte. Quatro metros. Pedi ajuda. Três metros. Chutei o mais forte que pude. Dois metros. Chorava desesperada, batendo e pedindo ajuda. Um metro. Gritei.

– Jolie! Jolie! Acorda! – abri os olhos de repente assustada. Minha mãe estava do meu lado me olhando preocupada. Ela estava com seus curtos cabelos pretos desgrenhados e havia olheiras ao redor de seus lindos olhos castanhos. Deduzo que ela também acabou de acordar – Teve um pesadelo? – Ela me pergunta carinhosamente.

– Sim – respondo e meus pelos da nuca se arrepiam ao me lembrar do pesadelo. Rezo para que minha mãe não pergunte qual foi. Eu não aguentaria ter que falar o que aconteceu e acabar me desmoronando em lágrimas na frente dela.

– Quer assistir um filme? Para esquecer o sonho? – minha mãe pergunta. É por isso que eu a amo. Ela sempre me entende e sabe exatamente o que fazer em uma hora dessas. Mas afinal ela é Katherine Black, a melhor psiquiatra de toda Londres. Eu sorrio para ela e assinto devagar – Ok, eu escolho o filme enquanto você vai lavar seu rosto.

Ela saiu à procura de um filme e eu fui lavar o rosto. Cheguei ao banheiro e encarei meu reflexo no espelho. Eu estava horrível! Meu cabelo loiro estava todo bagunçado. Minha pele parecia mais pálida do que o normal e eu tinha olheiras horríveis em meus olhos azuis. Eu não dormia bem há muito tempo. Nestes últimos dias eu tenho tido vários pesadelos horripilantes. Vou até a janela e olho a linda vista de Londres para me acalmar. Só uma vista daquelas para me fazer esquecer os meus problemas.

– Filha, que tal Encontro Explosivo? – minha mãe grita da sala de estar.

– Pode ser mãe! – grito de volta e me arrumo rapidamente. Vou até a sala bem a tempo do filme. Sento no sofá junto com minha mãe e assistimos ao filme.

Após duas horas de ação e comédia, o filme acaba e eu e minha mãe ficamos conversando para nos distrair um pouco.

– E então ela caiu na piscina e... – ela começou a rir descontroladamente.

– Mãe! Não pode começar uma piada e rir antes de terminar – eu disse também rindo, só que da minha mãe que não parava de rir.

– Desculpa filha! Eu não resisti! – De repente ela parou e virou sua cabeça como se quisesse escutar algo. Eu a imitei. Havia algum tipo de guincho que estava vindo do telhado.

– Está escutando isso? – pergunta minha mãe arqueando uma sobrancelha.

– Estou. – eu respondi.

– Eu vou ver o que é e você fica aqui. – ela disse me olhando com um olhar acusador que dizia “Nem pense em me desobedecer!”. Eu assenti e ela se levantou.

Assim que ela bateu a porta eu dei um salto e fui me trocar. Eu ia segui-la claro, mas não ia ao telhado de pijama. Coloquei um casaco preto por cima dele e corri para alcançar minha mãe. Até parece que eu deixaria que ela fizesse isso sozinha. Eu nunca tinha obedecido a uma ordem dela, porque obedeceria agora?

Segui-a sorrateiramente pelas escadas. Ela abriu a porta que dava para o telhado e entrou. Esperei cinco minutos até entrar também. Eu entrei e me deparei com minha mãe confusa, ainda procurando algo que tivesse feito o barulho. Ela me viu e sua expressão passou de confusa para enraivecida.

– Eu disse para você ficar lá dentro Jo! – ela reclamou ríspida.

– Eu queria ajudar! – eu respondi – Você não pode me culpar por querer te proteger!

– Eu não preciso de proteção ok? – ela gritava agora – Além disso, o melhor modo de você me proteger seria ficando dentro de casa!

– Ah, claro! O melhor jeito de proteger uma pessoa é ficando longe dela – eu ironizei.

Minha mãe estava a ponto de surtar. Ela ia gritar uma resposta e, provavelmente, me botar de castigo. Até que o guincho voltou. O som misterioso vinha do céu e aumentava a cada instante. Até que eu vi entre as nuvens o que era. Eram pombos. Eles estavam vindo em nossa direção com uma expressão enraivecida (se é que pombos tem uma expressão).

– Pássaros de Estinfália – ouvi minha mãe murmurar. Ela encarava os pássaros como se estivesse em transe. Os pássaros estavam muito perto do telhado agora. – Filha! Corra! Para dentro de casa agora! – Minha mãe gritou parecendo ter acordado de seu transe.

Corri até a porta. Quando cheguei, girei a maçaneta e já ia entrando quando percebi uma coisa: minha mãe não estava vindo comigo. Os pombos já tinham chegado nela. Eles faziam um espiral e a bicavam sem parar. Ela tentava lutar, mas era em vão. Os pássaros desviavam facilmente de seus golpes.

Então eu fiz, talvez, a maior loucura de minha vida: Fechei a porta e corri para ajudar minha mãe. Cheguei à nuvem de pássaros e comecei a dar socos aleatórios. Mas se eu acertava um pássaro, ele facilmente se recuperava. Os pombos me bicavam e arrancavam parte de minha pele. Minha mãe percebeu que estava ali e pareceu ter ficado com raiva, mas agradecida.

Eu estava quase sem esperanças, quando uma tempestade se formou. Trovões rimbombavam no céu. Então um raio caiu e me atingiu. Para ser mais exata, na minha mão que ainda tentava dar um soco nos pássaros. Então eu pensei, é agora. Vou morrer frita por um raio. Mas a sensação que eu senti foi a de um frio intenso. E mesmo depois do raio ter desaparecido, o frio ainda permanecia.

Olhei para minha mão e me espantei. Havia uma espada de um tipo de metal que parecia ouro em minhas mãos. Em seu punho, havia o desenho de um raio. Eu não percebi outros detalhes porque eu estava ocupada demais tentando não ser morta.

A espada veio a calhar, pois eu consegui derrubar alguns pássaros. Olhei para minha mãe para ver como ela estava se saindo. Ela não estava bem. Seus braços estavam repletos de arranhões. E ela não havia derrubado nenhum pássaro. Fui ajuda-la, mas os pombos malignos fizeram uma parede entre nós e começaram a me empurrar. Eu consegui acabar com alguns deles, mas logo outros apareciam para me puxar para longe de minha mãe. Então vi seu verdadeiro plano: os pombos que ainda estavam com minha mãe a pegaram pelas roupas e a ergueram no ar. Depois de a erguerem, eles começaram a voar para o sul até subirem nas nuvens e eu não conseguir mais vê-los.

Eu me apavorei. Aquilo era como meu pesadelo: Eu estava sozinha. Minha mãe fora raptada e não existia mais nenhum membro da minha família vivo. Presa no telhado de minha casa. Se eu conseguisse sair, os pombos certamente me seguiriam e eu não queria arriscar a vida de ninguém ao sair dali. E eu estava incapacitada de derrotar os pombos. Eles eram muitos.

Então eu sentei no chão e comecei a chorar. Não estava nem aí para os pássaros que me atacavam. Minha vida estava arruinada e a única solução seria a morte. Lembrei os últimos minutos que passei com minha mãe. Tínhamos brigado feio e agora ela se foi sem eu poder dizer pelo menos um adeus. Lembrei então da voz de meus sonhos que deveria ter me colocado nessa situação e dos pombos levando minha mãe embora. Uma onda de raiva me atingiu. Raiva da voz maligna que me tinha posto nesta situação. Dos pombos que me atacaram sem motivo aparente e raptaram minha mãe. E dos pombos que me atacavam agora.

Eu não podia voltar no tempo nem trazer minha mãe de volta, mas podia descontar minha raiva e frustação nos pombos que tinham feito isso. A raiva me deu energia para levantar, limpar as lágrimas e voltar a lutar. Lutei como nunca na minha vida. Eu cortava um pombo ao meio, dava um soco ultra forte em outro e matava boa parte deles. Mas ainda sim eram muitos.

Minha raiva crescia a cada instante e eu via que havia outra tempestade para vir. Desejei profundamente que ela me ajudasse de novo e matasse algum daqueles pombos. E foi o que aconteceu. Raios incríveis atingiam vários pombos e os matavam na hora. Depois de alguns minutos não havia mais pombos e eu pude descansar.

Olhei para minha espada sem saber o que fazer agora e percebi o raio em seu pulso outra vez. Toquei nele e percebi que era um botão. O empurrei e ele virou um bracelete dourado ainda com o raio. Coloquei-o no meu pulso pensando que poderia ter que usar a espada outra vez.

Sentei exausta no chão do telhado. Comecei a pensar mais claramente e chorar. Era a única coisa que eu podia fazer agora. Chorava sem parar pensando no que seria minha vida agora sem uma mãe.

Ouvi um barulho de asas, mas demorei a pensar no que era. Quando eu percebi que podia ser mais pombos, o barulho das asas parou alguns metros atrás de mim. Me virei rapidamente enquanto apertava o botão/raio de meu bracelete, transformando-o em uma espada. Mas o que eu vi não foram pombos malignos querendo lutar comigo.

Eu estava com uma arma apontada para uma menina de cabelos pretos e olhos coloridos. Percebi que havia uma faca em seu cinto feita do mesmo material que minha espada. Ela estava séria me encarando. Um pouco atrás dela havia uma carruagem colorida com dois cavalos na frente: Um preto e outro branco. Eles pareciam carregar algo nas suas costas. Olhei melhor e vi que não carregavam nada. O que eles tinham nas costas eram asas.

– Temos que nos apressar Julia! – disse um menino que eu ainda não tinha notado. Ele estava dando maçãs para os cavalos. Ele segurava um arco e havia uma aljava com flechas pendurado em suas costas.

– Já estamos indo Jason — a menina disse olhando para ele e sorrindo. Havia algo naquele sorriso. Percebi na hora que os dois não eram apenas amigos. O olhar e o sorriso que, Julia provavelmente, tinha lançado a Jason era de amor.

– Bem, não temos muito tempo para explicar. – Julia disse. – Então entre na carruagem e te explicamos no caminho.

– E como posso saber se posso confiar em vocês? Como posso saber se vocês não vão me matar? E ir para onde? – Eu perguntei, pois não sabia em quem podia confiar.

– Você não tem como saber – disseram os dois olhando para mim. — Mas você tem alguma outra escolha? – Jason perguntou.

Ponderei se eu poderia mesmo ter qualquer outra escolha. Mas não, eu não tinha. Então transformei minha espada em um bracelete e entre na carruagem.

Notas finais
Por favor, não me matem ainda por levar a mãe de Jolie embora ~le eu desviando das pedras que jogam em mim~
Espero que tenham gostado! Fiquem a vontade para mandar reviews, fazer críticas ou até recomendar! Obrigado por lerem!
Aviso: Os pássaros de Estinfália foram criados por Rick Riordan. Eles aparecem em O mar de monstros. Obrigado!