Orquídea Azul-escuro, A Flor Banida
2 Capítulo 1
O cômodo estava mergulhado em um profundo silêncio. Os três não diziam nada, apenas respiravam. A sala era feita de madeira, com quatro pequenos bancos também de madeira. Havia um leve odor de mofo nela, devido ao seu desgaste. A porta ficava à esquerda de Ronan, e a janela à direita, atrás de Ercnard. O azul começava a pensar em como seria sua missão com aqueles dois companheiros. O seu maior problema não era Sieghart, e sim o terceiro. Temia com o que podia acontecer durante uma luta séria, pois Arquimídia era um dos continentes mais perigosos. Eles não se odiavam, se detestavam. Pensava também no que havia na moochila que o estranho carregava. O silêncio fora quebrado.
— Pfft... Tenho de vir justo com você, imortal? — Disse o terceiro.— Não ache que gosto de você, Dio. Sei bem do que você é capaz quando fica nervosinho... — Provocou, Sieghart.— Mas pelo menos não sou eu durmo com garotinhos, não?— Ora, seu... — Sieghart já levantava de seu lugar, empunhando sua Soluna.— Parem, os dois!! Se vocês lutarem aqui, o barco irá cair! Estamos no céu!! — Gritou Ronan, bravo. As horas seguintes foram de silêncios, turbulências no voô, provocações de Dio para Sieghart, e vice-versa. Quando já era de madrugada, o capitão informou que eles pousariam logo. Ronan logo se levantou para pegar sua bagagem, duas bolsas que pareciam estar bem pesadas. Levantou-as, quando, ao mesmo tempo, o navio sofreu uma turbulência, fazendo o azulado se desequilibrar e cair ao chão. Mas para ele, o problema não era cair, mas aonde ele caiu. Ele havia se esparramado entre as duas pernas de Sieghart, sentando no colo do mesmo.— Ai! Desculpe-me, o navio tremeu e... — Tentava se explicar.— Tudo bem, não me importo... Mas pare de falar e levante-se logo! — Ordenou Ercnard.— Desculpe-me... — Ronan, mais uma vez. Então, ele se levantou e empunhou suas bolsas com certo esforço. Seguiu à porta e alertou os companheiros.— Vamos pessoal, chegamos! Dio fez com que não se importava e continuou sentado, enquanto Ercnard levantou-se, empunhou sua Soluna em uma das mãos, e colocou em suas costas sua grande mochila, que aparentava pesar, no mínimo, alguns 40 quilos.— Vamos Dio, deixe de se aparecer! — Provocou, e logo após passou pela porta. Dio seguia logo atrás. O moreno alcançou Ronan, e tomou-lhe uma bolsa de uma das suas mãos.— N...não precisa. Eu posso levar... — Fazia menção de pegar a bolsa da mão do guerreiro.— Eu já peguei e não vou devolver. Ande... — Fingia não se importar.— O...obrigado. Eles então finalmente avistaram a terra de Arquimídia. Seguiram até a saída do navio voador e andaram até a cidade mais próxima. Ronan perguntou aos habitante aonde havia o hotel mais próximos, para eles se alojarem, e descobriu um estabelecimento perto da entrada do Estado dos Anões. Entraram no humilde prédio de poucos andares e seguiram até o atendente.— Senhor, poderia nos alugar três quartos? — Perguntava o azul.— Claro, claro! São apenas 10 peças de ouro. — Respondia com certo brilho nos olhos. Ele parecia não ter muitos clientes.— Tome aqui. — estendeu a mão para o velho homem. — Subiremos lá então. Os quartos eram 10,11 e 13, pois o 12 estava ocupado. — Eu fico com o 13... Quanto mais longe de você — apontou para Ercnard — eu puder ficar, melhor. — Disse Dio.— Qual você quer, Sieghart? — Estendeu as chaves para ele. O moreno pegou a chave número 11, fazendo Ronan sobrar com a 10. Cada um se dirigiu para seu dormitório e se acomodaram para descansar o quanto podiam. Ronan entrou no quarto, trancou a porta e despejou sua bolsa na cama.— Finalmente... Melhor arrumar minhas roupas e... — Se lembrou que a outra bagagem estava com Sieghart. Ronan destrancou a porta, abriu-a e segiu ao quanto ao lado. Bateu na porta três vezes e esperou. Bateu mais três vezes e pediu para que o moreno abrisse-a.— Entre!! — Pediu Sieghart com uma voz alta. Ronan abriu a porta, fechou-a e seguiu adiante o quarto que continha apenas um banheiro um pouco sujo pelo tempo.— M...me desculpe... Você ficou com uma bolsa minha. — Disse Ronan, e após, estendeu a mão direita. Sieghart puxou-o para muito perto de si, com a mão. Abaixou a cabeça para ficar olho a olho com o azulado e falou algo que o tocara.— Primeiro, me chame de Sieg de agora em diante. — Começou Sieghart, chegando cada vez mais perto. Ronan estava paralisado, sem saber o que fazer. A única coisa que lhe restara fazer era escutar. Sieg apertava-o cada vez mais forte, deixando-o sem ar.— Segundo, a bolsa está em cima da minha cama. — Chegou mais perto.— E terceiro, você vai jantar comigo hoje. — Tocou as pontas dos lábios na boca de Ronan, para dizer a frase. Ronan empurrou Sieg para trás e andou para trás, com uma respiração ofegante. Ficou imóvel por alguns segundos e, finalmente, conseguiu pronunciar alguma coisa.— E...eu O...obrigado... N...não... — Estava extremamente vermelho, não conseguindo falar nada sem gaguejar.
— Ótimo, daqui 40 minutos estou te esperando lá em baixo. Se arrume! — Disse agora Ercnard, empurrando Ronan para fora do quarto, para que o mesmo não pudesse rejeitar o convite. Ronan se dirigiu ao seu quarto, deitou-se na cama e se lembrou de que não havia pegado sua bolsa no quarto de Sieghart. Mas, desta vez, não tinha coragem de voltar até lá, depois de tudo isto. Passou-se vinte minutos em que estava deitado com seus pensamentos voando de um lado a outro, quando lembrou-se do jantar. Ele não queria ir, mas não podia deixar o moreno na mão, afinal, não conseguiu recusar. Levantou-se em um impulso e seguiu até seu pequeno banheiro, onde se encontrava um vaso sanitário, uma pia com a torneira parcialmente enferrujada e um "chuveiro" ao fundo. Ronan não estava nem se importando com a qualidade do banheiro, estava preocupado com o que poderia acontecer naquela noite. Pegou sua roupa de Inquisidor, seguiu para o banheiro e, enfim, tomou seu banho. Após estar pronto, percebeu que ainda tinha alguns poucos minutos de sobra, então seguiu á entrada do hotel, onde o senhor estava dormindo ao balcão.— Finalmente chegou... Vamos. — Disse Sieg, e, após terminar, puxou Ronan para mais perto de si, quase tocando-o corpo a corpo. Ronan corou um pouco, mas seguiu junto a ele para fora. Percebeu que o céu estava um pouco claro, sinais do amanhecer.— Parece que será mais um café da manhã, mas vamos lá. — Disse Sieg, repensando seus planos. Eles notaram que tudo estava fechado, pois deviam ser em torno de 5 horas da manhã. Mas avistaram um vendedor de alimentos, que parecia vender pequenos sanduíches. Os dois seguiram até ele e Ercnard fez seu pedido.— Queremos três sanduíches. — Disse logo.— Claro, claro... É pra já!! — O vendedor disse, preparando o pedido.— Três?! — Estranhou Ronan.— Claro, olha o tamanho disto!! — E apontou para o lanche na mão do vendedor, que pareceu nem se importar.— Hmm... São duas peças de ouro! — O vendedor estendeu a mão. Ronan tirou do bolso duas moedas de ouro, mas o moreno já havia pagado antes dele. Ercnard puxou o garoto para próximo de si e seguiu com ele até um pequeno banco próximo à venda do homem. Eles sentaram-se e Sieg entregou um lanche para Ronan, que comia o sanduíche devagar e calmamente.— Está gostando disso? — Disse o moreno apontando para o lanche mordido pelo garoto.— Sim, sim... Obrigado. — Falou entre uma mordida e outra— Se solte mais. Se me quer mesmo, tem que parar de ficar envergonhado a todo instante.— Eu não quero você! N...nunca disse isso! — Agora disse Ronan, dando uma grande mordida no lanche para esquecer do que ouvira.— Sei... — Após dizer isso, pegou o outro sanduíche e o abocanhou rapidamente.— Nossa, está com muita fome mesmo, não? Ainda estou na metade do meu lanche... Hahaha — Zombou o azul.— Parece que não sou só eu... Há molho na sua bochecha. — Após informá-lo, Sieg pegou um pedaço de papel e limpou suavemente o rosto do garoto, que rapidamente já estava vermelho. Após limpá-lo, Sieghart esboçou um sorrizo sedutor, sexy que Ronan percebeu. O de cabelos azuis foi chegando cada vez mais perto, como se estivesse hipnotizado. Ercnard percebeu e também se aproximava. Enfim, a poucos milímetros de distância entre as bocas, Ronan recobrou a consciência.— M...me desculpe!! E...eu n...não queria... Foi... Eu... — Tentava se explicar. Sieg o interrompeu, dando um tapa em sua comida, fazendo-a cair ao chão, desmontando-se. Segurou a nuca do azul com força e a moveu rapidamente sua boca de encontro com a dele. Chegando cada vez mais perto, mais perto. Ronan fechou os olhos, não queria ver o que iria acontecer, pois não podia resistir, a força de Sieg era realmente gigante. Enfim, seu lábio tocou alguma coisa, um pouco gelada e um pouco quente. Mas não se movia. Após criar coragem, abriu os olhos, e percebeu uma mão entre seu rosto e o de Sieghart. Foi seguindo com os olhos o témino da mão, passando ao braço, ao ombro e, finalmente, ao dono da mão. Era Dio.
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